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.

 

BREVE PANORÂMICA HISTÓRICA

da revista “Bíblica”

e da “Difusora Bíblica”

 

 

 

 

 

 

1. Opção preferencial: uma resposta oportuna

2. Origens: felizes coincidências

3. Fundação: uma editora e uma revista

4. Primeiros passos: uma década vertiginosa

5. A estrutura e a vida: três áreas complementares

6. Futuro? «Irmãos, comecemos»

 

Revista BÍBLICA - capa do número 1 (1955)

a abrir

Breve História do Movimento Bíblico, relativamente à fundação da Revista Bíblica e da Difusora Bíblica. Para melhor situar o facto de 1955, apresentamos, em síntese, os antecedentes e os dez primeiros anos da sua actividade, bem como um panorama geral da sua organização, cinquenta anos depois.

«Todos os que fazemos a História, os que a hão-de guardar nos arquivos, os que um dia a hão-de publicar, procuremos ser justos e verdadeiros.»

 frei cornélio de san felices[1]

Fr. Inácio de Vegas

Fundador da Difusora Bíblica e da revista Bíblica

 
 

ESCREVE: Lopes Morgado

 

 

N

a Segunda Regra da Ordem dos Frades Menores, de 1223, São Francisco de Assis deixou claro: «A Regra e Vida dos Irmãos Menores é esta: observar o Santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo...».[2] Trata-se de viver o Evangelho e, claro, de o anunciar sobretudo com o testemunho da vida. Mas daqui não se infere forçosamente que os Frades Menores editem os Livros sagrados ou definam como sua prioridade apostólica iniciar o povo na leitura da Bíblia e na celebração e partilha da Palavra em grupo.

Pois é isso mesmo que, pelo menos desde 1975, se faz na Província Portuguesa dos Frades Menores Capuchinhos. E os vários Ministros Gerais e Provinciais, que nos visitaram ou tomaram conhecimento deste apostolado, têm dito que tal opção apostólica é única em toda a nossa Ordem. Dela podemos ainda dizer aquilo que o então Ministro Provincial, frei António Monteiro[3], dizia no Relatório ao VII Capítulo Provincial, em 1984:

«É a actividade apostólica que caracteriza e propriamente identifica a nossa Província, não apenas a nível das Províncias da Ordem, como já se tem referido a partir de vários quadrantes, mas também a nível da Igreja em Portugal. Por este Movimento é que maiormente somos conhecidos em Portugal e, por meio dele, temos penetrado nos mais diversos sectores da Igreja neste país. A este Movimento temos dado muito do nosso esforço, das nossas possibilidades, do que temos e somos.»

 

 

1. OPÇÃO PREFERENCIAL

uma resposta oportuna

 

.F.

oi no III Capítulo Provincial, celebrado em Fátima de 22 a 28 de Maio de 1975, que se votou e aprovou esta Proposição relativa à Pastoral:

«Sentindo urgente necessidade de fazer uma hierarquização preferencial dos nossos campos de actividade pastoral, encontramos motivações de vária ordem (sociológicas, teológicas, franciscanas, etc.) que justificam a nossa opção pelo apostolado bíblico. Para isso, comprometemo-nos:

 

a) a constituir uma Equipa Bíblica a nível da Província que, por sua vez, estruturará e dinamizará o apostolado bíblico;

   b) a dar à revista Bíblica uma orientação mais didáctica, como órgão de apoio e como elemento dinamizador do Movimento Bíblico

   Na apresentação do texto capitular, tal opção vinha assim motivada: «parece-nos que devíamos prestar uma atenção especial aos pequenos grupos de adultos e de jovens a partir duma reflexão da Bíblia que os ajude a interpretar os sinais dos tempos; pois, sem o apoio das anteriores estruturas sociais e numa sociedade cada vez mais secular, os cristãos e religiosos serão cada vez mais chamados a opções que suponham grandes motivações da sua fé.»

   O contexto disto era o clima criado em Portugal pela chamada “revolução dos cravos” em 25 de Abril de 1974, que trazia baralhados muitos católicos. A situação anterior era sociológica e oficialmente favorável à prática cristã. Apoiada na Concordata, a Igreja Católica gozava de certos privilégios e tinha o exclusivo na utilização dos meios de comunicação social do Estado e no apoio das forças de segurança para difundir a sua doutrina e o seu culto. Talvez isso a tivesse, em parte, adormecido, iludida com as estatísticas em que 90% dos cidadãos se costumavam assumir como católicos.[4]

Por isso, na grande maioria dos casos, a catequese de adultos tinha-se limitado à chamada pregação popular ou tradicional, mais moralizadora do que preocupada em alicerçar a prática e o testemunho de vida na rocha da Palavra de Deus para sobreviver noutros tempos ou lugares menos favoráveis. Ora, como os novos tempos eram de liberdade de culto e de expressão para todas as religiões, dialogar com elas e manter-se fiel à própria fé exigia maior conhecimento da Bíblia e convicções pessoais mais seguras.

