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GEORGE, Agustin, Para ler o Evangelho segundo S. Lucas. 1979, 80 págs. 2ª ed. 1990. Cód. 6001


Lucas não conheceu Jesus pessoalmente. O que primeiramente o impressionou foi o rosto do Ressuscitado, do Senhor da Glória que tinha transfigurado o seu mestre, Paulo, no caminho de Damasco. Orientando o seu olhar de historiador, a fé deste convertido levou-o a descobrir Jesus Cristo no bebé de Belém, no adolescente que fica no Templo aos doze anos, no Profeta que orienta toda a sua vida para Jerusalém, cidade onde os mártires dão testemunho.

Lucas deixou-se impressionar pela maravilhosa humanidade de um Deus que se comove diante da mãe que acaba de perder o seu filho único, que é o grande amigo dos pecadores de quem todos se afastam, das mulheres institucionalmente desprezadas, dos pequenos que todos esmagam.

Por isso, a alegria de Deus, que consiste em salvar todos os homens, irradia em cada página do Evangelho de Lucas. Mas é uma alegria terrivelmente exigente: ninguém poderá descobrir que é amado desta maneira sem se sentir obrigado a corresponder com um amor único que comprometa a vida toda.

Lucas: um evangelho maravilhoso, comovedor como uma confidência inefável sobre o ser amado.

Para nos introduzir nesta obra era necessário um especialista que a conhecesse a fundo, mas também um crente que a vivesse em profundidade, apaixonadamente. O P. Augustin GEORGE é um desses. Professor na Universidade Católica de Lyon, Presidente da ACFEB (Associação Católica Francesa dos Exegetas Bíblicos), passou a sua vida a estudar este evangelho. Poderíamos citar largamente os seus títulos; porém, o que vale por todos é o reconhecimento de todos aqueles que — estudantes, cristãos que frequentam a igreja onde ele prega todos os domingos, participantes de numerosas sessões por ele orientadas — graças a ele, conheceram e se entusiasmaram por S. Lucas.

Seria impossível, em tão poucas páginas, apresentar todo o Evangelho em pormenor. O P. George preferiu introduzir-nos nele mediante um certo número de textos, contem­plando assim o rosto de Jesus, Salvador, Cristo e Senhor.

Etienne Charpentier

 


VÁRIOS, Para ler o Evangelho segundo São Mateus. 76 págs. Cód. 6002

 

Depois da "Leitura do Evangelho segundo S. Marcos", de Jean Delorme, e da "Leitura do Evangelho de S. Lucas", de Augustin George, apresentamos uma leitura do primeiro Evangelho.

É, parcialmente, uma obra colectiva. Simon Légasse, professor no Instituto Católico de Toulouse e especialista em S. Mateus, teve de confiar este trabalho, já quando ia a meio, ao padre Poittevin, da abadia de En-Calcat. Assim, pelo menos, descobri uma coisa que desejava partilhar convosco, cristãos e biblistas, todos demasiado habituados a ler ou a trabalhar sobre textos limitados; eu, por exemplo, passei dias e semanas inteiras a estudar uma ou outra passagem de S. Mateus.

Ver-se obrigado a enfrentar, durante alguns dias, a sua leitura global, é uma experiência salutar. De facto, há sempre a tentação de parar para examinar o sentido de uma expressão, para voltar a ler tal comentário, para assegurar-se de algumas afirmações feitas... mas é impossível! Talvez, então, à custa de algumas imprecisões, com o risco de cair em intuições preconcebidas, o Evangelho nos obrigue a descobrir as suas linhas de força. A primeira vez que subi à Acrópole, foi durante uma escala muito breve em Atenas, numa noite de lua cheia. Tinha que ver tudo em algumas horas apenas, passados os propileus, sentei-me, frente ao Partenón e ali fiquei a noite inteira. Mais tarde visitei-o detalhadamente. Pensais que entrei mais em comunhão com ele que durante aquela primeira noite global?

Neste Caderno, como nos anteriores, sobre Marcos ou Lucas, não devemos procurar um "comentário". Não ignoramos o trabalho imenso de análise literária destes últimos decénios que demonstram, por exemplo, os estudos de Léon-Dufour, de J. Dupont e muitos outros, trabalho que permite, com frequência, encontrar as tradições de que Mateus pôde dispor.

Mas vamos dedicar-nos, sobretudo, como o intentou J. Radermakers, a entender o conjunto do Evangelho e as suas grandes intuições. Talvez isto nos ajude a dar nova vida aos textos isolados que meditamos na liturgia ou na reflexão pessoal. 

Etienne Charpentier


 

CHARPENTIER, Etienne

Para uma primeira leitura da Bíblia

1980, 76 págs.;

2ª ed. 1996.

Cód. 6003

 

Este Caderno, um pouco diferente dos outros, dirige-se mais aos que pela primeira vez abrem a Bíblia. Nada mais pretende. O seu conteúdo foi muitas vezes usado em sessões de iniciação bíblica.

 

Para além deste Caderno, outros estudos nos ajudarão a ir mais longe. Mas um e outros, com um objectivo único: permitir que a Escritura nos manifeste o seu sentido, que a Palavra nos interpele, que o Espírito nos introduza nesta aventura de Jesus Cristo que é também a nossa: a de uma existência vivida no encontro com o Deus Vivo.

 


 

GRELOT, Pierre,

Homem, quem és tu?

As origens do Homem (os primeiros 11 capítulos do Génesis). 

1980, 64 págs. Cód. 6004

 

As "narrativas da criação" e as suas imagens de Epinal dum Deus artesão ou cirurgião, que modela Adão com barro ou lhe tira uma costela para formar Eva..., a "maçã" e o paraíso perdido... tudo isso já não está na moda! Mas a verdade é que isto penetrou muito fundo na nossa mentalidade e contribuiu bastante para criar em muitos não crentes (e crentes?) a convicção de que não é possível acreditar na ciência e na Bíblia ao mesmo tempo.

Uma má interpretação dos primeiros capítulos do Génesis fez-nos perder em todos os campos: criou objecções insuperáveis para os não crentes, colocou o crente numa situação difícil dentro da sua fé, e - talvez seja isto o mais grave -, ao limitar-nos às imagens, ficámos impedidos, muitas vezes, de captar o essencial: a mensagem acerca do homem e da sua existência concreta.

Contudo, há vários decénios, que os especialistas da Bíblia nos ensinaram a ler com verdade estas magníficas páginas. Mas, apesar do esforço dos catequistas e dos pregadores, estes ensinamentos não conseguiram penetrar. Nestas páginas o padre Grelot, professor de Sagrada Escritura no Instituto Católico de Paris e autor de várias obras sobre o tema, vai-nos ajudar a compreendê-las.


 

VÁRIOS

Libertação humana

e Salvação em Jesus Cristo (I Parte)

1980, 68 págs. Cód. 6005

 

Guerrilheiros na América Latina, Frentes de Libertação Popular, Movimentos Sociais, Movimento de Libertação da Mulher, "libertação sexual"..., nunca, como na nossa época, se exprimiu com tanto vigor este apelo à liberdade, inscrito no coração de todo o homem. Os homens querem ser efectivamente livres e, perante os obstáculos de toda a ordem que o impedem, eles sabem que a sua liberdade passa antes de tudo por uma libertação. Entre estes homens há também cristãos e alguns, em nome da sua fé, comprometem-se a fundo nesta luta...

O cristão sente, de modo confuso, que este esforço de libertação deve ser feito no sentido de Deus que quer os homens livres. E, todavia, interroga-se: qual a relação entre este esforço de libertação e a salvação que nos veio trazer Jesus Cristo? Duas dezenas de exegetas encontraram-se para reflectir sobre o assunto, para construir um plano comum, oferecer a sua contribuição e, mais tarde, de novo, para criticar estes trabalhos. Temos certamente consciência da imperfeição do nosso trabalho e queremos assinalar muito claramente os seus limites.

Trata-se de um estudo bíblico. Criticar-se-á, sem dúvida, e legitimamente, esta opção: um estudo deste problema só podia fazer-se com a ajuda de todos os meios desde a investigação, da Sagrada Escritura à análise política, passando pela Teologia, a Filosofia, as ciências humanas... A nossa intenção é apenas contribuir com uma pedra, entre outras, para uma tal reflexão. Mas, por outro lado, temos consciência, embora com modéstia, da sua importância: um estudo bíblico não pode pretender dizer tudo sobre uma dada questão, mas deveria ajudar a colocá-la bem e oferecer alguns elementos úteis para outros estudos. Aliás, deveria lembrar, se acaso fosse necessário, que não se pode fazer dizer o que se pretende à Sagrada Escritura.

Sendo um estudo bíblico, situa-se intencionalmente num plano de fé. Dirige-se ao cristão, comprometido como qualquer homem e porque é homem, para o ajudar a fortalecer a sua fé. Para um não-cristão ele aparecerá, assim o desejamos, como um esforço por "dar razão da nossa esperança". * Finalmente, é óbvio que cada um dos autores que escrevem neste Caderno, o faz a partir dum "lugar" preciso, delimitado pela respectiva história pessoal, pelas suas opções políticas, pelos seus compromissos no seio da Igreja...

Este Caderno pretende ajudar-nos a descobrir um pouco melhor Jesus como homem livre e levar-nos a trabalhar com todas as nossas forças pela nossa libertação e a de todas as pessoas.

Etienne Charpentier

 


 

CHARPENTIER, Etienne, Cristo Ressuscitou! 1981, 76 págs. Cód. 6006 

 

Podemos reflectir tecnicamente sobre a amizade ou sobre o amor, como faz o psicólogo ou o sociólogo... ou seja, analisá-los do exterior como um "problema" donde surgem inúmeras interrogações. Podemos também abordar o assunto a partir de dentro, como um "mistério" que nos envolve e nos ultrapassa: sabemos, no entanto, que não nos podemos alhear, nem da amizade, nem do amor, porque são eles que dão sentido à nossa vida. A única coisa que realmente desejamos é tomar consciência deles duma maneira racional, para podermos avaliar da importância que têm na nossa vida e na nossa relação com os outros.

Da mesma forma, um historiador das religiões poderá estudar a Ressurreição de Cristo - ou mais precisamente esse fenómeno estranho que os homens consideram a Sua ressurreição - do ponto de vista externo. É do aspecto interior que nós tentaremos abordá-lo neste Caderno. Escrito por crentes e para crentes, ele é um testemunho de fé. O seu ponto de partida é a experiência cristã: "Nós cremos em Jesus ressuscitado". A sua intenção é ajudar-vos a tomar consciência do que viveis e talvez ainda a estar "dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" (1 Pe 3,15).

Mas porquê um Caderno sobre a Ressurreição? Eis que a Igreja crê nela há dois mil anos, sem alteração da sua fé. É preciso, no entanto, reconhecer que durante alguns séculos a Ressurreição perdeu um pouco da sua importância, como lugar central que lhe é devido, na teologia e no ensinamento religioso, tanto no meio católico como no protestante. Porém, devemo-nos regozijar do mistério pascal ter adquirido, desde há alguns anos, a sua verdadeira importância. Muitas coisas mudaram na nossa mentalidade e na maneira de abordarmos os problemas; desenvolveram-se numerosas ciências: a história, a exegese, as ciências da linguagem... Isto levou os especialistas, visto a ressurreição ser precisamente o núcleo da nossa fé, a estudarem novamente os textos evangélicos, para que não surja a pergunta "Cristo ressuscitou?", mas sim "o que queremos exactamente dizer ao proclamarmos: Cristo ressuscitou?" Não se trata, portanto, de pôr em dúvida a nossa fé, mas de tentar compreendê-la melhor.

Por todas estas razões, a ressurreição suscitou, nos últimos tempos, uma infinidade de estudos. Mas a maior parte são estudos técnicos, publicados em revistas ou em obras especializadas. A intenção dos "Cadernos Bíblicos" não é apresentar quaisquer novidades, nem este Caderno pretende ser original. O seu fim é somente pôr à disposição do maior número possível de pessoas, e de uma forma inteligível, os resultados mais importantes adquiridos e publicados neste campo. Ao tentar, modestamente, realizar tal intenção, levando talvez à leitura de obras mais eruditas, este Caderno quereria levar-nos a tomar consciência de que vivemos, cada dia, do Ressuscitado, e permitir-nos também proclamar, cada vez mais profundamente, que JESUS ESTÁ HOJE VIVO, como Senhor, para a glória do Pai.


 

DELORME, Jean

Para ler o Evangelho

segundo S. Marcos

1981, 112 págs. Cód. 6007/8

 

"São Marcos" é um longo trabalho (112 páginas) da autoria de Jean DELORME. Sacerdote da diocese de Annecy e professor das faculdades católicas de Lyon, Jean Delorme é reconhecido pelos seus pares como um exegeta competente, ao mesmo tempo que é apreciado pelo não-especialista, devido á maneira simples e cheia de humor com a qual sabe introduzir a uma leitura espiritual da Sagrada Escritura.

Especialista de Marcos, colaborador na Tradução Ecuménica da Bíblia, Delorme deseja ensinar-nos a descobrir as linhas de força de um evangelho mais rico do que parece à primeira vista e convidar-nos a um envolvimento no drama que nele se desenrola. Nos anos em que a liturgia católica nos faz ler São Marcos, tanto o pastor como o cristão encontrarão neste Caderno um excelente instrumento de trabalho e de meditação, que lhes permite situar as passagens do leccionário no dinamismo de conjunto da obra. 

Etienne Charpentier

 


 

PERROT, Charles

Narrativas da Infância de Jesus

1982, 84 págs.; 2ª ed. 1990. Cód. 6009

 

Até há poucos anos liam-se os evangelhos da infância como se fossem narrativas folclóricas, quando na realidade se trata de alta teologia. O evangelho de João não engana: o seu prólogo sobre a Palavra de Deus, que se fez homem, aparece-nos logo como o fruto da longa meditação de um teólogo. Os relatos de Mateus e de Lucas apresentam-nos igualmente uma teologia tão profunda e elaborada como a de João. O que acontece é que, ao eles escolherem, para se exprimirem, outro género literário, tomamos os seus textos como contos de fadas ou simples histórias populares. E, no entanto, estes relatos são o testemunho vivo de uma investigação apaixonante dos primeiros cristãos sobre a razão de ser da sua fé em Jesus Cristo Filho de Deus. Para simplificar, poderíamos dizer que estas narrativas são como que uma "apresentação" do filme. No cinema acontece com frequência que, enquanto vão passando diante dos nossos olhos os nomes do autor, do produtor, etc., começam a aparecer imagens e temas musicais que nos dão, logo de início, os elementos necessários à compreensão do filme. Porém, só depois de ter visto o filme, é que nos apercebemos de que aqueles extractos eram a sua verdadeira chave. Nalgumas produções utiliza-se mesmo o processo chamado de "marcha atrás". Tomemos, como exemplo, o filme antigo: "Morte, onde está a tua vitória?" A mulher de um político famoso vive, durante vários anos, uma vida desregrada e dissoluta. Após a morte de seu marido, converte-se e entra no Carmelo. Na apresentação do filme, vê-se logo esta mulher a rezar, vestida de carmelita. Assim, a última imagem aparece ao princípio, mudando toda a visão de conjunto. Deste modo, somos levados a descobrir o caminho da graça através da vida dissoluta daquela mulher. Marcos com o seu título, João com o seu prólogo, e Mateus e Lucas com as suas "narrativas da infância", antes de nos contarem os episódios da vida e as palavras de Jesus, homem, profeta, crucificado, dão-nos a imagem do "ressuscitado" em que, à luz do Espírito e durante longos anos, descobriram o Filho de Deus feito homem. Precisamos de conhecer todo o evangelho para compreendermos "a apresentação". Porém, esta, ao oferecer-nos os temas essenciais, dá-nos a chave da sua leitura. Charles Perrot leva-nos a esta descoberta. Sacerdote da diocese de Moulins, professor do Instituto Católico de Paris, especializou-se em literatura judaica dos começos da nossa era. Os seus estudos sobre a leitura da Bíblia na Sinagoga e, por exemplo, sobre o Pseudo-Filon, dão-lhe grande autoridade e renome. Um dos aspectos mais importantes deste Cadernos consiste, pois, em situar com profundidade e simplicidade, os escritos de Mateus e de Lucas no contexto do pensamento da sua época, como o fez Ch. Perrot com mão de mestre. Devemos agradecer-lhe também que, de vez em quando, utilize directamente alguns dos processos da chamada análise estrutural, fazendo-nos ver que este método não é tão difícil como, à primeira vista, poderia parecer e que é inegável a sua utilidade. As concepções de Perrot sobre história, e as suas reflexões a propósito, ajudar-nos-ão a compreender melhor o conjunto do evangelho. Mas, o mais importante talvez seja o podermos compreender a fé dos nossos primeiros irmãos cristãos. Fé, que é a nossa, em Jesus Filho de Maria e Filho de Deus. 

  Etienne Charpentier


 

VÁRIOS

Libertação humana

e Salvação em Jesus Cristo (II Parte)

1982, 72 págs. Cód. 6010

 

"Libertação humana e salvação em Jesus Cristo": como descobrir a inter-relação de dois temas naqueles textos que constituem, para a fé cristã, o ponto último de referência? Como pode a fé, através deles, desempenhar a sua função crítica na reflexão dos cristãos comprometidos na luta pela libertação humana? Qual a verdadeira originalidade da salvação cristã?

Para ajudar a responder a estas questões torna-se indispensável o contributo dos exegetas. Por isso, bateu-se à porta da ACFEB (Associação Católica Francesa dos Exegetas Bíblicos) para que preparasse dois "Cadernos Bíblicos" sobre o tema. Eis a motivação do aparecimento de dois longos estudos sobre o mesmo tema.

Estes cadernos serão uma luz para todos, incluídos os militantes comprometidos na acção quotidiana e desejosos de anunciar a todos os seus irmãos a boa nova da salvação em Jesus Cristo. Não pode haver verdadeira evangelização, sem Evangelho lido, meditado, vivido, anunciado... Nos diferentes ateliers de trabalho postos em marcha para preparar a sessão, os biblistas poderão assim dar a sua própria luz, ao lado dos outros membros do povo de Deus. É esta colaboração de todos, na diversidade das situações, das missões e das competências, que permitirá à Igreja ser sempre mais verdadeiramente o Sacramento da Salvação em Jesus Cristo.

André FAUCHET, Bispo de Troyes


 

JAUBERT, Annie

Para ler o Evangelho segundo S. João

1982, 80 págs.; 2ª ed. 1994. Cód. 6011

 

Após a publicação de estudos sobre S. Marcos, S. Lucas e S. Mateus, surge o presente Caderno sobre S. João.

Annie JAUBERT é bem conhecida dos especialistas. Professora da Universidade, responsável de cursos na Universidade de Paris IV, seus trabalhos sobre a Aliança, o Judaísmo ou a data da Última Ceia constituem uma autoridade.

Por outro lado, publicou nas Edições "Du Seuil", "Approches de l'Evangile de Jean", aqui citado sob a forma abreviada de "Approches". Neste Caderno ela acompanha mais de perto o desenvolvimento próprio do Evangelho, introduzindo-nos desta forma na sua leitura. 

Etienne Charpentier


 

BEAUDE, Pierre-Marie

"...Segundo as Escrituras"

1983, 60 págs 10. Cód. 6012

 

Ao entrarmos na Borgonha, somos recebidos por marcos indicativos, que nos dizem: "Estrada dos vinhos...", "Circuito das igrejas românicas"… Consoante o humor do dia ou segundo o projecto já de há muito tempo amadurecido, escolhemos uma visita que está bem sinalizada: pode-se fazer um ou outro percurso da região. Felizmente eles encontram-se todos em determinadas pontos! Este Caderno vem propor-nos um percurso, entre outros possíveis, através da Novo Testamento. Não serão estudos minuciosos e desenvolvidos, mas uma visita guiada com uma perspectiva concreta: para exprimir a sua fé, os autores do Novo Testamento recorreram sem cessar à Escritura. Que significa isso? Será simplesmente uma "prova" de que Jesus estava realmente anunciado?... Veremos que a questão é bem mais importante do que isso. Para este percurso precisávamos de um guia experimentado. Pedro-Maria BEAUDE, professor de Sagrada Escritura na Centro Teológico de Caen, é com certeza um guia seguro. Ele publicou uma tese sobre este mesmo tema, mas nem por isso tomou um ar exageradamente sério: os que trabalharam com ele, no Centro de Caen ou noutras sessões, apreciam o seu humor sorridente. Junto com introduções à leitura de livros da Bíblia (Mateus, Apocalipse e Salmos) ou de outros instrumentos de trabalho (introdução à Bíblia), este Caderno oferece-nos assim uma abordagem da Sagrada Escritura, introduzindo-nos na mais antiga teologia da Igreja primitiva. 

Etienne Charpentier


 

COTHENET, Edouard - São Paulo no seu tempo. 1983, 84 págs. Cód. 6013

 

"Paul est né plusieurs" (Paulo nasceu plural): esta expressão de A. Brunot, mostra bem a complexidade deste ser incomodativo e fascinante. Pertence a duas civilizações: é, ao mesmo tempo, judeu e grego. Dotado de um carácter íntegro, nem sempre é acomodatício quando está em causa a missão. Pedro, Marcos, Barnabé, os Coríntios e tantos outros, aprendê-lo-ão à sua custa. Habituado à exegese rabínica, Paulo arrasta-nos, por vezes, a raciocínios onde sentimos perder o pé... e, ao mesmo tempo, revela-nos uma pessoa encantadora, transbordante de afeição, de arroubos apaixonados, para exprimir o seu amor para com o Senhor que o "agarrou" no seu caminho, e para com aqueles que gerou para a fé. Já foram esboçados muitos retratos de Paulo. Em múltiplos estudos, já se disse tudo acerca dele. Era bom, talvez, que um Caderno o resumisse em algumas páginas. Edouard Cothenet, sacerdote da diocese de Bourges e professor no Instituto Católico de Paris, é exímio em situar Paulo no seu contexto vivo: a civilização judaica com a sua fé, a sua liturgia, a sua busca de Deus na Escritura, a civilização grega com os seus componentes económicos e históricos, a sua necessidade de encontrar razões para viver, que os melhores de então procuravam no estoicismo e no epicurismo. Nesta leitura, Paulo aparece-nos mais homem, preocupado com múltiplos problemas, e mais apóstolo, totalmente dedicado à causa que serve. As Cartas, assim situadas na sua vida e contexto histórico, ganham novo vigor e verdade. Descrevendo qual era a situação no Império Romano na época de Paulo - um outro Caderno apresenta a Palestina no tempo de Jesus - este Caderno oferece uma boa introdução para o conhecimento daquele a quem chamaram "o primeiro depois do Único". 

Etienne Charpentier


 

BRIEND, Jacques - Uma leitura do Pentateuco. 1984, 64 págs. Cód. 6014

 

Torá, isto é, a Lei: assim chamam os judeus aos cinco livros do Pentateuco: Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio. Isto supõe uma primeira questão: como é que estes livros, que comportam sobretudo narrativas (da criação do mundo até à entrada de Israel em Canaã) podem ser considerados como uma "lei"? Por outro lado, a origem deste conjunto é complexa: é composto a partir de quatro documentos redigidos em épocas diferentes. Jacques BRIEND, professor no Instituto Católico de Paris e na Escola Bíblica de Jerusalém, conhece suficientemente bem a questão. Discípulo do P. De Vaux, a quem ajudou nas escavações arqueológicas, ele tornou-se um dos especialistas da história de Israel e das suas tradições. Este Caderno, fruto dum longo ensino continuamente sujeito a nova investigação, deveria ter aparecido mais cedo. Mas, chamado a dirigir durante o verão um campo de escavações na Palestina, J. Briend não teve oportunidade de o realizar em tempo útil. É à leitura dos textos do Pentateuco que ele nos convida antes de mais. Com a sua orientação, este paciente estudo mostra-se imediatamente apaixonante, pois, através das suas páginas erudita - mas sempre fáceis - é a sua fé que repassa, uma fé enraizada numa história, a história do povo de Deus, que continua a ser, ainda hoje, a nossa história. 

Etienne Charpentier


 

MONLOUBOU, Louis - Os Profetas do Antigo Testamento. 1984, 68 págs. Cód. 6015

 

O esboço que Luís Monloubou nos oferece neste caderno pretende fazer-nos compreender o fenómeno bíblico da profecia, nas suas origens e nas suas características. O longo estudo dos profetas e as numerosas publicações sobre o assunto fazem de L. Monloubou um guia que permite a um leitor moderno encontrar-se no universo, por vezes estranho e complicado, que é o dos profetas do Antigo Testamento. O profeta e a verdade, o profeta e o culto, o profeta e o futuro, o profeta e o rei: eis, escolhidos entre outros, os temas aprofundados pelo autor, de modo a corrigir os lugares-comuns vulgarmente espalhados sobre tais questões. O leitor moderno não se interessa somente pelo profetismo do ponto de vista arqueológico. Que consolação podem os homens de hoje tirar do melhor conhecimento do período bíblico, iluminado pela presença destas grandes testemunhas de Deus, se são incapazes de reconhecer os profetas de hoje? À primeira vista, o Caderno de L. Monioubou interessa-se pouco pelos profetas do nosso tempo. Todavia, ao mostrar as relações dos profetas com as outras civilizações vizinhas, ao sublinhar a solidariedade dos profetas com os homens do seu tempo e o seu compromisso total ao serviço duma Palavra que os submerge, L. Monloubou descreve os traços que devem encontrar-se também nos inspirados de todos os tempos. A sua palavra inscreve-se numa escritura que guarda a memória da sua insurreição em favor de Deus e dos pobres. Ela inscreve-se também no seu corpo que muitas vezes pagou caro a fidelidade a Deus. Hoje ainda, os profetas revelam, através da sua boca e do seu corpo, as exigências da aliança. O percurso que Luís Monloubou nos propõe pode ajudar-nos a reconhecê-los. 

Alain Marchadour


 

MANNATI, Mariana - Para orar com os Salmos. 1984, 72 págs. Cód. 6016

 

Orações estranhas, nascidas há já mais de dois milénios dos lábios de um pequeno povo, e que, desde então, não cessaram de ser murmuradas ou clamadas no silêncio dos claustros ou ao som dos órgãos litúrgicos, na intimidade da vida quotidiana, ou nas assembleias de povos crentes. Orações estranhas nas quais tudo surpreende o homem ocidental: o ritmo, as imagens, a violência de sentimentos e a história de Israel que neles aflora constantemente. Uma das chaves para entrar no seu universo é precisamente compreender que os Salmos são história: são a vida transformada em oração, a história de Israel transfigurada em eucaristia através da sua utilização no culto. E são um convite para fazermos da nossa vida uma oração. Ao abrir um livro de "orações bíblicas", esperamos encontrar textos edificantes, tecidos de bons sentimentos, impregnados de uma profunda teologia... Eles são humanos, terra a terra, amassados com carne e sangue, "espelhos das nossas revoltas e das nossas fidelidades". Porque são orações de homens, de homens que não se enganam a si mesmos quando encontram o seu Deus, que Lhe fazem frente com todas as suas paixões e as suas misérias e a sua nostalgia de amor. Eles revelam-nos, assim, a face misteriosa da nossa vida quotidiana, das nossas lutas e das nossas esperanças, esta face que está "escondida com Cristo em Deus" (Col 3,3). Deste modo, os Salmos fazem-nos entrar na oração de um povo no qual cada um quando ora, diz "nós"; até o próprio "eu" da maior parte dos salmos é colectivo. Eles fazem estoirar o nosso individualismo. Descobrimos que somente "como povo" podemos encontrar Deus, e somos arrastados por eles numa imensa história de amor, aquela que, após a aurora do primeiro dia, Deus empreende com os homens. Mas é preciso entrar no seu mundo. E para isso é necessário um guia experimentado. Mariana MANNATI é-o, seguramente. Após ter ensinado filosofia, ela consagrou-se ao estudo dos salmos, que traduziu com E. de Saloms, e comentou num grosso volume de 1600 páginas. Actualmente está integrada no CNIS (Centro Nacional de Investigação Científica) para estudar os géneros literários do saltério. É precisamente a descobrir os géneros literários dos salmos, chave para a sua boa interpretação, que ela nos convida. E neste domínio ela abre, por vezes, com brio, caminhos novos, que nem sempre são os seguidos por todos os especialistas. Este estudo leva-a a fazer reviver várias instituições culturais de Israel e esta descoberta não é um dos aspectos menos interessantes deste Caderno. Estas reconstituições são tão vivas, que dão por vezes, a impressão de "reportagem em directo"; no entanto, tenhamos uma certeza: elas baseiam-se numa sólida documentação. Mariana Mannati ajuda-nos a decifrar pacientemente os sinais do Ser amado que já afloram em todas estas orações, o rosto do "nosso bem amado irmão e Senhor Jesus Cristo".

Etienne Charpentier


 

GOURGUES, Michel

Os Salmos e Jesus, Jesus e os Salmos

1985, 68 págs. Cód. 6017

 

Eis um tema apaixonante e que nos toca directamente. Confrontado, como qualquer um de nós mas também de modo bem diferente, com uma tarefa a desempenhar, com uma vida a inventar, Jesus meditou a Sagrada Escritura, para nela descobrir uma luz que desse sentido à sua existência quotidiana e para nela discernir a vontade do Pai. Dentre esses textos da Sagrada Escritura, os Salmos, oração do seu povo, eram um lugar privilegiado. Que salmos utilizou Jesus para exprimir a sua missão? Os primeiros cristãos, guiados pelo Espírito, procuraram compreender o sentido profundo das palavras e das acções de Jesus, procuraram concretamente compreender como é que aquele que eles reconheciam como o Messias pode ter sido condenado à morte. Para eles também os Salmos trouxeram alguma luz. Jesus e os nossos primeiros irmãos cristãos ensinam-nos assim, a nós, homens de hoje, a relermos a nossa vida à luz dos Salmos. Um outro Caderno - "Para orar com os Salmos" -, apresenta os Salmos. Um outro - "Segundo as Escrituras" -, mostra como os autores do Novo Testamento escreviam a vida de Jesus. Na encruzilhada desses dois Cadernos, este permite fazer a ligação entre ambos. Ao mesmo tempo, este Caderno é uma excelente introdução à compreensão dos Evangelhos. Poderemos, por vezes, ficar admirados com a quota parte de criatividade atribuída aos primeiros discípulos; ficaremos sobretudo maravilhados com a inteligência nova que lhes dá o Espírito, "conduzindo-os à verdade completa". Michel GOURGUES, estudioso dominicano canadiano, ensina no Colégio Dominicano de Filosofia e Teologia de Ottawa. A sua tese sobre a actualização do Salmo 110 no Novo Testamento - "À la droite de Dieu. Résurrection de Jésus et actualisation du Ps 110,1 dans le N.T." - deu-lhe a preparação para tratar este tema com perfeito domínio da matéria. 

Etienne Charpentier


 

GRELOT, Pierre

Os Evangelhos:

origem, data, historicidade

1985, 72 págs. Cód. 6018

 

Desde há mais de um século, pelo menos, a leitura dos evangelhos foi falseada por uma questão que não acabou ainda de ser levantada: "Será que tudo isto se passou realmente, tal como está escrito?". Conhecemos as objecções dos adversários neste combate em torno dos evangelhos e da fé em Jesus. Por um lado, os críticos racionalistas baralham as tradições dos crentes em nome da ciência: os evangelhos reflectiriam sobretudo as ideias dos cristãos a respeito do mito do Homem-Deus, no fim do século I e no século II. Numa palavra, o historiador não poderia dizer grande coisa sobre esse "Jesus histórico". Em contraposição, sustenta-se a historicidade absoluta destes textos, como relatórios fiéis das recordações sobre Jesus de Nazaré, redigidos pelos apóstolos e seus colaboradores pouco depois dos acontecimentos. Desconfiar da sua historicidade implicaria negar o seu carácter inspirado. Por exemplo, quando apareceu o "Jesus" de R. Bultmann, em 1926, uma Bíblia católica falava assim das tentações de Jesus: "Facto verdadeiramente real e objectivo... Satã apresenta-se, portanto, visivelmente, sob uma forma corporal... E para cúmulo da sua audácia, ele levou realmente Jesus Cristo pelos ares e colocou-o no cimo do Templo". Ou ainda, a propósito da estrela dos Magos: "É provável que este astro tenha sido criado expressamente para esta circunstância, consistindo num meteoro miraculoso, que flutuava na nossa atmosfera e aparecia ou desaparecia, conforme as intenções divinas". (Bíblia de L. C. Fillion). Este mau combate da fé contra a ciência continua ainda: não faltam crentes bem intencionados que vão actualizando, com ares científicos, algumas posições ultrapassadas, que eles julgam favoráveis à fé. Assim, J. A. T. Robinson, num dos seus livros, pretende provar que os evangelhos foram redigidos nos primeiros vinte anos - ou no máximo quarenta - depois do Pentecostes. Segundo outros, os evangelhos foram escritos em hebraico, como se isso lhes desse uma historicidade indiscutível! No meio destas polémicas, modas e hábitos, é necessário fazer o ponto da situação com serenidade e levantar as verdadeiras questões: que são os evangelhos? Por quê e como foram eles escritos na Igreja? Como podem eles, hoje, fazer nascer e alimentar a nossa fé em Jesus, o Senhor? Como professor no Instituto Católico de Paris, Pierre Grelot está bem colocado para esclarecer este debate: o rigor e a clareza do seu ensino são bem conhecidos. Ele oferece aqui dados sérios e elementos de reflexão, para todos aqueles que, duma maneira ou doutra se encontram comprometidos na educação da fé. 

