PRESÉPIOS
símbolos da fé
e da vida
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ENTREVISTA com
Lopes Morgado |
in: «STELLA» |
– Olhando para o seu “currículo”, não é fácil dizer
se é um religioso activo, ou contemplativo...
–
Ainda bem. São Francisco, no princípio da sua conversão, também
duvidou se devia dedicar-se a uma coisa ou a outra. E as pessoas a
quem consultou foram unânimes em aconselhar que devia dedicar-se às
duas, pois Deus não o tinha chamado só para ele. Se quiser saber, o
meu grande ideal e aquilo que me fez avançar no meio das hesitações
na vocação, foi a vontade que sempre tive de ser missionário, de
evangelizar, de pregar. Certamente, pelos bons testemunhos dos
missionários que passavam pelo Seminário e nos falavam do seu
trabalho. Afinal, como eu costumo dizer, puseram-me a roer papéis...
–
Mas não se sente frustrado naquele seu ideal?
–
Não, absolutamente. Na vida religiosa, como sabe, uma
coisa é o nosso projecto pessoal, e outra é o bem comum ou o
projecto comunitário. Por outro lado, a vocação não é uma opção
individual, mas um chamamento de Deus e uma escolha dos Responsáveis
ou da Comunidade. Mas nunca me senti instrumentalizado pela
instituição, como peça de uma máquina, pois o apoio recebido
levou-me naturalmente a retribuir, como acontece em toda a relação
de amor. E apesar de tudo, preguei bastantes missões populares,
semanas, novenas e tríduos; orientei retiros e cursos, fiz
conferências, trabalhos de rádio e televisão, produzi diaporamas,
publiquei livros, escrevi artigos... Também descobri que o trabalho
nos meios de comunicação social era uma boa forma actual de ser
missionário, de chegar longe mesmo sem sair de casa, como Santa
Teresa do Menino Jesus. E com os livros de carácter pastoral, os
subsídios publicados na revista e agora através da Internet, tenho
procurado apoiar os que vivem nas várias frentes do trabalho
apostólico. Como vê, acção não falta.
–
Mas não é um trabalho solitário, que corre o risco de ser demasiado
teórico?
–
É solitário, com certeza, enquanto mais longe dos
holofotes e dos contactos directos; mas não o considero um trabalho
teórico, pois é fruto de descidas ao terreno e as propostas que
apresento foram, na sua maioria, vividas, escritas e experimentadas
em acções pastorais directas.
A história do Natal
–
A maior parte da sua vida sacerdotal tem estado ligada ao apostolado
bíblico. Quer fazer para os leitores uma síntese
histórica/progressiva da celebração do Natal de Jesus?
–
Uma vez que a Stella sai em Fátima, talvez
possamos dizer do Natal o que o cardeal Cerejeira disse de Fátima:
não foi a Igreja que impôs o Natal, mas o Natal que se impôs à
Igreja. Eu explico. Só muito tardiamente, lá pelo séc. IV, é que a
Festa do Natal foi oficializada na Igreja. E o mesmo se diga
da representação do nascimento de Jesus, ou Presépio, o mais
antigo dos quais se encontra num sarcófago datado de 343 que se
conserva no museu sacro de São João de Latrão. Porquê tão tarde?
Porque a missão da Igreja primitiva, confiada aos Apóstolos pelo
próprio Jesus, foi de anunciar a todos a Boa-Nova do Evangelho.

Ora, no centro deste anúncio da Igreja estava o
chamado mistério pascal da paixão, morte e ressurreição de Jesus,
conforme vemos no discurso de Pedro na manhã de Pentecostes (ver Act
2,22-24.32.36). O grande fundamento da fé da Igreja era a
ressurreição de Cristo, como dizia Paulo em 1 Cor 15,17: «se
Cristo não ressuscitou, a vossa fé é vã e permaneceis ainda nos
vossos pecados» Os Evangelhos também começaram a ser escritos
por aqui, e só mais tarde se recuou até à vida pública de Jesus (com
base na qual o Papa propôs agora os 5 novos mistérios luminosos)
e até à sua infância. Mas a infância já foi escrita à luz da
ressurreição, para mostrar que, aquele que na cruz se revelou como
Filho de Deus, já o era desde o princípio. O natal daquele Menino
não teria interesse, se a sua morte não tivesse sido o que foi e se
um grupo insuspeito de pessoas sadias, pela força do Espírito, não
se tivesse constituído em testemunha da sua ressurreição. No
entanto, muitos pormenores que se contam por aí da infância de Jesus
não vêm dos Evangelhos canónicos – vêm dos evangelhos apócrifos,
falsamente atribuídos a alguns apóstolos, mas que a Igreja nunca
aceitou como inspirados por Deus.