O que estava a acontecer, então? Por um lado, os veios jacobinos e maçónicos tinham continuado a fluir, por baixo das aparências, desde 1910; por outro, havia certo complexo recalcado de algumas religiões ou igrejas minoritárias sempre subalternizadas pelo anterior regime próximo da hierarquia da Igreja católica; finalmente, alguns partidos de esquerda sentiam que era a sua vez de impor o rumo do futuro, apoiados no crédito de militantes seus perseguidos, presos, exilados e mortos por motivos ideológicos no tempo da ditadura. Um dia, esta polimorfa magma efervescente, porventura menosprezada, entrou em erupção incontrolável. E a tal maioria estatisticamente católica pareceu não estar preparada para esse embate, a julgar pelas convulsões surgidas em pessoas, famílias e movimentos.

Exposta assim a fragilidade dos alicerces, era preciso acudir com urgência para evitar catástrofes iminentes. Foi o que tentámos fazer nesse Capítulo Provincial. Mas a opção então feita pelo apostolado bíblico não surgiu de repente por mera leitura profética da situação socioreligiosa do país: o próprio texto da Proposição referia o Movimento Bíblico e a revista Bíblica, já existentes desde 1955 juntamente com a Difusora Bíblica. Tratava-se, agora, de reajustar os métodos, a dinâmica e os conteúdos que vinham sendo desenvolvidos, envolvendo nisso, tanto quanto possível, todos os Irmãos. Daí a proposta de constituir a tal Equipa Bíblica, com o objectivo de dinamizar, antes de mais, a própria Província no seu todo. Encabeçaram-na, a tempo inteiro, o frei Lopes Morgado e o frei Manuel Arantes da Silva; e o frei Joaquim Monteiro e frei Acílio Mendes, a meio tempo. Nesta fase de verdadeira refundação do Movimento Bíblico, foi decisivo o novo Ministro Provincial, frei Vítor Arantes da Silva, no momento de concretizar a opção dos Irmãos capitulares e no apoio indefectível à Equipa.

2. ORIGENS

felizes coincidências

 

 

R

ecuemos, então, às origens. Se dissermos que tudo começou por causa da guerra civil espanhola de 1936, não podemos dizer que esta fosse providencial; mas poderemos chamar-lhe uma feliz coincidência, pelo menos para os destinatários do Movimento Bíblico em Portugal. Mais ainda, sabendo que tal Movimento nasceu em Beja, no Baixo Alentejo, uma das regiões então mais descristianizadas de Portugal.

Na sua origem esteve o sacerdote Capuchinho frei Inácio de Vegas[5], da Província espanhola de Castela, que veio para Portugal em 13 de Junho de 1936 e aqui viveu até 1966. Ao entrar em Portugal, o frei Inácio já era um enamorado pela causa da Bíblia. Ao aperceber-se do enorme desconhecimento do nosso povo nessa matéria, não demorou em remediá-la. E começou por editar livros e opúsculos de iniciação aos Evangelhos em linguagem simples, com larguíssimas tiragens que permitiam vendê-los a um preço módico. Por outro lado, com o pretexto real da sua deficiência na Língua Portuguesa, acudia aos aluno do Seminário Menor para a correcção de provas tipográficas, aproveitando para lhes incutir esse mesmo amor e entusiasmo pela Palavra de Deus, conforme recorda ainda um seu aluno e nosso ex-Ministro Provincial, frei Carlos Carvalho. Também era sua estratégia utilizar, como professor de Latim, o Novo Testamento para exercícios de tradução, em vez das clássicas Selectas Latinas.[6]

As suas primeiras publicações bíblicas datam de 1951. Foram: Concordância dos Evangelhos. Jesus meu Caminho, Verdade e Vida, Famalicão, 196 págs., com nihil obstat de frei José de Castro del Rio, II Comissário Geral dos Capuchinhos em Portugal (1948-1951); e História de Jesus segundo a concordância dos Evangelhos. Pensamentos do Santo Evangelho para todos os dias do ano, Beja, 196 págs., que em Dezembro já ia na 3ª edição. Em 19 de Dezembro desse mesmo ano, o novo Comissário Geral, Frei Mateus do Souto, ordena-lha que suspenda essa actividade, dizendo: «A imprensa é boa e necessária, mas, é para nós fim secundário.» No entanto, nunca nada nem ninguém o fez parar no seu intento verdadeiramente carismático e precursor, que se antecipou uma década ao Vaticano II e à Dei Verbum.

 Outra feliz coincidência foi a eleição de frei Cornélio de San Felices, da Província de Castela, para Comissário Geral dos Capuchinhos de Portugal, em 14 de Janeiro de 1955. Da mesma Província do frei Inácio, e entusiasta, como ele, da Sagrada Escritura, avalizou de forma clara e oficial a criação da Difusora Bíblica e da revista BÍBLICA em 25 de Fevereiro de 1955. A rapidez desta decisão, um dos primeiros actos do seu governo, só foi possível pela frequente correspondência que vinha mantendo com o frei Inácio acerca do Movimento Bíblico a fundar em Espanha, havendo já entre os dois uma grande sintonia de objectivos.[7]

