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ESCREVE:
Lopes Morgado
a
Segunda Regra da Ordem dos Frades Menores, de 1223, São Francisco de
Assis deixou claro:
«A Regra e Vida dos Irmãos Menores é esta:
observar o Santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo...».
Trata-se de viver o Evangelho e, claro, de o anunciar sobretudo com o testemunho
da vida. Mas daqui não se infere forçosamente que os Frades Menores editem os
Livros sagrados ou definam como sua prioridade apostólica iniciar o povo na
leitura da Bíblia e na celebração e partilha da Palavra em grupo.
Pois é
isso mesmo que, pelo menos desde
1975,
se faz na Província Portuguesa dos Frades Menores Capuchinhos. E os vários
Ministros Gerais e Provinciais, que nos visitaram ou tomaram conhecimento deste
apostolado, têm dito que
tal opção apostólica é única em toda a nossa Ordem.
Dela podemos ainda dizer aquilo que o então Ministro Provincial, frei António
Monteiro,
dizia no Relatório ao VII Capítulo Provincial, em 1984:
«É a
actividade apostólica que caracteriza e propriamente identifica a nossa
Província, não apenas a nível das Províncias da Ordem, como já se tem referido a
partir de vários quadrantes, mas também a nível da Igreja em Portugal. Por este
Movimento é que maiormente somos conhecidos em Portugal e, por meio dele, temos
penetrado nos mais diversos sectores da Igreja neste país. A este Movimento
temos dado muito do nosso esforço, das nossas possibilidades, do que temos e
somos.»
1.
OPÇÃO PREFERENCIAL
uma
resposta oportuna
oi no
III Capítulo Provincial, celebrado em Fátima de 22 a 28 de Maio de
1975,
que se votou e aprovou esta Proposição relativa à Pastoral:
«Sentindo urgente necessidade de fazer uma hierarquização preferencial dos
nossos campos de actividade pastoral, encontramos motivações de vária ordem
(sociológicas, teológicas, franciscanas, etc.) que justificam a nossa opção pelo
apostolado bíblico.
Para isso, comprometemo-nos:
a) a
constituir uma Equipa Bíblica a nível da Província que, por sua vez, estruturará
e dinamizará o apostolado bíblico;
b) a
dar à revista
Bíblica
uma orientação mais didáctica, como órgão de apoio e como elemento dinamizador
do
Movimento Bíblico.»
Na apresentação do texto capitular, tal opção vinha assim
motivada:
«parece-nos que devíamos prestar uma atenção especial aos pequenos grupos de
adultos e de jovens a partir duma reflexão da Bíblia que os ajude a interpretar
os sinais dos tempos; pois, sem o apoio das anteriores estruturas sociais e numa
sociedade cada vez mais secular, os cristãos e religiosos serão cada vez mais
chamados a opções que suponham grandes motivações da sua fé.»
O
contexto
disto era o clima criado em Portugal pela chamada “revolução dos cravos” em 25
de Abril de
1974,
que trazia baralhados muitos católicos. A situação anterior era sociológica e
oficialmente favorável à prática cristã. Apoiada na Concordata, a Igreja
Católica gozava de certos privilégios e tinha o exclusivo na utilização dos
meios de comunicação social do Estado e no apoio das forças de segurança para
difundir a sua doutrina e o seu culto. Talvez isso a tivesse, em parte,
adormecido, iludida com as estatísticas em que 90% dos cidadãos se costumavam
assumir como católicos.
Por isso, na grande maioria dos casos, a catequese de adultos tinha-se limitado
à chamada pregação popular ou tradicional, mais moralizadora do que preocupada
em alicerçar a prática e o testemunho de vida na rocha da Palavra de Deus para
sobreviver noutros tempos ou lugares menos favoráveis. Ora, como os novos tempos
eram de liberdade de culto e de expressão para todas as religiões, dialogar com
elas e manter-se fiel à própria fé exigia maior conhecimento da Bíblia e
convicções pessoais mais seguras.