Philippe GRUSON


 

VÁRIOS

A Eucaristia na Bíblia

1985, 68 págs. Cód. 6019

 

Um dos momentos da celebração do Grande Jubileu dos 2000 anos da Encarnação de Jesus Cristo, foi a realização do Congresso Eucarístico de Roma, subordinado ao tema: "A Eucaristia, fonte de vida divina" (TMA 55). Por quê propor um Caderno Bíblico sobre a EUCARISTIA? Primeiramente, porque, para além de qualquer moda, a Eucaristia continua a ser o sacramento essencial do cristianismo e porque a fé nunca conseguiu compreender até ao fim a profundidade deste mistério. Em segundo lugar, porque uma aproximação propriamente bíblica da Eucaristia não é, de certeza, supérflua. É verdade que, nos últimos tempos, bastantes coisas foram publicadas sobre a Eucaristia. No conjunto destas publicações, a grande maioria versa sobre aproximações teológicas, eclesiológicas e espirituais; é normal que assim seja. Mas os estudos bíblicos relativamente acessíveis são mais raros. E a vocação natural destes Cadernos é o de tentar preencher essa lacuna. A empresa não é das mais fáceis. O leitor poderá verificar pessoalmente que muitas das questões continuam em aberto, que algumas dificuldades se mantêm e que continuam a existir desacordos entre os especialistas na matéria. Apesar de tudo, tem sempre muito interesse fazer por si mesmo a experiência de que os começos são sempre frágeis e difíceis de apreender. É uma lei que verificamos presente em todos os domínios e particularmente no da Eucaristia. O dossier recolhido neste Caderno não tem nenhuma pretensão em ser exaustivo. O que ele propõe são simplesmente alguns esclarecimentos, para melhor se compreender os textos da Eucaristia, tanto na utilização que se faz desses textos como do seu envolvimento cultural. Cada leitor e cada grupo é que devem, depois, continuar este trabalho, mergulhando nos textos que nos lembram como Jesus quis que a Sua causa sobrevivesse e como os primeiros cristãos acolheram esta vontade testamentária do Seu fundador. 

Alain MARCHADOUR


 

VÁRIOS - Os Milagres no Evangelho. 1986, 68 págs. Cód. 6020

 

Milagres. Outrora acreditava-se talvez por causa deles; hoje, acredita-se apesar deles! Incomodam-nos! A ciência tornou-nos reticentes diante de "tudo o que escapa às leis da natureza" (mas será assim que devemos defini-los?). Quando se apresenta Jesus aos jovens, não se fala deles: maneira simples de evitar perguntas embaraçosas! As "Bíblias para jovens" "explicam" as narrações do Antigo Testamento ou mesmo os Evangelhos de tal maneira que os milagres se tornam factos naturais... Um simples Caderno, como este, não pretende resolver todas as questões. Poderá somente ajudar-nos a pô-las melhor. É preciso, por outro lado, limitar o âmbito do nosso estudo: estudaremos apenas os milagres de Jesus, deixando de lado os do Antigo Testamento, os dos Actos dos Apóstolos, e ainda os que S. Paulo menciona nas suas Cartas. Tão pouco falaremos dos milagres realizados nos nossos dias em certas comunidades carismáticas. Este estudo, com os seus limites, deseja ajudar a descobrir que os milagres são, acima de tudo, uma mensagem, uma palavra de Jesus sobre Jesus. É um convite à descoberta do seu sentido, do seu significado, um convite a reconhecer a face de Jesus que os evangelistas nos fazem entrever através deles, um convite também a interrogar-nos: quais são hoje os "milagres" que vão tornar a dizer ao mundo esta mesma palavra? 

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS - Uma leitura dos Actos dos Apóstolos. 1986, 82 págs.; 2ª ed. 1996. Cód. 6021

 

"Escândalo na distribuição de subsídios: viúvas, as grandes prejudicadas". "Milagre em Jerusalém: um coxo subitamente curado". "Prisão de Pedro e João: o tribunal ordena a sua libertação". "Dos nossos enviados especiais ao concílio: depois de viva discussão, em que conservadores e progressistas se confrontaram, as teses de Paulo levam a melhor". Se Lucas tivesse escrito na nossa época, facilmente o imaginamos a redigir títulos sonantes para este "Diário da Igreja" dos anos 30 aos anos 60 que são os Actos dos Apóstolos. Aí descobrimos, com emoção, a primeira tentativa de comunitarismo integral ensaiado pela comunidade de Jerusalém; vemos surgirem à luz bastante cedo as divisões criadas entre cristãos abertos aos ventos novos, como os Helenistas de quem Paulo será discípulo, e os cristãos mais conservadores; assistimos ao balbuciar inicial da teologia e, para além por vezes da pobreza de certas fórmulas, maravilhamo-nos com o amor apaixonado de homens e mulheres para quem a vida de súbito ganhou sentido em Jesus ressuscitado. Contemplamos o desenvolvimento extraordinário desse punhado de homens, uma dúzia de pescadores e camponeses entregues ao sopro do Espírito, portadores de uma revolucionária mensagem - a mensagem do amor - e que, três séculos depois, chegarão aos confins do imenso império romano. E, no decurso desta metade do século, assistimos ao nascimento do Novo Testamento: as cartas que Paulo escreveu às comunidades implantadas em toda a bacia mediterrânica, os Evangelhos em que se revela o rosto de Jesus Cristo. "Revelar": a palavra pode também ser entendida no sentido fotográfico; a bacia mediterrânica surge a nossos olhos como um vasto laboratório de fotografia: os apóstolos primeiro, depois os primeiros discípulos e, depois ainda, os novos cristãos vindos tanto do judaísmo como do paganismo, brotando de culturas diversas, foram "impressionados" pelo rosto de Jesus; ser-lhes-ão precisos vários anos para que, graças ao "revelador" que é a vida de todos as dias, esse rosto seja verdadeiramente "revelado", deixando surgir os traços que fixarão definitivamente os evangelhos. Actos dos Apóstolos... Não somente um "jornal" interessado na "reportagem em directo", mas o trabalho de um historiador que, passado o tempo, reflecte sobre os acontecimentos para lhes discernir o sentido. Vários exegetas colaboram neste Caderno. Como no fim de contas já não sabemos o que pertence a cada um, preferimos não o indicar: é uma obra colectiva de biblistas suficientemente amigos para divergirem um tudo-nada na forma de abordar a Sagrada Escritura. E isso é enriquecedor. De qualquer forma, tanto uns como outros trouxeram simultaneamente a sua competência e o seu amor por este texto que para tantos crentes é, desde há dois mil anos, a carta-magna da sua vida cristã. 

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS, Uma leitura do Apocalipse. 1986, 64 págs. Cód. 6022

 

Iluminada pelos projectores, a catedral ressalta da penumbra da cidade. Visão de paz. Certeza de que as trevas - o sofrimento e o mal - não terão a última palavra. Sinal seguro para o viajante perdido na planície: a vida tem um sentido. Convite ao louvor destes dois braços erguidos "em direcção a um céu de demência e de serenidade"... Transformámos a palavra "apocalipse" em sinónimo de catástrofe... Mas o Apocalipse é uma "revelação", um clarão na noite, uma chama que consome o mal. Nos tempos de crise é como que por instinto que a este livro se regressa, como se fosse às fontes da esperança cristã. Num inquérito que fizemos, em que uma das perguntas era - "Quais os livros bíblicos que gostaria de ver abordados?" -, o Apocalipse ocupa com grande vantagem o primeiro lugar nas respostas dos inquiridos. A leitura que aqui propomos não pretende resolver todas as dificuldades deste livro complexo. Ela pretende ser apenas um convite para introduzir o leitor nesse documento singular da vivência cristã do final do século I. Aí se poderá encontrar a alegria do ser cristão e a força para recusar a adoração de todos os poderes ou ideologias totalitários, o orgulho de estar marcado com o nome de Jesus e o desejo de cantá-lo como o único Senhor. Sentiremos a nossa esperança exasperar-se, urgida pelo sopro do Espírito e clamar: "Oh, Sim! Vem, Senhor Jesus"!


 

PAUL, André

A Inspiração e o Cânone das Escrituras:

história e teologia. 1987, 60 págs. Cód. 6023

 

As Escrituras são inspiradas pelo próprio Deus; a Igreja decide quais os livros bíblicos que são Palavra de Deus: eis duas verdades que eram ainda há pouco tempo evidências. Parecem participar do carácter sagrado da própria Bíblia. Desde há algumas décadas, porém, um bom número de fiéis, guiados pelos exegetas e pelos historiadores, aprenderam a descobrir a humanidade das Escrituras, a incarnação da Palavra divina nos textos humanos: os de Israel e os dos primeiros cristãos. Hoje, as antigas evidências acerca da origem divina da Bíblia são por vezes postas em causa, contestadas ou, na maior parte das vezes, incompreendidas. Os argumentos de autoridade já não bastam para substituir a informação e a reflexão. Este Caderno propõe, ao mesmo tempo, uma informação - como se chegou às afirmações doutrinais actuais? - e uma reflexão - porque existem ligações tão fortes entre Bíblia e Igreja? Que significam hoje expressões tradicionais como "Escrituras inspiradas", "livros canónicos"? André PAUL é um especialista em escritos judaicos do período intertestamentário: os dois ou três séculos que se seguem à formação do Primeiro Testamento judaico e acompanham a formação do Novo Testamento cristão. Efectivamente, este período charneira é um tempo privilegiado da reflexão dos crentes sobre as Escrituras. Muitos leitores puderam apreciar o Caderno que André Paul consagrou ao período intertestamentário - "Intertestamento". Encontrarão agora neste Caderno a sua competência de historiador, o vigor e a originalidade da sua abordagem. Um trabalho como este não pretende ser completo; os limites deste Caderno não o permitem. Para mais, situado que está no campo da teologia católica, este trabalho necessitaria do confronto com outros teólogos cristãos. Neste quadro restrito, ele traz, contudo, elementos essenciais para um dossier complexo e permite tomar a distância necessária para apreciar duas questões fundamentais, muitas vezes sofismadas: a da inspiração e a do cânon das Escrituras.


 

ASURMENDI, Jesús Maria

I Isaías (1-39)

1988, 68 págs. Cód. 6024

 

Neste Caderno, pretendemos estudar a obra do profeta Isaías (Is 1- 39), que viveu no século VIII antes de Cristo, e que teve, mais tarde, um discípulo anónimo que designamos como Segundo Isaías, autor dos capítulos 40-55. Alguns destes textos estão presentes na memória de todos, pois o Novo Testamento e a Liturgia, sobretudo as leituras do tempo do Advento e Natal, carregaram-nos dum significado teológico e afectivo muito grande. Mas temos primeiramente de lê-los no sentido que eles tinham no tempo de Isaías. Ao longo deste estudo, encontraremos um homem profundamente comprometido na história do seu tempo e na sua política, um homem que punha a sua confiança unicamente no Deus de Israel que governa os povos. Os gritos deste grande poeta e sobretudo deste homem de fé, sacudindo o mundo e a indiferença do seu povo a respeito de Deus, ainda hoje nos tocam profundamente. Jesus-Maria ASURMENDI, numa linguagem por vezes familiar, que lhe vem do seu país basco natal, guia-nos com clareza. Ele tem toda a familiaridade com Isaías, pois costuma ensiná-lo no Instituto Católico de Paris (e fez a sua tese sobre a guerra siro-efraimita). 

Jean François Desclaux - Etienne Charpentier 


 

PAUL, André - Intertestamento. 1989, 80 págs. Cód. 6025

 

Havia o Antigo e depois o Novo Testamento e isso parecia-nos já demasiado complicado! Será necessário acrescentar ainda um "Intertestamento"? E contudo, embora a palavra seja discutida, a realidade que ela pretende exprimir existe realmente e é importante. O último livro do Antigo Testamento, a Sabedoria, foi escrito por volta do ano 50 antes de Cristo; e o primeiro do Novo Testamento, a Carta aos Tessalonicenses, no ano 51 depois de Cristo: temos, portanto, um século sobre o qual a nossa Bíblia nada diz. É um século importante, dado que ele constitui o ambiente da vida de Jesus, no qual ele bebeu a sua formação, a sua mentalidade, a sua teologia, a sua espiritualidade. Na Bíblia nada foi conservado, mas uma enorme literatura surgiu durante este período. Muitos desses livros são conhecidos de há muito tempo, outros foram redescobertos só recentemente. É uma literatura frequentemente estranha, de aspectos muito variados, à qual quase só os especialistas têm acesso; e estes estudam-na actualmente com grande entusiasmo. O primeiro objectivo deste Caderno consiste em abrir-nos a porta desse universo um tanto misterioso, que engloba aproximadamente o primeiro século antes e o primeiro século depois de Cristo, ultrapassando-os, contudo, largamente. Trata-se duma introdução. Esta não tem interesse senão na medida em que nos permite ler os textos em si mesmos. Ora, estes, editados em obras demasiado especializadas e frequentemente em línguas estrangeiras, quase não são acessíveis aos não-especialistas. André PAUL, Professor no Instituto Católico de Paris, será o nosso guia neste campo que ele conhece bem, porque o tem explorado sem descanso. Mas - e aqui está o segundo objectivo deste caderno - A. Paul não se limita a fazer a lista da nomenclatura dos textos. Como filósofo, ele vê neste fenómeno literário uma época nova da teologia judia, precisamente aquela que permitiu o nascimento do Cristianismo. Estas páginas cheias de força em que ele desenvolve o seu pensamento podem parecer, sem dúvida, um pouco difíceis. Mas, e ainda que todos os especialistas não perfilhem as suas teses, seria errado não lhes dar importância; as suas conclusões sobre a importância social e política da escritura como tal merecem bem o esforço que exigem de nós; o que elas pretendem é suscitar reflexão e discussão e não um assentimento cego. Outros Cadernos, que nos ajudam a ler os textos da própria Bíblia, são, no geral, mais fáceis. Este, um pouco à margem dos livros canónicos, vai introduzir-nos no pensamento judaico num momento dramático da sua história em que esta se volta para aquilo que chamamos o Antigo Testamento, a fim de nele beber as forças vitais, produzindo assim a terra fecunda onde o Novo Testamento teve a possibilidade de nascer...

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS

Um primeiro contacto com a Bíblia.

1989, 64 págs. Cód. 6026

 

Eis-nos perante um Caderno Bíblico especial: desta vez, pareceu-nos bem seguir a actualidade religiosa e, como se diz em linguagem radiofónica, cobrir o acontecimento. Com efeito, no contexto da actualização dos programas da catequese, o episcopado francês decidiu publicar uma recolha de documentos privilegiados ("Pedras Vivas"), tiradas da Bíblia e da História da Igreja. Esta recolha será colocada nas mãos de todas as crianças que frequentam o catecismo, seja qual for a caminhada catequética percorrida. A primeira parte desta recolha de textos apresenta, portanto, uma selecção de textos da Escritura que permitem uma primeira descoberta do Livro e das suas passagens mais importantes. Pareceu-nos que poderíamos prestar um serviço aos catequistas, oferecendo-lhes um instrumento simples que lhes permitisse apoiá-los na parte bíblica de "Pedras Vivas". Assim, é em primeiro lugar aos catequistas que se dirige este Caderno Bíblico. Mas ele pode prestar grandes serviços a muitos outros. Muitas vezes pedem-nos para não "levantar" demasiado o tom dos Cadernos Bíblicos, para os tornar mais simples e para não escrever somente para os que nos seguem fielmente há anos; pedem-nos para, de vez em quando, nos lembrarmos também dos que iniciam a caminhada bíblica, a partir de zero. O sucesso do Caderno "PARA UMA PRIMEIRA LEITURA DA BÍBLIA" mostra que tal pedido é razoável. Este Caderno tem o inconveniente de ficar-se em teorias e de pretender ser demasiado completo. Por isso, o presente Caderno é mais concreto, pois apresenta os textos que convida a ler. Além disso, diferentemente do Caderno acima referido, não pretende dizer tudo. Oferece uma leitura da Bíblia dentre muitas outras. O método proposto privilegia a história da redacção dos textos, sem negar a redacção definitiva do Livro tal como o temos hoje, e sem ocultar o enraizamento histórico da mensagem revelada. Deste modo, o adulto que desconhece completamente a Bíblia poderá adquirir, sem grande dificuldade, um primeiro conhecimento da Bíblia. Muitos párocos, responsáveis da catequese de adultos e outros agentes de pastoral encontrarão neste Caderno um livrinho simples para emprestar a noivos, a catecúmenos, ou um instrumento de trabalho simples para encorajar a caminhada dum grupo que pretenda descobrir a riqueza da Bíblia. Com este Caderno um pouco especial pretendemos continuar a nossa missão, que é permitir a um grande número de pessoas uma descoberta: o Evangelho é vida.

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Este Caderno é igualmente recomendável a todos quantos estão inseridos nos Grupos de Dinamização Bíblica. Nele encontrarão uma visão geral da Bíblia e o sentido de muitos textos fundamentais que poderão utilizar nas celebrações e no estudo em grupo. (n.t.)

Etienne Charpentier, Alain Marchadour, Michel Quesnel, Marc Sevin


 

WIÉNER, Claude

O II Isaías,

o profeta do novo êxodo

1990, 53 págs. Cód. 6027

 

"I Isaías: profeta aristocrático que viveu no século VIII, antes de Cristo, que, segundo a tradição, o rei Manassés teria mandado serrar ao meio e que os exegetas cortaram em três"... É mais ou menos nestes termos que um "Dicionário dos Santos", um tanto ou quanto humorista, apresentava Isaías. Seja como for quanto à sua morte, é verdade que os especialistas vêem nos 66 capítulos, que compõem este livro, a obra de pelo menos três profetas diferentes, que viveram em épocas diferentes. Atribuem-se os primeiros trinta e nove capítulos ao Isaías do século VIII (mas alguns destes capítulos, 24-27; 34-35 e mais alguns, são posteriores); os capítulos 40-55 são de um profeta anónimo. "Voz que grita" durante o exílio na Babilónia, por volta de 540, e que designamos, à falta de melhor nome, o "Segundo Isaías"; os capítulos 56-66 seriam obra dum discípulo que teria escrito depois do Exílio, por volta de 520. Num outro Caderno apresentámos a obra do "Primeiro Isaías". Neste Caderno limitar-nos-emos ao "Segundo Isaías" (ou Is 40-55). Mensagem para um tempo de marasmo e de crise, os seus poemas fazem-nos comungar do sofrimento do povo exilado, das questões angustiantes que ele levanta a si mesmo sobre a eficácia do seu Deus em salvá-lo, e sobretudo da sua fé capaz de ir encontrar, na recordação da sua história passada, as raízes da sua esperança para hoje. Os autores do Novo Testamento irão utilizar às mãos cheias este tesouro, onde vai descobrir a ternura imensa dum Deus com coração de mãe, que anuncia a Boa Nova - o Evangelho - da libertação, e os primeiros cristãos verão nele os traços comoventes do Cristo-Servo sofredor pelos pecados do mundo. Muitos sacerdotes e estudantes conhecem Claude Wiéner, sacerdote da missão de França, que lhes deu a possibilidade, em muitas sessões e nos seus cursos do Instituto Católico de Paris, de descobrirem e saborearem a Bíblia. A tradução da Bíblia usada em França na liturgia é obra duma equipa de especialistas de que ele foi animador durante vários anos. É esta competência e esta pedagogia que irão encontrar neste Caderno, no qual ele foi ao mesmo tempo capaz de nos dizer porque é que gosta deste profeta. 

Etienne Charpentier


 

VÁRIOS

As Fontes da Sabedoria

1990, 66 págs. Cód. 6028

 

A vida, o amor, a morte... A condição humana... Estes títulos, respectivamente de um filme de Truffaut e de um romance de Malraux, poderiam servir como título deste caderno consagrado à corrente da Sabedoria na Bíblia. De maneira algo simplista - mas todo este caderno irá matizar melhor esta afirmação poderia dizer-se que, se os profetas são principalmente homens de acção, reflectindo sobre a história, os sábios colocam-se sobretudo no plano do ser e meditam sobre a experiência e a condição humanas. A partir do séc. V, antes da nossa era, vai aparecer em Israel um conjunto de livros, cuja ressonância universal continua a tocar-nos. O Cântico dos Cânticos canta o amor humano com um realismo digno do lirismo ardente e surrealista de André Breton. Espíritos preocupados com a experiência humana, como Camus e Buzzatti, e muitos jovens reencontrar-se-iam inteiramente nas reflexões desiludidas do Qohelet: "Tudo é ilusão... Só há uma coisa que vale a pena, é comer bem!" O grito de Job é o de um homem que sofre e se pergunta porquê. Tobias canta o casamento com uma simplicidade comovente. O livro de Ben Sira tem o encanto antiquado da burguesia e o da Sabedoria de Salomão atinge por vezes o esplendor das Gr.andes Odes de P. Claudel. Finalmente, o livro dos Provérbios junta num ramalhete sábio e admirável todos os ditados que germinavam no húmus da experiência do povo. Diversos Cadernos apresentam estes diferentes livros. Mas era bom tentar fazer primeiramente um estudo global situando a corrente da sabedoria e mostrando como ela começa com o nascimento de Israel.

O presente Caderno estuda o nascimento desta corrente de sabedoria procurando mostrar as suas múltiplas facetas. Na base deste caderno está o curso que A. Vanel, deu no Instituto Católico de Paris. Antes de morrer, ainda jovem, em 1978, o autor tinha experimentado o drama de Job, durante longos anos de doença vividos na fé. Ele tinha-nos generosamente deixado o seu texto policopiado, para que preparássemos a sua publicação. Marguerite Jouhet, Jean-François Desclaux e Marc Sevin trabalharam sobre esse texto, remodelando frequentemente e de maneira profunda este primeiro projecto e oferecendo também o fruto das suas investigações. Jean Leveque, do Instituto Católico de Paris, ajudou também com os seus conselhos. Jean-Noël Aletti, enfim, teve a bondade de rever todo o conjunto, acrescentando reflexões preciosas. O Novo Testamento, Paulo e João em particular, viram em Jesus esta Sabedoria que veio habitar entre os homens. J.-N. Aletti, do Instituto Bíblico de Roma, e Maurice Gilbert, que foi Reitor do mesmo Instituto, introduzem-nos nessa abordagem do mistério de Cristo. Eles ajudam-nos a conhecer melhor Jesus Cristo; e vão permitir-nos compreender também até que ponto o Filho de Deus levou a incarnação no nosso mundo. Com efeito, esta sabedoria alimenta-se de todas as reflexões humanas que tiveram lugar entre outros povos: sumérios, acádicos, egípcios... Desta maneira, veremos melhor como a nossa reflexão humana de hoje, a do Ocidente, mas também a do Oriente, da África, de todos os continentes, e a de todas as culturas é necessária para melhor conhecer esta Sabedoria que se tornou uma pessoa em Jesus: "Ela apareceu sobre a terra e permaneceu entre os homens" (Br 3,38). Quem dera que nós pudéssemos, tal como o autor da Sabedoria de Salomão, tornar-nos "enamorados da sua formosura" para fazer dela "a companheira da nossa vida" (Sb 8,2.9). 

Etienne Charpentier


 

ZUMSTEIN, Jean - Mateus, o Teólogo. 1990, 66 págs. Cód. 6029

 

O primeiro Evangelho (Mateus) constitui um documento importante no debate entre cristãos e judeus - que também tem tido algum progresso - apesar de ser um texto polémico e não favorecer um diálogo muito pacífico. Independentemente da Carta aos Romanos e da Carta aos Hebreus, Mateus estabeleceu os fundamentos da Igreja, frente a Israel. Portanto é preciso estudar estes textos em conjunto, e não só alguns pontos concretos e controversos, sem ignorar as outras teologias do Novo Testamento. Jean Zumstein é professor da Faculdade de Teologia protestante de Neuchâtel. Temos muito prazer em dar a palavra a um amigo suíço, duma igreja protestante e habituado à colaboração ecuménica na Suíça de língua francesa. O autor apresenta-nos a teologia de Mateus, pondo em relevo os textos que nos apresentam Cristo Mestre e a Igreja. Não nos vamos, pois, admirar de não encontrar aqui outros grandes temas de Mateus que já foram tratados noutros Cadernos: o Evangelho da Infância ("Narrativas da Infância de Jesus", Charles Perrot), os Milagres de Jesus ("Os milagres no Evangelho", Vários) ou as Bem-aventuranças ("A mensagem das Bem-aventuranças", Jacques Dupont). J. Zumstein coloca-nos numa atitude de escuta e de seguimento de Jesus de Nazaré, o Senhor da Igreja, o Emmanuel, isto é, "o Deus-connosco todos os dias, até ao fim dos tempos". 

Philippe GRUSON


 

LEVEQUE, Jean - Job: o livro e a mensagem. 1990, 64 págs. Cód. 6030

 

Este é um Caderno que muitos dos nossos leitores esperavam com impaciência. Não há nada de estranho nessa impaciência! Todo o crente pode encontrar em Job um companheiro de caminho que tem a ousadia de dizer em voz alta aquilo que todos sentem confusamente na hora da provação. O choque do sofrimento abala as evidências, as certezas fáceis e as lindas ideias reconfortantes. É sobretudo quando os homens sofrem que se voltam para Deus ou, pelo contrário, se afastam dele; mas, em qualquer dos casos, confrontam-se com o seu mistério. Onde se encontram, então, as fronteiras entre os crentes e os não crentes? Acaso não atravessam elas, de uma forma dolorosa, cada uma das consciências? Este combate da fé, testemunhado pelo livro de Job, não é mais do que a 'tragicidade' da vida humana, vivida diante de Deus, diante do silêncio de Deus; particularmente quando se trata do sofrimento de inocentes. Mas este livro impõe respeito: não somente porque é longo, complexo, por vezes até difícil de seguir, mas sobretudo porque leva o seu leitor sincero às mais obscuras margens da fé, onde finalmente se joga a relação do homem com Deus. Pedimos a Jean LEVEQUE, autor de um magistral estudo sobre "Job e o seu Deus", para ser o nosso guia, neste livro fascinante e desconcertante. O autor é professor do livro de Job e dos outros livros Sapienciais e Salmos no Instituto Católico de Paris. Desde já, encontra-se aberto este "caminho de fé" de Job, caminho em que os homens interpelam a Deus e em que Deus sempre responde, como na manhã de Páscoa.

Philippe GRUSON


 

GIBERT, Maurice e ALETTI, Jean-Noël - A Sabedoria e Jesus Cristo. 1990, 80 págs. Cód. 6031

 

Por pouca atenção que lhe prestemos, a audácia dos sábios da Bíblia é arrebatadora. Os céus podem fechar-se e as vozes proféticas calar-se, mas estes sábios ousam sempre afirmar que o diálogo com Deus é possível. O aparente silêncio de Deus não os desencoraja, precisamente porque é aparente. A longa e obscura procura que os homens fazem do bom caminho para a sua existência, pode também ser um lugar onde ressoa a palavra divina. A fé permite ao sábio reconhecer a presença activa de Deus no decurso ordinário da vida. O Caderno "As fontes da Sabedoria" mostrou, à evidência, a forma segundo a qual esta veia sapiencial atravessa toda a Bíblia e se desenrola já nas suas remotas origens. O presente Caderno, na linha anterior, toma como campo de estudo os últimos desenvolvimentos dos escritos sapienciais sobre a Sabedoria e as suas repercussões na forma como é apresentado Cristo no Novo Testamento. Maurice Gilbert, S. J., que foi Reitor do Pontifício Instituto Bíblico, comenta, numa primeira parte, as principais passagens que tratam da "Sabedoria personificada". Com efeito, nos escritos bíblicos, assiste-se a um fenómeno progressivo de "personificação" da Sabedoria, a qual se identifica com a revelação de Deus aos homens. Esta Sabedoria representa assim a presença divina activa no meio dos homens e nos seus corações. Numa segunda parte, Jean-Noël Aletti, S. J., do Instituto Bíblico e da equipa de Manrèse, investiga os textos do Novo Testamento, tentando discernir se Jesus foi ou não identificado com a Sabedoria divina. A discrição dos escritos torna a operação difícil. Se os evangelistas e Paulo resistem a identificar totalmente Cristo com a Sabedoria, isto deve-se ao facto de quererem evitar fazer uma apresentação incompleta e inadequada do mistério de Jesus. Utilizam, no entanto, elementos da tradição sapiencial, a fim de esclarecer um aspecto deste mistério: Jesus, o Senhor sentado junto do Pai, nem por isso está separado dos homens, mas, tal como a Sabedoria, está presente neles e no meio deles. De que forma é que Deus se faz presente aos homens? É esta a questão posta pela Sabedoria e Jesus Cristo. 

Marc Sevin


 

COTHENET, Edouard - A Carta aos Gálatas. 1991, 60 págs. Cód. 6032 

 

A Carta aos Gálatas é um texto que nos prende por vários motivos. É um documento vivo e directo de combate. Mais do que as restantes Cartas de Paulo, esta deixa transparecer o carácter ardente deste Apóstolo, a sua irritação, a sua ternura, a sua paixão em anunciar o Evangelho, o seu amor a Cristo. Mas a nossa sensibilidade contemporânea fará sobretudo questão em sublinhar que a Carta aos Gálatas é a carta da liberdade e do espírito de abertura. Uma vez que Deus dá a salvação pela fé em Cristo, ninguém mais poderia ser escravo de uma Lei, de uma instituição ou de um sistema, por mais maravilhosos ou indispensáveis que eles sejam. Paulo convida os leitores à aventura da fé, que não é calculista, e faz pouco do medo e das seguranças. Neste Caderno, Edouard Cothenet, do Instituto Católico de Paris, consegue fazer-nos entrever melhor a personalidade de Paulo e abrir-nos as portas da Carta que, segundo a fórmula de Santo Ireneu, é "o Novo Testamento da liberdade". 