Mas as felizes coincidências vão mais longe: se o frei Cornélio não tivesse sido eleito para responsável da Ordem em Portugal, talvez a Difusora Bíblica e a revista Bíblica nunca tivessem sido fundadas no nosso país, sendo-o em Espanha logo que o frei Inácio para lá regressasse, como era seu desejo manifesto várias vezes ao Ministro Geral e bem expresso ao frei Cornélio durante todo o ano anterior, em cartas escritas de Vila Nova de Poiares, onde então se encontrava.[8] Aliás, por sua vontade teria fundado a Difusora Bíblica em Espanha, antes de terminar o mandato do frei Cornélio, em 1954; e de facto, este, tudo tentou nesse sentido. Por isso, o frei Inácio dirá depois ao frei Iglesias, que o frei Cornélio estaria de acordo[9], e ele próprio já lhe tinha enviado um “fundo bíblico” para isso, recolhido junto das “madrinhas” portuguesas... Mas, em carta de 7 de Maio de 1954, o frei Cornélio, uma vez que os Padres contactados para fazerem a fundação não tinham aceite, diz ao frei Inácio: «eu, nestas alturas, já não posso assumir compromissos que atem os novos Superiores.» E pede para lhe dizer definitivamente qual o destino a dar ao tal “fundo bíblico”.

 

 3. FUNDAÇÃO

 uma editora e uma revista

 

P

ara melhor se apurar o espírito e os objectivos da Difusora Bíblica e da revista Bíblica, fundadas em Beja a 25 de Fevereiro de 1955, transcrevo na íntegra o documento da sua constituição oficial:

«DAMOS A NOSSA APROVAÇÃO OFICIAL à obra "DIFUSORA BÍBLICA" e AUTORIZAMOS a publicação da revista "BÍBLICA", com a seguinte finalidade:

 

1º) Difundir e dar a conhecer a Palavra de Deus, a Bíblia, por meio de edições muito económicas;

2º) Formar católicos instruídos, dando assim a conhecer Cristo histórico e completo, nosso Redentor, Mestre e modelo;

3º) Tornar uma realidade os apelos dos últimos Romanos Pontífices, segundo as encíclicas “Providentissimus Deus”, “Spiritus Paraclitus” e “Divino afflante Spiritu”, de formar novas cristandades familiarizando os fiéis com os Livros Santos;

4º) Suplantar a propaganda protestante, etc. etc..

   E para que assim conste e aos efeitos necessários e por considerar estas obras muitíssimo importantes, assinamos e carimbamos o presente documento.»

    As duas obras tiveram a primeira sede no Convento anexo à igreja paroquial do Salvador, em Beja, então confiada aos Capuchinhos. No ano seguinte foram transferidas para Lisboa, onde permaneceram até 1996, exceptuando o período entre Setembro de 1965 e Agosto de 1967, em que estiveram em Fátima; e em Fátima se encontram hoje, desde 1996.

    O nome da Difusora Bíblica surge impresso pela primeira vez no cabeçalho de uma carta em 16 de Março de 1955; em Junho sai o primeiro número da revista BÍBLICA, dirigida pelo frei Gabriel de Castro Daire[10] e tendo o próprio frei Inácio como Administrador. Leva o antetítulo de revista de cultura e difusão, tem 32 páginas ilustradas a preto e branco, o formato de 13,5x19 cm, uma tiragem de 3000 exemplares e a assinatura anual custa 10$00.

 

4. PRIMEIROS PASSOS

uma década vertiginosa

 

A

partir daqui, tudo vai entrar num ritmo vertiginoso próprio da personalidade e eficiência do frei Inácio, simultaneamente um homem de longa oração e acção intensa, um andarilho incansável e um apóstolo sem sono.

Funda os Amigos da Palavra de Deus, que têm como ideário ler, estudar e meditar diariamente a Sagrada Escritura, contribuir para a sua edição a preços módicos e difundi-la entre o povo.

Num mês, só em duas dioceses, arranja 2000 assinantes da revista, que no início de 1956 sobem para 7500.

De 8 a 13 de Abril deste ano organiza na Casa dos Retiros do Santuário, em Fátima, a I Semana Nacional de Estudos Bíblicos;[11] e em 20 de Julho, transfere-se com a Difusora e a revista para Lisboa[12].

Entretanto, dá início aos Domingos Bíblicos, falando da Bíblia ao povo em todas as missas e organizando uma banca de vendas à saída; e em 28-29 de Dezembro organiza no nosso convento de Lisboa a I Reunião Bíblica Luso-Espanhola, onde é decidido publicar o Antigo Testamento Abreviado, que só havia de sair em 1962.[13]

Em 1961, a Difusora Bíblica adquire um Pavilhão próprio e aparece, pela primeira vez, na Feira do Livro de Lisboa. Em Agosto e Outubro, o frei Inácio vai aos Açores e à Madeira, respectivamente: em 25 dias nos Açores (ilhas da Terceira, Santa Maria e São Miguel), coloca 43.972 livros e arranja 3.025 novos assinantes da revista; em 15 dias na Madeira vende 22.769 livros e angaria 1.155 assinaturas.

