I Início I  Livraria I Cadernos Bíblicos I Revista Bíblica I

 

 

GEORGE, Agustin, Para ler o Evangelho segundo S. Lucas. 1979, 80 págs. 2ª ed. 1990. Cód. 6001


Lucas não conheceu Jesus pessoalmente. O que primeiramente o impressionou foi o rosto do Ressuscitado, do Senhor da Glória que tinha transfigurado o seu mestre, Paulo, no caminho de Damasco. Orientando o seu olhar de historiador, a fé deste convertido levou-o a descobrir Jesus Crista no bebé de Belém, no adolescente que fica no Templo aos doze anos, no Profeta que orienta toda a sua vida para Jerusalém, cidade onde os mártires dão testemunho.

Lucas deixou-se impressionar pela maravilhosa humanidade de um Deus que se comove diante da mãe que acaba de perder o seu filho único, que é o grande amigo dos pecadores de quem todos se afastam, das mulheres institucionalmente desprezadas, dos pequenos que todos esmagam.

Por isso, a alegria de Deus, que consiste em salvar todos os homens, irradia em cada página do Evangelho de Lucas. Mas é uma alegria terrivelmente exigente: ninguém poderá descobrir que é amado desta maneira sem se sentir obrigado a corresponder com um amor único que comprometa a vida toda.

Lucas: um evangelho maravilhoso, comovedor como uma confidência inefável sobre o ser amado.

Para nos introduzir nesta obra era necessário um especialista que a conhecesse a fundo, mas também um crente que a vivesse em profundidade, apaixonadamente. O P. Augustin GEORGE é um desses. Professor na Universidade Católica de Lyon, Presidente da ACFEB (Associação Católica Francesa dos Exegetas Bíblicos), passou a sua vida a estudar este evangelho. Poderíamos citar largamente os seus títulos; porém, o que vale por todos é o reconhecimento de todos aqueles que — estudantes, cristãos que frequentam a igreja onde ele prega todos os domingos, participantes de numerosas sessões por ele orientadas — graças a ele, conheceram e se entusiasmaram por S. Lucas.

Seria impossível, em tão poucas páginas, apresentar todo o Evangelho em pormenor. O P. George preferiu introduzir-nos nele mediante um certo número de textos, contem­plando assim o rosto de Jesus, Salvador, Cristo e Senhor.

Etienne Charpentier

 


VÁRIOS, Para ler o Evangelho segundo São Mateus. 76 págs. Cód. 6002

 

Depois da "Leitura do Evangelho segundo S. Marcos", de Jean Delorme, e da "Leitura do Evangelho de S. Lucas", de Augustin George, apresentamos uma leitura do primeiro Evangelho. É, parcialmente, uma obra colectiva. Simon Légasse, professor no Instituto Católico de Toulouse e especialista em S. Mateus, teve de confiar este trabalho, já quando ia a meio, ao padre Poittevin, da abadia de En-Calcat. Assim, pelo menos, descobri uma coisa que desejava partilhar convosco, cristãos e biblistas, todos demasiado habituados a ler ou a trabalhar sobre textos limitados; eu, por exemplo, passei dias e semanas inteiras a estudar uma ou outra passagem de S. Mateus. Ver-se obrigado a enfrentar, durante alguns dias, a sua leitura global, é uma experiência salutar. De facto, há sempre a tentação de parar para examinar o sentido de uma expressão, para voltar a ler tal comentário, para assegurar-se de algumas afirmações feitas... mas é impossível! Talvez, então, à custa de algumas imprecisões, com o risco de cair em intuições preconcebidas, o Evangelho nos obrigue a descobrir as suas linhas de força. A primeira vez que subi à Acrópole, foi durante uma escala muito breve em Atenas, numa noite de lua cheia. Tinha que ver tudo em algumas horas apenas, passados os propileus, sentei-me, frente ao Partenón e ali fiquei a noite inteira. Mais tarde visitei-o detalhadamente. Pensais que entrei mais em comunhão com ele que durante aquela primeira noite global? Neste Caderno, como nos anteriores, sobre Marcos ou Lucas, não devemos procurar um "comentário". Não ignoramos o trabalho imenso de análise literária destes últimos decénios que demonstram, por exemplo, os estudos de Léon-Dufour, de J. Dupont e muitos outros, trabalho que permite, com frequência, encontrar as tradições de que Mateus pôde dispor. Mas vamos dedicar-nos, sobretudo, como o intentou J. Radermakers, a entender o conjunto do Evangelho e as suas grandes intuições. Talvez isto nos ajude a dar nova vida aos textos isolados que meditamos na liturgia ou na reflexão pessoal. 

Etienne Charpentier


 

CHARPENTIER, Etienne, Para uma primeira leitura da Bíblia. 1980, 76 págs.; 2ª ed. 1996. Cód. 6003

 

Este Caderno, um pouco diferente dos outros, dirige-se mais aos que pela primeira vez abrem a Bíblia. Nada mais pretende. O seu conteúdo foi muitas vezes usado em sessões de iniciação bíblica. Para além deste Caderno, outros estudos nos ajudarão a ir mais longe. Mas um e outros, com um objectivo único: permitir que a Escritura nos manifeste o seu sentido, que a Palavra nos interpele, que o Espírito nos introduza nesta aventura de Jesus Cristo que é também a nossa: a de uma existência vivida no encontro com o Deus Vivo.

 


 

GRELOT, Pierre, Homem, quem és tu? As origens do Homem (os primeiros 11 capítulos do Génesis). 1980, 64 págs. Cód. 6004

 

As "narrativas da criação" e as suas imagens de Epinal dum Deus artesão ou cirurgião, que modela Adão com barro ou lhe tira uma costela para formar Eva..., a "maçã" e o paraíso perdido... tudo isso já não está na moda! Mas a verdade é que isto penetrou muito fundo na nossa mentalidade e contribuiu bastante para criar em muitos não crentes (e crentes?) a convicção de que não é possível acreditar na ciência e na Bíblia ao mesmo tempo. Uma má interpretação dos primeiros capítulos do Génesis fez-nos perder em todos os campos: criou objecções insuperáveis para os não crentes, colocou o crente numa situação difícil dentro da sua fé, e - talvez seja isto o mais grave -, ao limitar-nos às imagens, ficámos impedidos, muitas vezes, de captar o essencial: a mensagem acerca do homem e da sua existência concreta. Contudo, há vários decénios, que os especialistas da Bíblia nos ensinaram a ler com verdade estas magníficas páginas. Mas, apesar do esforço dos catequistas e dos pregadores, estes ensinamentos não conseguiram penetrar. Nestas páginas o padre Grelot, professor de Sagrada Escritura no Instituto Católico de Paris e autor de várias obras sobre o tema, vai-nos ajudar a compreendê-las.


 

VÁRIOS - Libertação humana e Salvação em Jesus Cristo (I Parte). 1980, 68 págs. Cód. 6005

 

Guerrilheiros na América Latina, Frentes de Libertação Popular, Movimentos Sociais, Movimento de Libertação da Mulher, "libertação sexual"..., nunca, como na nossa época, se exprimiu com tanto vigor este apelo à liberdade, inscrito no coração de todo o homem. Os homens querem ser efectivamente livres e, perante os obstáculos de toda a ordem que o impedem, eles sabem que a sua liberdade passa antes de tudo por uma libertação. Entre estes homens há também cristãos e alguns, em nome da sua fé, comprometem-se a fundo nesta luta... O cristão sente, de modo confuso, que este esforço de libertação deve ser feito no sentido de Deus que quer os homens livres. E, todavia, interroga-se: qual a relação entre este esforço de libertação e a salvação que nos veio trazer Jesus Cristo? Duas dezenas de exegetas encontraram-se para reflectir sobre o assunto, para construir um plano comum, oferecer a sua contribuição e, mais tarde, de novo, para criticar estes trabalhos. Temos certamente consciência da imperfeição do nosso trabalho e queremos assinalar muito claramente os seus limites. * Trata-se de um estudo bíblico. Criticar-se-á, sem dúvida, e legitimamente, esta opção: um estudo deste problema só podia fazer-se com a ajuda de todos os meios desde a investigação, da Sagrada Escritura à análise política, passando pela Teologia, a Filosofia, as ciências humanas... A nossa intenção é apenas contribuir com uma pedra, entre outras, para uma tal reflexão. Mas, por outro lado, temos consciência, embora com modéstia, da sua importância: um estudo bíblico não pode pretender dizer tudo sobre uma dada questão, mas deveria ajudar a colocá-la bem e oferecer alguns elementos úteis para outros estudos. Aliás, deveria lembrar, se acaso fosse necessário, que não se pode fazer dizer o que se pretende à Sagrada Escritura. * Sendo um estudo bíblico, situa-se intencionalmente num plano de fé. Dirige-se ao cristão, comprometido como qualquer homem e porque é homem, para o ajudar a fortalecer a sua fé. Para um não-cristão ele aparecerá, assim o desejamos, como um esforço por "dar razão da nossa esperança". * Finalmente, é óbvio que cada um dos autores que escrevem neste Caderno, o faz a partir dum "lugar" preciso, delimitado pela respectiva história pessoal, pelas suas opções políticas, pelos seus compromissos no seio da Igreja... Este Caderno pretende ajudar-nos a descobrir um pouco melhor Jesus como homem livre e levar-nos a trabalhar com todas as nossas forças pela nossa libertação e a de todas as pessoas.