–
E porquê o Natal a 25 de Dezembro?
–
Não foi sempre assim e no Oriente ainda não é. Na tradição
apostólica não existiam dados acerca da data do nascimento [=Natal]
de Jesus. No princípio vacilou-se entre 20 de Maio, 10 de Janeiro e
6 de Janeiro, festa de Epifania, cuja celebração litúrgica é mais
antiga que a do Natal. A data de 25 de Dezembro, muito
provavelmente, tem origem pagã. O imperador Aurélio tinha
estabelecido em Roma a festa do “nascimento do Sol invicto”, no
solstício de Inverno – ou seja, no momento em que o sol baixa mais
no horizonte e permanece menos tempo no céu: é o dia mais curto do
ano – parecendo que vai “morrer”, mas logo renasce. Os romanos
acompanhavam a celebração com prendas.
Os cristãos de Roma, para evangelizarem essa festa,
colocaram nela a celebração do nascimento de Jesus. Pelo menos no
séc. IV, o Natal já era celebrado em Roma a 25 de Dezembro;
entretanto, nas igrejas orientais, continuava a celebrar-se a 6 de
Janeiro, juntamente com a Epifania. A grande festa da Igreja era – e
voltou a ser, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II – a festa
da Páscoa. Teologicamente e liturgicamente. Por isso a Páscoa (e não
o Natal) é o centro do ano litúrgico, sendo chamada “festa das
festas” e “solenidade das
solenidades”.
Na prática, o que acontece? Acontece que as pessoas
se movem mais pelo coração e pelos olhos do que pela teologia; por
isso o Natal é mais festejado, até com algumas reminiscências das
festas pagãs, embora a Igreja insista em não o embrulharmos no papel
dos centros comerciais.
“Não me sinto coleccionista”
–
Sabemos que tem uma tendência especial para as artes. Como aconteceu
em si essa atracção para coleccionar presépios?
–
Diz bem: “aconteceu”. De facto, não me sinto coleccionista e posso
mesmo dizer que não tenho tempo nem paciência para sê-lo. O que sei
é que o Natal sempre tocou a minha sensibilidade religiosa e fez
parte da minha espiritualidade. Basta dizer que quatro dos meus
livros de poesia são sobre o Natal, e esses poemas nasceram em todos
os meses do ano. Também fiz pelo menos uns quatro programas do
Setenta Vezes Sete sobre o Natal, uns dois Toda a Gente é
Pessoa com o padre Rego, na RDP, mais um no Programa Ecclesia,
outro na TSF, eu sei lá...
A atitude de São Francisco relativamente ao mistério
da Encarnação e a sua iniciativa em representar o nascimento de
Jesus também me foi firmando cada vez mais nesta relação com o
presépio. Tenho sempre um Menino Jesus ou um presépio no meu quarto
ou no meu gabinete de trabalho, e ofereci muitos ao longo da vida.
Mas nunca tinha coleccionado até há doze anos. Cheguei a dar alguns
que hoje estariam entre os dez melhores desta colecção. Porque não
era minha intenção guardá-los. Depois, as pessoas foram-se
apercebendo desse meu gosto e começaram a oferecer-me presépios.
Quando dei por mim, já o meu quarto era um presépio: tantos
embrulhos e caixas de cartão tinham-no transformado em gruta, apenas
com uma pequena passagem entre a porta de entrada e a “manjedoura”
da cama. Não me fazia diferença, pois trabalhava noutro espaço. Nas
vésperas do ano 2000, quando me deram um ano sabático e me
destinaram a outra casa, é que eu desembrulhei todos os presépios e
os expus no local onde se encontram agora.
“O presépio era insubstituível
no nosso Natal familiar”
"Olhando
para trás, talvez tenha andado a compensar uma infância que não tive
ou a receber, com efeitos retroactivos, as prendas que nunca me
deram no dia de Natal."