De 10 a 14 de Setembro de 1962, orienta na nossa casa de Fátima uns Colóquios Bíblicos, modalidade que vinha lançando em todo o país e que seria revitalizada com os Cursos de Dinamização Bíblica em 1975. A partir de dois opúsculos entretanto redigidos por ele e profundamente revistos por mim, foi lançado em 1966 um livro com o mesmo título.

movimento editorial

    A actividade editorial também entra em bom ritmo: em fins de 1955 aparece o livro Feitos dos Apóstolos. Em fins de 1956 são editados Os Quatro Evangelhos e em 1957 o frei Inácio lança a campanha de “Um Milhão de Evangelhos”. Neste ano, o movimento editorial da Difusora Bíblica era considerado o maior do género em toda a Europa. Em 1958 saem as Cartas de São Paulo, as Cartas Católicas e Apocalipse, o Missal Bíblico, e os Evangelhos e Actos num só volume; em 1959, A Mensagem da Bíblia (Manual Bíblico), de Carlos de Villapadierna; em 1960, Salmos e Cânticos do Breviário e Novo Testamento em formato de bolso; em 1961, a Via Sacra do Tempo Presente e o Novo Testamento em formato normal; em 1962, o Antigo Testamento Abreviado, A Oração na Bíblia e o Missal Diário, todos organizados pelo frei Inácio; em 1964, Cristo Vivido, do frei Cândido de Viñayo.

Para avaliar o impacte editorial desta primeira fase, diremos que no triénio de 1957-1960 foram vendidos 510.000 exemplares dos vários livros editados pela Difusora Bíblica.

 a bíblia sagrada

    Finalmente, em Janeiro de 1965, toda a acção editorial anterior culmina com a edição da BÍBLIA SAGRADA, versão segundo os textos originais coordenada pelo biblista Carlos de Villapadierna[14], e acompanhada de perto, no trabalho redaccional e gráfico, pelo frei Fernando de Negreiros. Num só volume, com o formato de 11,5x16,5cm, tinha 2.199 págs.+8 mapas, em papel bíblia, era vendida ao preço imbatível de 75$00.

Entre 1969-1971, uma Equipa de biblistas portugueses fez uma revisão daquele texto da Bíblia Sagrada, bem como das introduções, notas, lugares paralelos e índice temático-doutrinal. A eles se ficou a dever o texto editado em Janeiro de 1972 (era a 4ª edição; a anterior estava esgotada há dois anos) e reeditado até 1998, num total de 19 edições; em 1974, o frei José Augusto Ramos faria também uma revisão de toda a nomenclatura. O formato de 1965 foi aumentado de 15.5x16. 5 para 12x19, permitindo reduzir o número de páginas de 2198 para 1644.

Em 1998 saiu a actual, feita de raiz por 23 biblistas e 9 colaboradores, coordenados por frei Herculano Alves. Do formato actual (5 edições), foram vendidos 280.000 ex.; do formato de bolso (2ª ed.), foi vendida a 1ª edição de15 mil; da de altar, 12 mil. Em 2007 sairá a de luxo, comemorativa dos nossos 50 anos e dos 40 anos da nossa primeira Bíblia.

 O MISSAL BÍBLICO

    Embora não seja especificamente dos Textos sagrados, também merece destaque a edição do Missal Bíblico Dominical e Festivo, em 1958 (em 1960 saía a 3ª edição, de 75.000 ex., e em 1961, a 7ª), e o Missal Diário, em 1962. Foi mais uma acção pioneira do frei Inácio em Portugal, proporcionando o acesso aos textos bíblicos antes ignorados pela maioria do povo; até porque, além do preço muito baixo, os Evangelhos dominicais vinham enriquecidos com várias reflexões explicativas.

Em 1967, o Missal Bíblico Dominical seria actualizado segundo as reformas do Vaticano II, o mesmo acontecendo em 1969 com o Missal Bíblico Diário.

Em 1971, era lançado o Missal da Semana Santa, coordenado por Alcindo Costa, que teve um êxito enorme e ainda hoje teria muita venda.

 

5. A ESTRUTURA E A VIDA

três áreas complementares

 

 

D

esde o princípio, o Movimento Bíblico animado pela Província Portuguesa dos Frades Menores Capuchinhos foi sendo estruturado em três áreas complementares, hoje coordenadas por um mesmo Conselho Provincial do Movimento Bíblico, embora com responsáveis diferentes em cada sector: difusão, ou área editorial (Difusora Bíblica), iniciação e dinamização, ou área pastoral (Equipa Bíblica) e formação permanente, ou área de aprofundamento (revista Bíblica e Cursos monográficos).

 5.1. edição. Além da Bíblia Sagrada num só volume e de vários conjuntos dos seus livros, a difusora bíblica apresenta no seu Catálogo uma razoável gama de obras nas seguintes Colecções: Sagrada Escritura (início em 1998, 8 títulos), Dinamização Bíblica (início em 1978, 20 títulos), Viver a Palavra de Deus (início em 1961, 13 títulos), Espírito e Vida (início em 1985, 3 títulos), Cadernos Bíblicos (início em 1990, 85 números), Jubileu 2000 (entre 1996 e 2001, 10 opúsculos), Actualidade Bíblica (início em 2001, 7 números), Edições Várias (início em 1981, 13 títulos), Coedições (6 títulos, desde 1973), outras edições fora do mercado (início em 1951, 15 títulos).

 5.2. iniciação e dinamização.  O meio mais comum para iniciar o povo na leitura e compreensão da Bíblia foi, entre 1956 e 1975, uma semana de Colóquios Bíblicos, que encerrava sempre com um Domingo Bíblico. Durante a semana, normalmente à noite, havia uma sessão de uma a duas horas durante a qual se apresentava a Bíblia no seu conjunto e os vários livros em particular; sem grandes exegeses, mas com a preocupação de apresentar a Bíblia como o livro do Povo de Deus, livro de fé e de oração, de modo a motivar as pessoas para a sua leitura e meditação posterior e para assumir uma fé e vida apostólica na Pessoa de Jesus Cristo – nosso Caminho, Verdade e Vida.