Etienne Charpentier

 


 

CHARPENTIER, Etienne, Cristo Ressuscitou! 1981, 76 págs. Cód. 6006 

 

Podemos reflectir tecnicamente sobre a amizade ou sobre o amor, como faz o psicólogo ou o sociólogo.... ou seja, analisá-los do exterior como um "problema" donde surgem inúmeras interrogações. Podemos também abordar o assunto a partir de dentro, como um "mistério" que nos envolve e nos ultrapassa: sabemos, no entanto, que não nos podemos alhear, nem da amizade, nem do amor, porque são eles que dão sentido à nossa vida. A única coisa que realmente desejamos é tomar consciência deles duma maneira racional, para podermos avaliar da importância que têm na nossa vida e na nossa relação com os outros. Da mesma forma, um historiador das religiões poderá estudar a Ressurreição de Cristo - ou mais precisamente esse fenómeno estranho que os homens consideram a Sua ressurreição - do ponto de vista externo. É do aspecto interior que nós tentaremos abordá-lo neste Caderno. Escrito por crentes e para crentes, ele é um testemunho de fé. O seu ponto de partida é a experiência cristã: "Nós cremos em Jesus ressuscitado". A sua intenção é ajudar-vos a tomar consciência do que viveis e talvez ainda a estar "dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" (1 Pe 3,15). Mas porquê um Caderno sobre a Ressurreição? Eis que a Igreja crê nela há dois mil anos, sem alteração da sua fé. É preciso, no entanto, reconhecer que durante alguns séculos a Ressurreição perdeu um pouco da sua importância, como lugar central que lhe é devido, na teologia e no ensinamento religioso, tanto no meio católico como no protestante. Porém, devemo-nos regozijar do mistério pascal ter adquirido, desde há alguns anos, a sua verdadeira importância. Muitas coisas mudaram na nossa mentalidade e na maneira de abordarmos os problemas; desenvolveram-se numerosas ciências: a história, a exegese, as ciências da linguagem... Isto levou os especialistas, visto a ressurreição ser precisamente o núcleo da nossa fé, a estudarem novamente os textos evangélicos, para que não surja a pergunta "Cristo ressuscitou?", mas sim "o que queremos exactamente dizer ao proclamarmos: Cristo ressuscitou?" Não se trata, portanto, de pôr em dúvida a nossa fé, mas de tentar compreendê-la melhor. Por todas estas razões, a ressurreição suscitou, nos últimos tempos, uma infinidade de estudos. Mas a maior parte são estudos técnicos, publicados em revistas ou em obras especializadas. A intenção dos "Cadernos Bíblicos" não é apresentar quaisquer novidades, nem este Caderno pretende ser original. O seu fim é somente pôr à disposição do maior número possível de pessoas, e de uma forma inteligível, os resultados mais importantes adquiridos e publicados neste campo. Ao tentar, modestamente, realizar tal intenção, levando talvez à leitura de obras mais eruditas, este Caderno quereria levar-nos a tomar consciência de que vivemos, cada dia, do Ressuscitado, e permitir-nos também proclamar, cada vez mais profundamente, que JESUS ESTÁ HOJE VIVO, como Senhor, para a glória do Pai.


 

DELORME, Jean, Para ler o Evangelho segundo S. Marcos. 1981, 112 págs. Cód. 6007/8

 

"São Marcos" é um longo trabalho (112 páginas) da autoria de Jean DELORME. Sacerdote da diocese de Annecy e professor das faculdades católicas de Lyon, Jean Delorme é reconhecido pelos seus pares como um exegeta competente, ao mesmo tempo que é apreciado pelo não-especialista, devido á maneira simples e cheia de humor com a qual sabe introduzir a uma leitura espiritual da Sagrada Escritura. Especialista de Marcos, colaborador na Tradução Ecuménica da Bíblia, Delorme deseja ensinar-nos a descobrir as linhas de força de um evangelho mais rico do que parece à primeira vista e convidar-nos a um envolvimento no drama que nele se desenrola. Nos anos em que a liturgia católica nos faz ler São Marcos, tanto o pastor como o cristão encontrarão neste Caderno um excelente instrumento de trabalho e de meditação, que lhes permite situar as passagens do leccionário no dinamismo de conjunto da obra. 

Etienne Charpentier

 


 

PERROT, Charles - Narrativas da Infância de Jesus. 1982, 84 págs.; 2ª ed. 1990. Cód. 6009

 

Até há poucos anos liam-se os evangelhos da infância como se fossem narrativas folclóricas, quando na realidade se trata de alta teologia. O evangelho de João não engana: o seu prólogo sobre a Palavra de Deus, que se fez homem, aparece-nos logo como o fruto da longa meditação de um teólogo. Os relatos de Mateus e de Lucas apresentam-nos igualmente uma teologia tão profunda e elaborada como a de João. O que acontece é que, ao eles escolherem, para se exprimirem, outro género literário, tomamos os seus textos como contos de fadas ou simples histórias populares. E, no entanto, estes relatos são o testemunho vivo de uma investigação apaixonante dos primeiros cristãos sobre a razão de ser da sua fé em Jesus Cristo Filho de Deus. Para simplificar, poderíamos dizer que estas narrativas são como que uma "apresentação" do filme. No cinema acontece com frequência que, enquanto vão passando diante dos nossos olhos os nomes do autor, do produtor, etc., começam a aparecer imagens e temas musicais que nos dão, logo de início, os elementos necessários à compreensão do filme. Porém, só depois de ter visto o filme, é que nos apercebemos de que aqueles extractos eram a sua verdadeira chave. Nalgumas produções utiliza-se mesmo o processo chamado de "marcha atrás". Tomemos, como exemplo, o filme antigo: "Morte, onde está a tua vitória?" A mulher de um político famoso vive, durante vários anos, uma vida desregrada e dissoluta. Após a morte de seu marido, converte-se e entra no Carmelo. Na apresentação do filme, vê-se logo esta mulher a rezar, vestida de carmelita. Assim, a última imagem aparece ao princípio, mudando toda a visão de conjunto. Deste modo, somos levados a descobrir o caminho da graça através da vida dissoluta daquela mulher. Marcos com o seu título, João com o seu prólogo, e Mateus e Lucas com as suas "narrativas da infância", antes de nos contarem os episódios da vida e as palavras de Jesus, homem, profeta, crucificado, dão-nos a imagem do "ressuscitado" em que, à luz do Espírito e durante longos anos, descobriram o Filho de Deus feito homem. Precisamos de conhecer todo o evangelho para compreendermos "a apresentação". Porém, esta, ao oferecer-nos os temas essenciais, dá-nos a chave da sua leitura. Charles Perrot leva-nos a esta descoberta. Sacerdote da diocese de Moulins, professor do Instituto Católico de Paris, especializou-se em literatura judaica dos começos da nossa era. Os seus estudos sobre a leitura da Bíblia na Sinagoga e, por exemplo, sobre o Pseudo-Filon, dão-lhe grande autoridade e renome. Um dos aspectos mais importantes deste Cadernos consiste, pois, em situar com profundidade e simplicidade, os escritos de Mateus e de Lucas no contexto do pensamento da sua época, como o fez Ch. Perrot com mão de mestre. Devemos agradecer-lhe também que, de vez em quando, utilize directamente alguns dos processos da chamada análise estrutural, fazendo-nos ver que este método não é tão difícil como, à primeira vista, poderia parecer e que é inegável a sua utilidade. As concepções de Perrot sobre história, e as suas reflexões a propósito, ajudar-nos-ão a compreender melhor o conjunto do evangelho. Mas, o mais importante talvez seja o podermos compreender a fé dos nossos primeiros irmãos cristãos. Fé, que é a nossa, em Jesus Filho de Maria e Filho de Deus. 