–
Nunca teve prendas no Natal, em pequeno?
–
Nunca. E eu era o mais novo... Imagine os outros
irmãos.
–
Então, porquê?
–
Repare: éramos 11 pessoas em casa, 9 filhos e os pais; os tempos
eram difíceis (lembro-me de se ter experimentado moer grainha de uva
para fazer pão, pois muito do milho ia para o estrangeiro). Mas o
presépio era elemento insubstituível no nosso Natal familiar. O meu
pai dizia que, para ele, sem presépio não havia Natal. E para nós,
celebrar o nascimento de um Deus que se fez menino pobre, supunha,
forçosamente, fazer o presépio. Mas era mesmo fazer. Muitas vezes
fazíamos os bonecos de bugalhos, a gruta de raizames de pinheiro
(revestidos com musgo no interior, e por fora com hera das paredes).
A iluminação era feita com tigelas de sebo; os caminhos, com areia
do Cávado. Enfeitava-se tudo com azevinho, muito azevinho, que então
não faltava nas bouças da minha terra, e no cimo punha-se uma
estrela de papel. Essa era a festa dos rapazes mais novos durante
todo o dia, enquanto o pai e os irmãos mais velhos trabalhavam no
campo e a mãe com algumas irmãs iam fazendo os mexidos, a aletria,
as rabanadas, as batatas com bacalhau, o arroz de polvo (só se comia
peixe, porque era dia de abstinência) e as castanhas cozidas.
–Tudo
isso, com tanta carência?
–
É verdade. Era essa a ementa, numa ceia de tirar a barriga de
misérias. Sabe que São Francisco queria que nesse dia se espalhasse
alimento para as aves pelos caminhos, se desse mais comida aos
animais e até as paredes fossem untadas com carne? É o excesso da
festa, que faz parte da vida. Mas, voltando à minha família, ao
almoço era jejum, mesmo para os mais pequenos, não sei se para nos
habituar às leis da Igreja, se para termos mais apetite à noite. Mas
era uma provação muito grande para nós, passar a tarde toda a sentir
o cheiro agradável que saía pela chaminé sem poder entrar na
cozinha.
–
E o presépio, onde era colocado?
–
Era instalado no cincho onde se espremiam as uvas, na
parte baixa da casa; outras vezes, num vão que havia por baixo das
escadas de pedra, à entrada, se na altura não estava ocupado com
alguma ninhada de coelhos ou de pintainhos... Antes da ceia de
consoada, havia a cerimónia da inauguração com o acender do pavio
das tigelas de sebo.
–
Dada a existência da colecção do notável presepista que foi Rui
Sequeira, de Portalegre, cujos presépios, incluindo um Machado de
Castro, têm sido expostos ao público com tanto êxito, pensa expor os
seus presépios?
–
Já fiz uma primeira Exposição na sala de jantar do Centro Bíblico,
no Natal de 1995, aproveitando um Encontro de Natal de todos os
Capuchinhos portugueses, abrindo-a também às comunidades residentes
em Fátima. Dei-lhe o título de
evangelho da vida
(e ainda o mantenho), pois decorriam 9 meses sobre a Encíclica
homónima que o Papa, não por acaso, assinou a 25 de Março desse ano.
Depois, 74 destes presépios foram expostos no Museu de Olaria, em
Barcelos, de Novembro de 96 a Janeiro de 97, preparando o
jubileu da encarnação
no ano 200. Em rigor, eles estão expostos e são visitados desde
o ano 2000, embora, devido à exiguidade do espaço, a disposição mais
pareça de um acerbo do que de uma galeria de Museu. Apesar de tudo,
já foi visitado por muitos grupos que passam pelo Centro Bíblico nas
mais diversas actividades, bem como por algumas escolas e muitas
famílias e comunidades religiosas.
509 presépios de 42 países
– Para uma visita em pequenos ou grandes grupos, o
que é preciso fazer?