Marc Sevin


 

DUPONT, Jacques

A mensagem das Bem-aventuranças

1991, 68 págs. Cód. 6033

 

"Já experimentaste gritar num bairro de lata: "Felizes os pobres...?" Eu já não suporto ouvir as bem-aventuranças proclamadas a todo o momento nas nossas celebrações. Os cristãos que as cantam, com tanta inconsciência, em admiráveis melodias ortodoxas, dar-se-ão conta do que dizem? As bem-aventuranças são um grito revolucionário! E fez-se delas um meio de manter estável uma ordem social injusta...". Esta reacção de um amigo exprime bem o paradoxo das bem-aventuranças e a interrogação múltipla que elas nos lançam. Que fizemos nós destas bem-aventuranças? "Felizes...". O Evangelho, a Boa Nova que Jesus proclama, é a felicidade. Será que a atitude e a vida dos cristãos ainda proclamam isso? Frequentemente transformámos este apelo à felicidade numa religião triste, numa religião do dever. Jesus, por seu turno, apela à alegria. "Felizes os pobres!". A boa nova proclamada por Jesus é que Deus vem estabelecer o seu Reino; tal como um bom rei da época, ele começará por restaurar a justiça: "Felizes os pobres! Deus está farto de vos ver pobres; ele vem estabelecer o seu Reino e, portanto, doravante, não sereis mais pobres!". As bem-aventuranças são a boa nova de que Deus vem libertar todos os infelizes da sua miséria. Ora, por um contra-senso trágico, no decurso dos séculos, elas serviram frequentemente para manter uma ordem social injusta como se Jesus declarasse: "Pobres, vós tendes a sorte de ser pobres..., portanto, permanecei nessa condição! Mais tarde, no céu, Deus recompensar-vos-á". Encontrareis, mais adiante, alguns extractos, entre inúmeros outros, do mesmo teor, tirados dos escritos ou dos discursos de homens políticos, de ricos, de cristãos, alguns até animados de excelentes intenções, mas que mostram bem como estas bem-aventuranças funcionam frequentemente como um ópio destinado a confortar os pobres, mantendo-os ao mesmo tempo na sua condição. A leitura de tais textos faz-nos ficar doentes. Possa ela ao menos incitar-nos à humildade e a pedir perdão: se as bem-aventuranças puderam servir para esmagar os pobres em vez de os libertar, compreende-se que outros, fora das Igrejas ou contra elas, tenham chamado a si a realização deste anúncio de felicidade, cujo sentido tínhamos perdido. Como é que se chegou a esta situação? Muitas coisas a isso conduziram: o desejo maquiavélico de poderes políticos ou económicos utilizarem a religião para manter a "ordem" social; a tendência de um certo cristianismo a renunciar às tarefas humanas e a este "vale de lágrimas", e a evadir-se para o "além"; a interpretação dada por Mateus, a qual, mal compreendida, conduzia a beatificar a pobreza e a fazer dela uma virtude, ao passo que, para Jesus, ela é mal. (Não é significativo o facto de os católicos praticamente só conhecerem a interpretação de Mateus conseguindo, com habilidade, alinhar por ela a interpretação de Lucas, que é completamente diversa?) E talvez mesmo, antes de tudo isso, uma leitura preguiçosa do texto, que, esquecendo as raízes que ele tem na pregação dos profetas, não podia alcançar o seu significado. Somos, pois, convidados a estudar seriamente este texto fundamental. Mas como fazê-lo? Não se pode dar por conselho a toda a gente que leia as 1558 páginas que lhes consagrou Jacques Dupont, um beneditino belga cujos estudos são autoridade no mundo inteiro; os seus três volumes ("Les béatitudes": "Le problème littéraire", t. I, p. 388; "La Bonne Nouvelle", t. II, p. 426; "Les évangélistes", t. III, p. 744) lêem-se contudo facilmente e há sempre vantagem em recorrer a eles. Mas melhor seria, sem dúvida, pedir ao Padre Dupont que nos apresentasse, de modo simples, o essencial do seu estudo. Ele tinha-o feito, por ocasião de um retiro que pregou às beneditinas de Lovaina. São essas conferências, recolhidas pela Ir. M. Delmer e transcritas por A.-M. e E. Laigneau, que aqui vos oferecemos. Jacques Dupont reviu-as com cuidado e é uma grande alegria para nós publicá-las. Ao mesmo tempo que é um estudo das bem-aventuranças, este Caderno apresenta-se como uma aplicação exemplar do método de análise de texto a que se chama histórico-crítico. Ele revela-se aqui fecundo, nomeadamente em dois pontos. Antes de mais, este método permite dar conta da evolução das tradições. Possuímos, efectivamente, duas interpretações das bem-aventuranças devidas a Mateus e a Lucas, e estas interpretações são diferentes: não falam da mesma coisa! Será possível, para compreendê-las, recuar a um estádio anterior, mais próximo do pensamento de Jesus? Esclarecendo-se a respeito da prática de Jesus e da sua leitura dos profetas e comparando as duas versões das bem-aventuranças, Jacques Dupont consegue, de maneira convincente, recuar a uma fase anterior aos evangelhos escritos e reconstituir uma primeira forma destas bem-aventuranças. Isso permite-lhe então voltar ao texto de Lucas e depois ao de Mateus para ver como cada um deles as interpretou em função das necessidades da sua respectiva comunidade. Mas, ao mesmo tempo, o método histórico-crítico permite discernir a transformação doutrinal que se operou na comunidade primitiva. As bem-aventuranças de Jesus eram acima de tudo teológicas: nelas, Jesus falava de Deus, do Deus dos pobres que vem estabelecer o seu Reino. As bem-aventuranças de Mateus e de Lucas são sobretudo cristológicas: elas insistem naquele por quem o Reino de Deus é inaugurado, o Cristo Jesus. No final deste Caderno encontra-se o texto das bem-aventuranças de Mateus e de Lucas. Seria bom começar por relê-las atentamente e, porque não, estudá-las com a ajuda do questionário que as acompanha. Desse modo, a leitura deste Caderno seria muito mais apaixonante e proveitosa. 

Etienne Charpentier


 

GIROUD, Jean-Claude

Semiótica. Uma prática de leitura

e análise dos textos bíblicos.

1991, 72 págs. Cód. 6034

 

Pratica-se a semiótica literária desde a década de sessenta, à sombra de várias figuras tutelares, que dão a este campo colorações diferentes: A. J. Greimas, R. Barthes, G. Genette, T. Todorov, J. Kristeva ou Bakhtine. Cada uma destas figuras origina uma tendência: semiótica, semiológica, estrutural, "crítica", semanalítica ou dialógica, um campo de investigação teórico e uma prática de análise.

Ao projecto de A. J. Greimas adere, no início dos anos setenta, o Centro para a Análise do Discurso Religioso (CADIR), integrado na Faculdade de Teologia de Lião (França). Na base deste Centro encontram-se exegetas, filósofos e teólogos de formação, da craveira de J. Delorme, J. Calloud, F. Genuyt, I. Almeida e L. Panier, entre outros. Deve-se a este grupo, em primeiro lugar, o boletim de estudos e de intercâmbio que é Sémiotique et Bible, integrado hoje como a Unidade de Investigação Linguística nº 7 do Instituto da Língua Francesa (CNRS).

Em Março de 1976, é publicado o Caderno EVANGELHO (nº 16) de iniciação à análise estrutural e de aplicação ao texto bíblico, assinado por Jean-Claude Giroud e Louis Panier. Deve-se igualmente a este grupo uma das mais claras e das mais pedagógicas apresentações de conjunto da teoria e da prática semióticas: Groupe d'Entrevernes: Analyse sémiotique des textes, Introduction - Théorie - Pratique, Lyon, Presses Universitaires de Lyon, 1979. Dez anos após a publicação do Caderno "Uma iniciação à análise estrutural", este mesmo Caderno (agora com o nº 59), propõe "Uma prática de leitura e de análise dos textos bíblicos", redigida pelos mesmos autores do Caderno publicado antes. É esta versão que agora se propõe ao público português, com algum atraso. Os conselhos práticos, as introduções teóricas, a prática de análise, a bibliografia, são de tal modo sintéticos e claros que qualquer nota de explicação sobre o que está escrito apenas atrapalharia a leitura por certo já difícil para quem se sente estranho a esta linguagem e a esta maneira de estudar os textos bíblicos. O melhor, portanto, é ler, sabendo-se que há modos de ler vários. Cingir-me-ei pela minha parte, a apontar a singularidade deste grupo dentro da prática semiótica geral e das tendências de investigação em curso. O projecto semiótico não foi elaborado especialmente para os textos bíblicos; o seu objecto são os textos literários ou o mundo da significação em geral, e é a partir do seu carácter "literário" que ele aborda o texto bíblico.

Considera-se hoje que este projecto permitiu esclarecer e deslocar algumas questões relativas à interpretação dos textos bíblicos e permitiu esboçar algumas perspectivas para a reflexão teológica (Louis Panier, "La nomination du Fils de Dieu", in Sémiotique et Bible, nº 59) . Pioneiro na aplicação da semiótica literária dos textos bíblicos, a pujança deste grupo deve-se sobretudo à sua permanente prática dos textos, mais do que ao seu esforço de teorização ou formalização. Mas como uma coisa não vai sem a outra, o CADIR é hoje respeitado no interior e fora da Escola de Paris, tanto pela sua singular aproximação dos textos bíblicos, como pela sua perspectivação teórica. Com o tempo, e talvez devido à natureza dos textos analisados, cedo este grupo prolonga aspectos teóricos da semiótica greimassiana, tais como a sua concepção do percurso generativo, a noção da figura, a concepção da enunciação, a problemática da leitura, que se antecipam de certo modo à reformulação da teoria em Paris.

A semiótica literária não se reduz a um conjunto de procedimentos, a uma técnica de análise dos textos. De maneira específica, esta teoria coloca o problema da recepção (ou da leitura) do texto e o problema da interpretação. Distinguindo o texto do discurso, e esta distinção não corresponde a uma outra, cómoda, de Benveniste, entre discurso e narrativa, este grupo coloca o discurso do lado da organização (ou forma) do conteúdo, enquanto coloca o texto do lado da manifestação (ou forma da expressão). O discurso não se manifesta como tal no texto, mas deve ser reconstruído pela análise discursiva e narrativa. O sentido, a significação que atribuímos ao texto não nos é dada, constrói-se através da leitura. Não há leitura sem construção consciente (ou inconsciente) de um discurso que representa uma hipótese de leitura, a ser verificada pelo texto. Todo o texto pressupõe logicamente um enunciador (que se deve distinguir do autor) e impõe ao leitor que ocupe a função lógica de enunciatário. Ambos se confundem na mesma enunciação do texto. A discursificação é aqui entendida como a assunção das estruturas sémio-narrativas e a sua transformação em organização discursiva, compreendendo o nível dos conteúdos temáticos e dos conteúdos figurativos. Mas a enunciação não é a simples aplicação de uma competência, na medida em que ela "convoca" as figuras estranhas deste mundo e faz apelo aos recursos não-domináveis da língua.

Ora estas figuras e esta língua são irredutíveis em parte às estruturas sémio-narrativas, quer dizer, ao sentido. Por outras palavras, entre as figuras, algumas são codificáveis em papéis e valores temáticos enquanto outras resistem à descodificação e concorrem para a opacidade do texto. Pensemos nas metáforas, que não são descodificáveis, mas são interpretáveis. Não relevam do saber, suscitam a interpretação. O sujeito de enunciação, previsto por Greimas, é em suma o sujeito suposto saber, e saber o que diz. Tal princípio é posto em causa por este grupo. De facto, o sujeito que fala, seja ele locutor ou auditor, autor ou leitor, não sabe o que diz. Reconhece-se apenas naquilo que diz. Entre o sujeito de enunciação e o sujeito enunciado há uma clivagem, uma divisão, inultrapassável: é por isso que só pode ser sujeito de interpretação. A proposta é manter a tensão entre a procura do sentido e a procura da significação. A investigação do sentido visa a descodificação do texto e desemboca num conhecimento objectivo, num sujeito do saber. A investigação da significação toma a seu cargo as perturbações manifestadas pelas figuras, isto é, aquilo que nelas resiste à descodificação, nomeadamente as metáforas. Esta investigação implica directamente o sujeito que se enuncia no texto, (o leitor), e abrindo para uma interpretação "subjectiva". F. Genuyt chama interpretação a relação entre o que o sujeito transporta em si de desconhecido, de não-sabido, mesmo de inconsciente, e a expressão simbólica que lhe vem do texto. O discurso não é mais aquilo que produz o sujeito do saber: não é mais o sujeito suposto (omnisciente) que fala o texto, é o texto que fala do sujeito e que, surpreendentemente, o faz chegar à ordem simbólica. O nosso conhecimento do mundo e da linguagem permite descodificar as figuras, e é o momento mais fácil da análise, porque o mundo repertoriado no saber enciclopédico é o que há de mais codificável na linguagem. Em contrapartida, o traço do humano no discurso não releva desta descodificação, mas de um conhecimento implícito ou inconsciente que o sujeito tem si mesmo e que tenta chegar à linguagem. A referência ao mundo e a submissão às regras da linguagem impedem o discurso de cair numa pura subjectividade sem localizações (de resto impensável: não há linguagem directa do sujeito, só se fala dele falando-se do mundo). Mas a perturbação figurativa relembra que o mundo "objectivo" interfere com um universo "subjectivo" altamente problemático.

Um último ponto: a letra não é a palavra: só o sujeito é lugar da palavra: "A letra é mesmo esse lugar em que a palavra parece desmaiar e desaparecer na materialidade dum texto. A palavra não está na letra dum texto: só há palavra para um sujeito que a recebe e que a escuta. O sujeito é o único lugar da palavra, mas é diante da letra que um sujeito pode encontrar-se convocado por uma palavra que recebe. A letra em que a palavra se ausenta torna-se para um leitor o que autoriza a escuta duma palavra" (Louis Panier, "Une lecture sémiotique des textes: Questions de Théologie biblique", in Sémiotique et Bible, nº 56). Isto sem que se renuncie ao princípio "literário" do texto. É a LETRA que faz o TEXTO, não a ESCRITA. Nem tudo o que está escrito é literatura e uma obra falada pode ser literária. O verdadeiro critério não está no meio de conservação ou de transmissão materiais do texto. É um problema de força ou de virtude enunciativa, quer dizer, de capacidade de instaurar um grupo de leitores ou de ouvintes, num tempo e num espaço alargados, abertos. Em literatura o "pôr em obra" precede e ultrapassa o "pôr por escrito". O dispositivo de comunicação (o que se diz) conexiona-se com uma estrutura de enunciação.

Estes são, creio, os pontos nucleares à volta dos quais se trabalha no CADIR. Estamos muito longe do olhar distanciado e puramente objectivo das análises "estruturalistas". Tudo é convocado para a instância da leitura, da recepção do texto que deve tornar-se discurso e palavra. Resta-me desejar ao leitor português o gosto por uma leitura que nada tem de imediato ou de ingénuo. Que exige uma lenta e aturada iniciação e sobretudo muito trabalho em comum. Esta leitura promete uma produtividade indesmentível, sem dispensar do incansável combate com aquilo que nos textos resiste ou como sujeitos nos convoca. Em todo o tempo é tempo de começar, de reaprender a ler. Comecemos, pois. 

  José Augusto Mourão


 

GOURGUES, Michel - Missão e Comunidade (Actos 1-12). 1991, 64 págs. Cód. 6035

 

Há vários anos que a equipa de Evangelho e Vida nos apresentava os Actos dos Apóstolos no seu conjunto - "Uma Leitura dos Actos dos Apóstolos" (Caderno Bíblico). E. Cothenet também nos apresentou "São Paulo no seu tempo" (Caderno Bíblico), propondo-nos uma leitura de Actos 13-28, através de quatro viagens de São Paulo. Convém, no entanto, voltar à primeira parte dos Actos (1-12), para encontrar os pormenores das suas riquezas e, sobretudo, para nos darmos conta das suas insistências e dinâmica. Michel Gourgues, professor no Colégio Dominicano de Ottawa, já nos apresentou outros Cadernos Bíblicos ("Os Salmos e Jesus, Jesus e os Salmos", entre outros). Este autor propõe-nos aqui uma leitura dos textos mais importantes de Actos 1-12, a partir de dois pontos de vista essenciais da vida da Igreja: a Missão e a Comunidade. Ele encontra aí um mesmo movimento de abertura tanto para o exterior, para os não cristãos, como para o interior, para os cristãos baptizados. A finalidade duma pesquisa deste género é descobrir a união necessária entre as duas aberturas para evitar toda e qualquer alternativa do género "oração ou compromisso", "interioridade ou testemunho"..., alternativa que é ilusória e mesmo suicida. A leitura dar-nos-á uma bela ocasião para reflectir sobre a evangelização e o testemunho, mas também para descobrir, através dos relatos de Lucas, como sejam os "três Pentecostes", os "imprevistos" da Missão, as "quatro fidelidades" da Comunidade primitiva..., propostas ainda válidas para as comunidades cristãs do nosso tempo, sempre ameaçadas pela esclerose e pelo cansaço. 

Philippe GRUSON


 

GOURGUES, Michel

Levar o Evangelho aos pagãos (Actos 13-28)

1992, 64 págs. Cód. 6036

 

Depois de ter apresentado a primeira parte do livro dos Actos dos Apóstolos (1-12) no Caderno Bíblico "Missão e Comunidade", Michel Gourgues, de Ottawa, apresenta agora a segunda parte. Ele continua o seu estudo dos textos mais importantes dos Actos, em função do tema escolhido: A abertura ao outro. Paulo abriu-se ao Outro, ao Senhor Jesus, no caminho de Damasco. As três narrações que Lucas nos apresenta desse acontecimento são uma chave para a compreensão do sentido das missões de Paulo durante as suas viagens. A primeira dessas viagens fá-lo descobrir na Ásia Menor a abertura ao outro: o não-judeu, o pagão. Esta abertura irá tornar-se a de toda a Igreja a quando da Assembleia ou das Assembleias de Jerusalém (capítulo 15). A partir de então, o Evangelho será pregado a todos, dando prioridade a esses pagãos, simpatizantes do Judaísmo, que já frequentavam as sinagogas. Dois discursos importantes marcam esta evolução: o de Antioquia da Pisídia (capítulo 13) e o de Atenas (capítulo 17). M. Gourgues apresenta a hipótese de Lucas ter escrito os Actos - entre outras razões - como uma defesa da "Via" Cristã, realização do Judaísmo e, portanto, reivindicando o mesmo estatuto de religião legalmente reconhecida (pelo poder romano). As tensões não faltam, na obra de Lucas, entre a herança de Israel e a novidade cristã: tensão fecunda mas também difícil de viver e que as épocas seguintes rejeitarão com demasiada facilidade. Recordamos que este Caderno não quis repetir as informações já dadas na primeira parte, nem nos outros Cadernos sobre os Actos e Paulo. 

Philippe GRUSON


 

WIÉNER, Claude - O Livro do Êxodo. 1992, 56 págs. Cód. 6037

 

É difícil, hoje, encontrar um bom comentário sobre o Êxodo. Não faltam trabalhos sobre este tema, mas estão longe da unanimidade. O grande consenso dos exegetas sobre o Pentateuco, foi abalado, há poucos anos, por novas teses, tão audazes como contraditórias. No vasto campo dos estudos do Pentateuco, Claude Wiéner, professor no Instituto Católico de Paris, traça, aqui, um caminho para que os não especialistas na matéria possam explorar e trabalhar este livro do Êxodo. Longe das hipóteses radicais e espectaculares, ele permanece ligado ao texto no seu estado actual, propondo uma leitura densa e sugestiva. Esta simplicidade aparente, supõe, na realidade, um sólido conhecimento das questões debatidas. Os seus dotes de pedagogo encontram aqui um vasto campo de aplicação, para ordenar e clarificar este impressionante e diversificado conjunto de narrações, de leis e de rituais. Ficam ainda muitas perplexidades, mas elas não devem impedir de ler e reler estas tradições fundacionais de Israel. O vigor deste antigo texto, que não tem cessado de estimular judeus e cristãos, ao longo dos séculos, não pode ser eclipsado pelas investigações científicas em curso. As estradas dos homens - e, portanto, também as do povo de Deus - não são, aliás, mais simples do que os textos do Pentateuco. É por essas estradas que nós avançamos, já libertados por Cristo, mas esperando permanentemente a nossa Terra Prometida, o Reino de Deus. Povo no deserto, caminhando de acampamento em acampamento, vivemos a nova Aliança, através das libertações e da adoração. 

Philippe Gruson 

 

"ÊXODO"  - Que significa esta palavra? Que evoca? Posso informar-me sobre a etimologia. Ficarei a saber que vem do grego hodos - "caminho" e ex - "fora de": um caminho para ir para fora, para sair... Posso também trazer à memória as recordações da minha geração, a que conheceu 1940. O êxodo era esse triste e interminável cortejo de velhos, mulheres e crianças a fugir pelas estradas, deixando para trás as suas cidades bombardeadas ou ameaçadas pelo inimigo, levando consigo aquilo que podiam, sem saber para onde iam, esperando somente escapar à morte que parecia ameaçá-los por todo o lado. Mas esta antiga palavra grega foi aplicada, desde séculos, a um outro cortejo de fugitivos: o dos israelitas ameaçados também pela morte, fugindo do Egipto que, depois de os ter reduzido à escravidão, queria aniquilá-los. A mesma turba em pânico, certamente a mesma corrida para o desconhecido, a mesma balbúrdia. Mas não era assim que as coisas eram contadas, pois não se tratava de partir da própria casa para ir para um lugar qualquer, sem meta nem direcção, sem ninguém para guiar a marcha. Tratava-se de trocar a escravatura pela liberdade, de caminhar para uma terra prometida aos antepassados. E Moisés guiava a marcha - Moisés, ele próprio instrumento de Alguém muito maior, o Deus salvador. E, de repente, a recordação desse êxodo transformava-se numa memória triunfal: "Será uma festa em honra do Senhor... Nesse dia, transmitirás este ensinamento ao teu filho: é por causa daquilo que o Senhor fez em meu favor, quando saí do Egipto... Observarás este preceito na data certa, de ano para ano" (Ex 13,6.8.10). De ano em ano, ao longo dos séculos, cada pai de família de Israel, afirmava, deste modo, que ele saiu do Egipto e que o Senhor agiu em seu favor: a libertação dos antepassados longínquos é a libertação de cada israelita, de geração em geração. O Êxodo, a saída do Egipto, constitui, pois, o coração da memória colectiva do povo da Bíblia, que é celebrada, todos os anos, na festa da Páscoa. Os escritos bíblicos recordam-na continuamente, sem falar de tudo aquilo que, desde então, tem sido escrito, dito ou cantado e que nutriu as esperanças e as lutas de tantos homens, como os negros da América do Norte, no tempo da escravatura, ou, mesmo hoje, os camponeses da América Latina ou tantas populações africanas. O ponto de referência de tudo isto é um acontecimento longínquo, e é-o também a celebração deste acontecimento na festa anual da Páscoa. Mas, para nós, é, antes de mais, um livro do início da Bíblia. É este livro do Êxodo que será o objecto deste Caderno. Evocaremos brevemente a história da sua formação, apoiando-nos, aliás, no trabalho já feito por J. Briend, no Caderno Bíblico "Uma leitura do Pentateuco", mas ocupar-nos-emos sobretudo com a leitura deste livro, tal e qual como ele se apresenta nas nossas Bíblias: foi deste modo que ele foi lido e meditado pelos crentes, durante mais de dois milénios. Veremos então que, apesar da sua origem compósita, ele tem muitas coisas a dizer-nos, na forma em que se encontra.

 


 

POUILLY, Jean - Deus nosso Pai. 1992, 68 págs. Cód. 6038 

 

"DEUS NOSSO PAI", não é nem uma fórmula banal, nem uma evidência. Com efeito, a imagem do pai, que guardamos desde a primeira infância, continua sempre presente em nós; ela estrutura a nossa experiência afectiva de uma forma muito mais profunda do que pensamos. Mas, quem é afinal esse Deus Pai? Entre recitar um "pater" e rezar ao Pai como fazia Jesus, pode haver uma enorme distância a percorrer, até descobrirmos a forma segundo a qual Jesus viveu a sua vida de homem como Filho, do princípio até ao fim. Mais do que isso, toma-se necessário aceitar que Ele seja Filho, nascido daquele a quem chama "Abba, meu Pai"! Estamos, possivelmente, demasiado habituados a fazer de Jesus um órfão, uma divindade solitária, nem verdadeiramente Deus, nem verdadeiramente homem, vivendo só para si próprio. "Ninguém conhece o Pai senão o Filho, ou aquele a quem o Filho o queira revelar". Para muitos cristãos, o caminho desta descoberta passa pela oração: um caminho já traçado pelas palavras de oração que Jesus ensinou aos seus discípulos. O convite ao estudo deste tema, que nos é feito por Jean Pouilly, beneditino da Nova Caledónia, é uma espécie de retorno à fonte primitiva, no sentido de renovarmos a nossa oração e a nossa fé em Deus Pai. Com ele, subiremos até às raízes da fé de Israel, no Oriente Antigo, através das orações judaicas mais ou menos contemporâneas de Jesus, reencontrando assim a força das palavras tão simples do Pai Nosso. 

Philippe GRUSON


 

VÁRIOS, O Espírito Santo na Bíblia. 1992, 60 págs. Cód. 6039

 

O Catecismo ensinou-nos que existe o Espírito Santo. Mas, para quantos cristãos, mesmo para os que receberam o Sacramento da Crisma, este nome não passa de uma simples palavra ou de uma bela ideia para o dia do Pentecostes? Em contrapartida, outros cristãos afirmam que a sua vida se transformou pela experiência do Espírito nos Grupos de Oração do "Renovamento carismático". Será que o Espírito Santo não continua a interpelar ainda hoje, para despertar as nossas Igrejas? Terá Ele deixado de animar o Povo de Deus? A leitura dos textos do Antigo e do Novo Testamento pode ajudar-nos a reconhecer a acção do Espírito Santo na vida da Igreja. Na vida de cada um de nós. Apresentamos, com esse fim, uma selecção de textos bíblicos que mostram a gradual revelação do Espírito Santo, ao longo dos dois Testamentos. Sem pretendermos ser exaustivos, nem condensar neste Caderno toda a riqueza da teologia do Espírito Santo, decidimos seleccionar uma vintena de textos, deixando a cada autor a originalidade do seu contributo. Possa o Espírito Santo inspirar os leitores deste Caderno como inspirou os hagiógrafos dos dois Testamentos. 

Marc Sevin


 

GUILLET, Jacques

Jesus Cristo no Evangelho de João

1993, 60 págs. Cód. 6040

 

Mais cedo ou mais tarde, todo o crente encontra o Evangelho de João. Este livro, para além de despertar a curiosidade pelos enigmas que apresenta, tem um grande poder de fascínio. Os Cadernos Bíblicos já lhe dedicaram um estudo de Annie Jaubert ("Para ler o Evangelho segundo S. João"), no qual o autor propunha uma leitura global de João. Neste número, o Pe. Guillet volta a João, não a modo de repetição mas sim de aprofundamento. Não é necessário gastar tinta para apresentar a competência do Pe. Guillet. Muitos de nós conhecem particularmente o seu estudo sobre "Jesus diante da sua vida e da sua morte", no qual ele combina o sentido pastoral com a qualidade da informação. "Cristo segundo S. João": o tema é de actualidade, nestes tempos em que os debates sobre cristologia empenham os pastores, os teólogos e os crentes. Quem é Jesus? Esta é a questão que se encontra presente nos quatro evangelhos. João formula-a de um modo bastante original. Com a distância temporal e o repensamento pascal, João deixa na sombra muitos detalhes sobre Jesus, para aprofundar a questão fundamental que se colocava aos cristãos do fim do primeiro século, como se coloca também a nós hoje: quem é este Verbo que se fez Carne? Eis as duas palavras que o Padre Guillet nos convida a não separar nunca, a manifestação do Verbo que se exprime mesmo no interior da Encarnação. Se a paixão e a cruz ocupam o lugar de proeminência em S. João, é porque elas constituem o ápice intransponível da revelação, no qual coincidem o despojamento mais absoluto e a senhoria de Jesus: "Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou e que não faço nada por mim mesmo". 

  Alain Marchadour


 

SAULNIER, Christiane e ROLLAND, Bernard

A Palestina no tempo de Jesus

1993, 78 págs. Cód. 6041 

 

O Filho de Deus não se fez homem, em geral: fez-se um homem bem concreto, judeu, galileu, num momento preciso da História do Mundo. Como homem, foi, portanto, marcado pela geografia e pela História do seu país, pela sua cultura; teve de sofrer o peso das leis económicas; entrou nos conflitos políticos, partilhou as esperanças do seu povo... Neste Caderno, fala-se pouco de Jesus; quase não se estudam textos bíblicos. Mas o estudo que aqui fazemos é importante e tinha-nos sido frequentemente solicitado. Trata-se de uma apresentação das condições sociais, económicas, políticas que fizeram de Jesus o homem que foi. É verdade que um homem não se explica unicamente por estas diferentes condições e Jesus menos do que qualquer outra pessoa. Mas é conhecendo melhor essas condições que vemos transparecer, com mais clareza, a originalidade da sua mensagem e da sua pessoa. Os estudos sobre este tema são numerosos e de valor diferenciado. Aqui, tratava-se de tentar, antes de mais, uma síntese, abrindo caminhos através de outros estudos. Dois jovens especialistas dedicaram-se a esta tarefa. Christiane Saulnier, Licenciada em Teologia, é Assistente de História na Universidade de Paris I (Sorbonne); Bernard Rolland, exegeta em Nancy, apresentou já o essencial de alguns dos capítulos aos sacerdotes da sua região, que estão em ligação com o mundo dos trabalhadores. A preparação deste Caderno foi acabada nas vésperas de Natal. E o berço em que foi colocado o Filho de Deus não é somente a manjedoira de Belém; foi, antes de mais, a civilização judaica que Ele fez sua. Ao estudá-la, muitas páginas dos Evangelhos ganharão para nós um novo sabor. Possa o rosto de Jesus, Homem e Deus, aparecer-nos aqui a uma luz renovada. 

Étienne Charpentier


 

PERROT, Charles - A Carta aos Romanos. 1993, 80 págs. Cód. 6042

 

O interesse de muitos leitores católicos pela Carta aos Romanos esfriou bastante, a partir do momento em que se tornou o centro da pregação de Lutero, por altura de 1516. Densidade e falta de clareza do texto podem estar também na origem desse desinteresse. Apesar de tudo, "este texto das nossas divisões" entre as Igrejas transformou-se no "texto do nosso reencontro" (Pastor Marc Boegner). A 16 de Janeiro de 1967, 450 anos depois de Lutero, foi apresentada, na Sorbonne, a primeira tradução anotada - verdadeiramente ecuménica da Carta aos Romanos. Os que então estiveram presentes jamais poderão esquecer a emoção experimentada: "Uma graça maravilhosa foi concedida ao nosso século inquieto e inquietante... A Bíblia volta a ser caminho de unidade" (Padre Yves Congar). Nascia assim a T.O.B. (Tradução Ecuménica da Bíblia - edição francesa). Passaram-se, entretanto, vários anos. Os caminhos da leitura da Carta estão agora mais desobstruídos. A experiência e o pensamento de Paulo são também agora melhor compreendidos. É este enorme esforço que Charles Perrot, professor da Teologia de S. Paulo no Instituto Católico de Paris, nos apresenta neste livro. A sua tentativa em redescobrir o contexto sócio-religioso desta Carta aclara e renova a sua interpretação tradicional e leva-nos a avaliar a grande tarefa ecuménica do primeiro século cristão. As rupturas das nossas comunidades cristãs têm a sua origem na grande fractura que nos separou de Israel. Desde as origens, os cristãos, como Paulo, sofrem por causa dessas divisões e lutam contra elas. Donde lhes virá a força? Da certeza que Cristo é o Salvador de todos e de que Deus quer salvar todos os homens. 

Philippe GRUSON


 

VÁRIOS, Palavra de Deus e exegese. 1993, 80 págs. Cód. 6043

 

Como encontrar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura? Eis uma questão, ao mesmo tempo, fácil e difícil, Ingenuamente, muitas pessoas pensam que basta abrir a Bíblia e que, com a ajuda do Espírito Santo, tudo se tornará claro. Infelizmente, não existe um "telefone vermelho" para nos colocar em linha directa com o Espírito Santo! Deus serviu-se de homens para falar connosco; e continua a servir-se de homens para que a Sua Palavra chegue até nós. Cada um de nós, mesmo sem o saber, depende duma tradição, dum determinado modo, crente ou racionalista, de interpretar a Bíblia. Conhecer esta história recente, é o único meio para encontrar pontos de referência e para avançar pelo caminho certo. Há muito tempo que a equipa de redacção dos Cadernos Bíblicos pensava apresentar uma breve história da exegese, do estudo científico da Bíblia.

O 25º aniversário da Constituição sobre a Revelação do Concílio Vaticano II (Dei Verbum) ofereceu-nos esta oportunidade. Esta será a maneira de marcar a importância deste documento fundamental do Concílio. Sem a Dei Verbum não teriam sido possíveis nem as traduções ecuménicas da Bíblia nem o ecumenismo. Por isso, dividimos este Caderno em três partes: em primeiro lugar, uma galeria de retratos de estudiosos da Bíblia mostra como os diferentes métodos de estudo se encadeiam uns nos outros, à medida do progresso das ciências humanas e da Teologia. Seguidamente, oferecemos o texto integral da Dei Verbum, que constitui o critério teológico de leitura da Bíblia, depois duma lenta e, por vezes, dolorosa maturação.

Finalmente, como eco ao texto conciliar, Alain Marchadour apresenta-nos a sua reflexão sobre certas questões actuais, para que a Bíblia deixe transparecer a luz do Verbo, que encarnou, para nós, na Palavra da Escritura. Pretendemos ainda, no centenário da Escola Bíblica de Jerusalém, prestar homenagem ao seu fundador, o Padre Marie-Joseph Lagrange, exemplo de exegeta, pelo seu trabalho intelectual e pelo seu amor a Igreja. 