  Etienne Charpentier


 

VÁRIOS, Libertação humana e Salvação em Jesus Cristo (II Parte). 1982, 72 págs. Cód. 6010

 

"Libertação humana e salvação em Jesus Cristo": como descobrir a inter-relação de dois temas naqueles textos que constituem, para a fé cristã, o ponto último de referência? Como pode a fé, através deles, desempenhar a sua função crítica na reflexão dos cristãos comprometidos na luta pela libertação humana? Qual a verdadeira originalidade da salvação cristã? Para ajudar a responder a estas questões torna-se indispensável o contributo dos exegetas. Por isso, bateu-se à porta da ACFEB (Associação Católica Francesa dos Exegetas Bíblicos) para que preparasse dois "Cadernos Bíblicos" sobre o tema. Eis a motivação do aparecimento de dois longos estudos sobre o mesmo tema. Estes cadernos serão uma luz para todos, incluídos os militantes comprometidos na acção quotidiana e desejosos de anunciar a todos os seus irmãos a boa nova da salvação em Jesus Cristo. Não pode haver verdadeira evangelização, sem Evangelho lido, meditado, vivido, anunciado... Nos diferentes ateliers de trabalho postos em marcha para preparar a sessão, os biblistas poderão assim dar a sua própria luz, ao lado dos outros membros do povo de Deus. É esta colaboração de todos, na diversidade das situações, das missões e das competências, que permitirá à Igreja ser sempre mais verdadeiramente o Sacramento da Salvação em Jesus Cristo.

André FAUCHET, Bispo de Troyes


 

JAUBERT, Annie - Para ler o Evangelho segundo S. João. 1982, 80 págs.; 2ª ed. 1994. Cód. 6011

 

Após a publicação de estudos sobre S. Marcos, S. Lucas e S. Mateus, surge o presente Caderno sobre S. João. Annie JAUBERT é bem conhecida dos especialistas. Professora da Universidade, responsável de cursos na Universidade de Paris IV, seus trabalhos sobre a Aliança, o Judaísmo ou a data da Última Ceia constituem uma autoridade. Por outro lado, publicou nas Edições "Du Seuil", "Approches de l'Evangile de Jean", aqui citado sob a forma abreviada de "Approches". Neste Caderno ela acompanha mais de perto o desenvolvimento próprio do Evangelho, introduzindo-nos desta forma na sua leitura. 

Etienne Charpentier


 

BEAUDE, Pierre-Marie - "...Segundo as Escrituras". 1983, 60 págs 10. Cód. 6012

 

Ao entrarmos na Borgonha, somos recebidos por marcos indicativos, que nos dizem: "Estrada dos vinhos...", "Circuito das igrejas românicas"… Consoante o humor do dia ou segundo o projecto já de há muito tempo amadurecido, escolhemos uma visita que está bem sinalizada: pode-se fazer um ou outro percurso da região. Felizmente eles encontram-se todos em determinadas pontos! Este Caderno vem propor-nos um percurso, entre outros possíveis, através da Novo Testamento. Não serão estudos minuciosos e desenvolvidos, mas uma visita guiada com uma perspectiva concreta: para exprimir a sua fé, os autores do Novo Testamento recorreram sem cessar à Escritura. Que significa isso? Será simplesmente uma "prova" de que Jesus estava realmente anunciado?... Veremos que a questão é bem mais importante do que isso. Para este percurso precisávamos de um guia experimentado. Pedro-Maria BEAUDE, professor de Sagrada Escritura na Centro Teológico de Caen, é com certeza um guia seguro. Ele publicou uma tese sobre este mesmo tema, mas nem por isso tomou um ar exageradamente sério: os que trabalharam com ele, no Centro de Caen ou noutras sessões, apreciam o seu humor sorridente. Junto com introduções à leitura de livros da Bíblia (Mateus, Apocalipse e Salmos) ou de outros instrumentos de trabalho (introdução à Bíblia), este Caderno oferece-nos assim uma abordagem da Sagrada Escritura, introduzindo-nos na mais antiga teologia da Igreja primitiva. 

Etienne Charpentier


 

COTHENET, Edouard - São Paulo no seu tempo. 1983, 84 págs. Cód. 6013

 

"Paul est né plusieurs" (Paulo nasceu plural): esta expressão de A. Brunot, mostra bem a complexidade deste ser incomodativo e fascinante. Pertence a duas civilizações: é, ao mesmo tempo, judeu e grego. Dotado de um carácter íntegro, nem sempre é acomodatício quando está em causa a missão. Pedro, Marcos, Barnabé, os Coríntios e tantos outros, aprendê-lo-ão à sua custa. Habituado à exegese rabínica, Paulo arrasta-nos, por vezes, a raciocínios onde sentimos perder o pé... e, ao mesmo tempo, revela-nos uma pessoa encantadora, transbordante de afeição, de arroubos apaixonados, para exprimir o seu amor para com o Senhor que o "agarrou" no seu caminho, e para com aqueles que gerou para a fé. Já foram esboçados muitos retratos de Paulo. Em múltiplos estudos, já se disse tudo acerca dele. Era bom, talvez, que um Caderno o resumisse em algumas páginas. Edouard Cothenet, sacerdote da diocese de Bourges e professor no Instituto Católico de Paris, é exímio em situar Paulo no seu contexto vivo: a civilização judaica com a sua fé, a sua liturgia, a sua busca de Deus na Escritura, a civilização grega com os seus componentes económicos e históricos, a sua necessidade de encontrar razões para viver, que os melhores de então procuravam no estoicismo e no epicurismo. Nesta leitura, Paulo aparece-nos mais homem, preocupado com múltiplos problemas, e mais apóstolo, totalmente dedicado à causa que serve. As Cartas, assim situadas na sua vida e contexto histórico, ganham novo vigor e verdade. Descrevendo qual era a situação no Império Romano na época de Paulo - um outro Caderno apresenta a Palestina no tempo de Jesus - este Caderno oferece uma boa introdução para o conhecimento daquele a quem chamaram "o primeiro depois do Único". 

Etienne Charpentier


 

BRIEND, Jacques - Uma leitura do Pentateuco. 1984, 64 págs. Cód. 6014

 

Torá, isto é, a Lei: assim chamam os judeus aos cinco livros do Pentateuco: Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio. Isto supõe uma primeira questão: como é que estes livros, que comportam sobretudo narrativas (da criação do mundo até à entrada de Israel em Canaã) podem ser considerados como uma "lei"? Por outro lado, a origem deste conjunto é complexa: é composto a partir de quatro documentos redigidos em épocas diferentes. Jacques BRIEND, professor no Instituto Católico de Paris e na Escola Bíblica de Jerusalém, conhece suficientemente bem a questão. Discípulo do P. De Vaux, a quem ajudou nas escavações arqueológicas, ele tornou-se um dos especialistas da história de Israel e das suas tradições. Este Caderno, fruto dum longo ensino continuamente sujeito a nova investigação, deveria ter aparecido mais cedo. Mas, chamado a dirigir durante o verão um campo de escavações na Palestina, J. Briend não teve oportunidade de o realizar em tempo útil. É à leitura dos textos do Pentateuco que ele nos convida antes de mais. Com a sua orientação, este paciente estudo mostra-se imediatamente apaixonante, pois, através das suas páginas erudita - mas sempre fáceis - é a sua fé que repassa, uma fé enraizada numa história, a história do povo de Deus, que continua a ser, ainda hoje, a nossa história. 