–
Para uma visita informal e autoguiada, basta contactar por telefone,
por fax ou por escrito para a Fraternidade dos Capuchinhos em Fátima
(ver caixa). Para uma visita explicada, inclusivamente para
uma reflexão, projecção de diaporama, diálogo, oração ou celebração,
talvez convenha entender-se comigo, a fim de preparar as coisas em
função dos objectivos do grupo; pois o Natal ou os Presépios podem
ser vistos e analisados de muitos prismas: história, arte, religião
(textos bíblicos), sociedade, família, cultura... Uma vez que esta
colecção está integrada no
Centro Bíblico dos Capuchinhos, parece-me normal fazer
dela, sobretudo, um meio de evangelização, que leve as pessoas a
descobrir o Mistério da Encarnação e o Mistério da Vida (relacionado
com o da Cruz), e até, a questionar-se quanto ao modo como estamos a
celebrar o Natal e como temos deixado que o comércio se apodere
dele. Aliás, muitas pessoas têm-me trazido ou enviado presépios
porque confiam nesta valência pastoral do Museu.
–
Pertence à associação de presepistas?
– Não, e desconheço as condições para aderir a ela.
– Do espólio nacional nesta matéria, quais as obras
mais valiosas e artísticas que admira?
–
Assim de repente, sem pensar muito nem fazer qualquer
comparação entre eles, digo apenas que gostei muito dos que vi na
Basílica da Estrela, na Sé de Lisboa, na Capela da Vista Alegre em
Ílhavo, na igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa (da
Carvalheira), no Museu de Arte Sacra e Etnologia, em Fátima, e em
casa de presepistas amigos, como o dr. Paulo Trindade Ferreira e o
Major-General Canha da Silva.
– Quantos presépios tem presentemente a sua colecção?
–
Tem 509 presépios, sem incluir medalhas e pratos de várias
colecções.
–
Quantas nacionalidades estão representadas no seu espólio?
–
Quarenta e dois. Talvez interesse o nome dos países: África do Sul,
Alemanha, Angola, Argentina, Bangladesh, Bolívia, Brasil, Cabo
Verde, Checoslováquia, Chile, China, Egipto, El Salvador, Equador,
Espanha, Filipinas, França, Grécia, Guiné-Bissau, Haiti, Índia,
Irlanda, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, Madagáscar, México,
Moçambique, Níger, Palestina, Peru, Polónia, Portugal, Rwanda,
Senegal, Tailândia, Tanzânia, Uruguai, Venezuela, Zaire, Zimbabwe.
– Fale-nos dos diferentes materiais de que são
formados os seus presépios.
–
Há um pouco de tudo: do mármore da África do
Sul à pedra huanamanga do Peru, do papel marché
das Filipinas ao barro de Barcelos, do biscuit de
Nápoles ao cristal Atlantis assinado por Cristina Leiria,
passando pelo cristal d’Arques, de França, o cristal da Alemanha e o
cristal de Morano, na Itália; da madeira de jacarandá do
Zimbawe, da oliveira de Israel e do pau-santo de
Angola, à cana de bambu das Filipinas e do Peru; da
madrepérola da Palestina e do ouro de Toledo, à prata
da Itália e da Venezuela; da porcelana da Vista Alegre, à
cerâmica de Lladró, em Valência, e de Aracena, em Huelva,
passando pela de Barcelos; do geode do Brasil, aos
registos de Portugal; da serapilheira do Algarve, ao
bordado da Madeira; do xisto e do ferro do
Alentejo, à pura cera de abelha da Itália, à miga de pão
embebida em cola, do Peru, e à caixa de fósforos com
reproduções do Museu Nacional de Arte Antiga, de Lisboa...
–
Em termos de valor material, que peças possui?
–
Além do que acabo de dizer, e em termos genéricos, posso acrescentar
que, dos preços que chegaram ao meu conhecimento, vão de 450 contos
em 1996 até umas centenas de escudos. Isto, os custos “materiais”,
sem atender ao valor estimativo nem à valorização desde a altura da
compra. Infelizmente não tenho nenhum “antigo”. O mais antigo é de
1930 e trata-se de uma Fuga para o Egipto em barro, de José
Moreira, de Estremoz, já falecido. Por isso, quem dispuser de algum
mais antigo, já sabe um possível destinatário ou depositário no
futuro Museu...
– Em termos de expressão plástica, que peças
destacaria?