Edouard Cothenet


 

ASURMENDI, Jesús-Maria - Amós e Oseias. 1994, 56 págs. Cód. 6044

 

A designação de "profetas menores" é errónea! Tem unicamente a ver com o tamanho dos livros que contêm os seus oráculos. Mas livros, como o de Amós e Oseias, têm uma grande importância, se mais não fosse, ao menos pelo facto de recolherem os mais antigos oráculos dos "profetas escritores". Com eles, surge já a profecia clássica em todas as suas dimensões: liberdade de expressão diante dos reis e dos poderosos, preocupação intransigente para com as exigências da Aliança tanto nas relações sociais como no culto, lucidez acerca das pragas sociais constituídas pelas injustiças, intuições fulgurantes acerca do mistério de Deus, da Sua "justiça" e da Sua "ternura". Jésus Asurmendi é um especialista no tema dos profetas - no Instituto Católico de Paris - e sobretudo conhecedor da problemática do séc. VIII a.C. Depois dos trabalhos apresentados nos Cadernos Bíblicos sobre Isaías e Ezequiel, volta aqui a chamar a atenção para a força do impacto contida nos oráculos de Amós e Oseias ao recolocá-los no seu contexto histórico. Mais do que qualquer outra palavra de Deus na Bíblia, estes oráculos constituíram palavras para um "hoje", lançadas a quente sobre o turbilhão dos acontecimentos, nos quais é possível discernir toda a problemática que verdadeiramente está em jogo bem como todo o conjunto de escolhas a fazer. Os profetas incarnam já a Palavra de Deus dentro da História, na qual se joga a salvação de Israel. O esforço que supõe esta leitura histórica, facilitada pela pedagogia deste Caderno e pela escolha dos textos-chave e dos temas essenciais, permite ouvir de novo aqueles velhos oráculos dentro do nosso tempo. As enfermidades da sociedade israelita do séc. VIII não são muito diferentes das do nosso séc. XXI. As palavras vigorosas de Amós e Oseias, com as quais os nossos ouvidos estão pouco familiarizados, saberão impressionar os nossos hábitos para nos fazerem ouvir a eterna novidade de Deus que fez aliança com os homens em Israel e em Jesus Cristo. 

Philippe GRUSON


 

QUESNEL, Michel - As Cartas aos Coríntios. 1994, 64 págs. Cód. 6045 

 

"Quando quero estar a par das últimas novidades, leio São Paulo". Esta frase, atribuída a um escritor célebre, encaixa perfeitamente nas Cartas aos Coríntios, que são de uma actualidade espantosa, se compararmos as dificuldades das comunidades paulinas com as da Igreja de hoje! Todavia, o interesse destas Cartas não está aí. Elas apresentam um retrato de Paulo como chefe de comunidade, uma espécie de pároco que convida os seus militantes recém convertidos a fazerem uma boa revisão de vida. Ao longo dos seus dezoito meses de estadia em Corinto, Paulo, ao mesmo tempo que trabalhava com os seus amigos, Áquila e Priscila, tinha conseguido estabelecer uma comunidade activa e bastante numerosa entre a gente humilde desta cidade de 500 000 habitantes. Mais tarde, em Éfeso, Paulo recebe informações preocupantes sobre esta jovem comunidade. Na sua correspondência, ele resolve um a um os seus problemas e vê-se assim obrigado a pormenorizar e a clarificar o seu próprio pensamento. Michel Quesnel, jovem biblista, comenta com competência e clareza as duas Cartas aos Coríntios e introduz-nos, efectivamente, na leitura de toda a obra de Paulo. 

Marc Sevin


 

VÁRIOS - Jesus. Treze textos do Novo Testamento. 1994, 60 págs. Cód. 6046 

 

É um Caderno centrado em Jesus. Nele somos desafiados a reler treze textos do Novo Testamento em que se manifesta a fé em Jesus, Cristo Senhor. Os textos foram escolhidos pela sua grande densidade teológica. São representativos da totalidade do Novo Testamento. Os especialistas em teologia bíblica, que comentam os referidos textos, apresentam-nos aqui um autêntico manual prático e muito útil sobre a Pessoa de Jesus. Eis os textos estudados: 1. Jesus profeta (a apresentação no Templo) - Lucas 2,22-40 2. No Princípio: o baptismo - Lucas 3,21-22 3. A oração de Jesus (as tentações) - Lucas 4,1-13 4. Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo - Mateus 16,13-20 5. A transfiguração do Senhor - Marcos 9,2-10 6. Jesus, fonte de água viva - João 7,37-44 7. Jesus diante de Pilatos - João 18,28-19,16 8. "Ide, ensinai todas as nações" - Mateus 28,16-20 9. Salvos pelo nome de Jesus (Pedro cura um coxo) - Actos 3,1-26 10. Jesus, Filho de Deus - Romanos 1,1-4 11. "Recapitular tudo em Cristo" - Efésios 5,3-14 12. O único Sacerdote - Hebreus 5,5-10 13. O Senhor das Igrejas - Apocalipse 1,9-19


 

VANHOYE, Albert

A Mensagem da Carta aos Hebreus

1994, 64 págs. Cód. 6047 

 

"Homilia para cristãos desorientados". Assim poderia ter sido intitulada esta "Carta aos Hebreus", que não é carta, nem de Paulo, nem escrita aos Hebreus! Muitos homens e mulheres aderiram a Cristo com entusiasmo. Mas, com o tempo, com as dificuldades e também com as perseguições que se anunciam, ficaram um pouco desencantados. Trata-se, porém, de verdadeiros cristãos. E o autor da Carta sacode-os: "Estais a sofrer demasiado, em comparação com o conhecimento que tendes de Cristo. Estais desamparados perante a actual evolução das coisas, diante das dificuldades? Então, aprofundai a vossa fé: fixemos o nosso olhar no condutor da nossa fé, Cristo, nosso sumo Sacerdote!" Trata-se dum chamamento vigoroso e sem concessões aos cristãos de todos os tempos; também para nós, cristãos de hoje: se quisermos manter firme a nossa fé em tempos difíceis, temos que aprofundar a nossa compreensão dessa fé e ir ao essencial. O fausto das cerimónias de outrora, os sacrifícios ou o latim, isso é algo secundário ou já superado. O essencial é Cristo. Será paradoxal dizer que esta Carta - ou melhor, este sermão - é duma simplicidade que desespera? Nas Cartas de Paulo, o leitor é frequentemente sufocado pela multiplicidade dos temas abordados. Aqui, no entanto, o autor tem apenas uma ideia: Jesus é o nosso sumo Sacerdote. A dificuldade deste sermão deriva, sem dúvida, da profundidade dessa doutrina: o autor tenta apresentá-la em todas as suas faces, para fazer brilhar os seus múltiplos aspectos. Talvez porque fala com pessoas que conheciam bem os ritos judaicos, refere-se continuamente às instituições judaicas, para mostrar aquilo que elas preparavam: a vinda de Jesus e como Este as cumpriu e superou. Trata-se, enfim, dum escritor de alto nível, cujo texto é literariamente uma obra prima mas cujos procedimentos nos desconcertam. Para nos conduzir ao essencial, ajudando-nos a superar tais dificuldades, precisávamos de um mestre. Albert Vanhoye, jesuíta, professor do Instituto Bíblico de Roma, é um mestre sob todos os aspectos. A sua tese sobre a estrutura da Carta aos Hebreus constitui um marco na história da sua interpretação. É quase universalmente admitida, encontrando-se presente na Tradução Ecuménica da Bíblia (trata-se da TOB, ou seja, Tradução Ecuménica da Bíblia, em língua francesa - n.t.). Mas este estudo técnico nada tem de árido: está ao serviço do entendimento religioso do texto, O jovem professor que eu era na época, ainda se recorda da surpresa que sentiu ao ouvir, no curso de um seminário, o Padre Vanhoye expor o seu pensamento. A partir desse dia, a Carta aos Hebreus tornou-se para mim um texto luminoso, incessantemente meditado. Graças a ele, este "sermão sacerdotal" - como o autor gosta de chamá-lo - frequentemente considerado difícil, transforma-se em luz para o nosso caminho. Que possamos também nós deixar-nos aturdir por essa riqueza de Jesus, Filho de Deus e nosso irmão, que aprendeu pelo sofrimento o quanto custa ser homem. Em Jesus Cristo, participando no Seu sacerdócio, todos os cristãos podem chegar ao Pai. 

Etienne Charpentier


 

MICHAUD, Jean-Paul - Maria nos Evangelhos. 1995, 72 págs. Cód. 6048 

 

"Maria dos Evangelhos": Será este um novo título a juntar à longa litania das invocações em honra de Nossa Senhora? Como quer que seja, é um título que merece alguma consideração, já que é no solo evangélico que se enraíza o nosso conhecimento sobre Maria. Ensinando o Novo Testamento na Universidade de Otawa (Canadá), o Padre Jean Paul Michaud está perfeitamente qualificado para escrever este Caderno. Pertence a uma Congregação fundada por Grignion de Montfort, com uma espiritualidade mariana muito exigente, e, ao mesmo tempo, é um exegeta competente, capaz de escutar os textos dentro do seu próprio conteúdo. Teresa do Menino Jesus queixava-se que os pregadores do seu tempo contavam sobre Maria "coisas inverosímeis". Possuidora de um sentido agudo da verdade do Evangelho, acrescentava: "Era necessário dizer que Ela vivia da fé, tal como nós, apresentando provas tiradas do Evangelho, onde se pode ler: 'Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse' (Lc 2, 50)" (Novissima Verba). J. P. Michaud toma a sério a espantosa discrição que encontramos em Paulo e Marcos, que não distinguem absolutamente a mãe de Jesus dos restantes parentes. Em Mateus e Lucas encontramos uma atitude diferente. Desta forma, podemos perceber uma "progressão na compreensão do mistério de Maria", uma trajectória cujo ponto de partida se encontra em Marcos e cujo cume se atinge em João, que, como ninguém, soube evidenciar a relação de Cristo com o Pai e apresentou a Mãe de Jesus como figura da Igreja. A tentação subtil é a de nos fixarmos no ponto de chegada e esquecermos que a discrição sobre o papel de Maria pertence igualmente ao depósito da fé, consignado nas Escrituras. Segundo a recomendação do Vaticano II (Constituição sobre a Igreja, 6,67), J. P. Michaud, absteve-se "em absoluto de uma falsa exageração e ao mesmo tempo de uma excessiva estreiteza de espírito". Com uma exegese bem fundamentada, o seu Caderno poderá contribuir para favorecer um diálogo ecuménico acerca de Maria, louvada como modelo de fé por todas as gerações; humilde serva do Senhor, ela conduz-nos "Àquele que é a Boa Nova da salvação". 

Edouard Cothenet


 

MORGEN, Michèle - As Cartas de São João. 1995, 72 págs. Cód. 6049

 

Todos nós conhecemos a luminosa expressão de Santo Agostinho: "Ama e faz o que quiseres"; como outras, igualmente maravilhosas, esta jorrou dos seus lábios num dia da semana pascal do ano 407, quando explicava aos recém-baptizados de Hipona (Tunísia) a Primeira Carta de São João. Agostinho, então preocupado com o cisma dos "Donatistas", encontrava-se na mesma situação do autor das três Cartas de João que também tinha lutado por manter na unidade da fé uma comunidade sacudida pela heresia. Dezassete séculos mais tarde, estas Cartas - sobretudo a primeira - nada perderam do seu esplendor e continuam a fascinar os crentes; elas comunicam-lhes o vigor da fé em "Cristo vindo na carne" e as exigências da verdadeira caridade daí decorrentes. Quem ousaria dizer que, hoje, fé e caridade não correm o risco de ser separadas e que as nossas comunidades cristãs vivem as duas sem derrapagem em detrimento de uma ou de outra? Michèle Morgen, que ensina os Escritos Joânicos no Instituto Católico de Paris, faz aqui uma análise minuciosa destas três Cartas. Particularmente atenta à composição do texto, esta análise deduz as articulações e a progressão duma maneira bastante nova. Aponta as relações das Cartas com o Evangelho de João, o que igualmente o vai iluminar. Não restam dúvidas de que este progresso supõe um trabalho pessoal, lápis na mão, sobre o texto da Primeira Carta. Por isso o incluímos nas páginas centrais deste Caderno. Este labor, por vezes austero como o quotidiano, desemboca bastas vezes nos tesouros da experiência das igrejas joânicas: "Deus é Luz; Deus é Amor." Crer é amar. 

Philippe GRUSON


 

GUILLET, Jacques - De Jesus aos Sacramentos. 1995, 60 págs. Cód. 6050

 

Desde que o Concílio Vaticano II decidiu actualizar a liturgia e rever os ritos dos sacramentos, estes, a começar pela Eucaristia, foram objecto de uma ampla redescoberta. Surgiram novas e imprevistas questões sobre a origem e o sentido dos sacramentos. Muitas delas tinham já sido levantadas pelos Reformadores, no século XVI e são, agora, repropostas pela actual vaga de questionamento, por entre diversas correntes de descrença. Os cristãos têm necessidade de respostas claras e sólidas, que não podem provir senão de um aprofundamento da Sagrada Escritura, confrontada com a experiência pastoral da Igreja. Para esclarecer esta reflexão, Jacques Guillet, exegeta do Novo Testamento, mostra, neste número dos Cadernos Bíblicos, como os primeiros cristãos passaram de Jesus aos sacramentos. Muitas das obras deste autor deram um grande contributo para ajudar toda uma geração a contemplar o Senhor Jesus a partir da Sagrada Escritura. Na senda do seu livro "Entre Jesus e a Igreja", o autor convida-nos a procurar os laços que unem os gestos da Igreja aos do próprio Jesus. Os sacramentos nasceram, não de uma repetição servil, mas sim de uma fidelidade criadora ao seu Espírito; tiveram origem na experiência pascal da missão. O campo desta investigação é muito vasto. J. Guillet limitou-se aos textos do Novo Testamento, sem penetrar no mundo do culto e dos ritos judaicos, no tempo de Jesus, com os seus sacrifícios, refeições religiosas, banhos rituais, circuncisão... No que diz respeito à Eucaristia, por exemplo, o Caderno "A Eucaristia na Bíblia", editado pela Difusora Bíblica, pode fornecer preciosos elementos bíblicos e judaicos de referência. Nesta leitura atenta, respeitosa das dificuldades e dos silêncios dos textos, a nossa curiosidade acerca dos sacramentos será frequentemente reconduzida ao seu ponto central: a experiência da Igreja, que vive, em si mesma, a presença do Cristo, até ao fim dos tempos. 

Philippe GRUSON


 

CARREZ, Maurice - A Segunda Carta aos Coríntios. 1995, 64 págs. Cód. 6051 

 

As Cartas paulinas nunca foram um êxito de livraria, mas, apesar de difícil leitura, elas continuam a ser lidas desde há séculos. A cultura de Paulo, simultaneamente judeu e grego, tem muito pouco de comum com a nossa. A sua fé, nascida no caminho de Damasco, permanece viva e sempre criativa, perante situações completamente novas. Não será também isto que nos falta neste dealbar do terceiro milénio? A sua liberdade de pioneiro, a sua audácia apostólica apenas tem como limite a sua fidelidade ao Senhor Jesus. Não teremos aí motivo para despertar convicções e entusiasmos naqueles que exercem ministérios na Igreja? O Espírito não deixa de soprar, o mesmo Espírito que, por mar e terra, pôs Paulo no caminho das grandes metrópoles do Império romano. Se havia uma cidade, onde o Evangelho não era minimamente desejado, Corinto era uma delas. Porto cosmopolita, encruzilhada entre o Oriente e o Ocidente, cidade de marinheiros e de prostitutas, será nesta cidade difícil que Paulo irá semear modestamente o Evangelho. Paulo deixou-se apaixonar por esta comunidade turbulenta e frágil, por vezes decepcionante. As suas duas Cartas - especialmente a primeira - ajudam-nos a compreender as suas tumultuosas relações, enérgicas e ternas ao mesmo tempo, com esta jovem igreja, ávida de carismas espectaculares. Não deve ter sido nada cómodo ser apóstolo dos Coríntios, se é que alguma vez um ministério realmente evangélico o pode ser. Para nos guiar pelo interior desta Carta seguiremos o comentário do pastor Maurice Carrez, grande perito em assuntos paulinos e especialista em grego bíblico, professor no Instituto Protestante e no Instituto Católico de Paris. Seguir este guia qualificado não nos dispensa da obrigação de acompanhar o seu passo, a fim de aprofundar o texto de Paulo. Em contrapartida, ele ajudar-nos-á a descobrir a personalidade fascinante e estimuladora do apóstolo. Para lá das querelas actuais acerca dos ministérios nas nossas igrejas, temos aqui um itinerário para a descoberta das fontes de qualquer ministério e serviço evangélico. 

Philippe GRUSON


 

COTHENET, Edouard - As Cartas de Pedro. 1996, 56 págs. Cód. 6052 

 

As duas Cartas de Pedro ocupam pouco espaço no Novo Testamento: oito pequenos capítulos. Apesar do seu ilustre apadrinhamento, elas não têm grande sucesso junto dos cristãos, exceptuando algumas fórmulas felizes conhecidas por todos, tais como "pedras vivas" ou "povo de sacerdotes". A bem dizer, estas Cartas "chocam-nos" quer pelo seu tom demasiado genérico, quer pelas suas exortações à submissão (1 Pe), quer pelas suas alusões a polémicas obscuras (2 Pe). Mas pondo de parte estas primeiras impressões, o estudo destas Cartas revela-se fecundo. Nelas se descobre, entre outras coisas, tanto uma linguagem como uma teologia diferentes das de Paulo ou de João; não será isso uma advertência oportuna para não se encerrar a expressão da fé numa única forma de pensamento? Elos de união entre os Evangelhos e os Padres da Igreja, as Cartas de Pedro têm também a vantagem de mostrar a "tradição" em movimento. Além disso, hoje em dia muitos cristãos se sentirão próximos dos destinatários de Pedro; tal como estes últimos, eles têm que viver a sua fé num ambiente hostil ou indiferente. Neste sentido serão sensíveis ao convite do apóstolo: "No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça" (1 Pe 3,15). Não nos faltam, pois, razões para meditarmos nestas pequenas Cartas. Com o seu peculiar sentido de clareza e precisão, Edouard Cothenet, do Instituto Católico de Paris, coloca aqui à disposição dos nossos leitores um autêntico comentário das duas Cartas de Pedro, enriquecido com numerosas referências aos Padres da Igreja. 

Marc Sevin


COLLIN, Matthieu - Abraão. 1996, 56 págs. Cód. 6053

Depois do Êxodo - Caderno Bíblico "O Livro do Êxodo", Claude Wiéner, editado pela Difusora Bíblica -, eis-nos novamente perante os extraordinários textos do Pentateuco. A história de Abraão é uma das mais populares de toda a Bíblia, que parece simples de apresentar. Mas estes textos do Génesis são ressonâncias de variadas tradições e a sua redacção tem um percurso que vai do século X ao século V. Se acrescentarmos a isto o facto de que o próprio personagem Abraão se deve situar pelo menos 4 ou 5 séculos antes (há quem vá até 8 séculos), facilmente se adivinham as dificuldades de leitura e os problemas metodológicos que aguardam o leitor exigente. A caminhada deste Caderno é diferente daquela que propusemos relativamente à leitura do livro do Êxodo. Na sequência da história da formação dos textos, Matthieu Collin, da Abadia beneditina de Pierre Qui Vire, propõe-nos a compreensão do actual texto do Génesis 12 a 25 como um produto de sucessivas releituras da figura de Abraão feitas pelos seus "filhos", que, de acordo com as diversas épocas, o redescobriam como o seu Pai na fé. É desta forma que nos aparecem diversos retratos de Abraão no decorrer da história de Israel, até ao limiar do Novo Testamento; pois, para além do Génesis, podemos seguir através de todo o Novo Testamento, as citações do patriarca de Hebron. Esta leitura histórica não está isenta de problemas; certas hipóteses críticas acerca da história do Pentateuco (por exemplo, aquelas que podemos encontrar no Caderno Bíblico "Uma leitura do Pentateuco", de J. Briend), são actualmente controversas. Matthieu Collin propõe-nos exactamente um ajuste destas hipóteses que, sem pretender uma total consensualidade, parece ser hoje plausível; pelo menos, permite-nos retrabalhar os textos e reentender o que as Escrituras não cessam de nos dizer de Abraão, nosso Pai na fé. É certo que o velho patriarca se evade aos olhares directos do historiador, mas, através das tradições que dele dão testemunho, nunca ele deixou de inspirar a Israel a consciência da sua vocação e da sua missão "para com todas as famílias da terra". Ainda hoje os cristãos devem escutar o eco destas tradições. 

Philippe GRUSON


  BRIEND, Jacques - O livro de Jeremias. 1996, 64 págs. Cód. 6054

Jeremias é, sem contestação, o livro do Antigo Testamento mais apreciado pelos cristãos. Seria de esperar, por esse motivo, uma profusão de comentários acerca desta colectânea profética. Ora, é exactamente o contrário aquilo que se constata. Há bastante tempo que os leitores dos "Cadernos Bíblicos" reclamavam um sobre Jeremias. Não era fácil a tarefa, porque se tornara indispensável ter à mão importantes investigações, levadas a cabo nos últimos tempos nos países de língua inglesa e alemã. Jacques BRIEND, professor do Instituto Católico de Paris, lançou mãos a esta obra com a mestria e a autoridade que se lhe reconhece. Apresenta-nos agora o fruto do seu trabalho. Este Caderno propõe-se introduzir-nos no conjunto da obra jeremiana. Após uma introdução aos problemas históricos e críticos respeitantes ao livro, à sua formação e transmissão, o leitor é convidado a percorrer o conjunto da colectânea, através de um itinerário original. Com duas versões diferentes e traços visíveis de duas reedições, o livro de Jeremias testemunha a vitalidade dos textos de fé, que as comunidades crentes receberam e de que se apropriaram, adaptando-os a novas necessidades. Este Caderno procura realçar o fenómeno desta "releitura". Pode igualmente servir de ilustração à famosa questão da "actualização" dos textos bíblicos. E demonstra como a fidelidade à Palavra de Deus não é estagnação ou simples repetição, mas abertura e novidade. As circunstâncias obrigam-nos, sem cessar, a aprofundar a fé e a traduzi-la em novas fórmulas. Reside aí um dos eixos da pregação de Jeremias, a que ele chama "conversão de coração". A leitura deste Caderno fará aparecer em filigrana a personalidade atraente do profeta das nações, cujo sofrimento evoca o do próprio Deus, perante a incapacidade do povo em escutar a Palavra. A tradição cristã habituou-se a ver no profeta Jeremias a prefiguração do Profeta Jesus. 

Marc Sevin


 

CARREZ, Maurice - A Primeira Carta aos Coríntios. 1996, 64 págs. Cód. 6055 

 

De todas as Cartas de Paulo, esta é provavelmente a mais lida, uma vez que aborda problemas muito concretos da comunidade de Corinto, que se assemelham bastante àqueles que existem em muitas comunidades dos nossos dias. Basta percorrer a lista dos temas tratados para nos darmos conta disto: rivalidades e divisões, ricos e pobres, o papel dos responsáveis, casamento e celibato, escândalos, o lugar e o papel das mulheres, a fé na ressurreição de Cristo e na nossa própria ressurreição. A questão da carne dos animais sacrificados aos ídolos pagãos já não é actual. Contudo, a solução que Paulo apresenta é ainda hoje válida para muitas situações: o primado da caridade é indiscutível. Acerca dos carismas, como, por exemplo, o de falar línguas, a nossa experiência actual diz-nos que a necessidade do discernimento continua sendo actual e necessária. O primeiro dom do Espírito Santo não é forçosamente o mais espectacular, é o amor fraterno. Se os Coríntios tivessem celebrado a Ceia do Senhor mais dignamente, sem os abusos denunciados por Paulo, não teríamos o mais antigo relato da instituição da Eucaristia, escrito menos de 25 anos depois dos acontecimentos. Os cristãos de Corinto não eram exemplares, longe disso! Contudo, foi a eles que Paulo se uniu apaixonadamente tal como já antes se unira a Jesus crucificado e ressuscitado. O estudo preciso e exigente, que Maurice Carrez nos convida a fazer, leva-nos a compreender melhor a interioridade e a experiência única de Paulo; ainda hoje, ela incita todos aqueles, que querem viver responsavelmente nas suas comunidades, a desenvolver uma fé inteligente, imaginativa e, sobretudo, fraterna. 

Philippe GRUSON


 

LÓPEZ, Félix García - O Livro do Deuteronómio. 1997, 68 págs. Cód. 6056

 

"O livro do Deuteronómio é uma encruzilhada. Nele desaguam as tradições primitivas dos quatro primeiros livros da Bíblia hebraica e dele procedem as mais recentes tradições dos livros seguintes, de Josué a Reis". É assim que Félix Garcia Lopez, professor da Faculdade de Teologia de Salamanca, apresenta aqui o Deuteronómio, outrora Prólogo da história deuteronómica, tornando-se em seguida o 5º livro do Pentateuco. Compreende-se a importância estratégica deste livro, que liga a Torá aos Livros proféticos. A sua formação, entre os séculos VIII e VI, a. C., é um magnífico exemplo do desenvolvimento de uma tradição viva; desenvolvimento tão natural que é difícil determinar se o texto pertence à antiga Lei do Norte, ao programa de reforma de Josias ou às suas múltiplas releituras, antes e durante o Exílio. A cada etapa, os escribas teólogos actualizaram e enriqueceram as "palavras de Moisés", um pouco como uma árvore que, em cada ano, possui novos ramos e acrescenta volume ao seu tronco. O Código deuteronómico é uma lei admirável; não cessa de apelar à reflexão, à experiência de cada um, como se quisesse não obrigar, mas persuadir, motivar a liberdade de cada crente. "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração...". Utopia? Pedagogia? Aposta no homem? Sim, mas sobretudo contagiosa convicção de que esta Lei é a Palavra do Deus vivo: "... observem cuidadosamente todas as palavras desta lei. Porque ela não é para vós uma coisa indiferente: é a vossa própria existência" (32,46s). "Vê, ofereço-te hoje, de um lado, a vida e o bem; de outro, a morte e o mal... Escolhe a vida, e então viverás com toda a tua posteridade" (30,15.19). 

Philippe GRUSON


 

COTHENET, Edouard - As Cartas Pastorais. 1997, 60 págs. Cód. 6057 

 

As Cartas dirigidas a Timóteo e a Tito, a que chamamos "pastorais", são geralmente pouco conhecidas, talvez devido às duas seguintes razões: em primeiro lugar, porque não é fácil reconhecê-las como tendo sido escritas por S. Paulo, o que não pode levar à conclusão precipitada - e muito "moderna" - que sejam falsas ou menos interessantes. Felizmente que este modo de pensar não se aplica à Carta aos Hebreus nem ao Evangelho dito de João! Em segundo lugar, porque, tendo em conta a expressão do crítico alemão Dibelius, a moral contida nestas Cartas "é uma moral burguesa no seio de uma igreja estabelecida" em que a dinâmica da esperança de Paulo no retomo de Cristo quase desapareceu. Mas não se poderá dizer que estas Cartas pastorais têm muito a ver connosco, velhas igrejas estabelecidas da Europa, face às nossas irmãs dos outros continentes? Mesmo assim, as "Pastorais" devem ser descobertas, para além das ideias fixas e dos juízos apressados. O nosso estudo será conduzido por Edouard Cothenet, do Instituto Católico de Paris, com a clareza, competência e ponderação que muitos leitores já apreciaram no seu Caderno sobre "S. Paulo no seu tempo" (editado pela Difusora Bíblica). Quer se fale ou não de "Nova evangelização", estes textos dos discípulos de Paulo levam-nos a verificar como as nossas comunidades cristãs vivem o que anunciam; como a nossa organização e o nosso funcionamento reflectem a Boa Nova de Cristo. 

Philippe GRUSON


 

LÓPEZ, Félix García - O Decálogo. 1997, 60 págs. Cód. 6058 

 

O Pentateuco não cessa de fascinar os leitores da Bíblia, hoje em dia muito mais atentos ao seu excepcional estatuto de Torah, texto fundador e normativo para Israel. Mas o enorme campo de pesquisa exegética actual torna-lhe difícil o acesso: as hipóteses confrontam-se e parecem excluir-se. No entanto, seja qual for o avanço destas pesquisas sobre o Pentateuco, o texto aí está oferecendo-se à leitura e à escuta. Neste maciço que é o Pentateuco, se existe um pico que se destaque e domine, esse é, sem sombra de dúvida, o Decálogo. Estas "Dez Palavras", pronunciadas por Deus, precisamente no cimo da montanha, formam o cume de toda a revelação do Sinai. Umas podem-se comparar às interdições de outros povos, pois a vida em comum exige as mesmas regras em toda a parte; outras são palavras únicas, características da aliança de Israel com o seu Deus. O Decálogo revela-se cada vez mais ligado à história de Israel: a saída do Egipto, a dádiva de uma terra, mas acima de tudo a acção dos profetas. Os leitores dos Cadernos apreciaram já a apresentação de "O livro do Deuteronómio", feita por Garcia Lopez, professor na Universidade de Salamanca (Espanha); agora, aproveitarão a leitura, não só minuciosa e pormenorizada, mas fecunda do Decálogo. O autor mostra bem como é que este texto estabelece uma ligação fundamental entre Deus, o israelita e o seu próximo. Esta evidência da primeira aliança é muito necessária, com a sua recusa em separar o horizontal da sociedade e o vertical da fé. O Decálogo funde os dois mandamentos, que fazem um só depois de Jesus: "Amarás o Senhor teu Deus... Amarás o teu próximo como a ti mesmo". 

Philippe GRUSON


 

ASURMENDI, Jesús-Maria - O profeta Ezequiel. 1997, 60 págs. Cód. 6059

 

O profeta EZEQUIEL é uma das figuras da Bíblia cuja posteridade não foi das mais fáceis. Antes de mais, a sua mensagem passou pelo canal de discípulos zelosos que, ao querer explicá-lo, baralharam ainda mais a sua aceitação e tornaram muito enfadonha a sua escuta. Depois, quando os judeus fixaram o Cânone das Escrituras em Jamnia, no fim do século I, hesitaram em aceitar este profeta que não lhes parecia lá muito ortodoxo. Por último, o Concílio de Trento argumentava com as zonas escuras do livro de Ezequiel, para conservar a Bíblia em língua latina e evitar, assim, pô-la ao alcance de todos. Nos nossos dias Ezequiel está ainda longe de ter a popularidade de um ISAÍAS ou de um JEREMIAS. Mas há razões de sobejo para se reler hoje EZEQUIEL. A sua época assemelha-se à nossa; está na encruzilhada entre um mundo que se desmorona e um outro que nasce. Face às urgências do momento, o profeta não se contentou em retomar de forma fria as soluções do passado. Mas com novo alento, procurou respostas originais para a sobrevivência da fé. Pode-se dizer que nele coabitavam dois seres: o sacerdote preocupado em demasia com os ritos, e o profeta sempre aberto à novidade de Deus. Graças à apresentação de Jesus Asurmendi, que já nos deu o Caderno sobre Isaías, os leitores descobrirão este "grande amanuense" do Templo, que é EZEQUIEL, um profeta bem do seu tempo cuja palavra ainda hoje queima como fogo. 

Marc Sevin


 

GIBERT, Pierre - Os livros de Samuel e dos Reis. 1998, 60 págs. Cód. 6060

 

No desenvolvimento da aventura humana a percepção das rupturas e dos começos é sempre arbitrária; depende muito de critérios de apreciação que são ao mesmo tempo subjectivos e mutáveis. Assim acontece com a história de Israel. Os Patriarcas, o Êxodo, a realeza, a reforma de Josias, o Exílio: todos estes períodos apresentam-se aos olhos do historiador como novidades, recomeços na história do povo de Israel. Neste Caderno, Pierre Gibert, da Faculdade de Teologia de Lyon, interessa-se pelos inícios da realeza e, portanto, pelos livros de Samuel, dos Reis e das Crónicas. Os seus anteriores trabalhos, especialmente a sua tese sobre Gunkel e a sua obra "La Bible à la naissance de l'histoire", levaram-no a acentuar a importância deste período que vai de Samuel ao fim da realeza, detendo-se longamente em David e Salomão. Para os leitores dos Cadernos, ele demonstra aqui como estes livros históricos trazem a marca de uma visão nova e de uma nova escrita da história. Leva-nos também a participar no nascer de uma escrita multifacetada da história e do conto, da lenda sagrada, da "história-lista ", até à visão crítica e sem complacência destes escritores-profetas que se devem contar entre os primeiros grandes historiadores. Terá sido por acaso que Israel criou contemporaneamente a realeza, a nação e a escrita? A originalidade de Israel, consiste em que não se contenta em transformar a história em lenda para glória dos soberanos. Os historiadores de Samuel e dos Reis usam os Anais oficiais para pôr em cena uma história cuja autoridade derradeira não é o rei, mas Javé, representado por estes profetas-escritores. É por isso que as nossas narrativas também estão carregadas de violência, intrigas, baixezas e fracassos. A história santa é este claro-escuro de uma revelação que caminha lenta e tragicamente. Pierre Gibert ajuda-nos a descobri-la com lucidez e serenidade. 