Etienne Charpentier


 

MONLOUBOU, Louis - Os Profetas do Antigo Testamento, 1984, 68 págs. Cód. 6015

 

O esboço que Luís Monloubou nos oferece neste caderno pretende fazer-nos compreender o fenómeno bíblico da profecia, nas suas origens e nas suas características. O longo estudo dos profetas e as numerosas publicações sobre o assunto fazem de L. Monloubou um guia que permite a um leitor moderno encontrar-se no universo, por vezes estranho e complicado, que é o dos profetas do Antigo Testamento. O profeta e a verdade, o profeta e o culto, o profeta e o futuro, o profeta e o rei: eis, escolhidos entre outros, os temas aprofundados pelo autor, de modo a corrigir os lugares-comuns vulgarmente espalhados sobre tais questões. O leitor moderno não se interessa somente pelo profetismo do ponto de vista arqueológico. Que consolação podem os homens de hoje tirar do melhor conhecimento do período bíblico, iluminado pela presença destas grandes testemunhas de Deus, se são incapazes de reconhecer os profetas de hoje? À primeira vista, o Caderno de L. Monioubou interessa-se pouco pelos profetas do nosso tempo. Todavia, ao mostrar as relações dos profetas com as outras civilizações vizinhas, ao sublinhar a solidariedade dos profetas com os homens do seu tempo e o seu compromisso total ao serviço duma Palavra que os submerge, L. Monloubou descreve os traços que devem encontrar-se também nos inspirados de todos os tempos. A sua palavra inscreve-se numa escritura que guarda a memória da sua insurreição em favor de Deus e dos pobres. Ela inscreve-se também no seu corpo que muitas vezes pagou caro a fidelidade a Deus. Hoje ainda, os profetas revelam, através da sua boca e do seu corpo, as exigências da aliança. O percurso que Luís Monloubou nos propõe pode ajudar-nos a reconhecê-los. 

Alain Marchadour


 

MANNATI, Mariana - Para orar com os Salmos. 1984, 72 págs. Cód. 6016

 

Orações estranhas, nascidas há já mais de dois milénios dos lábios de um pequeno povo, e que, desde então, não cessaram de ser murmuradas ou clamadas no silêncio dos claustros ou ao som dos órgãos litúrgicos, na intimidade da vida quotidiana, ou nas assembleias de povos crentes. Orações estranhas nas quais tudo surpreende o homem ocidental: o ritmo, as imagens, a violência de sentimentos e a história de Israel que neles aflora constantemente. Uma das chaves para entrar no seu universo é precisamente compreender que os Salmos são história: são a vida transformada em oração, a história de Israel transfigurada em eucaristia através da sua utilização no culto. E são um convite para fazermos da nossa vida uma oração. Ao abrir um livro de "orações bíblicas", esperamos encontrar textos edificantes, tecidos de bons sentimentos, impregnados de uma profunda teologia... Eles são humanos, terra a terra, amassados com carne e sangue, "espelhos das nossas revoltas e das nossas fidelidades". Porque são orações de homens, de homens que não se enganam a si mesmos quando encontram o seu Deus, que Lhe fazem frente com todas as suas paixões e as suas misérias e a sua nostalgia de amor. Eles revelam-nos, assim, a face misteriosa da nossa vida quotidiana, das nossas lutas e das nossas esperanças, esta face que está "escondida com Cristo em Deus" (Col 3,3). Deste modo, os Salmos fazem-nos entrar na oração de um povo no qual cada um quando ora, diz "nós"; até o próprio "eu" da maior parte dos salmos é colectivo. Eles fazem estoirar o nosso individualismo. Descobrimos que somente "como povo" podemos encontrar Deus, e somos arrastados por eles numa imensa história de amor, aquela que, após a aurora do primeiro dia, Deus empreende com os homens. Mas é preciso entrar no seu mundo. E para isso é necessário um guia experimentado. Mariana MANNATI é-o, seguramente. Após ter ensinado filosofia, ela consagrou-se ao estudo dos salmos, que traduziu com E. de Saloms, e comentou num grosso volume de 1600 páginas. Actualmente está integrada no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científica) para estudar os géneros literários do saltério. É precisamente a descobrir os géneros literários dos salmos, chave para a sua boa interpretação, que ela nos convida. E neste domínio ela abre, por vezes, com brio, caminhos novos, que nem sempre são os seguidos por todos os especialistas. Este estudo leva-a a fazer reviver várias instituições culturais de Israel e esta descoberta não é um dos aspectos menos interessantes deste Caderno. Estas reconstituições são tão vivas, que dão por vezes, a impressão de "reportagem em directo"; no entanto, tenhamos uma certeza: elas baseiam-se numa sólida documentação. Mariana Mannati ajuda-nos a decifrar pacientemente os sinais do Ser amado que já afloram em todas estas orações, o rosto do "nosso bem amado irmão e Senhor Jesus Cristo".

Etienne Charpentier


 

 

GOURGUES, Michel - Os Salmos e Jesus, Jesus e os Salmos. 1985, 68 págs. Cód. 6017

 

Eis um tema apaixonante e que nos toca directamente. Confrontado, como qualquer um de nós mas também de modo bem diferente, com uma tarefa a desempenhar, com uma vida a inventar, Jesus meditou a Sagrada Escritura, para nela descobrir uma luz que desse sentido à sua existência quotidiana e para nela discernir a vontade do Pai. Dentre esses textos da Sagrada Escritura, os Salmos, oração do seu povo, eram um lugar privilegiado. Que salmos utilizou Jesus para exprimir a sua missão? Os primeiros cristãos, guiados pelo Espírito, procuraram compreender o sentido profundo das palavras e das acções de Jesus, procuraram concretamente compreender como é que aquele que eles reconheciam como o Messias pode ter sido condenado à morte. Para eles também os Salmos trouxeram alguma luz. Jesus e os nossos primeiros irmãos cristãos ensinam-nos assim, a nós, homens de hoje, a relermos a nossa vida à luz dos Salmos. Um outro Caderno - "Para orar com os Salmos" -, apresenta os Salmos. Um outro - "Segundo as Escrituras" -, mostra como os autores do Novo Testamento escreviam a vida de Jesus. Na encruzilhada desses dois Cadernos, este permite fazer a ligação entre ambos. Ao mesmo tempo, este Caderno é uma excelente introdução à compreensão dos Evangelhos. Poderemos, por vezes, ficar admirados com a quota parte de criatividade atribuída aos primeiros discípulos; ficaremos sobretudo maravilhados com a inteligência nova que lhes dá o Espírito, "conduzindo-os à verdade completa". Michel GOURGUES, estudioso dominicano canadiano, ensina no Colégio Dominicano de Filosofia e Teologia de Ottawa. A sua tese sobre a actualização do Salmo 110 no Novo Testamento - "À la droite de Dieu. Résurrection de Jésus et actualisation du Ps 110,1 dans le N.T." - deu-lhe a preparação para tratar este tema com perfeito domínio da matéria. 

Etienne Charpentier


 

GRELOT, Pierre - Os Evangelhos: origem, data, historicidade. 1985, 72 págs. Cód. 6018

 

Desde há mais de um século, pelo menos, a leitura dos evangelhos foi falseada por uma questão que não acabou ainda de ser levantada: "Será que tudo isto se passou realmente, tal como está escrito?". Conhecemos as objecções dos adversários neste combate em torno dos evangelhos e da fé em Jesus. Por um lado, os críticos racionalistas baralham as tradições dos crentes em nome da ciência: os evangelhos reflectiriam sobretudo as ideias dos cristãos a respeito do mito do Homem-Deus, no fim do século I e no século II. Numa palavra, o historiador não poderia dizer grande coisa sobre esse "Jesus histórico". Em contraposição, sustenta-se a historicidade absoluta destes textos, como relatórios fiéis das recordações sobre Jesus de Nazaré, redigidos pelos apóstolos e seus colaboradores pouco depois dos acontecimentos. Desconfiar da sua historicidade implicaria negar o seu carácter inspirado. Por exemplo, quando apareceu o "Jesus" de R. Bultmann, em 1926, uma Bíblia católica falava assim das tentações de Jesus: "Facto verdadeiramente real e objectivo... Satã apresenta-se, portanto, visivelmente, sob uma forma corporal... E para cúmulo da sua audácia, ele levou realmente Jesus Cristo pelos ares e colocou-o no cimo do Templo". Ou ainda, a propósito da estrela dos Magos: "É provável que este astro tenha sido criado expressamente para esta circunstância, consistindo num meteoro miraculoso, que flutuava na nossa atmosfera e aparecia ou desaparecia, conforme as intenções divinas". (Bíblia de L. C. Fillion). Este mau combate da fé contra a ciência continua ainda: não faltam crentes bem intencionados que vão actualizando, com ares científicos, algumas posições ultrapassadas, que eles julgam favoráveis à fé. Assim, J. A. T. Robinson, num dos seus livros, pretende provar que os evangelhos foram redigidos nos primeiros vinte anos - ou no máximo quarenta - depois do Pentecostes. Segundo outros, os evangelhos foram escritos em hebraico, como se isso lhes desse uma historicidade indiscutível! No meio destas polémicas, modas e hábitos, é necessário fazer o ponto da situação com serenidade e levantar as verdadeiras questões: que são os evangelhos? Por quê e como foram eles escritos na Igreja? Como podem eles, hoje, fazer nascer e alimentar a nossa fé em Jesus, o Senhor? Como professor no Instituto Católico de Paris, Pierre Grelot está bem colocado para esclarecer este debate: o rigor e a clareza do seu ensino são bem conhecidos. Ele oferece aqui dados sérios e elementos de reflexão, para todos aqueles que, duma maneira ou doutra se encontram comprometidos na educação da fé. 