O que estava a acontecer, então? Por um lado, os veios jacobinos e maçónicos
tinham continuado a fluir, por baixo das aparências, desde 1910; por outro,
havia certo complexo recalcado de algumas religiões ou igrejas minoritárias
sempre subalternizadas pelo anterior regime próximo da hierarquia da Igreja
católica; finalmente, alguns partidos de esquerda sentiam que era a sua vez de
impor o rumo do futuro, apoiados no crédito de militantes seus perseguidos,
presos, exilados e mortos por motivos ideológicos no tempo da ditadura. Um dia,
esta polimorfa magma efervescente, porventura menosprezada, entrou em erupção
incontrolável. E a tal maioria estatisticamente católica pareceu não estar
preparada para esse embate, a julgar pelas convulsões surgidas em pessoas,
famílias e movimentos.
Exposta assim a fragilidade dos alicerces, era preciso acudir com urgência para
evitar catástrofes iminentes. Foi o que tentámos fazer nesse Capítulo
Provincial. Mas a opção então feita pelo apostolado bíblico não surgiu de
repente por mera leitura profética da situação socioreligiosa do país: o próprio
texto da Proposição referia o
Movimento Bíblico
e a revista
Bíblica,
já existentes desde
1955
juntamente com a
Difusora Bíblica.
Tratava-se, agora, de reajustar os métodos, a dinâmica e os conteúdos que vinham
sendo desenvolvidos, envolvendo nisso, tanto quanto possível, todos os Irmãos.
Daí a proposta de constituir a tal
Equipa Bíblica,
com o objectivo de dinamizar, antes de mais, a própria Província no seu todo.
Encabeçaram-na, a tempo inteiro, o frei Lopes Morgado e o frei Manuel Arantes da
Silva; e o frei Joaquim Monteiro e frei Acílio Mendes, a meio tempo. Nesta fase
de verdadeira refundação do Movimento Bíblico, foi decisivo o novo Ministro
Provincial,
frei Vítor Arantes
da Silva,
no momento de concretizar a opção dos Irmãos capitulares e no apoio indefectível
à Equipa.

2.
ORIGENS
felizes
coincidências
ecuemos,
então, às
origens.
Se dissermos que tudo começou por causa da guerra civil espanhola de
1936,
não podemos dizer que esta fosse providencial; mas poderemos chamar-lhe
uma
feliz coincidência,
pelo menos para os destinatários do Movimento Bíblico em Portugal. Mais ainda,
sabendo que tal Movimento nasceu em Beja, no Baixo Alentejo, uma das regiões
então mais descristianizadas de Portugal.
Na sua origem esteve o sacerdote Capuchinho
frei Inácio de
Vegas,
da Província espanhola de Castela, que veio para Portugal em 13 de Junho de
1936 e aqui viveu até 1966. Ao entrar em
Portugal, o frei Inácio já era um enamorado pela causa da Bíblia. Ao
aperceber-se do enorme desconhecimento do nosso povo nessa matéria, não demorou
em remediá-la. E começou por editar livros e opúsculos de iniciação aos
Evangelhos em linguagem simples, com larguíssimas tiragens que permitiam
vendê-los a um preço módico. Por outro lado, com o pretexto real da sua
deficiência na Língua Portuguesa, acudia aos aluno do Seminário Menor para a
correcção de provas tipográficas, aproveitando para lhes incutir esse mesmo amor
e entusiasmo pela Palavra de Deus, conforme recorda ainda um seu aluno e nosso
ex-Ministro Provincial, frei Carlos Carvalho. Também era sua estratégia
utilizar, como professor de Latim, o Novo Testamento para exercícios de
tradução, em vez das clássicas Selectas Latinas.
As suas primeiras publicações bíblicas datam de
1951.
Foram: Concordância dos Evangelhos. Jesus meu Caminho, Verdade e Vida,
Famalicão, 196 págs., com nihil obstat de
frei José de Castro del Rio,
II Comissário Geral dos Capuchinhos em Portugal (1948-1951); e História de
Jesus segundo a concordância dos Evangelhos. Pensamentos do Santo Evangelho para
todos os dias do ano, Beja, 196 págs., que em Dezembro já ia na 3ª edição.