Alain Marchadour


 

MARGUERAT, Daniel - As parábolas. 1998, 76 págs. Cód. 6061 

 

As parábolas - uma quarentena - ocupam um lugar muito importante nos Evangelhos Sinópticos. Na verdade elas cativaram sempre a atenção dos ouvintes ao ponto de, nas línguas românicas, o termo português "palavra" (palabra em castelhano, parole em francês) derivar exactamente do grego "parabolê", ou seja, a parábola. Parecendo fáceis de entender à primeira vista e aparentemente adaptadas a um público simples, as parábolas encerram no entanto um enigma que, para ser desvendado, exige um intérprete qualificado! Podemos mesmo afirmar que, apesar da grande quantidade de estudos sobre o tema, nunca esta questão foi totalmente esclarecida: quantos matizes subtis entre a comparação, a metáfora, a alegoria há que distinguir e respeitar! Não poderíamos ter encontrado melhor guia do que Daniel Marguerat, professor da Universidade de Lausannne. Especialista do primeiro Evangelho (veja-se a sua tese acerca do "Julgamento no Evangelho de Mateus"), Daniel Marguerat não se fecha no seu gabinete de trabalho. Com outros colegas, participa activamente na formação bíblica na Suíça romanda. O seu Caderno sobre as "Parábolas" demonstra esta dúplice qualidade: por um lado, os exegetas facilmente poderão reconhecer a subjacente vastidão informativa; e, por outro, os leitores comuns deixar-se-ão conduzir pela leveza e vivacidade da exposição que, por meio de exemplos bem escolhidos, contorna as questões, quase sem nos darmos conta das dificuldades superadas. Para um melhor aproveitamento deste Caderno, seria bom munir-se do Suplemento n0 40 sobre as Parábolas rabínicas (de Dominique de la Maisonneuve), para quem Daniel Marguerat frequentemente nos remete. Ver-se-á, assim, melhor como as Parábolas do Evangelho se enraízam no húmus da tradição judaica, e, ao mesmo tempo, como dele se destacam, já que não se podem separar do Narrador eminente que as compôs, quando Ele próprio é "Parábola de Deus". Mas o melhor é convidar-vos a fazer já esta frutuosa viagem sob a direcção de tão competente guia. 

E. Cothenet


 

BUIS, Pierre - O Livro dos Números. 1998, 60 págs. Cód. 6062

 

Toda a gente conhece as grandes páginas do início do Êxodo: a saída do Egipto e a aliança do Sinai. Mas de imediato esta marcha libertadora parece perder-se nas areias dos desertos de Çin e Paran... Quem sabe contar o que sucedeu depois a Israel, até à passagem do Jordão com Josué? Pierre Buis, religioso espiritano, ensina o Antigo Testamento em Brazzaville (Congo); é ele quem nos convida a acompanhar Israel nesta marcha no deserto tão pouco conhecida. Primeiramente propõe um olhar de conjunto sobre o livro dos Números para responder a duas questões essenciais: Israel será um povo santo, consagrado a Deus, ou um povo de pecadores? Qual é o sentido desta longa marcha pelo deserto, para Israel e para a Igreja de hoje? A vida cristã - como toda a vida - é uma longa marcha, uma iniciação lenta para a liberdade ao encontro de Deus. De resto, muitas das etapas deste itinerário espiritual não são realmente travessias do deserto? Na segunda parte do Caderno, Pierre Buis comenta "no decorrer do texto" todos os relatos do livro dos Números, particularmente as crises e os conflitos que reflectem as relações difíceis do povo com o seu Deus. Já então se colocavam os problemas da autoridade dos responsáveis, bem como os dos "ministérios" dos sacerdotes e levitas. Mas a Igreja não é Israel: Cristo, novo Moisés, deu-lhe outros modelos para o exercício da autoridade, vivendo o seu próprio Êxodo e lavando os pés dos seus discípulos. Do Livro dos Números ao Evangelho, oferece-se à nossa reflexão o vai-e-vem da nossa meditação, por exemplo, durante o tempo da Quaresma. 

Philippe GRUSON


 

LÉGASSE, Simon

A Carta aos Filipenses

e a Carta a Filémon

1998, 56 págs. Cód. 6063

 

Este Caderno volta a Paulo e mais exactamente à sua correspondência. Os leitores dos Cadernos dispõem já de uma apresentação geral da figura de Paulo (Caderno Bíblico "São Paulo no seu tempo", de E. Cothenet). Poderão tê-lo em conta para situar as Cartas aos Filipenses e a Filémon num contexto mais vasto. Devemos este trabalho ao Padre Simon Légasse, professor de Novo Testamento na Faculdade de Teologia de Toulouse. Os exegetas conhecem este historiador consciencioso e competente. Os leitores dos Cadernos já o puderam ler no número dedicado a Mateus. Aproveitarão da sua experiência bem como da sua familiaridade com o universo paulino para melhor compreender estas duas Cartas de Paulo. Na verdade, quem dentre nós não se sentiu já desanimado e às vezes desencorajado perante o carácter esotérico de numerosas passagens paulinas? Mas nem esta Carta muito afectuosa aos Filipenses nem a Carta tão pessoal a Filémon conseguem tirar-nos esta estranheza. Na verdade, para nós, leitores do século XXI, trata-se de um salto numa cultura, numa língua, num universo religioso que se situam no mundo greco-romano dos anos 60 depois de Jesus Cristo. O Padre Legasse contribui, no entanto, para reduzir esta distância recolocando os textos no quadro dos outros escritos de Paulo e também da cultura pagã. Nem tudo é dito no Caderno. Mas o essencial é: que cada um de nós aproveite destes textos que a Igreja nos continua a transmitir. O que aqui nos é proposto é uma espécie de aviso preliminar: para ler com fecundidade as Cartas de Paulo, é preciso começar por tomar consciência que nós nunca seremos os Filipenses nem Filémon. Compete-nos prolongar este trabalho descobrindo como é que estas Cartas, situadas na história e no tempo, se podem tornar também cartas para os nossos dias. 

Alain Marchadour


 

DUMAIS, Marcel -

O Sermão da Montanha (Mateus 5-7)

1999, 68 págs. Cód. 6064

 

Alguns dos nossos leitores acham que os Cadernos Bíblicos não falam suficientemente... do Evangelho. Na realidade o nosso título (no original francês "Cadernos Evangelho") poderia levar à suposição de que os quatro Evangelhos seriam o nosso único domínio. Com efeito, para os cristãos, estes quatro testemunhos sobre Jesus são inseparáveis de toda a Bíblia, do Antigo e do Novo Testamento; o que não é assim tão evidente para todos os católicos, convenhamos... Os nossos Cadernos têm também como objectivo formar para a leitura de toda a Bíblia. E como os livros do Primeiro Testamento são numerosos (47), é claro que ocupam um grande lugar na nossa colecção, ainda que alguns deles sejam apresentados dois a dois, como Qohélet e o Sirácide, ou Esdras e Neemias. Seja como for, procuramos manter sempre um certo equilíbrio entre os dois Testamentos. Depois das Narrativas do Evangelho, do P. Moitel, antes de O que é o Evangelho?, aqui vai um estudo magnífico sobre o discurso-programa de Jesus em Mateus, resumo de toda a Boa Nova do Reino de Deus. O P. Marcel Dumais, que é professor de Novo Testamento na Universidade de Ottawa, publicou um comentário magistral ao Sermão da Montanha, e aceitou fazer para nós uma versão resumida, adaptada ao vasto público que ele próprio encontra aquando da realização de sessões pastorais. Esta leitura escolheu deliberadamente o texto de Mateus 5-7, sem se preocupar em adivinhar a sua pré-história ou as relações complexas com o 'Sermão da Planície' de Lucas. Ao contrário, M. Dumais prolonga frequentemente a leitura do texto vendo como ele se cumpriu ao longo dos séculos, com que interpretações chegou até nós e modelou a nossa tradição. É necessário conhecer as grandes questões que as gerações sucessivas se colocaram perante estas palavras mais importantes de Jesus. Uma pesquisa sobre o que Ele realmente ensinou permitir-nos-á hoje um olhar mais actualizado e claro sobre as exigências permanentes da vida cristã e o funcionamento das Igrejas que daí deveria derivar. 

Philippe GRUSON


 

COTHENET, Edouard

A Carta aos Colossenses

e a Carta aos Efésios

1999, 64 págs. Cód. 6065

 

Estas duas Cartas, muito próximas uma da outra, têm um ponto em comum: o aprofundamento da experiência da vida na Igreja. Doravante "Igreja" não significa simplesmente a assembleia local de Colossos, de Éfeso ou de outro lugar qualquer, mas o conjunto das comunidades cristãs disseminadas pelo mundo, o Corpo de Cristo. E ainda mais, a Igreja é personificada: é a Esposa de Cristo. Quantos cristãos hoje julgam poder separar os dois: "Cristo, sim, mas a Igreja, não!" Desde os anos '60, Paulo e seus discípulos denunciavam já esta ilusão mortal. Tinham compreendido que o Deus feito homem estabeleceu uma aliança definitiva, por amor, com os crentes reunidos na Igreja: "Ele amou-a e entregou-se por ela". É claro que ela é constituída por pecadores - por nós -, mas Ele purifica-a, o baptismo faz crescer em cada um de nós um "homem novo", para viver de outra forma e levar uma nova vida. Para nos guiar nas riquezas e dificuldades destas duas Cartas, Edouard Cothenet põe ao nosso serviço o seu conhecimento do mundo antigo, a sua análise penetrante e o seu tacto pastoral; o que já fez ao apresentar a "Carta aos Gálatas" e as "Cartas Pastorais", bem como o seu autor, "São Paulo no seu tempo" (Cadernos Bíblicos editados pela Difusora Bíblica). 

Philippe GRUSON


 

GRELOT, Pierre - O Livro de Daniel. 1999, 60 págs. Cód. 6066

 

Incompreensível livro de Daniel! Nem sequer sabemos bem onde é que ele se encontra: a Bíblia de Jerusalém coloca-o entre os profetas, enquanto a TOB o considera um dos Escritos, antes de Esdras. Conta a história de um judeu exilado na Babilónia, no século VI, mas os historiadores situam o seu autor no século II, no tempo da insurreição dos Macabeus! Além disso, este livro estranho tem a particularidade de ter sido escrito nas três línguas da Bíblia: hebraico, aramaico e grego. Incompreensível é-o principalmente pelas visões que relata, repletas de um imaginário e enigmas muito difíceis de descodificar, a começar pela figura misteriosa do célebre "Filho do homem"! O que lhe faz ter leitores são os relatos populares; quem não conhece Daniel na cova dos leões, a mão misteriosa a escrever no muro do palácio de Baltazar, ou a história de Susana? Para entrar neste livro desconcertante, cujos apocalipses fascinaram os Judeus e, depois, os Cristãos de outras épocas, pedimos ao P. Pierre Grelot, de Orleães, que nos servisse de guia. A sua competência neste domínio é sobejamente conhecida, tanto como o seu talento de professor: clareza, precisão de análise, espírito de síntese. Estamos certos que muitos leitores, por meio dele, vão descobrir as riquezas do Livro de Daniel e aperceber-se de que ele fornece as chaves para um outro livro: o Apocalipse. Tantos séculos após o sábio Daniel, ou melhor o seu autor anónimo, continuamos a pôr-nos todos os dias questões convergentes com as suas: para lá de todas as perturbações geopolíticas actuais, a história terá um sentido? Como ler nela os sinais da acção de Deus? Como viver nela a espera do Reino de Deus? A nossa leitura do Evangelho é muitas vezes individual e intemporal; o livro de Daniel pode dar-lhe a abertura às dimensões do mundo e da História, às dimensões de Cristo ressuscitado. 

Philippe GRUSON

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VÁRIOS

A Carta de Tiago. Leitura sócio-linguística

1999, 72 págs. Cód. 6067 

 

Eclipsada pelas Cartas de Paulo, de Pedro e de João, a Carta de Tiago é pouco conhecida; muitos cristãos, como Lutero, não a tiveram em grande consideração, sob o pretexto de que ela pouco fala de Jesus e se inclina muito para o judaísmo. Na realidade, não parece tratar-se muito de uma Carta; ignoramos quem seja este Tiago, seu autor; às vezes aproxima-se mais das máximas do Sirácide do que do Evangelho. Mas este responsável cristão, que se exprime com tanto vigor, vive da fé em Jesus Cristo. Não é um facto que a sua doutrina está muito próxima do Sermão da Montanha? A verdade é que os seus destinatários vivem situações que nada têm de insignificante: divisões entre cristãos, diverso tipo de provas, desprezo dos pobres, corrida à riqueza, devoções desprovidas da prática da caridade. Esta Carta de Tiago tem muito que se lhe diga. Mas como evitar reduzi-la àqueles lugares comuns sobre a moral, já tantas vezes ditos e reditos? A leitura que propomos abre novas pistas. Trata-se do resultado do trabalho de grupo de onze biblistas de toda a França que explicam, nessas páginas, a sua caminhada e as respectivas motivações. As suas pesquisas inscrevem-se no movimento actual das ciências humanas (história, sociologia, linguística). A experiência adquirida permite-lhes propor uma "grelha" de leitura muito simples para observar o texto e as relações sociais que aí se entrechocam. Um tal confronto entre o texto bíblico e a sociedade que o viu nascer pode ensinar aos leitores da Bíblia como confrontar mais seriamente o seu discurso, a sua teologia e o seu comportamento prático na sociedade de hoje. Trata-se do aspecto sério do Evangelho e da missão. Como diz Tiago: "De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé se não tiver obras?" (2,14). 

Philippe GRUSON


 

BERDER, Michel e FOERSTER, Jean-Luc-Marie

A Parábola do Filho Pródigo (Lc 15).

2000, 100 págs. Cód. 6068

 

A grande parábola de Lucas 15 suscitou leituras que ultrapassam enormemente o círculo dos pregadores e dos exegetas. A sua posteridade literária atesta isso mesmo, assim como o interesse que lhe deram músicos e pintores. Perante um dos quadros que a parábola inspirou a Rembrandt, Paul Baudiquey diz estas palavras: "É o primeiro retrato 'de tamanho natural' pelo qual o próprio Deus se deixou retratar a si mesmo". A diversidade dos títulos que os intérpretes credenciados deram a esta página do Evangelho reflecte as dificuldades da sua interpretação. Os Padres da Igreja colocam a única questão que tem um valor definitivo: "Tu, leitor ou ouvinte, que espécie de filho és tu? Que fazes tu? Qual é a tua atitude para com o teu irmão?" Como pecadores que somos, reconhecemo-nos facilmente na imagem do "filho pródigo". Já S. Agostinho, nas Confissões, lia na parábola a caminhada da sua vida. Mas não teremos que assumir também o papel, talvez mais difícil, do filho mais velho? A parábola de Lucas conserva toda a sua pertinência, deixando aberta a decisão definitiva deste último: "Este homem és tu... Toca-te a ti, hoje, responder...". 

Hugues Cousin


 

AUNEAU, Joseph - O Sacerdócio na Bíblia. 2000, 64 págs. Cód. 6069 

 

A partir do Concílio Vat. II, tomámos consciência da importância da missão tripla de Cristo como sacerdote, profeta e rei, na qual participam todos os cristãos, cada um segundo a sua própria vocação. A nossa leitura do Antigo Testamento, na qual tem raízes esta doutrina, dá mais relevo à imagem dos reis e dos profetas que à dos sacerdotes. Confessamos que a maior parte dos documentos que nos falam do sacerdócio são complicados, e temos grande dificuldade em descobrir a teologia do livro do Levítico. Sem querer exagerar o papel do sacerdócio, conviria estudar, por si mesma, a história tão complexa da tribo de Levi em Israel. Esta teve um início muito modesto e bastante obscuro, tendo-se desenvolvido o sacerdócio em torno dos santuários locais, especialmente no templo de Jerusalém; seguiu-se o papel político bastante relevante do Sumo Sacerdote como chefe da nação, depois do Exílio, até aos compromissos que provocaram a sua decadência. São estas as etapas que Joseph Auneau, professor em Issy-les-Moulineaux, nos ajuda a percorrer com grande clareza, neste Caderno. Este exigirá algum esforço para ser assimilado, mas leva-nos a uma reflexão teológica sobre o sacerdócio de Cristo. No nosso tempo, em que tantas questões se colocam sobre o futuro dos ministérios, conviria estudar este tema bíblico por si mesmo, sem querer tirar dele aplicações demasiado rápidas. O estudo do Novo Testamento e a Tradição, que devemos ter em conta, constituem as fontes mais imediatas da reflexão teológica sobre o sacerdócio. Contudo, ficaríamos privados de um apoio precioso, se não reflectíssemos sobre os dados complexos da primeira Aliança, ou seja, o Antigo Testamento, a começar pela importância da função sacerdotal no ensino, como lembrava Malaquias, o último dos profetas: "Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca espera-se a lei, pois ele é mensageiro do Senhor do universo" (Ml 2,7). 

Édouard Cothenet


 

MORA, Vincent - Jonas. 2000, 60 págs. Cód. 6070 

 

O livro de Jonas é um dos mais pequenos da Bíblia; além disso, comparado com outros livros bíblicos, o seu género romanceado não abona muito o aspecto sério! Contudo, este livro teve na história da interpretação uma extraordinária fecundidade. Cristo, ao utilizar a figura de Jonas como uma prefiguração da sua aventura, não é estranho a este sucesso. Mas o paralelismo entre Jonas no ventre do peixe e Jesus nas entranhas da terra está longe de esgotar a riqueza deste curto relato. Com muitos outros, S. Jerónimo comentou este pequeno livro. No seu prólogo, critica alguns dos seus predecessores, gregos e latinos, que "falaram muito deste livro e levantaram múltiplas questões que o obscureceram mais do que clarificaram, a tal ponto que a sua interpretação necessita de um outro intérprete pois o leitor acaba mais confuso do que quando começou". É uma queixa que não se poderá fazer ao P. Vincent Mora, beneditino de Jerusalém, que nos convida a acompanhá-lo no itinerário tortuoso de Jonas. Passo a passo, descobrimos com ele a intriga de Jonas, o seu enraizamento bíblico, a sua penetrante verdade, o seu jeito divertido. Graças a ele, compreendemos melhor que o escritor que inventou Jonas apenas se instalou na ficção para denunciar melhor uma realidade histórica: a de Israel preso no emaranhado das suas contradições. Jonas ou a provocação de Deus: é o título do último livro sobre Jonas. É mesmo esta a questão: através deste livro, Deus convoca-nos e provoca-nos; entre os seus caminhos e os nossos, por vezes há uma grande distância. A escrita romanceada de Jonas, posta em relevo no comentário do P. Mora e actualizada na transcrição de Roger Parmentier, deveria fazer-nos reflectir nas nossas próprias representações de Deus, sempre em confronto com o Deus da ternura e da misericórdia da Bíblia. 

Alain Marchadour


 

TRIMAILLE, Michel - A Primeira Carta aos Tessalonicenses. 2000, 80 págs. Cód. 6071

 

Frente às "grandes epístolas" (1 e 2 Coríntios, Gálatas, Romanos) e aos "escritos do cativeiro" (Filipenses, Colossenses, Efésios), as duas pequenas Cartas aos Tessalonicenses correm o risco de cair no esquecimento. Na verdade, parece terem menos interesse que as outras, pois os grandes temas paulinos não aparecem nelas tão nitidamente. O apóstolo reata os grandes eixos da pregação primitiva e exorta essa muito jovem comunidade cristã a que viva na esperança da vinda próxima de Jesus. A primeira epístola apresenta um interesse muito particular: é o primeiro documento cristão que nos chegou na sua edição final. Apenas dois decénios após os acontecimentos da Páscoa, ela permite-nos encontrar os traços das formulações iniciais da fé em Cristo e avaliar a vitalidade dos inícios do Evangelho. Ilumina também o pensamento de Paulo no seu aparecimento e contribui, por comparação com as Cartas posteriores, para medir a evolução deste Apóstolo. Desta forma, ela lembra oportunamente que o pensamento de Paulo, longe de se ter esclerosado, pelo contrário se aprofundou ao sabor das circunstâncias e dos problemas que foi encontrando. Michel Trimaille, das "Missions Étrangères de Paris", introduz-nos aqui, com pedagogia e segurança, no estudo desta Primeira Carta aos Tessalonicenses. O seu método parte da observação minuciosa dos procedimentos literários usados. As páginas centrais do Caderno apresentam a arquitectura do texto com os seus entrelaçamentos de paralelismo e simetrias; separando-os, o leitor seguirá mais facilmente o comentário. Este Caderno beneficiou, no decurso da sua elaboração, de notas e sugestões feitas por um grupo de leitores da região de Versalhes. Para tornar os Cadernos mais "operacionais", desejamos renovar esta experiência de leitura dos manuscritos antes da sua publicação. Que os grupos de leitores interessados com esta proposta tenham a coragem de se manifestar. 

Marc Sevin 


 

DORÉ, Daniel - O Livro de Tobite (ou O segredo do Rei). 2001, 60 págs. Cód. 6072 

 

Aqui está, pela primeira vez na série dos Cadernos Bíblicos, um dos romances da Bíblia: o livro de Tobite. Pertence aos livros deutero-canónicos da Bíblia grega. No entanto, esta história passa-se toda a leste, no Iraque e no Irão: entre Nínive (Mossoul) e Ragués (ao lado de Tehéran). É o único que se situa nas comunidades judaicas antigas da Mesopotâmia. A redacção deste livro não remonta, como o relato pretende fazê-lo, ao tempo dos Assírios, no século VIII; estamos mais provavelmente no período helenístico: talvez por volta de 200 antes de Cristo. O Pe. Daniel Doré, religioso eudista na diocese de Evry, conhece bem os livros bíblicos destas épocas, que recolhem a herança das tradições bíblicas. A leitura que faz de Tobite consegue mostrar-nos as suas riquezas bem como os seus numerosos parentescos. Antes falava-se do livro de Tobias, porque o texto latino da Vulgata dava exactamente o mesmo nome Tobias ao velho pai e a seu filho, o herói da viagem e o jovem casado. Mas é melhor distingui-los, tal como o faz o texto original, e reconhecer em Tobite o personagem principal que conta a sua vida e as suas desgraças, e depois ensina ao filho Tobias a sua fé e moral judaicas. A dupla originalidade deste romance reside na encenação de um anjo desconhecido, Rafael, companheiro de viagem e curandeiro, e no curioso relato do casamento de Tobias e de Sara. Mas Tobite não é um livro de receitas para os nostálgicos das imagens ingénuas de outrora, ainda que as derivas da nossa tradição latina tanto sobre os anjos como sobre a vida conjugal muitas vezes nos tenha feito cair no... angelismo! Sobre estes dois temas, os anjos e a sexualidade, os nossos pontos de vista já não são provavelmente os do autor de Tobite. Mas a Bíblia continua a questionar-nos: como acreditar num Deus Providência, num Pai que vela sobre as irmãs e irmãos do Filho único? Como é que os crentes no Deus da Aliança, vivem a sua sexualidade? O que é que o sacramento do matrimónio confere de diferente aos casais cristãos? A (re)descoberta do pequeno romance de Tobite não deixará de estimular a reflexão dos seus leitores. 

Philippe GRUSON


 

MARCHADOUR, Alain - Morte e Vida na Bíblia. 2001, 56 págs. Cód. 6073

 

De há alguns anos a esta parte a morte tem ocupado um lugar privilegiado na literatura tirando, deste modo, uma espécie de desforra contra os que menosprezam o seu significado ao jeito de Epicuro, que dizia: "A morte não tem qualquer relação com os vivos nem com os mortos, pois nada representa para os primeiros e os outros também já não existem", e contra aqueles que a tentam disfarçar como um terrível papão! Este ressurgir daquilo que Bataille chamava a "parte maldita" é inelutável: a morte é o destino de todo o homem. Com efeito, de nada serve fingir rejeitar o espectro da morte considerando-o insignificante ou terrifico. A sociologia ensina-nos que a morte questiona todas as sociedades humanas: "A morte põe radicalmente em questão as atitudes que parecem evidentes, as atitudes habitualmente adoptadas por cada um na sua vida quotidiana... Na medida em que nenhuma sociedade pode evitar a consciência da morte, as justificações da realidade do mundo social face à morte são absolutamente indispensáveis em todas as sociedades" (P. Berger, La religion dans la conscience moderne, Le Centurion). A morte e a vida na Bíblia: é esta a questão deste Caderno Bíblico. Como é que Israel, Cristo e os primeiros cristãos integraram a morte na sua experiência humana e religiosa? Apesar da distância e das "singularidades" do mundo da Bíblia nestas questões, não tenhamos ilusões: o falar da morte dos outros leva inevitavelmente o pensamento de cada um para a sua própria finitude. Isto é ainda mais verdade relativamente a este Caderno que incide sobre um livro que reconhecemos ser um Livro de Vida para os nossos dias. Para semelhante pesquisa são possíveis diversas estimativas. Poder-se-ia, por exemplo, apresentar uma síntese, a partir dos múltiplos dados da Escritura. Mas a via aqui proposta é diferente: trata-se de acompanhar Israel desde as origens até ao Novo Testamento e de ver como a Revelação permitiu (respeitando-o) o longo caminho de Israel. Esperamos fazer emergir assim a herança que Cristo recebeu e depois transfigurou antes de a transmitir à sua Igreja. 

Alain Marchadour


 

JOMIER, Jacques - Um Cristão lê o Alcorão. 2001, 64 págs. Cód. 6074

 

Um Caderno sobre o Alcorão? Os nossos leitores talvez fiquem surpreendidos: que lugar terá o Alcorão ao lado dos nossos Evangelhos? Todavia, pensamos que este Caderno tem perfeitamente lugar na nossa colecção.

1. Com o Islão temos em comum o facto de dispomos de um livro fundador de referência. Os muçulmanos, tal como nós na Bíblia, descobrem no Alcorão a revelação definitiva de Deus aos homens. Os cristãos, apoiados na sua revelação, não têm nada a temer quando questionam uma religião mais recente, fundada ela, também, sobre o que aceita como uma revelação incluída num livro. O leitor deste Caderno aperceber-se-á de uma diferença essencial na relação com as Escrituras. Enquanto que os cristãos não temem submeter o seu livro revelado à critica, os muçulmanos continuam a ver o Alcorão como a revelação imediata e transparente de Deus. Abordagem fundamentalista ou crítica? O fundamentalismo religioso existe dos dois lados e baseia-se numa mesma relação com as Escrituras.

2. Além disso, para nós cristãos, o Islão não é uma religião como qualquer outra, pois, como o judaísmo, está ligado a Abraão. Assim, judeus, cristãos e muçulmanos têm, em parte, uma história comum. Iremos, por isso, encontrar no Alcorão algumas tradições bíblicas e evangélicas que se devem ao facto de que o Islão nasceu junto de judeus e cristãos. Por outro lado, o Islão e o Cristianismo concordam ou opõem-se em questões fundamentais como a comunidade, Deus ou os meios de salvação. Sobre tudo isto o leitor encontrará aqui uma informação de qualidade.

3. O título indica perfeitamente o ponto de vista deste Caderno: Um cristão lê o Alcorão. Não se trata, pois, em primeiro lugar; de uma apresentação geral do Alcorão, mas de uma visão realizada a partir da fé cristã. Definindo assim o nosso projecto, indicamos os seus limites... e o seu interesse. Dirigimo-nos, sobretudo, aos cristãos que convivem com muçulmanos e têm desejo de conhecê-los melhor; encontrarão, aqui, uma visão sem complacência excessiva, mas também sem preconceitos pejorativos. Jacques Jomier, dominicano, conhece bem o Islão; há muitos anos que estuda o Alcorão. Conhece também a comunidade muçulmana no meio da qual viveu bastante tempo. Numa palavra, é um guia seguro e competente.

4. Se fosse necessário encontrar uma última justificação para este Caderno, bastaria convidar os leitores a abrir os olhos. O Islão é, para nós, uma experiência próxima, através de muitos muçulmanos oriundos dos PALOPS. Para olhar sem preconceitos esta comunidade é necessário conhecer o livro que a inspira e a religião que lhe dá vida. Claro que entre o livro e a comunidade existem, por vezes, diferenças perturbadoras, como o manifestam algumas formas fanáticas do Islão. Mas não terá acontecido também com os cristãos de ter desviado a Bíblia da sua verdadeira finalidade? A solução não está em queimar o livro, mas antes em procurar descobrir as suas intenções originais. Este Caderno não tem outra finalidade senão a de fazer luz sobre o grande navio que se fez ao mar com Maomé e que nós cruzamos todos os dias, nós que navegamos num outro barco.

Alain Marchadour

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PELLETIER, Anne-Marie, O Cântico dos Cânticos.  2001, 64 págs. Cód. 6075

 

Diferentemente dos outros Cadernos, este sobre o Cântico dos Cânticos não se contenta com apresentar um texto da Bíblia - e que texto! -, mas descreve-lhe também a história da leitura. Pois se o Cântico é um livro bíblico cuja interpretação sempre foi e ainda é muito controversa, este grande poema de amor anónimo intitula-se, sem qualquer modéstia, nada menos do que: "O mais belo de todos os cânticos"! Professora de literatura e teóloga, Anne-Marie Pelletier é exactamente a autora de uma notável tese sobre a interpretação do Cântico dos Cânticos. Mais do que ninguém, ela está em condições de nos levar a descobrir como é que tanto Judeus como Cristãos leram este cântico de amor no decorrer dos séculos. Conhecemos o paradoxo deste espantoso livro, de uma linguagem completamente profana - que nem nomeia o nome de Deus -, mas onde os crentes sempre leram as palavras mais escaldantes da sua fé. Poemas eróticos ou místicos? Amor humano ou divino? Mas porque opor os dois, nós que proclamamos a Incarnação de Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus? A. M. Pelletier propõe-nos uma compreensão do Cântico como uma polifonia em que vozes diversas se vêm juntar e se sobrepõem, ora em contraste ora unificadas, para proclamar os mistérios, os tesouros e as provações de toda a relação amorosa. O poema torna-se, de repente, sem alterar qualquer palavra, o cântico da Aliança, o cântico da história da salvação. É assim que Deus ama; é assim que o amor humano se salva no amor de Cristo.

Philippe GRUSON


 

ABADIE, Philippe, O LIVRO DAS CRÓNICAS. 2002, 68 págs. Cód. 6076

 

Os leitores da Bíblia muitas vezes não dão a devida importância ao Livro das Crónicas, porque se tem dito que esta obra seria apenas repetição - deformada e tardia - dos Livros de Samuel e dos Reis: duplo motivo para tal descrédito! Mas é precisamente esta suposta deformação que torna precioso este livro, porque manifesta directamente as convicções dos levitas do Templo, numa época, aliás, muito pouco conhecida, o quarto século antes de Cristo. O Livro das Crónicas, centrado no Templo, reinterpreta toda a história de Israel à luz da situação presente. Tudo isso esclarece imenso as esperanças e a teologia do judaísmo nos séculos imediatamente anteriores ao Evangelho. Apesar dos levitas aí se referirem a David, a Salomão e aos reis, as Crónicas estão repletas dos seus esquemas de homilias com apelos à conversão e à responsabilidade de cada um na fidelidade à Aliança. Aliás, em nenhuma outra parte como aqui se verifica tal explosão de entusiasmo pela presença de Deus nas liturgias do Templo. Através destes relatos sobre as grandes personagens de outrora, apresentam os levitas uma verdadeira teologia da história às Comunidades judias do século quarto: este Caderno vem, portanto, completar o caderno sobre o Livro dos Reis. Teremos como guia o jovem exegeta, Philippe Abadie, que nos ajudará a explorar regiões pouco conhecidas das nossas Bíblias, mas objecto de numerosas investigações recentes. Descobertas e novos pontos de vista estão assegurados. Graças a ele, os últimos séculos do Antigo Testamento perdem um tanto do seu mistério e revelam-nos centros de interesse e movimentos religiosos essenciais, quer para o conhecimento das Escrituras, quer para a compreensão do judaísmo, meio onde Jesus anunciará a vinda do Reino de Deus!