Philippe GRUSON


 

VÁRIOS - A Eucaristia na Bíblia. 1985, 68 págs. Cód. 6019

 

Um dos momentos da celebração do Grande Jubileu dos 2000 anos da Encarnação de Jesus Cristo, foi a realização do Congresso Eucarístico de Roma, subordinado ao tema: "A Eucaristia, fonte de vida divina" (TMA 55). Por quê propor um Caderno Bíblico sobre a EUCARISTIA? Primeiramente, porque, para além de qualquer moda, a Eucaristia continua a ser o sacramento essencial do cristianismo e porque a fé nunca conseguiu compreender até ao fim a profundidade deste mistério. Em segundo lugar, porque uma aproximação propriamente bíblica da Eucaristia não é, de certeza, supérflua. É verdade que, nos últimos tempos, bastantes coisas foram publicadas sobre a Eucaristia. No conjunto destas publicações, a grande maioria versa sobre aproximações teológicas, eclesiológicas e espirituais; é normal que assim seja. Mas os estudos bíblicos relativamente acessíveis são mais raros. E a vocação natural destes Cadernos é o de tentar preencher essa lacuna. A empresa não é das mais fáceis. O leitor poderá verificar pessoalmente que muitas das questões continuam em aberto, que algumas dificuldades se mantêm e que continuam a existir desacordos entre os especialistas na matéria. Apesar de tudo, tem sempre muito interesse fazer por si mesmo a experiência de que os começos são sempre frágeis e difíceis de apreender. É uma lei que verificamos presente em todos os domínios e particularmente no da Eucaristia. O dossier recolhido neste Caderno não tem nenhuma pretensão em ser exaustivo. O que ele propõe são simplesmente alguns esclarecimentos, para melhor se compreender os textos da Eucaristia, tanto na utilização que se faz desses textos como do seu envolvimento cultural. Cada leitor e cada grupo é que devem, depois, continuar este trabalho, mergulhando nos textos que nos lembram como Jesus quis que a Sua causa sobrevivesse e como os primeiros cristãos acolheram esta vontade testamentária do Seu fundador. 

Alain MARCHADOUR


 

VÁRIOS - Os Milagres no Evangelho. 1986, 68 págs. Cód. 6020

 

Milagres. Outrora acreditava-se talvez por causa deles; hoje, acredita-se apesar deles! Incomodam-nos! A ciência tornou-nos reticentes diante de "tudo o que escapa às leis da natureza" (mas será assim que devemos defini-los?). Quando se apresenta Jesus aos jovens, não se fala deles: maneira simples de evitar perguntas embaraçosas! As "Bíblias para jovens" "explicam" as narrações do Antigo Testamento ou mesmo os Evangelhos de tal maneira que os milagres se tornam factos naturais... Um simples Caderno, como este, não pretende resolver todas as questões. Poderá somente ajudar-nos a pô-las melhor. É preciso, por outro lado, limitar o âmbito do nosso estudo: estudaremos apenas os milagres de Jesus, deixando de lado os do Antigo Testamento, os dos Actos dos Apóstolos, e ainda os que S. Paulo menciona nas suas Cartas. Tão pouco falaremos dos milagres realizados nos nossos dias em certas comunidades carismáticas. Este estudo, com os seus limites, deseja ajudar a descobrir que os milagres são, acima de tudo, uma mensagem, uma palavra de Jesus sobre Jesus. É um convite à descoberta do seu sentido, do seu significado, um convite a reconhecer a face de Jesus que os evangelistas nos fazem entrever através deles, um convite também a interrogar-nos: quais são hoje os "milagres" que vão tornar a dizer ao mundo esta mesma palavra? 

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS - Uma leitura dos Actos dos Apóstolos. 1986, 82 págs.; 2ª ed. 1996. Cód. 6021

 

"Escândalo na distribuição de subsídios: viúvas, as grandes prejudicadas". "Milagre em Jerusalém: um coxo subitamente curado". "Prisão de Pedro e João: o tribunal ordena a sua libertação". "Dos nossos enviados especiais ao concílio: depois de viva discussão, em que conservadores e progressistas se confrontaram, as teses de Paulo levam a melhor". Se Lucas tivesse escrito na nossa época, facilmente o imaginamos a redigir títulos sonantes para este "Diário da Igreja" dos anos 30 aos anos 60 que são os Actos dos Apóstolos. Aí descobrimos, com emoção, a primeira tentativa de comunitarismo integral ensaiado pela comunidade de Jerusalém; vemos surgirem à luz bastante cedo as divisões criadas entre cristãos abertos aos ventos novos, como os Helenistas de quem Paulo será discípulo, e os cristãos mais conservadores; assistimos ao balbuciar inicial da teologia e, para além por vezes da pobreza de certas fórmulas, maravilhamo-nos com o amor apaixonado de homens e mulheres para quem a vida de súbito ganhou sentido em Jesus ressuscitado. Contemplamos o desenvolvimento extraordinário desse punhado de homens, uma dúzia de pescadores e camponeses entregues ao sopro do Espírito, portadores de uma revolucionária mensagem - a mensagem do amor - e que, três séculos depois, chegarão aos confins do imenso império romano. E, no decurso desta metade do século, assistimos ao nascimento do Novo Testamento: as cartas que Paulo escreveu às comunidades implantadas em toda a bacia mediterrânica, os Evangelhos em que se revela o rosto de Jesus Cristo. "Revelar": a palavra pode também ser entendida no sentido fotográfico; a bacia mediterrânica surge a nossos olhos como um vasto laboratório de fotografia: os apóstolos primeiro, depois os primeiros discípulos e, depois ainda, os novos cristãos vindos tanto do judaísmo como do paganismo, brotando de culturas diversas, foram "impressionados" pelo rosto de Jesus; ser-lhes-ão precisos vários anos para que, graças ao "revelador" que é a vida de todos as dias, esse rosto seja verdadeiramente "revelado", deixando surgir os traços que fixarão definitivamente os evangelhos. Actos dos Apóstolos... Não somente um "jornal" interessado na "reportagem em directo", mas o trabalho de um historiador que, passado o tempo, reflecte sobre os acontecimentos para lhes discernir o sentido. Vários exegetas colaboram neste Caderno. Como no fim de contas já não sabemos o que pertence a cada um, preferimos não o indicar: é uma obra colectiva de biblistas suficientemente amigos para divergirem um tudo-nada na forma de abordar a Sagrada Escritura. E isso é enriquecedor. De qualquer forma, tanto uns como outros trouxeram simultaneamente a sua competência e o seu amor por este texto que para tantos crentes é, desde há dois mil anos, a carta-magna da sua vida cristã. 

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS, Uma leitura do Apocalipse. 1986, 64 págs. Cód. 6022

 

Iluminada pelos projectores, a catedral ressalta da penumbra da cidade. Visão de paz. Certeza de que as trevas - o sofrimento e o mal - não terão a última palavra. Sinal seguro para o viajante perdido na planície: a vida tem um sentido. Convite ao louvor destes dois braços erguidos "em direcção a um céu de demência e de serenidade"... Transformámos a palavra "apocalipse" em sinónimo de catástrofe... Mas o Apocalipse é uma "revelação", um clarão na noite, uma chama que consome o mal. Nos tempos de crise é como que por instinto que a este livro se regressa, como se fosse às fontes da esperança cristã. Num inquérito que fizemos, em que uma das perguntas era - "Quais os livros bíblicos que gostaria de ver abordados?" -, o Apocalipse ocupa com grande vantagem o primeiro lugar nas respostas dos inquiridos. A leitura que aqui propomos não pretende resolver todas as dificuldades deste livro complexo. Ela pretende ser apenas um convite para introduzir o leitor nesse documento singular da vivência cristã do final do século I. Aí se poderá encontrar a alegria do ser cristão e a força para recusar a adoração de todos os poderes ou ideologias totalitários, o orgulho de estar marcado com o nome de Jesus e o desejo de cantá-lo como o único Senhor. Sentiremos a nossa esperança exasperar-se, urgida pelo sopro do Espírito e clamar: "Oh, Sim! Vem, Senhor Jesus"!