No Domingo Bíblico fazia-se uma exposição de livros no átrio da igreja em todas as Missas e falava-se da importância da Bíblia. Muitas vezes, de tarde, havia uma festa e uma passagem pelas casas para apresentar a Bíblia às famílias. Era uma acção muito importante, porque a maioria das pessoas, pouco frequentadora de Livrarias, nunca tinha visto a Bíblia na frente ou tinha enormes reservas em relação a ela. Procurava-se, também, encontrar em cada paróquia uma pessoa que se encarregasse de futuros contactos ou encomendas, fazendo a ligação entre os fiéis interessados, o pároco e a difusora bíblica.

Foi assim que o frei Inácio percorreu o país de norte a sul, entrando em toda a parte, incluindo seminários, quartéis e Esquadras da Polícia, não deixando, quando viajava de comboio, de subir acima dos bancos, chamar a atenção das pessoas com gestos, apresentar rapidamente os livros que trazia na sacola a tiracolo e depois passar pela coxia das carruagens, qual ardina, a estabelecer contactos pessoais e a tomar nota de encomendas ou de assinaturas para a revista. Só ele! O seu lema era: “Menos palavras dos homens e mais Palavra de Deus.” E assim criou, também, uma rede natural de contactos para o rápido escoamento das enormes tiragens que fazia de todos os livros.

Também era estratégia sua começar os Domingos Bíblicos por uma visita à Esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP) local, com oferta de livros, pois isso deixava-lhe o caminho mais livre e o apoio garantido para as acções de venda e propaganda na rua.

Em 1975, com a reorganização do Movimento Bíblico, algumas das dinâmicas anteriores foram mantidas, outras reconvertidas, criando-se novas valências e estruturas. Porque neste artigo só pretendo resumir a História da revista e da Difusora, direi apenas quem, a nível da iniciação e dinamização, os colóquios Bíblicos do frei Inácio foram substituídos por dois Cursos-base, complementares, 1º e 2º grau (A Bíblia, Vida do povo de Deus, e Linguagem Humana da palavra de Deus), a que chamamos Cursos de Dinamização Bíblica[15].

Nestes Cursos pretende-se fazer uma leitura da Bíblia mais ligada à vida, para que a fé tenha um alicerce firme na Palavra de Deus e para que esta seja luz e força do crente na hora de ler os acontecimentos e dar testemunho da sua fé. Também são feitos em sessões de duas horas, ao longo da semana ou em fim-de-semana intensivo, e com esquemas adaptados a jovens. São apoiados por um Caderno do Animador.

A partir de 1980, o Movimento entra na Alemanha e em França, e nos países onde há comunidades portuguesas: Cabo Verde (1981), Canadá (1982), Angola e Luxemburgo (1985), Estados Unidos (1986), Espanha e Suíça (1997), Itália (1998), Moçambique (2002) e Timor-Leste (2003).

5.3. formação bíblica permanente. A iniciação recebida nos vários Cursos, Encontros, Semanas e Retiros é apoiada de modo sistemático e permanente através da revista bíblica e das outras publicações da Difusora Bíblica, destacando-se entre estas a Colecção Cadernos Bíblicos e a Colecção Actualidade Bíblica.

     Revista BÍBLICA popular. Com o mesmo nome, a Difusora edita uma revista popular e outra científica. A revista popular, de nível médio, sai cada dois meses e tem 48 páginas a quatro cores. Destina-se a leitores numa fase de primeiro contacto e descoberta da Bíblia e da sua mensagem, e aos que se servem dela como suporte quase único da sua formação e informação permanente neste campo. Daí a preocupação com a linguagem e na escolha e tratamento dos temas, alternando alguns mais profundos e exigentes com outros mais simples, além de incluir elementos oracionais e celebrativos para viver e animar a Liturgia.

Na fase inicial, esta revista incidiu mais na propedêutica e na espiritualidade bíblica. Depois, entrou no campo monográfico, cobrindo os principais temas de Bíblia e teologia bíblica, incluindo os sacramentos, após a reforma do Vaticano II. Em Janeiro-Fevereiro de 1968, ao cumprir as bodas de diamante com o nº 75, surgiu com uma sensível remodelação, nomeadamente com capa a quatro cores e no formato actual.

A seguir à Revolução de 1974, até Outubro de 1975, ajudou a fazer a leitura bíblica da vida e dos acontecimentos da História, à luz da História da Salvação.

A partir de 1975, cumprindo a deliberação do Capítulo Provincial transcrita na primeira parte deste artigo, procurou seguir «uma orientação mais didáctica, como órgão de apoio e como elemento dinamizador do Movimento Bíblico», com números monográficos. Apostada na evangelização e no apoio ao Movimento Bíblico, de Novembro-Dezembro de 1978 a Setembro-Outubro de 1981 comentou os textos do Evangelho (nº 139-156); de 1981 a 1984, explicou os textos da Primeira Leitura (nº 157-174); de 1984 a 1987, o Salmo Responsorial (n° 175-192); em 1987, até 1992, um comentário ao conjunto das três Leituras dominicais, sob o título “A Mesa da Palavra” (nº 193-222), depois publicado em livro homólogo; e além disso, entre 1988 e 1991, um artigo de frei Joaquim Monteiro sobre os livros da Bíblia donde é extraída a Segunda Leitura.