Philippe GRUSON

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BUIS, Pierre, O LIVRO DOS REIS. 2002, 68 págs. Cód. 6077

 

Quatro  séculos de História de Israel: eis aí o que nos narra o Livro dos Reis. E como são importantes aqueles séculos! São os séculos dos reis e dos profetas, desde David ao exílio, passando por Elias e Eliseu, Isaías e muitos outros. As tribos de Israel transformaram-se num reino, numa nação «como as outras nações», com seus reinados cheios de prestígio e seus lamentáveis insucessos, segundo as ambiguidades do poder real, como aliás, de todo o poder humano. E se a queda de Jerusalém e o exílio da Babilónia constituem uma página trágica da história de Israel, essa não é a finalidade do livro: com o exílio começa um outro capítulo, e outros muitos se seguirão. Este livro não foi escrito para curiosos da história, mas sim para todos os Israelitas, porque todos sentiam necessidade de compreender o que acontecera em 587. Porque motivo não tinha Deus protegido Jerusalém como outrora? Qual a razão porque não havia mais descendentes de David sobre o trono, como Deus prometera? Porque estava o Templo em ruínas? Recordavam-se, então, os escribas das palavras dos profetas que anunciaram tudo isto. Reescreveram a história dos reis, não tanto como anais de louvor aos soberanos, mas como a história duma Aliança com Deus. Trata-se duma história redigida, ao mesmo tempo, pela liberdade dos homens e pela fidelidade de Deus ao seu Povo.

Philippe GRUSON


 

CERBELAUD, Dominique / DAHAN, Gilbert, Caim e Abel.  2002, 104 págs. Cód. 6078

Colaboração de:

Michel Berder

Jean-Louis Desclais

Gilles Masson

Anne-Marie Pelletier

Bernard Roussel

Madelaine Scopello

 

Estamos perante uma história de dois irmãos, tomada como paradigma da luta fratricida entre as pessoas desde o princípio da humanidade. O drama do paraíso chega, agora, ao "pecado" propriamente dito, isto é, à morte de outro homem, do irmão. São as eternas tensões entre os grupos humanos, que negam conhecer "onde está o irmão?". O texto bíblico projecta nos alvores da humanidade as duas artes essenciais existentes naquele momento. A narração sobre CAIM e ABEL não deve, pois, ser tomada como uma reportagem, mas como uma mensagem religiosa, escrita com a mentalidade e os condicionalismos de certa época. Depois da revolta do ser humano contra Deus, no paraíso, vem a revolta dos seres humanos, uns contra os outros.

 

Este Caderno manifesta, mais uma vez, a multiplicidade de leituras, a partir dum mesmo texto. As interpretações cristãs, porque se revestem de carácter cristológico, tendem a fazer de Caim o símbolo de Israel assassino de Cristo. O relato sobre o primeiro fratricida torna-se, assim, um espaço privilegiado, onde se concentra o anti-judaísmo. A tradição judaica exalta muitas vezes, dum outro modo, a figura de Abel, mas a figura de Caim também seduz e inspira. Poetas como Baudelaire declararam guerra espiritual ao Deus de Abel: «Raça de Caim, sobe até ao céu / e na terra põe Deus de lado!» Segundo Leconte de Lisle, Caim, vencedor de Deus, tratará a Justiça à terra. São poetas que utilizam a Bíblica contra ela mesma...

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AMSLER, Samuel

Os Últimos Profetas.

Ageu, Zacarias, Malaquias e alguns outros.

2002, 72 págs. Cód. 6079

 

Os “profetas menores”, como são chamados, são por vezes injustamente desvalorizados; alguns dentre eles, como Joel, Ageu e Zacarias são, além disso, apelidados de “os últimos profetas!” Menores e últimos... são, por isso, encarados muitas vezes como os parentes pobres do profetismo, tanto mais que conhecemos mal o contexto histórico em que exerceram o seu ministério. O anonimato de alguns, baptizados de Malaquias, Trito-Isaías ou Deutero-Zacarias, apenas contribui para reforçar o ostracismo a que foram votados. Mas, no fim de contas, o Deutero-Isaías não é também um anónimo? Ora, isso não o impediu de desempenhar um importante papel na evolução de Israel. Durante os dois séculos que se seguiram ao Exílio, até ao período de Alexandre (332), foi graças a estes “últimos profetas” que Israel se transformou no Judaísmo. Por meio deles, que são tão inspirados como Amós, Isaías ou Jeremias, as descobertas teológicas e espirituais do tempo do Exílio são transmitidas e aprofundadas. Convencidos da acção de Deus no seu tempo, eles depositam as suas esperanças nos oráculos dos antigos profetas e escrevem as suas releituras actualizadas. Em breve, com o apoio dos Sábios inspirados, eles darão origem aos apocalipses. Samuel AMSLER, professor honorário na Faculdade de Teologia (protestante) da Universidade de Lausanne, ensinou durante muito tempo os Profetas. Trata-se de alguém capacitado para uma compreensão de como as profecias se cumprem em Cristo e conferem à mensagem cristã e, portanto, à Igreja — às Igrejas — uma dimensão profética definitiva. É a realização do velho desejo de Moisés: “Quem dera que todo o povo do Senhor profetizasse, que o Senhor enviasse o seu espírito sobre ele!” (Nm 11,29).

Philippe GRUSON

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WÉNIN, André, O Livro de Rute. 2003, 64 págs. Cód. 6080

 

Sendo embora um pequeno livro e não muito lido, esta história de amor de uma avó de David (e de Jesus) não deixa, no entanto, de encantar os leitores pela sua beleza, sensibilidade e riqueza de humanismo. O autor, um grande escritor anónimo, é um profundo conhecedor da psicologia feminina. É, além disso, um teólogo original que é capaz de exprimir as suas convicções bem como interrogações sob a forma de um magnífico relato que leva o leitor a admirar-se, a questionar-se e a redescobrir como é que Deus age na nossa existência por meio das nossas liberdades. Este pequeno livro de RUTE não é uma demonstração nem um tratado científico sobre a Aliança, o Messias ou o Matrimónio, mas tem a beleza e o sabor de um pequeno romance à volta de três personagens: Noémi de Belém, sua nora Rute, uma estrangeira, e seu futuro marido Booz. Semelhante relato merece um método de leitura apropriado: André WÉNIN, sacerdote de Namur e professor na universidade de Lovaina, propõe-nos aqui uma abordagem narrativa de Rute. Ele até já nos presenteou com uma bem sucedida leitura narrativa sobre Samuel, juiz e profeta (a ser publicado pela Difusora Bíblica em breve). Aqui ele mostra a construção harmoniosa da intriga com todo o seu suspense e evoca outros personagens bíblicos como as matriarcas do Génesis. Esta leitura de Rute é um novo exemplo da fecundidade do método narrativo que requer essencialmente uma boa observação do texto bíblico e a sagacidade dos leitores. Com dois outros biblistas belgas, A. WÉNIN está a preparar um futuro caderno que explicará a leitura narrativa da Bíblia. Enquanto esperamos por ele, este pequeno romance de Rute – livro inspirado – continuará a inspirar os seus leitores em muitas situações humanas que hoje vivem.

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ARTUS, Olivier, O Pentateuco. 64 págs. Cód. 6081

 

A palavra PENTATEUCO (penta: cinco, teukos: invólucro) designava, para os Judeus de Alexandria, os cinco invólucros que continham os rolos dos cinco primeiros livros da BÍBLIA. O Pentateuco representa um conjunto literário de uma extrema complexidade e riqueza, pois associa textos de formas literárias muito diversas: relatos, leis, hinos, exortações, etc. Em que medida os relatos são uma forma fiável para o historiador? Em que contextos históricos os diferentes autores redigiram as diversas tradições e as unificaram? Há já mais de um século, estas questões estimulam o interesse dos leitores e dos exegetas relativo à história do texto que, por volta do início do século IV antes da nossa era se transformou na Torá dos Judeus. Este Caderno recolhe os frutos de muitas pesquisas e debates. Traz muitos pontos de referência e exemplos sobre textos determinados, aptos para impulsionar os leitores da Bíblia nas pistas da Torá. Sem adoptar o radicalismos de alguns, Olivier ARTUS reconhece que muitas tradições antigas já tinham sido postas por escrito antes do exílio, mas certamente não antes do século VII. Não é de sentir demasiadas saudades dos lendários Javista e Eloista de antanho. Os antigos relatos que lhes eram atribuídos, foram essencialmente marcados por duas grandes escolas teológicas nascidas à volta do exílio: a tradição do Deuteronómio e a tradição sacerdotal. O presente Caderno, há muito esperado, vai permitir que os nossos leitores partam seguros para o estudo do Pentateuco.

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DEBERGÉ, Pierre, A justiça no Novo Testamento. 64 págs. Cód. 6082

 

A justiça segundo a Bíblia, isto é, a relação justa entre os homens e com Deus, é uma realidade essencial. O ideal de justiça no Antigo Testamento, no quadro do direito de Israel e da Aliança com Deus será objecto de atenção num dos próximos Cadernos Bíblicos. Aí veremos quantos profetas, ao reclamar a justiça para todos, remexeram nas ideias que rodeiam a religião de Israel: Deus é justo, seguramente, mas bem diferente de nós. A sua maneira de ser justo é fazer viver o seu povo e salvá-lo.

No Novo Testamento, Jesus realiza este ideal dos profetas: acaba de oferecer a cada um, e antes de mais aos excluídos e aos pecadores, uma nova relação com Deus, seu Pai, nosso Pai. Trata-se, simplesmente, da Boa-Nova: como o amor de Deus, vivido por vezes até ao fim, nos é oferecido para transformar todas as nossas relações com Ele e entre nós.

Pierre Debergé, que ensina o Novo Testamento no Instituto Católico de Toulouse, percorre os três conjuntos que mostram esta nova justiça de Deus: as Cartas de Paulo, o Evangelho de Mateus e a Carta de Tiago. Metodicamente, ele esclarece e dá pontos de referência onde os textos pareciam obscuros e confusos.

Philippe GRUSON

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ABADIE, Philippe, O livro de Esdras e de Neemias. 64 págs. Cód. 6083

 

Os livros de Esdras e de Neemias são preciosos: eles são quase os únicos documentos relativos à história de Israel nos séculos obscuros que se seguiram ao Exílio. Foi exactamente nesse período que se constituiu, à volta do templo de Jerusalém e da Torah, o judaísmo bíblico. No entanto, a leitura destes livros é melindrosa, pois os seus redactores alteraram, com frequência, a cronologia para dar mais ênfase às suas convicções teológicas. Deste modo conseguiram impor a imagem de um grande reformador, Esdras, o sacerdote-escriba, seguido pelo seu auxiliar, Neemias, o governador leigo; embora, historicamente, Neemias tenha realizado a sua reforma uns cinquenta anos antes de Esdras. É um biblista de Lião, Philippe ABADIE, especialista deste período, que nos vai guiar nos livros de Esdras e de Neemias. Mostra-nos a sua unidade – trata-se de um único livro –, as suas intenções, as suas convicções e a sua amplitude histórica. Entre as questões levantadas temos a do Pentateuco: em que medida é que Esdras foi o artífice dessa constituição civil e religiosa da comunidade judaica? A interdição dos casamentos mistos, formulada por Neemias, testemunha a recusa de se misturar com os povos vizinhos e pressupõe uma consciência viva da identidade israelita. Todavia, na mesma época, as narrações de Rute e de Jonas contestam este isolamento nacionalista e religioso. Se a problemática dos sacerdotes judeus já não está na ordem do dia, a questão da identidade judaica permanece actual. Isto leva o leitor cristão de Esdras e de Neemias a formular muitas outras interrogações: onde é que se fundamenta a identidade cristã? (e a identidade católica?). Que diferenças fundamentais distinguem o sacerdócio cristão do sacerdócio judaico? De quem ou de quê deve a Igreja afastar-se para ser fiel a Cristo? Em suma, questões actuais para os baptizados.

Philippe GRUSON

 


 

VERKINDÈRE, Gérard, A Justiça no Antigo Testamento. 64 págs. Cód. 6084

 

O termo "justiça", tão frequente em toda a Bíblia, é um verdadeiro "falso amigo" e é também muito incómodo! Ele dá apenas uma orientação ao leitor no sentido actual do termo: o facto de dar a cada um o que lhe é devido, a reivindicação perante a injustiça ou até os processos judiciais do "palácio da justiça". Mas quando isso acontece, muitas vezes afasta-se do sentido bíblico que, em primeiro lugar, não se baseia na experiência dos tribunais, mas nas relações pessoais da vida quotidiana, em particular nas relações ligadas por um compromisso, uma aliança. É necessário seguir o percurso completo do termo justiça, nos dois Testamentos, para captar a sua evolução, mesmo por causa da experiência da Aliança de Israel com o seu Deus. Isso permite compreender porque, sobretudo após o Exílio, o termo "justiça" significa muitas vezes salvação ou até perdão, facto que sai completamente fora do sentido habitual de justiça. Além disso, este percurso semântico na Bíblia tem a grande vantagem de nos conduzir plenamente ao coração da Aliança e de nos levar a corrigir caricaturas correntes de um Deus que se "encoleriza", que "castiga" ou que se "vinga". O Deus de Israel é muito diferente daquele que nós imaginamos! A riqueza do tema bíblico da justiça é tal que foi necessário consagrar-lhe dois Cadernos, um para cada Testamento. Gérard VERKINDÈRE, que ensina o Antigo Testamento na Faculdade de Teologia de Angers, é o nosso guia para esta etapa através do Antigo Testamento. Este estudo é indispensável para a compreensão da linguagem de Jesus e de Paulo: Como é que Deus é justo? Como é que Ele nos pode tornar justos? Mas isso não é apenas uma questão de estudo; é também uma relação com a vida, e, ao mesmo tempo, uma conversão e uma acção de graças.

Philippe GRUSON

 

 


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MARX, Alfred, Os sacrifícios no Antigo Testamento. 60 págs. Cód. 6085

 

D’entre os cristãos que se dedicaram profundamente à leitura da Bíblia a começar pela primeira página, conheço bem poucos que tenham conseguido atravessar o Levítico sem terem perdido a coragem perante a leitura dos rituais dos sacrifícios! Efectivamente, estes múltiplos ritos já nada nos dizem pois não possuem qualquer correspondência na nossa cultura ocidental. Esta matança gratuita choca eventualmente os mais jovens, sensibilizados para os «direitos dos animais». E, acima de tudo, o nosso sentir cristão leva-nos a concluir que «tudo isso já está caduco; aplica-se apenas à Antiga Aliança!». De resto, a própria palavra «sacrifício», de que outrora tanto se abusou, já não faz parte do vocabulário cristão: frequentemente apenas evoca privação, sofrimento e morte. Grande desvio!

Alfred MARX, da faculdade de Teologia protestante de Estrasburgo, desafia-nos para uma visita guiada aos sacrifícios do Antigo Testamento. Certas descobertas sensacionais virão substituir alguns preconceitos e ideias falsas. E se o sacrifício não era bem o que se imagina? E se o culto judaico, no Templo de Jerusalém, não era mero ritualismo mas fruto de uma experiência religiosa autêntica, possuidora de uma teologia forte e original?

A jeito de contraponto a este Caderno, Jean-Daniel MACCHI (de Genebra) apresenta o sacrifício samaritano da Páscoa. Os Samaritanos são efectivamente os únicos Israelitas a praticar, há vinte séculos, o sacrifício pascal tal como o prescreve a Torá.

Em resposta às questões colocadas pelos nossos leitores a propósito dos misteriosos «códigos secretos da Torá» (finalmente descodificados graças à informática), reproduzimos um artigo muito pertinente de um professor judeu, Rivon KRYGIER (de Paris).

Philippe GRUSON

 


 

VÁRIOS, O sacrifício de Cristo e dos cristãos. 64 págs. Cód. 6086

 

Este Caderno surge na sequência do de Alfred MARX que nos proporcionou uma nova visão sobre Os sacrifícios do Antigo Testamento (nº 85). É Jean MASSONNET (Lyon) que o abre, recordando logo de início o que eram os sacrifícios do Templo de Jerusalém, no tempo de Jesus e, como os rabinos interpretaram este culto, após a destruição do Templo no ano 70 - O sacrifício no Judaísmo. A seguir, analisam-se alguns textos do Novo Testamento que falam da morte de Cristo: como é que a compreenderam os diferentes autores? Falaram dela como de um sacrifício? Que conclusões tiraram para a fé? Porque é que compararam a vida apostólica e a vida cristã a um sacrifício? Respostas claras a estas questões deveriam permitir restabelecer o equilíbrio numa linguagem cristã tradicional em que o «sentido do sacrifício» adquiriu frequentemente um certo pendor mórbido para o sofrimento e a negação do indivíduo.

O estudo abrange cinco secções segundo uma provável ordem cronológica. Michel QUESNEL (Paris) examina as Epístolas de São Paulo, os textos cristãos mais antigos. Édouard COTHENET (Bourges) destaca as menções sacrificiais disseminadas pelos Evangelhos Sinópticos, especialmente os relatos da Ceia. Michel BERDIER (Quimper-Paris) analisa a Epístola aos Hebreus que relaciona a morte de Cristo com os sacrifícios do Templo. Yves-Marie BLANCHARD (Poitiers-Paris) estuda a linguagem mais original do Evangelho de João e da Primeira Epístola de João. Finalmente o pastor Élian BUVILLIER (Montpellier) explica as imolações de Cristo, da Besta e dos crentes no Apocalipse.

Depois destes cinco estudos, Joseph CAILLOT (Paris) propõe uma síntese em que apresenta as convergências profundas destas diversas linguagens da fé e centra a sua reflexão na pessoa de Cristo no arco da Sua vida até à cruz. O Filho único, feito irmão mais velho, chama cada um à partilha da mesma dimensão filial expressa na Eucaristia. Trata-se de receber o dom de Deus e de viver a existência como um dom a Deus.

Philippe GRUSON

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DORÉ, Daniel, QOHÉLET e BEN SIRA, 76 págs. Cód. 6087

 

Apesar de os seus nomes serem demasiado semelhantes – o Eclesiastes e o Eclesiástico – não é fácil confundir estes dois livros maravilhosos! Deve dizer-se que o primeiro é tão duro e até corrosivo que em nada se assemelha ao segundo, mais burguês e mais de acordo com a ortodoxia religiosa e política. Como por acaso, este último, Ben Sira, fornece seis leituras para os domingos, enquanto Qohélet tem direito apenas a quatro versículos, uma vez de três em três anos! A sua leitura correria o risco de levar à depressão? “Para que serve viver, se tudo é ilusão”. Contudo, os judeus lêem-no na alegre festa de Soukkôt, no início do Outono. A rude sabedoria deste anónimo do século III antes de Cristo não lhes mete medo; e não lêem Ben Sira, escrito no início do século II. Aliás, é o único livro do Antigo Testamento de que se conhece o nome do autor real: um tal Jesus, filho de Sira.

Eis dois sábios tão diferentes, com menos de um século de distância entre si, ambos confrontados com a ascensão da civilização helenista que submerge todo o Próximo Oriente e ameaça engolir as comunidades judaicas dispersas. Cada um reage à sua maneira: Qohélet levantando algumas interrogações à experiência humana, e Ben Sira ensinando a tradição judaica. Um e outro estão convencidos de que a vida é um dom de Deus, mas o homem não possui o segredo da sua existência. Um e outro acreditam que se pode caminhar todos os dias em presença de Deus, seguindo a sua Lei, mas por caminhos totalmente diferentes!

Daniel Doré, sacerdote, membro da congregação de S. João Eudes, ensinou a Sagrada Escritura em diversos seminários (e actualmente em Rennes). Colabora na formação dos leigos no departamento de Essonne. Neste Caderno propõe, não um comentário de Qohélet e de Ben Sira, mas uma viagem livre para dar o ensejo aos seus leitores de descobrir e familiarizar-se com estes dois sábios de Israel.

Diversos infortúnios atrasaram o seu trabalho, anunciado desde há três anos. Qohélet já o tinha prevenido: “Podem-se multiplicar os livros indefinidamente, mas o muito estudo é uma fadiga para o homem” (Ecl 12,12)!

Philippe GRUSON

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NOËL, Damien, As origens de Israel. 68 págs. Cód. 6088

 

De há um século para cá, o conhecimento da história bíblica de Israel tem tido um enorme progresso, devido às escavações arqueológicas, à descoberta de textos do Antigo Oriente e, principalmente, a leituras mais cuidadas dos textos bíblicos. À medida que recuamos para períodos anteriores à realeza de David, os conhecimentos rareiam, ficando limitados pelo debate actual sobre as tradições antigas do Pentateuco: até onde remontam as narrações fundadoras de Israel relativas aos Patriarcas e ao Êxodo? Manifestamente, o povo de Israel, a partir da monarquia, dotou-se sucessivamente de várias representações das suas origens para afirmar a sua identidade política e religiosa. Damien Noël, sacerdote do Val d’Oise, que lecciona a cadeira de história de Israel no Instituto Católico de Paris, faz o ponto da situação relativamente a estes períodos anteriores à realeza e à escrita. Numa primeira parte traça o quadro histórico do Antigo Oriente, e de modo particular de Canaã, entre 1600 e 1200 (período dos Patriarcas e do Êxodo) e depois entre 1200 e 1000 (período da conquista e dos Juízes). Só na segunda parte passa a utilizar os textos bíblicos e recua no tempo, em cada período, para descobrir as representações que Israel reteve das suas origens. O autor parte do livro dos Juízes e dos dados sobre as doze tribos, para regressar, depois, à conquista – instalação em Canaã, seguidamente ao Êxodo, e por fim aos Patriarcas. Se a maior parte das questões tem de ficar em aberto, numerosas representações das Histórias sagradas devem ser corrigidas e transformadas – e até desaparecer do domínio da história, como, por exemplo, a conquista de Canaã por Josué. Todas estas tradições, construídas posteriormente, e às vezes tardiamente, permanecem como testemunhos essenciais da convicção de Israel em viver ao longo dos séculos uma relação ímpar com o seu Deus. O trabalho dos historiadores não permite conhecer melhor os primórdios desse pequeno povo nem esclarecer a fé que o animou e lhe possibilitou atravessar os séculos até aos nossos dias.

Philippe GRUSON

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COUSIN, Hugues, A BÍBLIA GREGA. A Setenta. 120 págs. Cód. 6089

 

Toda a gente conhece A Bíblia de Jerusalém; mas quem conhece a Bíblia de Alexandria? O interesse pela Bíblia grega, comummente chama «A Setenta», é recente e apenas começa agora a sair para fora dos ambientes universitários. A equipa científica da Bíblia de Alexandria reunida à volta de Mme M. Harl, está apostada em devolver o acesso a esta Bíblia que, sendo proveniente sobretudo das comunidades judaicas do Egipto, foi a Bíblia dos Padres da Igreja e a única Bíblia dos cristãos durante séculos. Este trabalho é novo e pode desorientar-nos, leitores que somos da Bíblia, habituados a procurar a veritas hebraica que S. Jerónimo enaltecia e que oferecem todas as traduções modernas feitas sobre o hebraico.

Hugues Cousin, responsável dos Suplementos aos Cadernos Bíblicos, preparou este para facilitar a entrada no mundo complexo da Bíblia grega; por isso, fornece para leitura textos escolhidos de grande número de livros e mostra, com estes exemplos precisos, como é que foi feita esta tradução grega que acabou por se tornar numa outra Bíblia. Reúne aqui os resultados de numerosos trabalhos especializados, frequentemente pouco conhecidos ou pous servco acessíveis, e pretende deste modo encorajar os leitores a prosseguir a pesquisa nos volumes da Bíblia de Alexandria e na obra que lhee de introdução: A Bíblia grega dos Setenta.

À excepção da utilização da Setenta pelo Novo Testamento, a posteridade cristã da Bíblia grega foi aqui deliberadamente posta de lado. Num próximo Suplemento, com efeito, serão abordadas as leituras cristãs da Escritura no segundo século da nossa era.

O nosso reconhecimento vai antes de mais para o padre Pierre-Maurice Bogaert, professor da Universidade de Lovaina-a-Nova (Bélgica) que facultou a sua documentação a Hugues Cousin e o autorizou a reproduzir as traduções de vários dos seus artigos, e até de dar aqui uma tradução inédita de Susana. Sem a sua ajuda amiga, o presente Suplemento não teria podido ver a luz do dia.

Agradecemos igualmente ao pastor Daniel Bourguet, professor da Faculdade de Teologia protestante de Montpellier, membro da equipa encarregada de traduzir Jeremias para a Bíblia de Alexandria, que amigavelmente aceitou redigir a maior parte do capítulo consagrado a este profeta.

Sentimo-nos felizes por este Suplemento iluminar o Caderno Bíblico Palavra de Deus e exegese (n° 43), dedicado à exegese moderna e, particularmente, à exegese católica segundo o Concílio Vaticano II. Foi do povo judeu que os cristãos receberam o Primeiro Testamento tanto em grego como em hebraico, e não deixam de o ler e interpretar à luz da Palavra viva, o Verbo feito carne pela vida do mundo.

Philippe GRUSON

 


 

Paul Beauchamp / Denis Vasse, A violência na Bíblia. Cód. 6090

 

Na igreja de Souillac (Lot), à direita da porta principal, ergue-se um estranho pilar. A cena do sacrifício de Abraão ocupa o lado esquerdo; ao centro, é um cordão entrelaçado de aves de rapina e de feras; enfim, à direita, três pares abraçam-se. Que ideia guiou o escultor desta obra misteriosa? As hipóteses não faltam, mas a sua subtileza não responde verdadeiramente à pergunta. Em todo o caso, o artista quis associar o sacrifício (interdito), a violência bestial e o amor (ou a sexualidade?). Uma tal aproximação dá que pensar... Guerras, assassinatos, pessoas sacrificadas: esta violência que se crê típica do Antigo Testamento não está ausente do Novo, nem das nossas actualidades quotidianas, nem dos nossos jornais. Longamente, a Bíblia esclarece os caminhos da violência em Israel, caminhos que convergem para o Calvário donde Jesus nos chama à outra violência: a do amor. Para este grande percurso através de toda a Bíblia, temos a sorte de poder seguir dois guias experimentados: um exegeta, o Pe. Paul BEAUCHAMP (do Centro Sèvres, em Paris) e um psicanalista, o Pe. Denis VASSE (de Lyon) . Ambos jesuítas, animam juntos sessões onde a leitura da Bíblia e a psicanálise se interpelam e se esclarecem mutuamente. A página ao lado apresenta as cinco partes da sua diligência comum. O leitor dos Cadernos Bíblicos poderá ficar surpreendido pela terceira, onde os nossos dois autores dialogam. Que confie neles e não receie deixar por algum tempo a exegese tradicional; um melhor conhecimento do homem só pode fecundar a nossa leitura da Bíblia e comprometer-nos mais com ela. O percurso aqui proposto não é nem rápido, nem tradicional; ele interroga e rectifica ideias preconcebidas. A sua leitura paciente reserva descobertas e remove muitas questões habituais.

Philippe GRUSON

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 Daniel DORÉ, O Livro da Sabedoria de Salomão. Cód. 6091

 

Qual foi o livro bíblico que hesitámos em catalogar como fazendo parte do Antigo ou do Novo Testamento? Eis o que diz o cânone de Muratori, um texto cristão dos finais do séc. II que apresenta os livros do Novo Testamento: «E a Sabedoria de Salomão (foi) escrita por Fílon em honra da Sabedoria. Consequentemente, é necessário lê-la, mas não a podemos apresentá-la oficialmente ao povo, em Igreja, nem entre os profetas cujo número está completo, nem entre os apóstolos no fim dos tempos». Finalmente, a Sabedoria de Salomão foi colocada dentro do Primeiro Testamento, uma vez que é, indiscutivelmente, obra de um teólogo judeu, mesmo que não se trate de Fílon.

Escrito em grego, este livro entrou na versão dos LXX, mas continua fora da Bíblia hebraica (e, por isso, também não faz parte das bíblias protestantes). Fica também muitas vezes fora… do domínio dos leitores da Bíblia. Teria sido eclipsado pela figura de Jesus, praticamente seu contemporâneo? Ou então, as suas qualidades helenísticas derivam dos leitores habituados aos escritos hebraicos? É verdade que este grande discurso, cuidadosamente composto de acordo com as regras da retórica grega, permanece totalmente isolado no seio do Antigo Testamento. Como quer que seja, o livro é um exemplo magnífico de inculturação: o seu autor anónimo é uma testemunha excepcional da fé e da tradição judaica na cultura helenística de Alexandria, nos alvores da nossa era. É este livro que fornecerá a Paulo e a João muitos dos conceitos e das palavras para falar do mistério de Jesus Cristo, a Sabedoria feita carne.

Daniel DORÉ, sacerdote da Congregação de S. João Eudes em Paris, é um especialista destes livros de sabedoria, sobre os quais lecciona nos seminários de Rennes e de Caen. É autor de três outros livros essenciais: Qohelet, Sirácide e Tobit (Cadernos Bíblicos, nºs 72 e 87). Neste caderno, ele partilha o fruto de numerosos trabalhos recentes, pouco conhecidos ou pouco acessíveis, sobre este espantoso livro da Sabedoria. Tal como afirma o seu autor anónimo, a Sabedoria divina “formou amigos de Deus e profetas”. Que ela continue a guiar os seus leitores nesta mesma via.

Philippe GRUSON

 


 

Pierre BUIS, O LEVÍTICO. A Lei de santidade. Cód. 6092

 

O leitor moderno sente-se, por vezes, despistado perante o livro do Levítico, com seus rituais de sacrifícios, e muito mais ainda com as noções de puro e impuro, de sagrado e de santidade, tão estranhas à nossa cultura secularizada (cf. Caderno Bíblico n° 85, Os sacrifícios no Antigo Testamento). Mas, destas categorias da religião de Israel nasceu a «Lei de santidade», tema principal do presente Caderno. É desta lei que deriva especialmente o célebre «amarás o teu próximo como a ti mesmo».

Ao reinterpretar tabus arcaicos (como o do sangue) ou permanentes (como o do incesto), os sacerdotes judeus desenvolveram contemporaneamente um sistema cultual e uma ética fundados sobre a presença de Deus no meio do seu povo. No Levítico, com efeito, o culto e a moral sucedem-se, pois são complementares; ambos se fundam na convicção de que o povo de Deus não existe a não ser através da sua relação com aquele que lhe dá vida. Judeus e Cristãos, cada um a seu jeito leitores deste livro, continuam a procurar a presença divina, única fonte de santidade. É o Pe. Pierre BUIS, sacerdote espiritano, quem guia esta leitura da Lei de santidade. Ensinou muito tempo Antigo Testamento em diversos seminários de África.

Apresentamos, também no presente Caderno, o texto de uma extraordinária conferência do P. Philippe BACQ, Jesuíta belga, sobre As leituras da Bíblia na Igreja católica, proferida aquando de um colóquio em Paris, em Outubro de 2000. Esta reflexão ajudará certamente muitos dos nossos leitores a fazer o ponto das suas próprias práticas de leitura bíblica e a aproveitar algumas sugestões pertinentes do Pe. Bacq.

Philippe GRUSON

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 André WÉNIN, A HISTÓRIA DE JOSÉ (Génesis 37 - 50). Cód. 6093

 

«Eu sou José, vosso irmão.

Que Judeu, que Cristão

Não chorou perante este reencontro?»

No início do século XX, Charles Péguy admirava-se. Antes dele, Victor Hugo e Dostoïevsky teriam tido a mesma reacção e, depois deles, Thomas Mann. O final do livro do Génesis com os seus estratagemas, os seus segredos e disfarces, seus laços fraternos desfeitos e reatados num décor de acampamentos e palácios, no meio de rebanhos e sacos de trigo, parece pertencer mais ao quotidiano, ao familiar e é mais comovente do que os episódios que o precederam. Como se a fulgurância mítica do Génesis ou o trágico sacrifício no monte Moriá se tivessem transformado numa espécie de romance popular.

Neste longa história, o leitor tem alguma dificuldade para reconhecer em Jacob, pai inconsolável, o lutador Jaboc. E a ascensão de José na corte do Egipto tem ares das success stories de ontem e de hoje em que o jovem emigrado se torna, pela sua sabedoria, rico e poderoso. Depois, aqui, o sábio revela-se de certa forma duro com os irmãos, numa alternância de prisão e festim, jogando com um pau de dois bicos, urdindo o falso para conseguir o verdadeiro. Depois, a acção, já de si pouco verosímil, vagueia a caminho com Judá e Tamar e demora muito tempo (faz render o peixe) depois da grande cena do reconhecimento. Quanto a Deus, que se intromete no caminho de Abraão ou do jovem Jacob, onde está Ele?