 

PAUL, André - A Inspiração e o Cânone das Escrituras: história e teologia. 1987, 60 págs. Cód. 6023

 

As Escrituras são inspiradas pelo próprio Deus; a Igreja decide quais os livros bíblicos que são Palavra de Deus: eis duas verdades que eram ainda há pouco tempo evidências. Parecem participar do carácter sagrado da própria Bíblia. Desde há algumas décadas, porém, um bom número de fiéis, guiados pelos exegetas e pelos historiadores, aprenderam a descobrir a humanidade das Escrituras, a incarnação da Palavra divina nos textos humanos: os de Israel e os dos primeiros cristãos. Hoje, as antigas evidências acerca da origem divina da Bíblia são por vezes postas em causa, contestadas ou, na maior parte das vezes, incompreendidas. Os argumentos de autoridade já não bastam para substituir a informação e a reflexão. Este Caderno propõe, ao mesmo tempo, uma informação - como se chegou às afirmações doutrinais actuais? - e uma reflexão - porque existem ligações tão fortes entre Bíblia e Igreja? Que significam hoje expressões tradicionais como "Escrituras inspiradas", "livros canónicos"? André PAUL é um especialista em escritos judaicos do período intertestamentário: os dois ou três séculos que se seguem à formação do Primeiro Testamento judaico e acompanham a formação do Novo Testamento cristão. Efectivamente, este período charneira é um tempo privilegiado da reflexão dos crentes sobre as Escrituras. Muitos leitores puderam apreciar o Caderno que André Paul consagrou ao período intertestamentário - "Intertestamento". Encontrarão agora neste Caderno a sua competência de historiador, o vigor e a originalidade da sua abordagem. Um trabalho como este não pretende ser completo; os limites deste Caderno não o permitem. Para mais, situado que está no campo da teologia católica, este trabalho necessitaria do confronto com outros teólogos cristãos. Neste quadro restrito, ele traz, contudo, elementos essenciais para um dossier complexo e permite tomar a distância necessária para apreciar duas questões fundamentais, muitas vezes sofismadas: a da inspiração e a do cânon das Escrituras.


 

ASURMENDI, Jesús Maria, I Isaías (1-39). 1988, 68 págs. Cód. 6024

 

Neste Caderno, pretendemos estudar a obra do profeta Isaías (Is 1- 39), que viveu no século VIII antes de Cristo, e que teve, mais tarde, um discípulo anónimo que designamos como Segundo Isaías, autor dos capítulos 40-55. Alguns destes textos estão presentes na memória de todos, pois o Novo Testamento e a Liturgia, sobretudo as leituras do tempo do Advento e Natal, carregaram-nos dum significado teológico e afectivo muito grande. Mas temos primeiramente de lê-los no sentido que eles tinham no tempo de Isaías. Ao longo deste estudo, encontraremos um homem profundamente comprometido na história do seu tempo e na sua política, um homem que punha a sua confiança unicamente no Deus de Israel que governa os povos. Os gritos deste grande poeta e sobretudo deste homem de fé, sacudindo o mundo e a indiferença do seu povo a respeito de Deus, ainda hoje nos tocam profundamente. Jesus-Maria ASURMENDI, numa linguagem por vezes familiar, que lhe vem do seu país basco natal, guia-nos com clareza. Ele tem toda a familiaridade com Isaías, pois costuma ensiná-lo no Instituto Católico de Paris (e fez a sua tese sobre a guerra siro-efraimita). 

Jean François Desclaux - Etienne Charpentier 


 

PAUL, André - Intertestamento, 1989, 80 págs. Cód. 6025

 

Havia o Antigo e depois o Novo Testamento e isso parecia-nos já demasiado complicado! Será necessário acrescentar ainda um "Intertestamento"? E contudo, embora a palavra seja discutida, a realidade que ela pretende exprimir existe realmente e é importante. O último livro do Antigo Testamento, a Sabedoria, foi escrito por volta do ano 50 antes de Cristo; e o primeiro do Novo Testamento, a Carta aos Tessalonicenses, no ano 51 depois de Cristo: temos, portanto, um século sobre o qual a nossa Bíblia nada diz. É um século importante, dado que ele constitui o ambiente da vida de Jesus, no qual ele bebeu a sua formação, a sua mentalidade, a sua teologia, a sua espiritualidade. Na Bíblia nada foi conservado, mas uma enorme literatura surgiu durante este período. Muitos desses livros são conhecidos de há muito tempo, outros foram redescobertos só recentemente. É uma literatura frequentemente estranha, de aspectos muito variados, à qual quase só os especialistas têm acesso; e estes estudam-na actualmente com grande entusiasmo. O primeiro objectivo deste Caderno consiste em abrir-nos a porta desse universo um tanto misterioso, que engloba aproximadamente o primeiro século antes e o primeiro século depois de Cristo, ultrapassando-os, contudo, largamente. Trata-se duma introdução. Esta não tem interesse senão na medida em que nos permite ler os textos em si mesmos. Ora, estes, editados em obras demasiado especializadas e frequentemente em línguas estrangeiras, quase não são acessíveis aos não-especialistas. André PAUL, Professor no Instituto Católico de Paris, será o nosso guia neste campo que ele conhece bem, porque o tem explorado sem descanso. Mas - e aqui está o segundo objectivo deste caderno - A. Paul não se limita a fazer a lista da nomenclatura dos textos. Como filósofo, ele vê neste fenómeno literário uma época nova da teologia judia, precisamente aquela que permitiu o nascimento do Cristianismo. Estas páginas cheias de força em que ele desenvolve o seu pensamento podem parecer, sem dúvida, um pouco difíceis. Mas, e ainda que todos os especialistas não perfilhem as suas teses, seria errado não lhes dar importância; as suas conclusões sobre a importância social e política da escritura como tal merecem bem o esforço que exigem de nós; o que elas pretendem é suscitar reflexão e discussão e não um assentimento cego. Outros Cadernos, que nos ajudam a ler os textos da própria Bíblia, são, no geral, mais fáceis. Este, um pouco à margem dos livros canónicos, vai introduzir-nos no pensamento judaico num momento dramático da sua história em que esta se volta para aquilo que chamamos o Antigo Testamento, a fim de nele beber as forças vitais, produzindo assim a terra fecunda onde o Novo Testamento teve a possibilidade de nascer...

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS, Um primeiro contacto com a Bíblia. 1989, 64 págs. Cód. 6026

 

Eis-nos perante um Caderno Bíblico especial: desta vez, pareceu-nos bem seguir a actualidade religiosa e, como se diz em linguagem radiofónica, cobrir o acontecimento. Com efeito, no contexto da actualização dos programas da catequese, o episcopado francês decidiu publicar uma recolha de documentos privilegiados ("Pedras Vivas"), tiradas da Bíblia e da História da Igreja. Esta recolha será colocada nas mãos de todas as crianças que frequentam o catecismo, seja qual for a caminhada catequética percorrida. A primeira parte desta recolha de textos apresenta, portanto, uma selecção de textos da Escritura que permitem uma primeira descoberta do Livro e das suas passagens mais importantes. Pareceu-nos que poderíamos prestar um serviço aos catequistas, oferecendo-lhes um instrumento simples que lhes permitisse apoiá-los na parte bíblica de "Pedras Vivas". Assim, é em primeiro lugar aos catequistas que se dirige este Caderno Bíblico. Mas ele pode prestar grandes serviços a muitos outros. Muitas vezes pedem-nos para não "levantar" demasiado o tom dos Cadernos Bíblicos, para os tornar mais simples e para não escrever somente para os que nos seguem fielmente há anos; pedem-nos para, de vez em quando, nos lembrarmos também dos que iniciam a caminhada bíblica, a partir de zero. O sucesso do Caderno "PARA UMA PRIMEIRA LEITURA DA BÍBLIA" mostra que tal pedido é razoável. Este Caderno tem o inconveniente de ficar-se em teorias e de pretender ser demasiado completo. Por isso, o presente Caderno é mais concreto, pois apresenta os textos que convida a ler. Além disso, diferentemente do Caderno acima referido, não pretende dizer tudo. Oferece uma leitura da Bíblia dentre muitas outras. O método proposto privilegia a história da redacção dos textos, sem negar a redacção definitiva do Livro tal como o temos hoje, e sem ocultar o enraizamento histórico da mensagem revelada. Deste modo, o adulto que desconhece completamente a Bíblia poderá adquirir, sem grande dificuldade, um primeiro conhecimento da Bíblia. Muitos párocos, responsáveis da catequese de adultos e outros agentes de pastoral encontrarão neste Caderno um livrinho simples para emprestar a noivos, a catecúmenos, ou um instrumento de trabalho simples para encorajar a caminhada dum grupo que pretenda descobrir a riqueza da Bíblia. Com este Caderno um pouco especial pretendemos continuar a nossa missão, que é permitir a um grande número de pessoas uma descoberta: o Evangelho é vida.