–
Sem que isso signifique menosprezo pelas outras, destaco duas pelo
seu contraste: a reprodução artesanal de um presépio napolitano do
séc. XVIII, em biscuit, com tiragem limitada e registada, e um
original em cortiça feito este ano pelo senhor Verdasca, um
octogenário de Évora. Pelo contraste dos materiais, pela grande
variedade de elementos (de que a maioria dos presépios, hoje,
normalmente, escasseia) e pela finura no trato do pormenor.
–
E em pormenores de explicitação do Mistério da Encarnação, quais são
os mais expressivos?
–
Em teoria, qualquer expressão em qualquer linguagem ou cultura é
legítima, pois pela Encarnação o Filho de Deus tornou-se filho do
homem – tornando-se irmão de todos, embora fosse devedor da cultura
e dos valores do povo a que pertencia a sua família humana. Se
pensarmos que Jesus disse «o que fizerdes a qualquer um dos mais
pequeninos a mim o fazeis», se calhar, o que melhor exprime o
Mistério da Encarnação será o mais simples, despojado e pobre de
todos; ou aquele que foi feito ou oferecido com mais amor, ou... A
isto acrescentaria que, ultimamente, tenho sido sensível aos que
incorporam, no mesmo conjunto, o Cristo de Belém e o do Calvário,
precisamente por aquilo que disse a propósito da história bíblica do
Natal e das duas devoções polares e complementares de São Francisco
à Encarnação e à Paixão.
– Tratando-se de um religioso com votos de pobreza e
obediência, sujeito portanto a uma certa restrição económica, como
lhe foi possível obter tão numeroso, interessante e variado espólio?
–
Destes 509 presépios, só uns trinta, no máximo, foram comprados por
mim ou por algum dos meus confrades. E não foram, certamente, os
mais caros! Como já disse, várias pessoas amigas começaram a
oferecer-me presépios quando se aperceberam de que eu tinha este
gosto. As peças mais valiosas e variadas devo-as a um núcleo de
quatro a seis pessoas, que evidentemente não querem publicitar o
nome porque bem sabem o espírito evangélico com que estas coisas
devem ser feitas, mas a quem agradeço muito em nome de todos os que
hão-de beneficiar disto. E a melhor forma de lhes agradecer, será
pôr os presépios ao serviço da evangelização e da cultura.
– Como considera este património: de carácter
pessoal, dado que muito de si nele está investido, ou de carácter
congregacional, uma vez que, pelo voto de pobreza, não deve possuir
bens?
–
A resposta é sim. Como quem diz: as duas coisas. Evidentemente que a
propriedade é da Ordem a que pertenço; tanto que, como disse, quando
em fins de 1999 me destinaram a outra casa, eu coloquei aqui todos
os presépios à vista, pois era aqui que eles iriam ficar e eu não
iria levar nenhum comigo nem interferir no futuro destino disto. Já
tinha tirado o coração daqui. Ao voltar para a revista Bíblica,
devido à morte de três confrades ocorrida em 2000, encarreguei-me
novamente deles, uma vez que, de facto, me envolvi emocionalmente
(mas não cupidamente) nisto. Os Irmãos bem sabem que o património é
de toda a Fraternidade Provincial.
–
Em termos de futuro, o que pensa fazer desta magnífica colecção?
–
Pensamos avançar dentro de algum tempo para um
Museu do Presépio,
pois só assim se justifica juntar uma quantidade destas. Já
podia estar feito, pois tenho o apoio dos Superiores, mas tem havido
hesitação entre o espaço e o modelo de organização.
–
Pensa dar continuidade e este seu hobby?
–
Pelo que já disse, suponho que a continuidade está garantida, embora
eu vá dizendo às pessoas amigas que, a partir de agora, interessa
apostar em menos peças mas em peças únicas e de mais qualidade.
Quanto a mim, não sinto que seja, sequer, um hobby nem me
quero prender a isto. De facto, seria um bom entretenimento para o
tempo da reforma, cuja idade estou a atingir. Porém, como na Igreja
não há crise de emprego, mas de empregados, já me habituei à ideia
de que será uma obra para os meus “netos”...
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ao portão de entrada: a meio, à esquerda, encontra as letras
Fraternidade dos Franciscanos Capuchinhos; por baixo, dentro de
um alpendre, fica a campainha para chamar.
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