No «Dossier», André Wénin convida-nos a reler estas páginas célebres. E põe em destaque a complexidade de uma intriga que respeita tanto a filiação como a fraternidade e, sem dúvida, o futuro da promessa feita por Deus a Abraão. «José, o pai e os irmãos», poderia ser também o título desta releitura. Aí tudo tem o seu lugar no tabuleiro do relato, mesmo o que parece marginal. A análise narrativa, aqui realizada de forma simples e magistral, não esgota sem dúvida a riqueza do texto, mas renova o nosso olhar.

GÉRARD BILLON

 


 

Gérard BILLON, Gilbert DAHAN, Alain Le BOULLUEC

O ROMANCE DE JOSÉ (Génesis 37-50)

Cód. 6094

 

História de José, um romance?

Aqui não vamos examinar o género literário do relato bíblico, mas sim percorrer a aventura das suas interpretações. Aventura rica de peripécias judaicas, cristãs e muçulmanas. Isso começa de modo discreto. Na própria Bíblia, o personagem José é pouco evocado. Mas há três motivos principais que estão já presentes.

O primeiro é a fé em Deus. O Livro dos Macabeus louva-o por ter guardado o Mandamento (1 Mac 2,53). O Testamento dos Doze Patriarcas declara a seu respeito que permaneceu na verdade do Senhor. O Alcorão pouco fala, mas consagra uma surata a Youçef, modelo do crente.

Depois, vem a interpretação «tipológica» que considera José um «tipo» ou «figura» de Cristo. O livro dos Actos dos Apóstolos, pela boca de Estêvão moribundo, estabelece um paralelo entre as provações do patriarca e a Paixão de Jesus (Act 7). Este paralelo está no centro dos comentários cristãos - infelizmente nem sempre isentos de anti-semitismo.

Por fim, surge o movimento de humilhação-exaltação, que vê o escravo transformar-se em senhor (Sl 105,17-22). Neste movimento, os doutores cristãos verão um anúncio da glorificação de Cristo extensiva à Igreja.

A tipologia cristã, predominante, repetitiva, não impedirá a expressão de outros motivos, como a castidade, a arte política de governar ou o canal do perdão fraterno... No Caderno Bíblico n° 93 [A História de José], André Wénin convidava-nos a uma leitura narrativa desta história bastante enigmática. A pretensão deste Suplemento não é levantar enigmas, mas sublinhar que eles fizeram sonhar e reflectir muitos exegetas e poetas.

Gérard BILLON

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Philippe ABADIE, O LIVRO DE JOSUÉ. Crítica histórica. Cód. 6095

 

Josuah fight the battle of Jericho é um dos espirituais negros mais empolgantes. Mas que possui de marcial? Em ritmo alegre, canta a salvação de Deus. Como tantos outros espirituais compostos pelos escravos das grandes fazendas americanas do século XIX, é perpassado de esperança humana e cristã. Aparece como um dos episódios mais marcantes da grande história das intervenções de Deus em favor dos pobres e oprimidos repetidas em favor de Israel e realizadas em Jesus Cristo.

Quando, no século XX, os arqueólogos escavaram o tell de Jericó [tell é uma palavra de origem árabe, que designa uma colina artificial geralmente formada a partir de escombros de muros ou outras construções abandonadas], chegaram à constatação que na época suposta da chegada dos Hebreus conduzidos por Josué, nada mais havia do que um montão de ruínas. Será que a história bíblica atingirá o fôlego estético das mitologias do Médio Oriente antigo? O livro de Josué provocou uma outra batalha a partir das suas releituras: a sua historicidade. O mesmo, de resto, se passou relativamente a outros livros da Bíblia.

O nosso Dossier tem apenas a ambição de apresentar o livro, os problemas e as respostas que a exegese histórica e crítica lhe pode proporcionar hoje. O relato bíblico entretece muitas relações com a história e o exame da figura de Josué deixa adivinhar a de Josias, o grande rei reformador do século VII a. C. Esta ligação Josué-Josias, é um dos elementos da primeira grande empresa historiográfica do Próximo Oriente, muito antes da do grego Heródoto.

As pesquisas actuais sobre as relações entre a Bíblia e a História apaixonam o grande público. A parte Actualidades faz-se eco do último Congresso da Associação Católica Francesa para o Estudo da Bíblia consagrado a este tema. De resto, os trabalhos de Paul Ricoeur, filósofo recentemente desaparecido, colocam alguns pontos de reflexão para evitar simplificações e convicções prematuras. A esse respeito, crítica literária, arqueologia, pesquisa histórica, teologia têm todo o interesse em reflectir sobre os seus pressupostos. Este Caderno, com o exemplo do livro de Josué, pretende modestamente dar o seu contributo.

GÉRARD BILLON


 

O QUE É O EVANGELHO? -> Pierre-Marie Beaude

Cód. 6096

Título original: «Qu'est-ce que l'Évangile?»

Ed. Difusora Bíblica - Lisboa-Fátima.

ISBN 978-972-652-244-7

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Trad.: Ir. M. Lurdes Cabral
Rev.: Frei José Machado Lopes

 

Num escrito do ano 180, Atenágoras expõe ao imperador filósofo Marco Aurélio e a seu filho Cómodo, uma "Súplica a respeito dos cristãos": «Entre nós, podereis encontrar ignorantes, trabalhadores manuais, pequenos cérebros: se em palavras eles são incapazes de expor a utilidade da sua doutrina, pelas suas acções demonstram a utilidade dos seus princípios. Eles não sabem palavras de cor, mas expõem boas obras: espancados, não devolvem as pancadas; roubados, não perseguem em justiça; dão àqueles que lhes pedem e amam o seu próximo como a si mesmos» (Súplica, 11).

Eis a força da Boa Nova, o Evangelho, escrito em diferentes lugares do Império Romano, que fez nascer comunidades revolucionárias. Mas, como tudo começou?

Os "ditos e feitos do Senhor", as "Palavras do Senhor", as "memórias dos Apóstolos": Tais são os diversos nomes que empregaram os autores cristãos do século II para designar os quatro Evangelhos. Todos sabem que o Apóstolo Paulo, que fala muitas vezes do "Evangelho", nunca teve nas mãos nenhum dos nossos quatro livrinhos, pela simples razão de que eles não tinham ainda sido escritos! No mais antigo texto cristão depois do Novo Testamento, a Didaqué, o "Evangelho" designa ainda, não um livro, mas o ensinamento do Senhor, uma espécie de código de vida a pôr em prática.

É um itinerário completo o que este Caderno descreve: da Boa Nova pregada por Jesus e depois pelos Seus apóstolos, até à leitura dos quatro livrinhos nas assembleias cristãs. Do Evangelho proclamado (no singular) aos evangelhos escritos e lidos (no plural). Esta história complexa mas apaixonante, é-nos contada por Pierre-Marie BEAUDE, professor de exegese do Novo Testamento na universidade de Metz. A matéria é imensa, por vezes difícil e eivada de hipóteses divergentes, mas ele sabe dizer o essencial, dar informações objectivas e tornar acessíveis os resultados indiscutíveis das pesquisas sobre a formação dos Evangelhos e as origens cristãs.

Ao propor este Caderno aos seus leitores, o "Serviço Bíblico Evangelho e Vida" quer honrar o nome que lhe foi dado, há 25 anos, por Étienne Charpentier. "Evangelho" tem, aqui, os seus dois sentidos: a mensagem libertadora lançada por Jesus na Galileia e a sua forma escrita, preciosamente guardada como uma fonte quádrupla. Mas "Vida" toma aqui também o seus dois sentidos: a vida dos homens, a história, a nossa vida, e esta fonte que os irriga, neles fazendo brotar a "Vida em abundância". Hoje, como no século I, o Evangelho de Jesus é inseparável da vida dos discípulos e de todas as Igrejas: Somente aí é que Ele pode incarnar-se.

Philippe GRUSON

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AS TENTAÇÕES DE CRISTO NO DESERTO

Jacques Briend

Cód. 6097

Título original: «Les tentations du Christ»

Ed. Difusora Bíblica - Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-247-8

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Trad.: D. Joaquim Ferreira Lopes
Rev.: Frei José Machado Lopes

 

Deus põe à prova; Satanás tenta... Aqui onde a nossa língua cava um fosso quase inultrapassável entre os dois termos, a Bíblia Hebraica e a sua versão grega usam, cada qual, um único vocábulo retomado pelos relatos evangélicos das tentações. Estes ilustram, como o demonstra claramente o nosso estudo exegético, como é que Cristo reviveu as provações de Israel durante o Êxodo e, ao contrário do povo, as ultrapassou.

Deus põe à prova; Satanás tenta... Aqui onde a nossa língua cava um fosso quase inultrapassável entre os dois termos, a Bíblia Hebraica e a sua versão grega usam, cada qual, um único vocábulo retomado pelos relatos evangélicos das tentações. Estes ilustram, como o demonstra claramente o nosso estudo exegético, como é que Cristo reviveu as provações de Israel durante o Êxodo e, ao contrário do povo, as ultrapassou.

Por isso é que o presente Caderno Bíblico oferece três dossiers sobre o «pôr à prova», por Deus, do homem e do povo. Trata-se, antes de mais, de Abraão aquando do sacrifício de Isaac, e de Israel no acontecimento do Êxodo. Note-se como o judaísmo rabínico porá em destaque o carácter positivo da prova, quer esta seja excepcional ou faça parte da vida quotidiana. De resto, o leitor não se deve espantar de ver passar em silêncio o texto de Gn 3: é que ele não utiliza o vocabulário que nos interessa. É só a partir da exegese medieval que a referência ao pecado de Adão se tornará uma chave maior do relato das tentações de Jesus. Efectivamente, parece que os textos cristãos destacaram, desde as redacções evangélicas, o carácter negativo do pôr à prova; é característico que a TOB traduza os termos gregos por «tentar» e «tentação», quer em Mt 4,1-3, quer no Pai-nosso. Os Padres da Igreja vão nesta linha; a causa é percebida na Idade Média, quando a tentação é entendida como «impulso ou persuasão ao ilícito» (Alberto Magno, no século XIII). Após a leitura deste Caderno Bíblico, quem «tentar» colocar juntas as duas linhas de força poderá concluir: Cristo é, ao mesmo tempo, provado pelo Pai e tentado pelo demónio.

Hugues COUSIN


 

O LIVRO DE JUDITE OU A GUERRA E A FÉ

Daniel DORÉ

Cód. 6098

Título original: «Le Livre de Judith ou La guerre et la foi»

Ed. Difusora Bíblica - Lisboa-Fátima.

ISBN 978-972-652-249-2

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Trad.: Rogério Carpentier
Rev.: Frei José Machado Lopes

 

 

Judite degolando Holofernes. Quem é que não se lembra de uma pintura de Lucas Cranach ou de Artemísia Gentileschi, de uma ária de Vivaldi, uma frase de Jean Giraudoux ou de Paul Claudel (ou até de Michel Leiris)? Amado pelos artistas, o livro de Judite coloca, todavia, muitas questões à consciência moral.

Em 1903, o padre Prat adverte com prudência: «A Escritura não aprova tudo o que narra; nem sequer no que se refere às santas personagens propõe que imitemos indistintamente todas as suas acções... » (Dicionário da Bíblia, art. «Judite», col. 1823-1824). O pastor Randon é mais categórico: «O autor preconiza sem escrúpulos a duplicidade, a sedução ou o assassinato. Estes meios colocados ao serviço de Deus e atingindo o seu objectivo pela sua protecção benevolente, não podem ser para nós senão um escândalo. A beleza inegável de certos discursos não basta para nos levar a perdoar este aspecto odioso do fanatismo. Ao rezar pelo êxito da sua mentira e ao atribuir ao Senhor o feliz desenlace do seu crime, Judite só pode revoltar a consciência cristã» (Les livres apocryphes de l’Ancien Testament, Paris 1909, p. 261). Poderíamos enumerar muitas citações semelhantes, até nas traduções recentes da Bíblia.

Este Caderno propõe um guia de leitura que não pretende descartar estas questões, pondo em relevo uma dúplice particularidade da narração. Por um lado, o livro de Judite remete para acontecimentos contemporâneos da sua redacção, isto é, a resistência dos Macabeus ao tirano grego Antíoco IV Epifânio, século II a. C. Por outro lado, o leitor não encontra nenhuma dificuldade para colocar a heroína na linhagem de outras personagens tais como Jael ou David cuja grandeza é resumida numa frase lapidar de S. Paulo: «Deus escolhe o que é fraco neste mundo para confundir os fortes» (1 Cor 1,27). Será esta a razão do sucesso deste livro?

Gérard Billon

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FLÁVIO JOSEFO

Uma Testemunha Judaica da Palestina

no tempo dos Apóstolos

Marc sevin

Cód. 6099

Título original:
«Un témoin juif de la Palestine au temps des Apôters»

Ed. Difusora Bíblica - Lisboa-Fátima.

ISBN 978-972-652-254-6
1ª edição: Setembro 2007
116 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Trad.: Rogério Carpentier
Rev.: J.M.L.

 

Os extractos da obra de Josefo aqui propostos pretendem lançar uma luz sobre a Palestina do séc. I e, portanto, sobre as origens do Cristianismo. Estes ajudar-nos-ão a conhecer melhor esta terra e este povo onde o Evangelho tem as suas raízes.

 

Julho, 67 da nossa era... Há já catorze meses que a guerra entre judeus e romanos está no auge. Após quarenta e sete dias de cerco, as tropas de Vespasiano acabam por tomar e destruir Jotapata, uma praça-forte da Galileia. Josefo, com a idade de trinta anos, defensor da cidade e chefe dos insurrectos da Galileia, refugia-se numa grande cisterna com quarenta companheiros. O esconderijo é descoberto. Vespasiano convida Josefo a render-se e promete salvar-lhe a vida.

Para os seus companheiros, aceitar seria uma traição: antes morrer do que render-se. Josefo consegue dissuadi-los do suicídio, propondo-lhes degolarem-se reciprocamente segundo uma ordem ditada pela sorte. Passado pouco tempo só ele e um companheiro continuam vivos. «Dever-se-á atribuir isto ao acaso ou à divina providência?», questiona-se ele embaraçado. Parece que terá viciado o sorteio. Josefo entrega-se então a Vespasiano a quem prediz o império. Sem grande sucesso exorta os seus compatriotas a deporem as armas. Mas o preso, pouco a pouco, vai caindo cada vez mais na graça dos vencedores. Terminada a guerra, torna-se cidadão romano, acrescentando ao seu nome o da família dos seus protectores, Flávio. Rico e considerado, viverá doravante dias felizes na capital do império.

A maneira como salvou a sua vida talvez tenha deixado alguns remorsos na alma de Josefo. Desta má consciência nasceu uma obra literária. Aos olhos daqueles que o acusavam de traição, Josefo quis justificar a sua passagem para o lado dos romanos e apresentar a sua explicação da guerra judaica. Os judeus destruíram-se a si próprios pelas suas divisões sectárias. Deus castigou-os e concedeu aos romanos uma força invencível. É este o tema de A Guerra dos Judeus cuja edição aramaica se perdeu. A versão grega, aumentada, saiu entre 76 e 79. Josefo narra os acontecimentos de que foi testemunha, mas ao mesmo tempo esclarece-os, recuando no tempo até à revolta dos Macabeus, no séc. II antes da nossa era.

A escolha política de Josefo não significava qualquer abandono das suas convicções religiosas judaicas. Sofria mesmo muito por causa da ignorância e do desprezo que o mundo greco-romano votava aos judeus e à Bíblia. Por isso decide dar a conhecer aos gregos tradições tão respeitáveis e mais antigas do que as deles nas Antiguidades Judaicas (ou História antiga dos Judeus) publicadas em 93 ou 94.

Mal Justo de Tiberíades, um antigo companheiro de lutas e seu rival na Galileia, contesta o papel de Josefo na guerra, logo este se justifica, publicando a sua Vida (Autobiografia) que acrescenta como apêndice a uma nova edição das Antiguidades, no final do século I.

Gregos de Alexandria, entre os quais um certo Ápio, põem em causa as afirmações de Josefo contidas nas Antiguidades: a antiguidade do povo judeu não se confirma nas fontes gregas. O testemunho da Bíblia não tem valor. O anti-semitismo espalha boatos sobre os costumes dos judeus. Então Josefo volta a escrever para demonstrar a antiguidade da tradição bíblica e defender os valores do judaísmo numa obra que chegou até nós com o título de Contra Ápio. Estas são as quatro obras de Josefo que conservamos, provavelmente as únicas que terá escrito.

Se dependesse apenas dos judeus é provável que a obra de Josefo nunca tivesse chegado até nós. Josefo só é citado na literatura judaica a partir do séc. X. Em contra partida, os seus escritos suscitaram grande interesse entre os cristãos que muito cedo o citam e o utilizam: Orígenes, Eusébio de Cesareia, Jerónimo e muitos outros. Os cristãos viram em Josefo o complemento das Escrituras e em particular do Novo Testamento. Como os Evangelhos ou os Actos, Josefo fala de Herodes e de seus descendentes, dos procuradores da Judeia Pôncio Pilatos, Félix... Além disso, fala também de João Baptista, de Jesus e de Tiago. Por outro lado, a preocupação de Josefo em demonstrar a antiguidade da religião judaica coincidia com as preocupações da apologética cristã: Moisés, reivindicado tanto pelos cristãos como pelos judeus, era anterior aos filósofos gregos. Isso provava a veracidade da revelação bíblica e do cristianismo. Por fim, Josefo narrava a ruína de Jerusalém que Jesus tinha previsto. Esta destruição da cidade santa demonstrava a caducidade da religião judaica. Um novo Israel tinha substituído o antigo. Os escritos de Josefo estavam, pois, muito próximos dos escritos revelados.

São muitos os que sublinharam os limites da obra de Josefo, o fraco rigor cronológico, o exagero nos números quando se trata de pessoas, a vontade permanente de se defender e de se valorizar, os preconceitos de classe, etc ... O seu comportamento durante a guerra judaica, o proveito que tirou da sua passagem para o lado dos vencedores, não o tornam muito simpático. Todavia, temos de reconhecer que o apego de Josefo ao judaísmo permitiu-nos conservar relatos de acontecimentos e informações que só ele nos transmite. «Sem Josefo pouco ficaríamos a saber sobre o destino do povo judeu durante os dois últimos séculos da sua existência nacional, e nada sobre o meio histórico em que nasceu o Cristianismo» (Th. Reinach em 1930). Hoje, sem dúvida, as descobertas de Qumrân esbatem em parte esta afirmação.

Os extractos da obra de Josefo aqui propostos pretendem lançar uma luz sobre a Palestina do séc. I e, portanto, sobre as origens do Cristianismo. Estes ajudar-nos-ão a conhecer melhor esta terra e este povo onde o Evangelho tem as suas raízes.

Marc Sevin

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JESUS E A SAMARITANA (João 4,1-41)

 

Jean-Michel poffet, op

Cód. 6100

Título original:
«Jésus et la Samaritaine (Jean 4)»

Ed. Difusora Bíblica - Lisboa-Fátima.

ISBN 978-972-652-255-3

Depósito legal Nº 273264/08
1ª edição: Março 2008
128 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Trad.: D. Joaquim Ferreira Lopes
Rev.: J.M.L.

 

Temos diante de nós o texto joânico do diálogo com a Samaritana, lido pelos cristãos de ontem e de hoje. Depressa se vê até que ponto este texto é interpretado de maneira plural, e sempre em função da actualidade do comentador. Uma questão entre outras: quem é esta mulher com quem fala o Salvador? 

 

Trata-se de uma herética ou é alguém espiritual? Ou será uma imagem da Igreja prestes a ser justificada? O pregador vê nela um modelo para o crente seguir, uma figura da heresia reformada a combater ou uma libertina de má vida a quem é preciso fazer arrepiar caminho? A menos que ela não prefigure as mulheres cristãs teólogas e apóstolas. Respostas diversas, por vezes opostas, foram dadas ao longo dos séculos. Professor-assistente na universidade de Friburgo, Jean-Michel Poffet investigou a literatura sobre Jo 4 com a ajuda de colaboradores. O uso litúrgico desta página do evangelho não é esquecido, assim como a temática judaica do poço.

Hugues COUSIN

O percurso proposto é fundamental e difícil ao mesmo tempo. Fundamental, porque permite pôr-se em confronto com autores que se dedicaram à leitura de uma passagem célebre do Novo Testamento; difícil porque vamos analisar até que ponto um texto pode ser lido diversamente; não obrigatoriamente de maneira contraditória, embora isso aconteça, mas sobretudo de maneira plural. As coisas só aparentemente são simples: Jesus encontra uma mulher na Samaria e revela-se a ela. Roland Barthes chamava a isso «a ilusão referencial». Na verdade, temos sob o nosso olhar, não este encontro, mas o relato dele. E desde que haja uma mediação literária, há recriação: cada autor escreve para a sua comunidade. Desaparecido o autor, o seu texto é transmitido a leitores que se sucedem no decorrer do tempo. Deste jogo, desta interacção vão nascer as leituras.

Efectivamente, "ler" está longe de ser um acto passivo em que o leitor deixa pura e simplesmente acontecer em si o conteúdo de um texto. Trata-se de um acto interpretativo, com riscos e muitas vezes parcial. Mais ou menos fiel a uma ou outra parte de um texto, mais ou menos alertado por esta ou aquela disponibilidade do texto. Por exemplo, os maridos da Samaritana são cinco (v. 18), mas Jesus acrescenta: «… e o que tens agora não é teu marido»; assim, podemos dizer que são seis - número que denota imperfeição! Veremos o partido que tiram disso Heracleon, Orígenes, Agostinho.

As escolhas recairão em função das preocupações do leitor (exortações ao encorajamento, combate a travar, meditação contemplativa) e das circunstâncias (tempo, lugar, cultura). É assim que esta mulher da Samaria, confrontada com Cristo, se apresenta para Heracleon como uma «pneumática» desgarrada, esquecida da sua verdadeira condição; para Orígenes, é uma herética, perdida em falsas leituras da Escritura; para Agostinho, representa a alma dos fiéis e, para Teresa de Ávila, a oração contemplativa; no século XVII, na polémica anti-protestante e numa Igreja anti-feminista, ela encarna a heresia como tal.

O poço de Jacob é posto em contraste com a água viva prometida por Jesus. Segundo os autores e circunstâncias, o seu grau de negatividade é variável: este poço, muito negativo para Heracleon porque nele vêm beber sobretudo os rebanhos de Jacob, adquire em Orígenes um valor positivo, já que este se preocupa por não desprezar as prefigurações do Antigo Testamento. Mas é posto em contraste com o Espírito Santo por Agostinho, pois este vive confrontado com outro tipo de debate. O cântaro da Samaritana é igualmente objecto de diferentes interpretações. Diz-se que a mulher o deixa (v. 28); isso quer dizer que ela o coloca perto de Jesus (Heracleon) ou o abandona porque se lhe tornou inútil (Orígenes, Agostinho)? Será interessante descobrir porquê e como é que cada autor é impulsionado para a sua respectiva interpretação.

A nossa cena é, por vezes, comentada de perto (Heracleon, Orígenes, Agostinho, Crisóstomo). Às vezes a interpretação patrística está na base de uma nova leitura e de uma retoma sistemática (Tomás de Aquino: o desejo de Deus, o dom do Espírito, e a fé recta, pronta e certa da Samaritana), de ocasião de uma leitura espiritual (Teresa de Ávila) ou de apelos patéticos à conversão (pregadores do século XVII). O procedimento joânico do “qui-pro-quo” é reconhecido ou negligenciado. O cansaço de Jesus é figura da Incarnação (Agostinho), da pobreza de Cristo (Crisóstomo), do mistério da Paixão (Tomás de Aquino). A polémica colora muitas vezes o comentário, precisamente em nome de uma leitura «situacionista». É o que se passa, por exemplo, em Orígenes e Agostinho, e até mesmo em Calvino, que interpretam o culto em espírito e em verdade como meio para desacreditar as pomposas cerimónias papais. Quanto aos pregadores católicos (La Chétardie, por ex.), estão sempre prontos a fustigar as «novidades», os «inovadores» (Reformadores) e as mulheres que lhes ofereceram protecção, provavelmente porque se sentiam mais respeitadas!

Temos, assim, um problema de leituras diversas, comparadas, por vezes opostas, mas sempre polarizadas pela actualidade do texto, seu sentido para o hoje do comentador, no plano espiritual, no plano da sua acção, da sua conversão. Com efeito, não há "uma" leitura patrística canonizável, mas leituras às vezes marcantes e geniais, outras por vezes parciais ou ultrapassadas. Um texto não está apenas cheio do que procura dizer, do que se lhe fez dizer, também é pobre do que lhe impedimos que diga! O desprezo pela mulher, bem claro em certos comentários, não corresponde em nada à prática de Jesus, nem neste texto nem noutros lugares do Evangelho. A história da exegese enriquece, assim, o acto de leitura e, por vezes, corrige-o. O leitor actual, habituado aos métodos histórico-críticos, ficará algumas vezes desconcertado, agastado talvez por um ou outro comentário espiritualizante ou demasiado distante do sentido literal. Poderá constatar, no entretanto, como a antiga exegese era polarizada pela convicção de que as Escrituras estão ao serviço da vida das comunidades cristãs para as estimular na fé, na conversão e na esperança.

Por vezes afirma-se que a leitura «científica» da Escritura começada no século XVI elimina as leituras precedentes insuficientemente fundamentadas. O nosso percurso mostra que isso pode ser verdade relativamente a uma ou outra leitura, ou verificar-se num ponto parcial, mas não de maneira geral. E, de resto, veremos que os a priori não são exclusivos das leituras antigas: prova disso é a delicada interpretação do v. 22 (a salvação vem dos judeus) e suas transformações até ao século XX, muito preocupado com uma exegese «científica».

O breve panorama da exegese contemporânea ilustra o propósito do recente Documento da Pontifícia Comissão Bíblica sobre a Interpretação da Bíblia na Igreja; há um grande interesse em pôr em confronto diferentes tipos de leituras. Estas não se aplicam sempre todas a um mesmo texto; dão um contributo diferente de acordo com o tipo de texto (relato histórico, hino, carta paulina) mas o desenvolvimento actual manifesta que o texto, já muitas vezes lido, vai continuar ainda a ser lido pelos leitores e leitoras de hoje, como pelos de amanhã.

Este Caderno abre exactamente com as tradições judaicas à volta do poço. Isso se impunha na medida em que o Novo Testamento não é um texto desprovido de espírito ou código cultural! Apoia-se não apenas nas Escrituras da primeira Aliança, mas também na interpretação que se dá a estes textos nos meios judaicos na viragem da nossa era, e cujo eco nos foi conservado, sobretudo nos targumim. Orígenes estava a par desta herança, mas outros desconheciam-na completamente. A exegese contemporânea permitiu esta redescoberta. De resto, a iconografia atesta a pertinência destas leituras e releituras que, do Antigo Testamento, levam ao Novo e lhe asseguram a interpretação. O encontro entre Jesus e a Samaritana não deixou de suscitar leituras e comentários; ontem tal como hoje se misturam nele «o novo e o antigo».

Jean-Michel Poffet, op

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OS JUDEO-CRISTÃOS:

testemunhas esquecidas

Jean-Pierre Lémonon

 

Cód. 6101

Título original:
«Les judéo-chrétiens: des témoins oubliés»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-274-4
1ª edição: Setembro 2009

72 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Trad.: Rogério e Virgolina Carpentier
Revisão: Pe. Herculano Alves

 

Queriam ser judeus e cristãos, mas "não são judeus nem são cristãos!" Pelo menos, por uma vez é esta a opinião partilhada, tanto por Agostinho como por Jerónimo.

Estamos no século quinto, e as pessoas consideradas como tal iriam desaparecer, depois de' terem sido empurradas para a margem da História. Quem eram elas? Aqui são chamados "ebionitas", ali "nazoreus". Estas alcunhas atribuídas pelos seus adversários, foram para eles motivo de orgulho. Ebion, em hebraico, significa "pobre". Orígenes, entre outros, faz troça da pobreza intelectual deles! Eles, por sua vez, julgam situarem-se no seguimento dos "pobres de Israel"! Aliás, quem não se sentiria honrado de ser chamado de "nazoreu", exactamente como o próprio Jesus.

Neste caderno, Jean-Pierre Lémonon apresenta os resultados de uma investigação histórica cujo interesse não se limita a desenterrar uma página do passado. Como trataram a "grande Igreja", maioritariamente grega e latina, estas comunidades de cultura semita do Próximo Oriente? Qual o motivo desta perturbação perante aqueles que julgavam poder professar a fé em Jesus, o Cristo, e praticar as leis de Moisés? Deverão eles ser assimilados aos "falsos irmãos" denunciados por Paulo na sua Carta aos Gálatas? Qual foi, no dealbar do cristianismo, o peso da Igreja de Jerusalém, muitas vezes citada a respeito deste assunto e, nela, a importância do papel de Tiago, o irmão do Senhor? Tendo em mente estas perguntas, temos de voltar a ler as Cartas de Paulo, assim como os escritos de S. João e a narração dos Actos dos Apóstolos.

A investigação histórica interfere com questões actuais, tais como o facto de Jesus ser judeu, a elaboração progressiva da cristologia ou ainda as relações - de continuidade, cumprimento ou ruptura - entre o Antigo e o Novo Testamento. No dia-a-dia, quais os critérios que servem para ajuizar da validade de uma prática e da verdade de um discurso?

Os judeo-cristãos, a seu jeito, são testemunhas da riqueza e das tensões desta época inicial, na qual foram elaboradas as palavras da fé cristã.

Gérard Billon


 

Os APOCALIPSES

do Novo Testamento

eLIAN CUVILLIER

 

Cód. 6102

Título original:
«Les apocalypses du Nouveau Testament»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-275-1
1ª edição: Setembro 2009

74 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Ir. Maria de Lurdes Cabral
Revisão: Pe. Herculano Alves

 

O precedente Caderno sobre o Apocalipse (nº 22) tem vinte e três anos; era necessário dar uma nova apresentação deste livro, cuja leitura foi largamente renovada. Mas quisemos também responder a perguntas muito actuais: a mudança de milénio suscitou interrogações, crenças, e despertou mesmo alguns receios, com origem, segundo parece, no segundo Apocalipse. Mas, o que tem isto a ver com a Boa-Nova de Cristo vivo? 

 

Sabemos hoje que o cristianismo primitivo se impregnou da literatura judaica esotérica dos apocalipses. E precisamos de compreender a sua tripla função: reflectir sobre o poder do mal e sobre o sentido da vida; confortar os crentes que somos pela promessa de uma libertação, de uma salvação e, enfim, exortar-nos a viver segundo a justiça de Deus que nos interpela e abre os nossos horizontes. Se o título deste Caderno fala dos apocalipses, é porque o Novo Testamento contém vários deles, e porque é útil colocar o Apocalipse de João na perspectiva de outros textos aparentados: os das Epístolas de Paulo, dos Evangelhos de Marcos, de Mateus e de Lucas.

Este percurso é guiado por Elian CUVILLlER, professor do Novo Testamento no Instituto protestante de teologia de Montpellier. Com competência e dinamismo, ele oferece uma visão geral sobre estes escritos apocalípticos; faz aparecer a originalidade de cada um e indica a evolução que conduz da pregação de Jesus e, sobretudo, da experiência pascal dos Doze, até às visões do vidente de Patmos, no fim do século I. A nós, que tentamos ser pessoas de fé, às nossas igrejas que procuram, no início do terceiro milénio, receber um novo sopro, é dirigida a mensagem do Ressuscitado, "o Cordeiro de pé, como imolado": Tende confiança: Eu já venci o mundo! (Jo 16,33).

Philippe GRUSON

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Evangelho de Jesus Cristo

segundo S. LUCAS

yves saoût

 

Cód. 6103

Título original:
«Évangile de Jésus Christ selon Saint Luc»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-276-8
1ª edição: Setembro 2009

146 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Pe. Fernando Ventura
Revisão: Pe. Herculano Alves

 

"Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Lucas". Assim começa, ao longo do ano litúrgico C, a proclamação do Evangelho nas celebrações da Eucaristia dominical.

 

Na sequência da reforma Litúrgica do concílio Vaticano II, o Leccionário sofreu duas modificações importantes. A primeira destas modificações teve a ver com a instauração, ao longo do ano, de uma leitura "semi-interna" de um mesmo Evangelho Sinóptico, nos domingos do tempo comum. A segunda foi a da colocação de uma primeira leitura do Antigo Testamento, proclamada antes do Salmo e da Epístola.

Eis, portanto, o Evangelho de Lucas (Ano C) que, ao ser apresentado neste Caderno, dois princípios nos guiaram.

O primeiro tem em conta o novo sentido que nasce da proclamação do Evangelho na liturgia. As perícopas seleccionadas pelo Leccionário são comentadas mais detalhadamente, enquanto as outras o são de uma forma mais superficial. Contudo, todas elas são situadas no conjunto do relato (e mesmo no conjunto da obra, tendo em conta a sua relação com o Livro dos Actos dos Apóstolos).