No n° 229 (1993) iniciou-se “A Palavra meditada”, abrangendo também todas as Leituras, mas só uma página cada Domingo, mantendo-se até 1996 (n° 246). No número seguinte, ainda em 1996, optou-se por acompanhar os temas do Grande Jubileu 2000. Em Novembro-Dezembro de 1999 (nº 265) iniciou-se a “Palavra de Domingo”, que se manteve até concluir o comentário às Leituras dos três ciclos em 2002 (nº 282, de Setembro-Outubro), feito por frei Manuel Rito Dias; primeiro como destacável, depois no caderno central. Recorde-se, também, a série de 75 estudos de “Símbolos Bíblicos” pelo frei Herculano entre Setembro-Outubro de 1993 (nº 228) e Janeiro-Fevereiro de 2002 (nº 278), de que nasceu, em 2001, o livro Símbolos na Bíblia.

Desde Novembro-Dezembro de 2000, a revista apresenta as grandes “Figuras Bíblicas”, que introduzem e sintetizam, de forma personalizada, os grandes temas e acontecimentos da Revelação e da História da Salvação.

Revista BÍBLICA científica. É apenas anual. O número de páginas e o preço são variáveis. É nela que se publicam as conferências feitas na Semana Bíblica Nacional, desde 1993. Aceita permuta com revistas congéneres e faz recensão de publicações de carácter bíblico, pelo que agradece o seu envio para o efeito.

Cursos Bíblicos Especiais. Aos dois Cursos básicos de Dinamização Bíblica, sucederam-se outros em ordem à formação bíblica permanente da fé: cursos especializados e cursos monográficos. O 1º Curso especializado tem por título História da Salvação – Novo Testamento, e foi lançado em Dezembro de 1980 pelo frei Arantes; mas, segundo testemunho do autor em 20.05.2002, apenas foi dado por ele e o seu conteúdo é irrecuperável, pois só existia em fichas que já destruiu; o 2º Curso especializado, escrito pela Equipa Bíblica em Outubro de 1981, intitula-se história da salvação – as suas grandes etapas no Antigo Testamento. Os cursos monográficos são feitos apenas onde já foram realizados os anteriores, ou pelo menos após o primeiro e como forma de crescimento até ao segundo. Indico os mais frequentes: os Profetas, o Evangelista do ano litúrgico, o tema da Semana Bíblica Nacional, sobretudo nos últimos 10 anos; Os Salmos, as Figuras bíblicas, São Paulo e Símbolos bíblicos.

Outros apoios. Além os Cursos, a Equipa Bíblica lançou os Encontros de Grupos Bíblicos de zona, Cursos de Animadores de Grupos, o Dia da Bíblia, o boletim Bíblia e Vida (1976).

O Secretariado Bíblico Nacional, criado em 1979 e orientado por frei Acílio Mendes, retomou a Semana Bíblica Nacional interrompida em 1956 e organizou os Secretariados Bíblicos Regionais (1979)[16], o Encontro Nacional dos Grupos Bíblicos (1980), Retiros Bíblicos (1982), Semanas Bíblicas Regionais (Luxemburgo, 1982-2000); Madeira, 1988; Barcelos, 1992; Porto, 1993; Açores, 1994; Gondomar, 1995-2001; Caxinas, 2002), Cursos de Agentes de Pastoral Bíblica (1981) e as Escolas Bíblicas ou Escolas da Palavra. Também foi então que o Movimento se abriu ao estrangeiro.

    Desde há vários anos, o tema de cada Ano Bíblico tem início na Semana Bíblica Nacional, é estudado na base pelos grupos locais e celebrado em convívio nos Encontros de zona, para encerrar no grande Encontro nacional dos Grupos Bíblicos, em Fátima, no último fim-de-semana de Junho. Na Internet, há dois sítios onde pode encontrar-se connosco para saber quem somos, onde vivemos, o que fazemos; para conhecer e encomendar ou assinar as nossas edições; e para recolher subsídios bíblico-pastorais de estudo e celebração:

www.capuchinhos.org

www.difusorabiblica.com

  centro bíblico dos capuchinhos  

    No dia 08 de Maio de 1993, foi inaugurado em Fátima o Centro Bíblico dos Capuchinhos, com a presença do Ministro Geral da Ordem e do bispo da diocese, D. Serafim Ferreira e Silva. A partir dessa data, para ali foram sendo transferidos progressivamente os vários serviços da difusora bíblica e da revista bíblica, ficando em Lisboa apenas uma sucursal. E foi adquirida uma nova sede para a Editora, a revista e o Secretariado Nacional do Movimento Nacional de Dinamização Bíblica, em cujo rés-do-chão foi inaugurada e benzida pelo bispo de Leiria-Fátima, em 11 de Dezembro de 1998, a Livraria Bíblica.