Em 19 de Dezembro desse mesmo ano, o novo Comissário Geral,
Frei Mateus do
Souto,
ordena-lha que suspenda essa actividade, dizendo: «A imprensa é boa e
necessária, mas, é para nós fim secundário.» No entanto, nunca nada nem ninguém
o fez parar no seu intento verdadeiramente carismático e precursor, que se
antecipou uma década ao Vaticano II e à Dei Verbum.
Outra
feliz coincidência
foi a eleição de
frei Cornélio de
San Felices,
da Província de Castela, para Comissário Geral dos Capuchinhos de Portugal, em
14 de Janeiro de 1955. Da mesma Província do frei Inácio, e entusiasta, como
ele, da Sagrada Escritura, avalizou de forma clara e oficial a criação da
Difusora Bíblica e da revista
BÍBLICA em 25 de Fevereiro de 1955. A rapidez desta decisão, um dos primeiros
actos do seu governo, só foi possível pela frequente correspondência que vinha
mantendo com o frei Inácio acerca do Movimento Bíblico a fundar em Espanha,
havendo já entre os dois uma grande sintonia de objectivos.
Mas
as
felizes coincidências
vão mais longe: se o frei Cornélio não tivesse sido eleito para responsável da
Ordem em Portugal, talvez a
Difusora Bíblica
e a revista
Bíblica
nunca tivessem sido fundadas no nosso país, sendo-o em Espanha logo que o frei
Inácio para lá regressasse, como era seu desejo manifesto várias vezes ao
Ministro Geral e bem expresso ao frei Cornélio durante todo o ano anterior, em
cartas escritas de Vila Nova de Poiares, onde então se encontrava.
Aliás, por sua vontade teria fundado a Difusora Bíblica em Espanha, antes de
terminar o mandato do frei Cornélio, em 1954; e de facto, este, tudo tentou
nesse sentido. Por isso, o frei Inácio dirá depois ao frei Iglesias, que o frei
Cornélio estaria de acordo,
e ele próprio já lhe tinha enviado um “fundo bíblico” para isso, recolhido junto
das “madrinhas” portuguesas... Mas, em carta de 7 de Maio de 1954, o frei
Cornélio, uma vez que os Padres contactados para fazerem a fundação não
tinham aceite, diz ao frei Inácio: «eu, nestas alturas, já não posso assumir
compromissos que atem os novos Superiores.» E pede para lhe dizer
definitivamente qual o destino a dar ao tal “fundo bíblico”.

3.
FUNDAÇÃO
uma editora e uma revista
ara melhor se apurar o espírito e os objectivos da
Difusora Bíblica e da
revista
Bíblica, fundadas em Beja a 25 de
Fevereiro de
1955,
transcrevo na íntegra o documento da sua constituição oficial:
«DAMOS A NOSSA APROVAÇÃO
OFICIAL à obra
"DIFUSORA
BÍBLICA" e AUTORIZAMOS a publicação da revista
"BÍBLICA",
com a seguinte finalidade:
1º)
Difundir e dar a conhecer a Palavra de Deus, a Bíblia, por meio de edições muito
económicas;
2º)
Formar católicos instruídos, dando assim a conhecer Cristo histórico e completo,
nosso Redentor, Mestre e modelo;
3º)
Tornar uma realidade os apelos dos últimos Romanos Pontífices, segundo as
encíclicas “Providentissimus Deus”, “Spiritus Paraclitus” e “Divino afflante
Spiritu”, de formar novas cristandades familiarizando os fiéis com os Livros
Santos;
4º)
Suplantar a propaganda protestante, etc. etc..
E para
que assim conste e aos efeitos necessários e por considerar estas obras
muitíssimo importantes, assinamos e carimbamos o presente documento.»
As duas obras tiveram a primeira sede no Convento anexo à igreja paroquial do
Salvador, em Beja, então confiada aos Capuchinhos. No ano seguinte foram
transferidas para Lisboa, onde permaneceram até 1996, exceptuando o período
entre Setembro de 1965 e Agosto de 1967, em que estiveram em Fátima; e em Fátima
se encontram hoje, desde 1996.