---------------

Este Caderno é igualmente recomendável a todos quantos estão inseridos nos Grupos de Dinamização Bíblica. Nele encontrarão uma visão geral da Bíblia e o sentido de muitos textos fundamentais que poderão utilizar nas celebrações e no estudo em grupo. (n.t.)

Etienne Charpentier, Alain Marchadour, Michel Quesnel, Marc Sevin


 

WIÉNER, Claude - O II Isaías, o profeta do novo êxodo. 1990, 53 págs. Cód. 6027

 

"I Isaías: profeta aristocrático que viveu no século VIII, antes de Cristo, que, segundo a tradição, o rei Manassés teria mandado serrar ao meio e que os exegetas cortaram em três"... É mais ou menos nestes termos que um "Dicionário dos Santos", um tanto ou quanto humorista, apresentava Isaías. Seja como for quanto à sua morte, é verdade que os especialistas vêem nos 66 capítulos, que compõem este livro, a obra de pelo menos três profetas diferentes, que viveram em épocas diferentes. Atribuem-se os primeiros trinta e nove capítulos ao Isaías do século VIII (mas alguns destes capítulos, 24-27; 34-35 e mais alguns, são posteriores); os capítulos 40-55 são de um profeta anónimo. "Voz que grita" durante o exílio na Babilónia, por volta de 540, e que designamos, à falta de melhor nome, o "Segundo Isaías"; os capítulos 56-66 seriam obra dum discípulo que teria escrito depois do Exílio, por volta de 520. Num outro Caderno apresentámos a obra do "Primeiro Isaías". Neste Caderno limitar-nos-emos ao "Segundo Isaías" (ou Is 40-55). Mensagem para um tempo de marasmo e de crise, os seus poemas fazem-nos comungar do sofrimento do povo exilado, das questões angustiantes que ele levanta a si mesmo sobre a eficácia do seu Deus em salvá-lo, e sobretudo da sua fé capaz de ir encontrar, na recordação da sua história passada, as raízes da sua esperança para hoje. Os autores do Novo Testamento irão utilizar às mãos cheias este tesouro, onde vai descobrir a ternura imensa dum Deus com coração de mãe, que anuncia a Boa Nova - o Evangelho - da libertação, e os primeiros cristãos verão nele os traços comoventes do Cristo-Servo sofredor pelos pecados do mundo. Muitos sacerdotes e estudantes conhecem Claude Wiéner, sacerdote da missão de França, que lhes deu a possibilidade, em muitas sessões e nos seus cursos do Instituto Católico de Paris, de descobrirem e saborearem a Bíblia. A tradução da Bíblia usada em França na liturgia é obra duma equipa de especialistas de que ele foi animador durante vários anos. É esta competência e esta pedagogia que irão encontrar neste Caderno, no qual ele foi ao mesmo tempo capaz de nos dizer porque é que gosta deste profeta. 

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS, As Fontes da Sabedoria. 1990, 66 págs. Cód. 6028

 

A vida, o amor, a morte... A condição humana... Estes títulos, respectivamente de um filme de Truffaut e de um romance de Malraux, poderiam servir como título deste caderno consagrado à corrente da Sabedoria na Bíblia. De maneira algo simplista - mas todo este caderno irá matizar melhor esta afirmação poderia dizer-se que, se os profetas são principalmente homens de acção, reflectindo sobre a história, os sábios colocam-se sobretudo no plano do ser e meditam sobre a experiência e a condição humanas. A partir do séc. V, antes da nossa era, vai aparecer em Israel um conjunto de livros, cuja ressonância universal continua a tocar-nos. O Cântico dos Cânticos canta o amor humano com um realismo digno do lirismo ardente e surrealista de André Breton. Espíritos preocupados com a experiência humana, como Camus e Buzzatti, e muitos jovens reencontrar-se-iam inteiramente nas reflexões desiludidas do Qohelet: "Tudo é ilusão... Só há uma coisa que vale a pena, é comer bem!" O grito de Job é o de um homem que sofre e se pergunta porquê. Tobias canta o casamento com uma simplicidade comovente. O livro de Ben Sira tem o encanto antiquado da burguesia e o da Sabedoria de Salomão atinge por vezes o esplendor das Grandes Odes de P. Claudel. Finalmente, o livro dos Provérbios junta num ramalhete sábio e admirável todos os ditados que germinavam no húmus da experiência do povo. Diversos Cadernos apresentam estes diferentes livros. Mas era bom tentar fazer primeiramente um estudo global situando a corrente da sabedoria e mostrando como ela começa com o nascimento de Israel. O presente caderno estuda o nascimento desta corrente de sabedoria procurando mostrar as suas múltiplas facetas. Na base deste caderno está o curso que A. Vanel, deu no Instituto Católico de Paris. Antes de morrer, ainda jovem, em 1978, o autor tinha experimentado o drama de Job, durante longos anos de doença vividos na fé. Ele tinha-nos generosamente deixado o seu texto policopiado, para que preparássemos a sua publicação. Marguerite Jouhet, Jean-François Desclaux e Marc Sevin trabalharam sobre esse texto, remodelando frequentemente e de maneira profunda este primeiro projecto e oferecendo também o fruto das suas investigações. Jean Leveque, do Instituto Católico de Paris, ajudou também com os seus conselhos. Jean-Noël Aletti, enfim, teve a bondade de rever todo o conjunto, acrescentando reflexões preciosas. O Novo Testamento, Paulo e João em particular, viram em Jesus esta Sabedoria que veio habitar entre os homens. J.-N. Aletti, do Instituto Bíblico de Roma, e Maurice Gilbert, que foi Reitor do mesmo Instituto, introduzem-nos nessa abordagem do mistério de Cristo. Eles ajudam-nos a conhecer melhor Jesus Cristo; e vão permitir-nos compreender também até que ponto o Filho de Deus levou a incarnação no nosso mundo. Com efeito, esta sabedoria alimenta-se de todas as reflexões humanas que tiveram lugar entre outros povos: sumérios, acádicos, egípcios... Desta maneira, veremos melhor como a nossa reflexão humana de hoje, a do Ocidente, mas também a do Oriente, da África, de todos os continentes, e a de todas as culturas é necessária para melhor conhecer esta Sabedoria que se tornou uma pessoa em Jesus: "Ela apareceu sobre a terra e permaneceu entre os homens" (Br 3,38). Quem dera que nós pudéssemos, tal como o autor da Sabedoria de Salomão, tornar-nos "enamorados da sua formosura" para fazer dela "a companheira da nossa vida" (Sb 8,2.9). 

Etienne Charpentier


 

ZUMSTEIN, Jean - Mateus, o Teólogo. 1990, 66 págs. Cód. 6029

 

O primeiro Evangelho (Mateus) constitui um documento importante no debate entre cristãos e judeus - que também tem tido algum progresso - apesar de ser um texto polémico e não favorecer um diálogo muito pacífico. Independentemente da Carta aos Romanos e da Carta aos Hebreus, Mateus estabeleceu os fundamentos da Igreja, frente a Israel. Portanto é preciso estudar estes textos em conjunto, e não só alguns pontos concretos e controversos, sem ignorar as outras teologias do Novo Testamento. Jean Zumstein é professor da Faculdade de Teologia protestante de Neuchâtel. Temos muito prazer em dar a palavra a um amigo suíço, duma igreja protestante e habituado à colaboração ecuménica na Suíça de língua francesa. O autor apresenta-nos a teologia de Mateus, pondo em relevo os textos que nos apresentam Cristo Mestre e a Igreja. Não nos vamos, pois, admirar de não encontrar aqui outros grandes temas de Mateus que já foram tratados noutros Cadernos: o Evangelho da Infância ("Narrativas da Infância de Jesus", Charles Perrot), os Milagres de Jesus ("Os milagres no Evangelho", Vários) ou as Bem-aventuranças ("A mensagem das Bem-aventuranças", Jacques Dupont). J. Zumstein coloca-nos numa atitude de escuta e de seguimento de Jesus de Nazaré, o Senhor da Igreja, o Emmanuel, isto é, "o Deus-connosco todos os dias, até ao fim dos tempos". 