Actualmente, sob a denominação centro bíblico dos capuchinhos são abrangidos três sectores interdependentes: Casa de Acolhimento para Cursos, Retiros, Grupos e Peregrinos, com salão para 180 lugares, salas de trabalho e reuniões de grupo, 110 camas, sala-de-jantar para 150 pessoas; Fraternidade dos Capuchinhos, onde vivem os Irmãos que mais directamente se dedicam ao apostolado bíblico e se hospedam os Irmãos da Ordem; Sede do Movimento Nacional de Dinamização Bíblica, com espaços para a direcção e administração da difusora bíblica e da revista bíblica, a presidência e Secretariado Nacional do Movimento Nacional De Dinamização Bíblica, uma Livraria Bíblica e uma Biblioteca Bíblica em formação.[17]

 

6. FUTURO?

“irmãos, comecemos”

 

O

Futuro a Deus pertence, bem o sabemos. E por Ele, nada falhará do que for preciso para que se cumpra a sua vontade. Neste momento, e num futuro próximo, os braços dos Capuchinhos são poucos para responder aos apelos de sementeira ou de ceifa que lhes chegam todos os dias. Mas desde sempre dissemos que era preciso corresponsabilizar religiosos e leigos nesta missão; e é com eles que trabalhamos há muitos anos, cuidando da sua preparação e formação.

O futuro do Movimento Bíblico já assente, sobretudo, nos Secretariados Bíblicos Regionais, que, a partir da Semana Bíblica Nacional, descentralizam a reflexão e acção nas várias Semanas Regionais, Encontros de zona, Escolas Bíblicas e grupos bíblicos paroquiais. Talvez fosse altura de realizarmos um sonho do frei Inácio: as Mensageiras do Evangelho; e de retomarmos uma das suas iniciativas da primeira hora: os Amigos da Palavra de Deus”, cuja festa propôs para 25 de Março.

Nunca pretendemos institucionalizar esta opção apostólica ao nível oficial da Igreja. Apenas porque entendemos que ela veio substituir, para os novos tempos, o trabalho de evangelização conatural ao nosso carisma franciscano, que antes exercíamos no ministério da pregação, sobretudo através das “Missões Populares”. Era simples e fácil, oficializá-lo; e, nalguns momentos, poderia libertar-nos de certas pressões e trazer algum benefício, ou levar algumas pessoas mais papistas que o papa a deixarem de franzir o sobrolho quando se fala do apostolado bíblico animado pelos Capuchinhos.  

De vez em quando, vão-se ouvindo vozes para entregar o Movimento à Conferência Episcopal Portuguesa, de modo a ser uma das suas Comissões a organizar, por exemplo, a Semana Bíblica Nacional e outras actividades. Mas, não iríamos com isso, talvez, afastar novamente a Bíblia do povo?

 

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«Sem dúvida pesa sobre nós,

os que por vocação especial recebemos

um chamamento singular,

não apenas manter iniciativas,

mas ao mesmo tempo certa criatividade,

fruto de novas experiências,

e procurar transmiti-las, sem medo!»

 

          Frei Inácio de Vegas

Fundador da Difusora Bíblica e da Bíblica

 


 


[1] in Boletim Oficial, nº 11, 1960, p. 542. O frei Cornélio foi o Superior dos Capuchinhos em Portugal sob cujo mandato foi fundada a Bíblica e a Difusora Bíblica.

[2] Cap., I,1. In Fontes Franciscanas, I – S. Francisco de Assis, Editorial Franciscana, Braga, 1994, 2ª ed., p.156.

[3] Natural de Serafão, concelho de Fafe, onde nasceu a 10 de Outubro de 1928, professou nos Capuchinhos a 26 de Outubro de 1944. Depois de ter sido Ministro Provincial durante vários triénios, foi eleito bispo coadjutor da diocese de Viseu a 8 de Setembro de 1987. Tomou posse como bispo titular a 14 de Setembro do ano seguinte e faleceu no dia 03 de Abril de 2004. Licenciado em Direito Canónico e doutorado em Teologia Moral, foi a seu conselho que o Movimento Nacional de Dinamização Bíblica não se oficializou. Para mais pormenores da sua biografia, ver Bíblica nº 293 (Julho-Agosto 2004) 48.

[4] Como escreveu o jornalista Rui Osório: «No tempo, no nosso país, o que sobrava em religião faltava em fé, os suportes familiares e sociais contavam mais que as convicções cristãs, o sentimento religioso pesava mais que a evangelização [...]. A juntar a tudo isso, pensava-se que o escasso movimento bíblico em Portugal era coisa de protestantes.» Ver “Movimento Bíblico em Portugal – O Carisma dos Capuchinhos”, in Jornal de Notícias de 22.01.89, secção estante.

[5] Para o seu bilhete de identidade e uma síntese biográfica, ver o artigo que escrevi por ocasião da sua morte: “Frei Inácio de Vegas, o apóstolo apaixonado pela Palavra-Pessoa de Deus”, in Bíblica, nº 283 (Novembro-Dezembro 2002) 4-16.

[6] Assim o testemunha frei Fernando de Negreiros, um dos seus alunos e depois o seu mais próximo colaborador, sobretudo na elaboração da Bíblia. Ver “Nele a Palavra de Deus era um fogo devorador”, in Bíblica, nº 283 (Novembro-Dezembro 2002) 12.

[7] Dentre as várias cartas do frei Inácio, sobressai a de 28 de Abril de 1954, uma autêntica carta programática, a partir da qual desenvolvi a referida memória biográfica na revista Bíblica nº 283 (texto nas pp. 6-8).