O nome da
Difusora Bíblica
surge impresso pela primeira vez no cabeçalho de uma carta em 16 de Março de
1955; em Junho sai o primeiro número da revista
BÍBLICA,
dirigida pelo frei Gabriel de Castro Daire
e tendo o próprio frei Inácio como Administrador. Leva o antetítulo de
revista de
cultura e difusão,
tem 32 páginas ilustradas a preto e branco, o formato de 13,5x19 cm, uma tiragem
de 3000 exemplares e a assinatura anual custa 10$00.

4.
PRIMEIROS PASSOS
uma
década vertiginosa
partir daqui, tudo vai entrar num ritmo vertiginoso próprio da personalidade e
eficiência do frei Inácio, simultaneamente um homem de longa oração e acção
intensa, um andarilho incansável e um apóstolo sem sono.
Funda os
Amigos da Palavra de Deus,
que têm como ideário ler, estudar e meditar diariamente a Sagrada Escritura,
contribuir para a sua edição a preços módicos e difundi-la entre o povo.
Num mês, só em duas dioceses, arranja 2000 assinantes da revista, que no início
de
1956
sobem para 7500.
De 8 a 13 de Abril deste ano organiza na Casa dos Retiros do Santuário, em
Fátima, a
I
Semana Nacional de Estudos Bíblicos;
e em 20 de Julho, transfere-se com a Difusora e a revista para Lisboa.
Entretanto, dá início aos
Domingos Bíblicos,
falando da Bíblia ao povo em todas as missas e organizando uma banca de vendas à
saída; e em 28-29 de Dezembro organiza no nosso convento de Lisboa a I Reunião
Bíblica Luso-Espanhola, onde é decidido publicar o Antigo Testamento
Abreviado, que só havia de sair em 1962.
Em
1961,
a Difusora Bíblica adquire um
Pavilhão próprio e aparece, pela primeira vez, na
Feira do Livro de
Lisboa.
Em Agosto e Outubro, o frei Inácio vai aos
Açores
e à Madeira,
respectivamente: em 25 dias nos Açores (ilhas da Terceira, Santa Maria e São
Miguel), coloca 43.972 livros e arranja 3.025 novos assinantes da revista; em 15
dias na Madeira vende 22.769 livros e angaria 1.155 assinaturas.
De 10 a 14 de Setembro de
1962,
orienta na nossa casa de Fátima uns
Colóquios Bíblicos,
modalidade que vinha lançando em todo o país e que seria revitalizada com os
Cursos de Dinamização Bíblica em 1975. A partir de dois opúsculos entretanto
redigidos por ele e profundamente revistos por mim, foi lançado em 1966 um livro
com o mesmo título.
movimento editorial
A actividade editorial também entra em bom ritmo: em fins de
1955
aparece o livro Feitos dos Apóstolos. Em fins de
1956
são editados Os Quatro Evangelhos e em
1957
o frei Inácio lança a campanha de “Um Milhão de Evangelhos”. Neste ano, o
movimento editorial da Difusora Bíblica
era considerado o maior do género em toda a Europa. Em
1958
saem as Cartas de São Paulo, as Cartas Católicas e Apocalipse, o
Missal Bíblico, e os Evangelhos e Actos num só volume; em
1959,
A
Mensagem da Bíblia (Manual Bíblico),
de Carlos de Villapadierna; em
1960,
Salmos e Cânticos do Breviário e Novo Testamento em formato de
bolso; em
1961,
a Via Sacra do Tempo Presente e o Novo Testamento em formato
normal; em
1962,
o Antigo Testamento Abreviado, A Oração na Bíblia e o Missal Diário,
todos organizados pelo frei Inácio; em
1964,
Cristo Vivido, do frei Cândido de Viñayo.
Para avaliar o impacte editorial desta primeira fase, diremos que no triénio de
1957-1960 foram vendidos 510.000 exemplares dos vários livros editados pela
Difusora Bíblica.
a bíblia sagrada
Finalmente,
em Janeiro de
1965,
toda a acção editorial anterior culmina com a edição da
BÍBLIA SAGRADA,
versão segundo os textos originais coordenada pelo biblista Carlos de
Villapadierna,
e acompanhada de perto, no trabalho redaccional e gráfico, pelo frei Fernando de
Negreiros. Num só volume, com o formato de 11,5x16,5cm, tinha 2.199 págs.+8
mapas, em papel bíblia, era vendida ao preço imbatível de 75$00.