Philippe GRUSON


 

LEVEQUE, Jean - Job: o livro e a mensagem.1990, 64 págs. Cód. 6030

 

Este é um Caderno que muitos dos nossos leitores esperavam com impaciência. Não há nada de estranho nessa impaciência! Todo o crente pode encontrar em Job um companheiro de caminho que tem a ousadia de dizer em voz alta aquilo que todos sentem confusamente na hora da provação. O choque do sofrimento abala as evidências, as certezas fáceis e as lindas ideias reconfortantes. É sobretudo quando os homens sofrem que se voltam para Deus ou, pelo contrário, se afastam dele; mas, em qualquer dos casos, confrontam-se com o seu mistério. Onde se encontram, então, as fronteiras entre os crentes e os não crentes? Acaso não atravessam elas, de uma forma dolorosa, cada uma das consciências? Este combate da fé, testemunhado pelo livro de Job, não é mais do que a 'tragicidade' da vida humana, vivida diante de Deus, diante do silêncio de Deus; particularmente quando se trata do sofrimento de inocentes. Mas este livro impõe respeito: não somente porque é longo, complexo, por vezes até difícil de seguir, mas sobretudo porque leva o seu leitor sincero às mais obscuras margens da fé, onde finalmente se joga a relação do homem com Deus. Pedimos a Jean LEVEQUE, autor de um magistral estudo sobre "Job e o seu Deus", para ser o nosso guia, neste livro fascinante e desconcertante. O autor é professor do livro de Job e dos outros livros Sapienciais e Salmos no Instituto Católico de Paris. Desde já, encontra-se aberto este "caminho de fé" de Job, caminho em que os homens interpelam a Deus e em que Deus sempre responde, como na manhã de Páscoa.

Philippe GRUSON


 

GIBERT, Maurice e ALETTI, Jean-Noël - A Sabedoria e Jesus Cristo. 1990, 80 págs. Cód. 6031

 

Por pouca atenção que lhe prestemos, a audácia dos sábios da Bíblia é arrebatadora. Os céus podem fechar-se e as vozes proféticas calar-se, mas estes sábios ousam sempre afirmar que o diálogo com Deus é possível. O aparente silêncio de Deus não os desencoraja, precisamente porque é aparente. A longa e obscura procura que os homens fazem do bom caminho para a sua existência, pode também ser um lugar onde ressoa a palavra divina. A fé permite ao sábio reconhecer a presença activa de Deus no decurso ordinário da vida. O Caderno "As fontes da Sabedoria" mostrou, à evidência, a forma segundo a qual esta veia sapiencial atravessa toda a Bíblia e se desenrola já nas suas remotas origens. O presente Caderno, na linha anterior, toma como campo de estudo os últimos desenvolvimentos dos escritos sapienciais sobre a Sabedoria e as suas repercussões na forma como é apresentado Cristo no Novo Testamento. Maurice Gilbert, S. J., que foi Reitor do Pontifício Instituto Bíblico, comenta, numa primeira parte, as principais passagens que tratam da "Sabedoria personificada". Com efeito, nos escritos bíblicos, assiste-se a um fenómeno progressivo de "personificação" da Sabedoria, a qual se identifica com a revelação de Deus aos homens. Esta Sabedoria representa assim a presença divina activa no meio dos homens e nos seus corações. Numa segunda parte, Jean-Noël Aletti, S. J., do Instituto Bíblico e da equipa de Manrèse, investiga os textos do Novo Testamento, tentando discernir se Jesus foi ou não identificado com a Sabedoria divina. A discrição dos escritos torna a operação difícil. Se os evangelistas e Paulo resistem a identificar totalmente Cristo com a Sabedoria, isto deve-se ao facto de quererem evitar fazer uma apresentação incompleta e inadequada do mistério de Jesus. Utilizam, no entanto, elementos da tradição sapiencial, a fim de esclarecer um aspecto deste mistério: Jesus, o Senhor sentado junto do Pai, nem por isso está separado dos homens, mas, tal como a Sabedoria, está presente neles e no meio deles. De que forma é que Deus se faz presente aos homens? É esta a questão posta pela Sabedoria e Jesus Cristo. 

Marc Sevin


 

COTHENET, Edouard - A Carta aos Gálatas. 1991, 60 págs. Cód. 6032 

 

A Carta aos Gálatas é um texto que nos prende por vários motivos. É um documento vivo e directo de combate. Mais do que as restantes Cartas de Paulo, esta deixa transparecer o carácter ardente deste Apóstolo, a sua irritação, a sua ternura, a sua paixão em anunciar o Evangelho, o seu amor a Cristo. Mas a nossa sensibilidade contemporânea fará sobretudo questão em sublinhar que a Carta aos Gálatas é a carta da liberdade e do espírito de abertura. Uma vez que Deus dá a salvação pela fé em Cristo, ninguém mais poderia ser escravo de uma Lei, de uma instituição ou de um sistema, por mais maravilhosos ou indispensáveis que eles sejam. Paulo convida os leitores à aventura da fé, que não é calculista, e faz pouco do medo e das seguranças. Neste Caderno, Edouard Cothenet, do Instituto Católico de Paris, consegue fazer-nos entrever melhor a personalidade de Paulo e abrir-nos as portas da Carta que, segundo a fórmula de Santo Ireneu, é "o Novo Testamento da liberdade". 

Marc Sevin


 

DUPONT, Jacques - A mensagem das Bem-aventuranças.1991, 68 págs. Cód. 6033

 

"Já experimentaste gritar num bairro de lata: "Felizes os pobres...?" Eu já não suporto ouvir as bem-aventuranças proclamadas a todo o momento nas nossas celebrações. Os cristãos que as cantam, com tanta inconsciência, em admiráveis melodias ortodoxas, dar-se-ão conta do que dizem? As bem-aventuranças são um grito revolucionário! E fez-se delas um meio de manter estável uma ordem social injusta...". Esta reacção de um amigo exprime bem o paradoxo das bem-aventuranças e a interrogação múltipla que elas nos lançam. Que fizemos nós destas bem-aventuranças? "Felizes...". O Evangelho, a Boa Nova que Jesus proclama, é a felicidade. Será que a atitude e a vida dos cristãos ainda proclamam isso? Frequentemente transformámos este apelo à felicidade numa religião triste, numa religião do dever. Jesus, por seu turno, apela à alegria. "Felizes os pobres!". A boa nova proclamada por Jesus é que Deus vem estabelecer o seu Reino; tal como um bom rei da época, ele começará por restaurar a justiça: "Felizes os pobres! Deus está farto de vos ver pobres; ele vem estabelecer o seu Reino e, portanto, doravante, não sereis mais pobres!". As bem-aventuranças são a boa nova de que Deus vem libertar todos os infelizes da sua miséria. Ora, por um contra-senso trágico, no decurso dos séculos, elas serviram frequentemente para manter uma ordem social injusta como se Jesus declarasse: "Pobres, vós tendes a sorte de ser pobres..., portanto, permanecei nessa condição! Mais tarde, no céu, Deus recompensar-vos-á". Encontrareis, mais adiante, alguns extractos, entre inúmeros outros, do mesmo teor, tirados dos escritos ou dos discursos de homens políticos, de ricos, de cristãos, alguns até animados de excelentes intenções, mas que mostram bem como estas bem-aventuranças funcionam frequentemente como um ópio destinado a confortar os pobres, mantendo-os ao mesmo tempo na sua condição. A leitura de tais textos faz-nos ficar doentes. Possa ela ao menos incitar-nos à humildade e a pedir perdão: se as bem-aventuranças puderam servir para esmagar os pobres em vez de os libertar, compreende-se que outros, fora das Igrejas ou con