O segundo princípio prende-se com as consonâncias estabelecidas pelo Leccionário entre o Evangelho e as passagens escolhidas do Antigo Testamento e do Salmo, para os domingos do tempo comum; são consonâncias alargadas à Epístola, aquando das festas e das solenidades. Uma rubrica "Leccionário" trata discretamente o cumprimento das Escrituras que aqui se subentende.

Ao longo dos séculos, Lucas nunca deixou de maravilhar o povo cristão: as parábolas do bom samaritano ou do filho pródigo, os episódios de Zaqueu e da pecadora arrependida, importância atribuída à concepção e ao nascimento de Jesus. Tornar-se-á claro ao longo da leitura deste trabalho que a sua arte de narrador acompanha o realçar das implicações sociais da Boa-Nova. Teófilo, o leitor "amigo de Deus", a quem o terceiro Evangelho e o livro dos Actos dos Apóstolos são dedicados, fica assim duplamente consolidado na sua fé.

Gerardo Bilros


 

 

A VIDA DEPOIS DA MORTE

NO NOVO TESTAMENTO

michel gourgues

 

Cód. 6104

Título original:
«L'au-delá dans le Nouveau Testament»

1ª edição: Novembro 2009

76 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Maria Elisa Pereira Gomes
Revisão: Pe. Herculano Alves

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-279-9

Depósito Legal Nº 299912/2009

 

Mas, afinal, como ressuscitam os mortos? (1 Cor 15,35). Tal como no tempo de Paulo, os cristãos de hoje colocam-se esta mesma questão. A fé na ressurreição dos mortos acarreta, legitimamente, muitas interrogações: O que acontece depois da morte? Como imaginar o Céu? Reencontraremos, no outro mundo, os nossos entes queridos?...

 

As representações do Novo Testamento, sobre o Além, não são fáceis de alcançar. Os textos utilizam o mito e o símbolo, única linguagem capaz de fazer entender os contornos misteriosos do universo após a morte. Neste Caderno, Michel GOURGUES dedica-se a um exame minucioso e aprofundado de tudo o que, no Novo Testamento, é susceptível de esclarecer os enigmas do Além.

Qual era a esperança de Jesus e dos primeiros cristãos sobre a vida futura?

Como decifrar a linguagem simbólica a ela relacionada?

A esperança cristã pode contentar-se em acreditar apenas que existe "qualquer coisa" após a morte sem conseguir especificar mais?

A ressurreição de Cristo traz uma luz deslumbrante: o Além é uma comunhão com Deus. Que importa, então, se o como desta comunhão escapa à nossa curiosidade. A reflexão sobre o Além transforma-se, desde logo, numa meditação sobre a ressurreição de Jesus e o que a provocou. É esforçando-se, como Jesus e com Jesus, de levar a sua vida em harmonia com a vontade do Pai, que se traça agora o pós-morte. Paradoxalmente, o Além exige levar a sério a vida presente.

Os leitores deste Caderno encontrarão, aqui, com clareza, o tratamento de um assunto que é de premente actualidade.

Marc SEVIN

 


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  A ALIANÇA,

  coração da Torá

BERNARD  RENAUD

 

Cód. 6105

Título original:
«L'Alliance au coeur de la Torah»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-281-2
1ª edição: Maio 2010

76 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Pe. Herculano Alves
 

 

"Deus é fiel, guarda sempre a sua aliança ... "; "Tu és o nosso Deus e nós somos o teu povo. Abre-nos o caminho da vida": o tema da aliança está presente, de uma forma ou de outra, nalguns cânticos que ritmam as celebrações litúrgicas.

No entanto, será a aliança realmente um tema da mesma importância que a violência, a justiça ou a realeza, por exemplo? Em 1970, Paul Beauchamp não duvidou em falar de "estrutura central" do Antigo Testamento, estrutura que articula as relações entre Javé-Deus e o seu povo, Israel; regula as relações com os estrangeiros, relaciona as etapas da criação, o êxodo, o exílio, os últimos tempos, fundamenta a eleição de um único patriarca do povo e a esperança messiânica, e justifica a diversidade dos géneros e estilos usados pelos escritores bíblicos.

Perante esta abordagem englobante e unificadora de toda a Bíblia, este Caderno, preparado por Bernard Renaud, prefere uma perspectiva mais restrita, que percorre unicamente os livros do Pentateuco, a Torá de Israel. Talvez um dia, outro Caderno se dedique aos livros proféticos, em particular, para justificar a aparição de uma "nova" aliança e a tensão que estabelece com a do Sinai.

O exame da aliança do Sinai, no Êxodo, com os seus prolongamentos no Levítico e nos Números, constitui o essencial das páginas que se seguem. Está precedido por uma releitura das alianças com Noé e Abraão, no Génesis. É seguido por um percurso no Deuteronómio, onde a aliança no Sinai-Horeb é actualizada nas planícies de Moab, na fronteira da Terra Prometida.

O leitor encontrará aqui uma síntese ideal para redescobrir a vocação do povo de Israel e a identidade de JAVÉ.

Gérard BILLON


 

EVANGELHO DE JESUS CRISTO

segundo S. Mateus

C. TASSIN

 

Cód. 6106

Título original:
«Évangile de Jésus Christ selon saint Matthieu»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-283-6
1ª edição: Agosto 2010

124 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: D. Joaquim Ferreira Lopes

Revisão: Pe. Herculano Alves
 

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Mateus. Assim começa, durante todo o ano litúrgico A, a proclamação do Evangelho na celebração da eucaristia.

Abre-se um Evangelho de muitos-modos, :de acordo com a escolha de um lugar de leitura - ou «sítio»- particular: estudo, descanso, oração ... Nós aqui colocamo-nos no sítio litúrgico. Unindo o ensino à oração comunitária, esta dimensão transporta-nos de imediato a uma história, a uma tradição das comunidades.

Há quarenta anos, o concílio ecuménico Vaticano 11 renovou profundamente a vida cristã. No tocante à Liturgia, operaram-se duas modificações de vulto no leccionário do «tempo comum». Primeiro, instaurou-se a leitura «semi-contínua» do Evangelho, lançando um olhar muito particular para a pessoa de Cristo: ano A, Mateus; ano B, Marcos; ano C, Lucas. O conteúdo do Evangelho de João foi repartido ao longo dos três anos. Depois acrescentou-se um texto do Antigo Testamento, para se entrar melhor no mistério da História da Salvação. Este Caderno foi concebido para acompanhar o ano A com um duplo objectivo:

- A Liturgia. Juntamente com excelentes revistas e obras que se dedicam aos textos do dia, oferece um comentário que estabelece ligações ao contexto narrativo e às outras leituras, especialmente às do Antigo Testamento.

- A leitura contínua do Evangelho. As passagens que não constam no leccionário são evocadas (mais brevemente), pois o relato de Mateus não é uma cadeia de textos, mas uma obra harmoniosa e única.

Destinado especialmente aos pastores, pregadores e actores da celebração, este Caderno volumoso propõe-se assim a todos os leitores e leitoras que queiram um comentário em linha, simples e rigoroso.

O Pe. Claude Tassin, espiritano, é professor de Judaísmo Antigo e Novo Testamento no Instituto Católico de Paris. Redigiu, entre outros, o Cahier Évangile 55, Le Judeïsme de l'exil au temps de Jésus (1986), e um comentário pastoral do Evangelho de Mateus (1991). Última obra: Saint Paul, homme de prière, Paris, edições de l'Atelier, 2003.

Gérard BILLON


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Arqueologia, Bíblia e História

JACQUES BRIEND

OLIVIER ARTUS

DAMIEN NOËL

 

Cód. 6107

Título original:
«Archéologie, Bible, Histoire»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-285-0
1ª edição: Setembro 2010

70 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Pe. Herculano Alves

 

Houve um tempo em que Bíblia e Arqueologia fizeram um bom casamento. Um livro dos anos trinta, reeditado várias vezes, afirmava: A Bíblia diz a verdade! Respondia assim à rainha Vitória, que, em 1865, pedia à Palestine Exploration Fund para "verificar se a história bíblica era uma história real", sendo a sua finalidade apresentar uma "refutação dos não crentes".

Consumou-se hoje o divórcio? Tomando os dados da arqueologia e apelando à documentação do Antigo Oriente, os historiadores colocaram em dúvida muitos dos factos narrados: patriarcas, êxodo, grandeza dos reis de Israel... A apologética inicial afundou-se. Mas, ao mesmo tempo, a reflexão filosófica permitiu compreender melhor o que acontece quando se escreve a história.

Entramos num novo período da crítica bíblica: que vínculos mantêm estas disciplinas autónomas que são a arqueologia, a exegese e a história? Pedimos a três especialistas de Bíblia que nos dêem os seus pontos de vista. Cada contributo está ilustrado com exemplos tirados, na sua grande parte, dos livros históricos (Josué, Juízes, Samuel e Reis), mencionando factos situados nos mal conhecidos períodos da "Conquista" e da "Monarquia", entre 1000 e 587 a. C. Ao longo destas páginas, as figuras de Josué, Sansão, David, Salomão ou Josias, a elaboração do corpus legislativo, a conquista da cidade de Hebron ou o cerco de Jerusalém por Senaquerib adquirem um novo relevo.

 • JACQUES BRIEND é professor honorário do Instituto Católico de Paris. Foi membro da Pontifícia Comissão Bíblica (1990-2001). Arqueólogo, trabalhou em várias escavações em Jerusalém, Tell ell Farah e Tell Keisan. Coordenou e apresentou La Terre Sainte - Cinquante ans d'archéologie (Compact, Paris, Bayard, 2003) e colaborou na nova edição do Pentateuco da Tradução Ecuménica da Bíblia (TOB, 2003). Nos Cadernos Bíblicos, redigiu o livro de Jeremias (nº 54, Difusora Bíblica, Lisboa, 1996).

  • OLIVIER ARTUS ensina exegese do Antigo Testamento na Faculdade de Teologia do Instituto Católico de Paris. É membro da Pontifícia Comissão Bíblica, especialista no Pentateuco, colaborou na nova edição da TOB (2003). Publicou Les Lois du Pentateuque (LD 200, Paris, Cerf, 2005). Nos Cadernos Bíblicos, redigiu, entre outros, O Pentateuco (nº 81, Difusora Bíblica, Lisboa/Fátima, 2003).

  • DAMIEN NOËL ensina História de Israel na Faculdade de Teologia do Instituto Católico de Paris; com Olivier Artus, apresentou Les Livres de la Loi (Commentaires, Bayard-Centurion, Paris, 1998). Nos Cadernos Bíblicos, redigiu uma trilogia: As origens de Israel (nº 88, Difusora Bíblica, Lisboa/Fátima, 2005); Au temps des Rois d' Israel et de Juda (nº 109, 1999); Au temps des Empires (nº 121, 2002).

Gérard BILLON


OS ESCRITOS JOANINOS

Uma comunidade testemunha a sua fé

YVES - MARIE BLANCHARD

 

Cód. 6108

Título original:
«Les écrits johanniques

Une communauté témoigne de sa foi»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

1ª edição: Dezembro, 2010, 72 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Pe. Herculano Alves / Lopes Morgado

Revisão: Pe. Herculano Alves

ISBN 978-972-652-292-8

Depósito Legal 323186/11
 

Durante bastante tempo, um único nome - João - cobriu com a sua autoridade escritos muito diversos: o quarto Evangelho, as três Cartas, o Apocalipse. Este João era, aliás, identificado, sem demasiada contestação, com o apóstolo filho de Zebedeu.

A análise histórica, bem atenta à letra, destacou primeiro, por motivos de crítica interna, o Apocalipse do resto do corpus. Depois, distinguiu entre a primeira Carta e as outras duas. Finalmente, negou o laço tradicional entre o filho de Zebedeu e o "Discípulo que Jesus amava", que reivindica a autoria do Evangelho (Jo 21 ,24). Ao fazer isto, a análise histórica tornou-nos sensíveis à diversidade das escrituras, ao lento processo redaccional que desembocou nos textos actuais, ao contexto da sua elaboração e à vida das comunidades que as realizaram.

Neste Caderno, sem nada recusar destes resultados, Yves-Marie Blanchard quis regressar à unidade do corpus. Detém-se, em particular, sobre as comunidades cristãs da Ásia Menor, que, de um modo ou de outro, se referiram ao "Discípulo que Jesus amava".

Melhor, cruzando o método histórico e a análise narrativa, ele sublinha, em cada escrito, numerosos exemplos que apoiam a chamada "voz" do narrador. Aqui, a personalidade histórica dos autores conta pouco. Mas, na escuta da "voz narrativa", aparece um jogo subtil - muito actual e eficaz - de presença e autoridade entre o "eu" que descreve ou argumenta, o "nós" da comunidade cristã e o "ele" da palavra inicial, a de Jesus Cristo. No fim de contas, a questão do discípulo já não é colocada a propósito dos que outrora viram a salvação de Deus, mas a propósito daqueles e daquelas que a lêem hoje - nos escritos joaninos e na vida.

A argumentação de Yves-Marie Blanchard é cerrada. Além disso, de modo muito pedagógico, no fim de cada uma das etapas, propõe uma pequena grelha de leitura "para trabalhar os textos pessoalmente". Uma primeira versão deste estudo surgiu na revista Esprit et Vie, n.º 153 a 157 (2006).

YVES-MARIE BLANCHARD, sacerdote da diocese de Poitiers, em França, é professor de exegese do Novo Testamento e de teologia patrística no Instituto Católico de Paris, onde é também director do Instituto Superior de Estudos Ecuméni- coso Colaborou em vários Cadernos Bíblicos. Sobre o corpus joanino, publicou: Des signes pour croire? Une /ecture de /'Évangi/e de Jean, Paris, Éd. du Cerf, 1995; Saint Jean, Paris, Éd. de I' Atelier, 1999; L'Apoca/ypse, Paris, Éd. de I' Atelier, 2004.

Gérard BILLON


A crise

do tempo dos MACABEUS

CHRISTIANE SAULNIER

 

Cód. 6109

Título original:
«La Crise Maccabéenne»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-294-2
1ª edição: Maio 2011

66 páginas

© Éditions du Cerf, Service Biblique Évangile et Vie
Tradução: P. Herculano Alves
 

A revolta, chamada dos MACABEUS, tal como nos é narrada nos textos, é apenas a manifestação mais conhecida e mais destacada da profunda crise que afecta o judaísmo palestino do século II a.C. Para compreender bem o seu alcance, os seus limites e as suas consequências, convém situar as obras que a relatam no contexto literário contemporâneo bíblico e para-bíblico a fim de ilustrar a fermentação que caracteriza este período.

 

Pouco depois do regresso dos exilados da Babilónia, foi como se caísse um denso nevoeiro sobre a Judeia, sobre o templo de Jerusalém reconstruído e sobre o seu poderoso clero. Os cinco séculos que vêm a seguir desaparecem aos olhos de muitos leitores da Bíblia. E, quando, nos Evangelhos, essa névoa parece dissipar-se sobre Cafarnaúm, sobre a Galileia e sobre Jerusalém, ver-se-á surgir um povo judeu profundamente desorientado e dividido. O que aconteceu?

Durante vários séculos, a civilização grega foi, pouco a pouco, absorvendo todo o Próximo Oriente e mesmo o Judaísmo. Mas, no seio desse conflito secular, entre o paganismo grego e a fé judaica, há três anos de crise: a revolta de Judas Macabeu contra a perseguição, desde 167 até 164 a. C. Como se trata de um período chave na história do Judaísmo, necessitamos de conhecer esta crise para compreender o mundo judeu, no qual viveram Jesus e os primeiros cristãos.

Mas não é fácil orientar-se entre os acontecimentos tão complexos deste período: os textos são, frequentemente, "partidários", e a Bíblia, neste contexto de perseguição e de fé heróica, prefere a epopeia edificante à crónica fiel.

Por isso, pedimos a uma historiadora, especializada na antiguidade greco-romana, Christiane Saulnier, que nos sirva de guia através deste séc. II a. C.; pudemos já apreciar os seus dotes pedagógicos no Caderno Bíblico nº 41, com o título: A Palestina no tempo de Jesus [Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima, 1993].

Depois de apresentar os textos (os da Bíblia e os apócrifos) e os acontecimentos, Christiane Saulnier assinala os grandes temas teológicos provocados ou desenvolvidos pela crise dos Macabeus: a fidelidade dos mártires, a esperança na ressurreição, a vinda do Reino de Deus, entre outros. Vemos até que ponto estas novas experiências da fé de Israel, riquezas posteriores do Antigo Testamento, nos são preciosas para captar melhor, quer as raízes judaicas quer a novidade de Jesus.

Philippe GRUSON

 

 


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O Livro dos Juízes

PHILIPPE ABADIE

 

Cód. 6110

Título original:

«Le libre des Juges»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

1ª edição: Agosto, 2011, 60 páginas

Impressão: Tipografia de Fátima, Lda.

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Rogério e Virgolina Carpentier

ISBN 978-972-652-303-1

Depósito Legal 336801/11

 

 

Estranho livro esse livro dos Juízes, com os seus heróis ambíguos como Gedeão, Jefté ou Sansão. Estas páginas, truculentas e brutais, às vezes sangrentas, não nos despertam grande interesse.

Contudo, este pequeno livro é um elo entre a grande epopeia do Êxodo, prolongada até Josué, e o aparecimento da realeza com Saul e David. Estes tempos obscuros - provavelmente dois séculos - são testemunhas da emergência das tribos de Israel no meio de outras populações de Canaã. Vêm de outra região ou, pelo contrário, são indígenas? Actualmente, tanto historiadores como arqueólogos discutem este assunto ... Os Juízes, oriundos de várias tribos, estiveram na origem de narrativas populares, frequentemente lendárias. Estas foram coligidas, desenvolvidas e transmitidas até nós, que as conhecemos tão mal. É necessário aprender a ler estes textos da mesma maneira que as vidas dos santos na Lenda Dourada do século XIII, que se preocupava pouco com a crítica histórica; pretendia edificar os seus leitores, por meio de narrativas de milagres, e exortá-los a combater o mal para viver a sua fé.

Philippe Abadie, que lecciona Antigo Testamento e História de Israel no Instituto Católico de Lião, leva-nos à descoberta destas personagens épicas, semelhantes aos grandiosos antepassados: de Gedeão a Moisés e Elias: de Sansão a David, etc. Para além das peripécias desta história, é de facto o sopro de Deus - o seu ruah, o seu Espírito - que anima os Juízes e conduz o jovem povo de Israel à unidade de um reino. Para o leitor curioso e paciente, o mesmo Espírito poderá, ainda hoje, conceder-nos muitas luzes para conduzir a nossa vida e a do povo de Deus.

Segue-se um Suplemento sobre um tema bíblico delicado: os anjos. Alguns evitam-nos e ocultam-nos; outros só têm olhos para eles ... Os diversos dados bíblicos apresentados aqui podem ajudar a reencontrar a sua importância literária e o seu verdadeiro significado.

Philippe GRUSON


 

O Evangelho de Jesus Cristo

segundo S. MARCOS

PHILIPPE LÉONARD

 

Cód. 6111

Título original:
«Évangile de Jésus Christ selon saint Marc»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

1ª edição: Agosto, 2011

92 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Pe. Herculano Alves

ISBN 978-972-652-297-3

Depósito Legal 329762/11
 

Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Marcos. Assim começa, ao longo do ano litúrgico B, a proclamação do Evangelho na celebração eucarística dominical.

Com a reforma do Leccionário, que se seguiu ao concílio Vaticano II, o segundo Evangelho saiu, finalmente, dessa espécie de semi-penumbra em que se encontrava. A leitura "semi-contínua" - com os seus limites - permitiu ao povo cristão apropriar-se melhor de um relato em que pregadores e artistas se tinham detido pouco ao longo dos séculos - diferentemente de Mateus, Lucas ou João.

Hoje, não faltam obras sobre o segundo Evangelho (ver a bibliografia das p. 92-93). Este trabalho tem uma ambição modesta e não pretende substituir o texto de Jean Delorme - Cadernos Bíblicos nºs 7-8, Para ler o Evangelho segundo S. Marcos (Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima, 1981). Seguindo a linha aberta no ano passado com o Caderno Bíblico nº 106, dedicado a S. Mateus, este tem como primeira finalidade oferecer aos pastores e pregadores, assim como às equipas de liturgia, uma rápida iluminação sobre as passagens que se lêem aos domingos e festas do ano B. Com a esperança de ser útil a todos os leitores e leitoras em busca de um comentário simples, sem ser simplista.

Em Novembro de 2005 celebrou-se o 40.° aniversário da Dei Verbum. Quarenta anos é o tempo da prova no deserto. Certamente, este longo texto foi lido, mas a sua recepção na Igreja tarda em dar todos os seus frutos. Ler a Bíblia hoje com inteligência e amor continua a ser um desafio.

Gérard BILLON

Ler Marcos no seu contexto litúrgico

Visto que todo o seu conteúdo narrativo – ou quase todo – se encontra nos outros Evangelhos, o relato de Marcos foi pouco utilizado noutros tempos na liturgia. Suscitou menos interesse que os de Mateus, Lucas ou João, por parte dos Padres da Igreja, dos doutores da Idade Média, dos pregadores da época clássica ou dos artistas. Hoje a situação mudou radicalmente." [1]

Por um lado, o Leccionário, surgido da reforma litúrgica querida pelo Concílio Vaticano " e posto em vigor em 1969, escolheu para os domingos comuns do ano S uma leitura "semi-contínua" do segundo Evangelho.

Por outro, desde o início do século XX que os estudos, tanto históricos como semióticos ou narrativos, o examinaram com atenção. Por último, devido à sua brevidade, ritmo e agilidade, alguns actores não hesitaram em lê-lo em público - durante cerca de duas horas - oferecendo um autêntico gozo aos seus ouvintes, crentes ou não.

Este Caderno não tem a pretensão de propor um comentário exaustivo. Concentra-se nas passagens oferecidas pela liturgia no Leccionário católico romano (ver p. 91-92). Para um aprofundamento, são necessárias obras mais completas. O presente Caderno deve muito a três delas: as de Simon Légasse (1997), Élian Cuvillier (2002) e Camille Focant (2004).

 

Leitura "semi-contínua"

A liturgia seleccionou para os domingos, solenidades e festas do ano S, apenas 37 passagens. No ano A propunha 50 textos do Evangelho de Mateus. Quase ausente no Advento, Natal, Quaresma e Páscoa, Marcos foi privilegiado para o Tempo Comum.

Porém, o Leccionário omitiu episódios importantes como, por exemplo, a instituição dos Doze (Mc 3,13-19), a parábola do semeador e a sua explicação (4,1-20) ou as multiplicações dos pães (6,30-44 e 8,1-9); no seu lugar, lê-se o longo relato de Jo 6.

Dos capítulos 11 a 13, apenas se oferecem alguns breves episódios: a entrada em Jerusalém, a controvérsia sobre o primeiro mandamento, a advertência contra os doutores da Lei, o louvor de uma viúva e o final do discurso apocalíptico. Este último fragmento, dividido em dois, constitui, além disso, uma curiosa inclusão:

• 13,33-37: é proclamado no início do ano (1.0 Domingo do Advento B);

• 13,24-32, que o precede imediatamente, lê-se quase um ano depois, no penúltimo domingo

do ciclo litúrgico (33.0 Domingo B).

O nosso trabalho deveria permitir situar cada uma das perícopas oferecidas na dinâmica de conjunto do relato.

A liturgia não procura fazer compreender um Evangelho por si mesmo. Ilumina-o mediante o encontro com outras passagens bíblicas, em particular as da primeira leitura e o salmo responsorial. Um apartado intitulado Leccionário tentará, discretamente, descobrir estas relações.

 

Uma estrutura entre outras

Propor uma estrutura é sempre uma operação delicada. Seguindo os critérios oferecidos, aparecem diversas organizações do livro. Há mais de trinta anos, Jean Delorme destacava três: segundo o espaço, segundo o desenrolar do drama e segundo as relações entre os personagens; ele fixava-se na terceira.

Mais recentemente, Caroline Runacher optava pela segunda, e Élian Cuvillier explorava a primeira. Sem nos envolvermos na discussão, procurámos menos justificar uma estrutura que apresentar o nosso comentário de forma prática, tomando de Camille Focant a sua divisão em seis partes precedidas por um prólogo." [2]

 

Um relato desconcertante

O Evangelho de Marcos é desconcertante... à imagem da atitude de Jesus. Assim, porque é que Jesus impõe o silêncio àqueles que acaba de curar? Porque proíbe Pedro, que acaba de reconhecê-lo como Cristo, de falar dele?

Ainda que escolhidos por Jesus e tendo deixado tudo para o seguirem, os discípulos não são apresentados muito positivamente: à medida que o relato avança, maior é a sua falta de compreensão, maiores os seus medos, destacando-se a sua falta de fé e as suas debilidades. No momento da prisão de Jesus, todos o abandonam e fogem. Pedro renega-o no pátio do Sumo-sacerdote.

Se a pregação de Jesus tem como tema principal a proximidade do Reino de Deus, se o seu ensinamento manifesta a sua autoridade, deve fazer frente não só à incompreensão dos discípulos, mas também à hostilidade da rejeição das autoridades judaicas.

O itinerário de Jesus, que predisse a vinda do Filho do Homem em glória, no fim dos tempos, passa, paradoxalmente, pelo sofrimento e morte. Na cruz, abandonado pelos seus, ridicularizado por todos, Jesus sente-se abandonado, mesmo por Deus (Mc 15,34). Contudo, não é ele o Filho muito amado (1,11, referido novamente em 9,7)? [3]

Confessado como "Cristo" por Pedro, no final de uma primeira pregação na Galileia e na Decápole (8,29), é um pagão ao pé da cruz que o reconhece verdadeiramente como Filho de Deus (15,39).

A última página, que conta o anúncio pascal, não é menos desconcertante, pela sua forma abrupta de fechar o relato: as mulheres fugiram do sepulcro e não disseram nada, porque tinham medo (16,8).

Do ponto de vista da forma, o relato apresenta-se como uma sucessão rápida e entrecortada de pequenas unidades, o que tem como efeito, não só desconcertar o leitor como mantê-lo atento.

Um Evangelho assim não pode deixar o seu leitor indiferente. Provoca nele interrogações acerca da sua confissão de fé. Ao mesmo tempo, junta-se a ele nos seus temores e nas suas incompreensões diante do mistério da identidade de Jesus. Convidado a tornar-se discípulo, o leitor é confrontado com o retrato de discípulo esboçado por Marcos.

 

[1] Leituras dos Evangelhos aos domingos, antes do Concílio: Mateus, 23; Marcos, 4; Lucas, 22; João, 13 (nota do tradutor).

[2] Jean DELORME, Para lera Evangelho segundo S. Marcos, Cadernos Bíblicos 7/8, Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima, 1981, p. 33; Caroline RUNACHER, Saint Marc. La Bible tout simplement, Paris, Éd. de l'Atelier, 2001, p. 36-44; Élian CUVILLIER, L'Évangile de Marc. Bible en Face, Paris-Genebra, Bayard-Labor et Fides 2002, p. 10-12; Camille FOCANT, L'Évangile selon Marc. Commentaire Biblique: NT, 2. Paris, Cert, 2004, p. 39-41. Um bom resumo em Bernadette ESCAFFRE, Lire l'Évangile de Marc, em Guide de lecture du Nouveau Testament, Paris, Bayard, 2004, p. 219-222.

[3] As citações bíblicas deste Caderno são tiradas da Bíblia da Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima, 5ª edição, 2008.

 


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O JUDAÍSMO

do Exílio ao tempo de Jesus

CLAUDE TASSIN

 

Cód. 6112

Título original:
«Le Judaïsme de l'Exil au temps de Jésus»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

ISBN 978-972-652-302-4
1ª edição: Novembro 2011, 66 páginas

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Herculano Alves

 

Este Caderno tenta ser um manual para os cinco séculos que separam o regresso do Exílio do tempo de Jesus. Um período longo, muito longo e difícil de contar, pois nele são pouco numerosos os relatos bíblicos. Os livros de Esdras e Neemias e os dos Macabeus parecem-se com as ilhas que emergem de um oceano desconhecido: são tão breves os períodos de que nos informam! Porém, não faltam as belas histórias: Judite, Ester, Tobite ou Jonas ... Mas, que crédito se deve dar a essas novelas edificantes? Quanto aos livros dos Sábios: Job, Qohélet, Ben Sira, Sabedoria, parecem de tal modo intemporais que se diria caídos do céu! É necessário um trabalho paciente de confronto e de interpretação destes livros heterogéneos - bíblicos ou apócrifos - para fazer reviver esse mundo judaico disperso, mas curiosamente coerente, em contínua evolução.

Durante esses séculos obscuros, o antigo Israel do tempo dos reis transformou-se profundamente. Depois dos profetas, vieram os sábios e os escribas, reunindo os judeus à volta da Torá e das sinagogas. Foi também o tempo da Diáspora, da vida judaica no meio dos pagãos, com os graves problemas de toda a minoria que deve, ao mesmo tempo, integrar-se e manter a sua identidade. As soluções políticas e culturais foram muito variadas. Foi também o tempo das perseguições e da formidável esperança do reino de Deus, nos Apocalipses. Para compreender este judaísmo que servirá de marco ao Novo Testamento, é necessário um estudo paciente, atento, mas sobretudo curiosidade e simpatia.

Claude Tassin possui estas qualidades em abundância. Missionário do Espírito Santo, tem de enfrentar os problemas do encontro com outras religiões, pois ensina no Instituto de Ciência e Teologia das Religiões, no Instituto Católico de Paris. Desejando guiar os seus leitores numa visão de conjunto destes cinco séculos, remete-os, por vezes, para outros Cadernos que trataram este período.

Philippe GRUSON

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PAULO

Pastor e Evangelizador

Pierre debergé

 

Cód. 6113

Título original:

«Paul, le pasteur»

Ed. Difusora Bíblica, Lisboa-Fátima

1ª edição: Maio, 2012, 70 páginas

Impressão: Tipografia de Fátima, Lda.

Colab. Ed. Du Cerf/Paris e "Service Biblique Évangile et Vie"
Tradução: Rogério e Virgolina Carpentier

ISBN 978-972-652-308-6

Depósito Legal 344318/12

 

 

Não faltam obras dedicadas a Paulo. A par de um grande número de estudos científicos destinados aos especialistas, existem numerosas introduções de qualidade. Seria desejável acrescentar mais um título a este conjunto de obras?

Há muitos anos, o Pe. Édouard Cothenet dava-nos uma perspetiva atualizada que se tornou clássica: São Paulo no seu tempo (Caderno Bíblico n.º 13, 1983). Propositadamente biográfico, acompanhava o Apóstolo nas suas viagens e debruçava-se sobre o contexto político, económico, cultural e religioso. Desde então, a maior parte das Cartas deu origem a apresentações separadas. A partir daí, as convicções teológicas de Paulo tornaram-se mais conhecidas. Apesar disso, era necessário um estudo que evidenciasse, de modo ainda mais nítido, que esta teologia nasceu de um constante retomar de respostas a questões muito práticas. Questões colocadas por homens e mulheres de um outro tempo - para nós, um tempo fundador - que descobriam o Evangelho, experimentavam-no e, por ele, eram postos à prova. Respostas de um homem preocupado em formar cristãos firmes. Respostas de um homem maduro impelido pelo que poderíamos apelidar de "uma sincera, profunda e apaixonada caridade pastoral".

O Pe. Pierre Debergé, decano da Faculdade de Teologia de Toulouse, esboça diante de nós o retrato de Paulo, pastor itinerante, ligado pela fé e pelo coração a comunidades turbulentas. Estudioso do Apóstolo, retoma e prossegue, desse modo, uma reflexão iniciada há já alguns anos na revista Christ Source de Vie (1).

Com este retrato pastoral de Paulo, o Pe. Pierre Debergé inicia o seu cargo de novo diretor de Cahiers Évangile. Sucede ao Pe. Philippe Gruson que, desde 1984, conduziu o destino de aproximadamente 80 números.

Pe. Gérard BILLON

(1) Esse estudo deu origem a um pequeno livro: Pierre Debergé, Saint Paul, Éd. Source et Vie, Toulouse 1999. É possível tomar esta obra como referência para assuntos não tratados aqui, tais como: Paulo e a Lei, Paulo e a morte, Paulo e Israel, Paulo e a experiência cristã, Paulo e o discernimento, etc. O Pe. Louís Sintas, diretor da revista e da colecção, autorizou o Pe. Debergé a reescrever a sua obra.


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