Entre
1969-1971,
uma Equipa de biblistas portugueses fez uma revisão daquele texto da
Bíblia Sagrada,
bem como das introduções, notas, lugares paralelos e índice temático-doutrinal.
A eles se ficou a dever o texto editado em Janeiro de
1972
(era a 4ª edição; a anterior estava esgotada há dois anos) e reeditado até
1998,
num total de 19 edições; em
1974,
o frei José Augusto Ramos faria também uma revisão de toda a nomenclatura. O
formato de 1965 foi aumentado de 15.5x16. 5 para 12x19, permitindo reduzir o
número de páginas de 2198 para 1644.
Em
1998
saiu a actual, feita de raiz por 23 biblistas e 9 colaboradores,
coordenados por frei Herculano Alves. Do formato actual (5 edições), foram
vendidos 280.000 ex.; do formato de bolso (2ª ed.), foi vendida a 1ª edição de15
mil; da de altar, 12 mil. Em
2007
sairá a de luxo, comemorativa dos nossos 50 anos e dos 40 anos da nossa primeira
Bíblia.
O MISSAL
BÍBLICO
Embora não seja especificamente dos Textos sagrados, também merece destaque a
edição do Missal Bíblico Dominical e Festivo, em
1958
(em 1960 saía a 3ª edição, de 75.000 ex., e em 1961, a 7ª), e o Missal Diário,
em
1962.
Foi mais uma acção pioneira do frei Inácio em Portugal, proporcionando o acesso
aos textos bíblicos antes ignorados pela maioria do povo; até porque, além do
preço muito baixo, os Evangelhos dominicais vinham enriquecidos com várias
reflexões explicativas.
Em
1967,
o Missal Bíblico Dominical seria actualizado segundo as reformas do
Vaticano II, o mesmo acontecendo em
1969
com o Missal Bíblico Diário.
Em
1971,
era lançado o Missal da Semana Santa,
coordenado por Alcindo Costa, que teve um êxito enorme e ainda hoje teria
muita venda.

5.
A ESTRUTURA E A VIDA
três áreas complementares
esde o princípio, o Movimento Bíblico animado pela Província Portuguesa dos
Frades Menores Capuchinhos foi sendo estruturado em três áreas complementares,
hoje coordenadas por um mesmo
Conselho Provincial do Movimento Bíblico,
embora com responsáveis diferentes em cada sector:
difusão,
ou área editorial (Difusora Bíblica),
iniciação e
dinamização,
ou área pastoral (Equipa Bíblica) e
formação
permanente,
ou área de aprofundamento (revista Bíblica
e Cursos monográficos).
5.1.
edição.
Além da Bíblia Sagrada
num só volume e de vários conjuntos dos seus livros, a
difusora bíblica apresenta no seu
Catálogo uma razoável gama de obras nas seguintes Colecções:
Sagrada Escritura (início em 1998, 8 títulos), Dinamização Bíblica
(início em 1978, 20 títulos),
Viver a Palavra de Deus
(início em 1961, 13 títulos),
Espírito e Vida (início em 1985, 3 títulos), Cadernos Bíblicos
(início em 1990, 85 números), Jubileu 2000 (entre 1996 e 2001, 10
opúsculos), Actualidade Bíblica (início em 2001, 7 números),
Edições Várias (início em 1981, 13 títulos), Coedições
(6 títulos, desde 1973), outras edições fora do mercado (início em
1951, 15 títulos).
5.2.
iniciação e
dinamização.