[8] Por exemplo, numa de 8 páginas, a 16.3.54 fala de «nos deixar ir aos que tantas vezes pedimos para regressar à Província»; a 22.3 diz ao frei Cornélio: «Já lhe comunicarei qualquer notícia que tiver sobre o nosso possível regresso à Província» (resposta do frei Cornélio a 24.3 aconselhando sobre a forma de o pedir ao Ministro Geral); a 17.4 («a ver si luego nos tiene ahí!») e a 28.7 (esta, já a frei Higino de Trascastro, sucessor do frei Cornélio): «Já sabe que me tem à sua disposição para tudo o que puder servir» (alguma insinuação, para além da mera obediência?). E mesmo depois da fundação da Difusora e da revista, o seu desejo manteve-se. Por exemplo, em 4.04.62, de Braga, ao frei Cornélio, que então era Provincial em Castela: «Dentro de um ano, quando terminar o triénio, pela minha parte estou disposto a integrar-me na Província para trabalhar num plano bíblico muito grande!» [sublinhado dele]

[9] Carta de 27 de Julho de 1964. Foi o frei Iglesias quem insistiu com o frei Francisco da mata Mourisca, sucessor do frei Cornélio em Portugal, para que o frei Inácio regressasse a Espanha.

[10] Tendo abandonado a Ordem em 11 de Outubro de 1957, incardinou-se na diocese de Coimbra, seguindo mais tarde a profissão de jornalista e chegando a ser o decano dos jornalistas na Assembleia da República, que por isso lhe atribuiu a Medalha de Honra no Verão de 1991 por ocasião da reforma e lhe prestou uma derradeira homenagem a 12 de Junho de 2003, a propósito da sua morte ocorrida no dia 7 anterior, com um Voto de Pesar, assinado por Deputados de todos os grupos parlamentares.

[11] A ela se refere, em pormenor, o jornal Voz do Santuário de Fátima, na edição de 14 de Maio de 1956, p. 3, coluna 1.

[12] Aí, o frei Miguel de Negreiros assume o cargo de Administrador, cumulando o de Director efectivo até Setembro de 1957, sendo então o de Director assumido pelo frei Fernando de Negreiros, que o há-de ocupar até Maio-Junho de 1964. A partir do nº 54, de Julho-Agosto de 1964, o frei Manuel Pires Ferreira (que também assina com o nome religioso de frei Bernardino de Vide) é o novo Director da revista Bíblica, desempenhando o cargo até Agosto de 1965 (nº 61); nesta altura é substituído por frei José Joaquim Lopes Morgado até Setembro-Outubro de 1978; seguem-se o frei Joaquim Monteiro até Agosto de 1987, o frei Lopes Morgado até Outubro de 1999 e o frei Fernando Gustavo desde Novembro de 1999 até hoje.

[13] Em 1 de Julho de 1962, o frei Cornélio, acusando a recepção de uma carta do frei Inácio de 11 do mês anterior, diz-lhe, de Madrid: «também me chegou a sua oferta “antigo testamento abreviado”. Saiu-lhe magnificamente e muito bem apresentado; para mim é o melhor de todos os seus muitos livros. Parabéns e a minha felicitação mais sincera. E ainda me alegrou mais por ver ainda o meu nome nas licenças» [refere-se ao imprimatur].

[14] Era e foi o director da revista Evangelio y Vida e professor de Sagrada Escritura no Colégio de Teologia da Província Capuchinha de Castela, em Leão. O seu apoio foi decisivo nos primeiros anos da Difusora Bíblica em Portugal. Actualmente, embora incardinado no clero diocesano e jubilado, continua a ensinar Sagrada Escritura naquela cidade. Apoiou sempre as iniciativas editoriais do frei Inácio, e esteve em Madrid a concelebrar e a prestar-lhe homenagem no dia do seu funeral, em 26 de Agosto de 2002.

[15] A palavra dinamização, não sendo alheia à nomenclatura social da época (basta lembrar as Equipas de Dinamização Cultural, da 5ª divisão do MFA), bebeu a sua inspiração no nº 4 da Evangelii Nuntiandi de Paulo VI (8.12.1975), sobre a Evangelização do Mundo contemporâneo, onde surgem três sinónimos seus: «O que é feito, em nossos dias, daquela energia escondida da Boa-Nova, capaz de impressionar profundamente a consciência dos homens? Até que ponto e como é que essa força evangélica está em condições de transformar verdadeiramente o homem deste nosso século. Quais os métodos que hão-de ser seguidos para proclamar o Evangelho de modo que a sua potência se torne eficaz?»

[16] Presentemente, existem os Secretariados Regionais de Abrantes, Algarve, Aveiro, Braga/Viana do Castelo, Coimbra, Guimarães, Lisboa, Madeira, Norte, Pico (Açores), arciprestado do Rochoso, São Miguel (Açores), Setúbal, Vila Franca de Xira, Via Real, arciprestado de Vila Verde, Viseu.

[17] A Casa de Acolhimento e a Fraternidade situam-se na Avenida Beato Nuno, nº 405-407; a sede do Movimento Bíblico, no início da Rua de S. Francisco de Assis, paralela à Avenida e em frente da Casa de Acolhimento.

 

 

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