O meio mais comum para iniciar o povo na leitura e compreensão da Bíblia foi,
entre
1956
e
1975,
uma semana de
Colóquios Bíblicos,
que encerrava sempre com um Domingo Bíblico. Durante a semana, normalmente à
noite, havia uma sessão de uma a duas horas durante a qual se apresentava a
Bíblia no seu conjunto e os vários livros em particular; sem grandes exegeses,
mas com a preocupação de apresentar a Bíblia como o livro do Povo de Deus, livro
de fé e de oração, de modo a motivar as pessoas para a sua leitura e meditação
posterior e para assumir uma fé e vida apostólica na Pessoa de Jesus Cristo –
nosso Caminho, Verdade e Vida.
No
Domingo Bíblico
fazia-se uma exposição de livros no átrio da igreja em todas as Missas e
falava-se da importância da Bíblia. Muitas vezes, de tarde, havia uma festa e
uma passagem pelas casas para apresentar a Bíblia às famílias. Era uma acção
muito importante, porque a maioria das pessoas, pouco frequentadora de
Livrarias, nunca tinha visto a Bíblia na frente ou tinha enormes reservas em
relação a ela. Procurava-se, também, encontrar em cada paróquia uma pessoa que
se encarregasse de futuros contactos ou encomendas, fazendo a ligação entre os
fiéis interessados, o pároco e a difusora
bíblica.
Foi assim que o frei Inácio percorreu o país de norte a sul, entrando em toda a
parte, incluindo seminários, quartéis e Esquadras da Polícia, não deixando,
quando viajava de comboio, de subir acima dos bancos, chamar a atenção das
pessoas com gestos, apresentar rapidamente os livros que trazia na sacola a
tiracolo e depois passar pela coxia das carruagens, qual ardina, a estabelecer
contactos pessoais e a tomar nota de encomendas ou de assinaturas para a
revista. Só ele! O seu lema era:
“Menos palavras
dos homens e mais Palavra de Deus.”
E assim criou, também, uma rede natural de contactos para o rápido escoamento
das enormes tiragens que fazia de todos os livros.
Também era estratégia sua começar os Domingos Bíblicos por uma visita à Esquadra
da Polícia de Segurança Pública (PSP) local, com oferta de livros, pois isso
deixava-lhe o caminho mais livre e o apoio garantido para as acções de venda e
propaganda na rua.
Em
1975,
com a reorganização do Movimento Bíblico, algumas das dinâmicas anteriores foram
mantidas, outras reconvertidas, criando-se novas valências e estruturas. Porque
neste artigo só pretendo resumir a História da revista e da Difusora, direi
apenas quem, a nível da iniciação e dinamização, os colóquios Bíblicos do frei
Inácio foram substituídos por dois Cursos-base, complementares, 1º e 2º grau (A
Bíblia, Vida do povo de Deus, e Linguagem Humana da palavra de Deus), a que
chamamos
Cursos de
Dinamização Bíblica.
Nestes Cursos pretende-se fazer uma leitura da Bíblia mais ligada à vida, para
que a fé tenha um alicerce firme na Palavra de Deus e para que esta seja luz e
força do crente na hora de ler os acontecimentos e dar testemunho da sua fé.
Também são feitos em sessões de duas horas, ao longo da semana ou em
fim-de-semana intensivo, e com esquemas adaptados a jovens. São apoiados por um
Caderno do Animador.
A partir de 1980, o Movimento entra na Alemanha e em França, e nos países onde
há comunidades portuguesas: Cabo Verde (1981),
Canadá (1982),
Angola e Luxemburgo (1985),
Estados Unidos (1986),
Espanha e Suíça (1997),
Itália (1998),
Moçambique (2002)
e Timor-Leste (2003).
5.3.
formação
bíblica permanente.
A iniciação recebida nos vários Cursos, Encontros, Semanas e Retiros é apoiada
de modo sistemático e permanente através da revista
bíblica
e das outras publicações da Difusora Bíblica, destacando-se entre estas a
Colecção
Cadernos Bíblicos
e a Colecção
Actualidade
Bíblica.
Revista
BÍBLICA
popular.
Com o mesmo nome, a Difusora edita uma revista popular e outra científica. A
revista
popular,
de nível médio, sai cada dois meses e tem 48 páginas a quatro cores. Destina-se
a leitores numa fase de primeiro contacto e descoberta da Bíblia e da sua
mensagem, e aos que se servem dela como suporte quase único da sua formação e
informação permanente neste campo. Daí a preocupação com a linguagem e na
escolha e tratamento dos temas, alternando alguns mais profundos e exigentes com
outros mais simples, além de incluir elementos oracionais e celebrativos para
viver e animar a Liturgia.
Na fase inicial, esta revista incidiu mais na propedêutica e na espiritualidade
bíblica. Depois, entrou no campo monográfico, cobrindo os principais temas de
Bíblia e teologia bíblica, incluindo os sacramentos, após a reforma do Vaticano
II. Em Janeiro-Fevereiro de
1968,
ao cumprir as bodas de diamante com o nº 75, surgiu com uma sensível
remodelação, nomeadamente com capa a quatro cores e no formato actual.
A seguir à Revolução de 1974,
até Outubro de
1975,
ajudou a fazer a leitura bíblica da vida e dos acontecimentos da História, à luz
da História da Salvação.
A partir de
1975,
cumprindo a deliberação do Capítulo Provincial transcrita na primeira parte
deste artigo, procurou seguir «uma orientação mais didáctica, como órgão de
apoio e como elemento dinamizador do Movimento Bíblico», com números
monográficos. Apostada na evangelização e no apoio ao Movimento Bíblico, de
Novembro-Dezembro de
1978
a Setembro-Outubro de
1981
comentou os textos do Evangelho (nº 139-156); de
1981
a 1984,
explicou os textos da Primeira Leitura (nº 157-174); de
1984
a 1987,
o Salmo Responsorial (n° 175-192); em
1987,
até 1992,
um comentário ao conjunto das três Leituras dominicais, sob o título “A Mesa da
Palavra” (nº 193-222), depois publicado em livro homólogo; e além disso, entre
1988
e 1991,
um artigo de frei Joaquim Monteiro sobre os livros da Bíblia donde é extraída a
Segunda Leitura.
No n° 229 (1993)
iniciou-se “A Palavra meditada”, abrangendo também todas as Leituras, mas só uma
página cada Domingo, mantendo-se até
1996
(n° 246). No número seguinte, ainda em
1996,
optou-se por acompanhar os temas do Grande Jubileu 2000. Em Novembro-Dezembro de
1999
(nº 265) iniciou-se a “Palavra de
Domingo”, que se manteve até concluir o comentário às Leituras dos três ciclos
em 2002
(nº 282, de Setembro-Outubro), feito por frei Manuel Rito Dias; primeiro como
destacável, depois no caderno central. Recorde-se, também, a série de 75 estudos
de “Símbolos Bíblicos” pelo frei Herculano entre Setembro-Outubro de
1993
(nº 228) e Janeiro-Fevereiro de
2002
(nº 278), de que nasceu, em 2001, o livro Símbolos na Bíblia.
Desde Novembro-Dezembro de
2000,
a revista apresenta as grandes “Figuras Bíblicas”, que introduzem e sintetizam,
de forma personalizada, os grandes temas e acontecimentos da Revelação e da
História da Salvação.
Revista
BÍBLICA
científica.
É apenas anual. O número de páginas e o
preço são variáveis. É nela que se publicam as conferências feitas na Semana
Bíblica Nacional, desde 1993. Aceita permuta com revistas congéneres e faz
recensão de publicações de carácter bíblico, pelo que agradece o seu envio para
o efeito.
Outros apoios.
Além os Cursos, a Equipa Bíblica lançou os Encontros de Grupos Bíblicos
de zona, Cursos de Animadores de Grupos, o Dia da Bíblia, o boletim Bíblia e
Vida (1976).
O
Secretariado Bíblico Nacional,
criado em 1979 e orientado por
frei
Acílio Mendes,
retomou a
Semana
Bíblica Nacional
interrompida em 1956 e organizou os
Secretariados Bíblicos Regionais
(1979),
o Encontro Nacional dos Grupos Bíblicos (1980),
Retiros Bíblicos (1982), Semanas
Bíblicas Regionais (Luxemburgo, 1982-2000); Madeira, 1988; Barcelos, 1992;
Porto, 1993; Açores, 1994; Gondomar, 1995-2001; Caxinas, 2002),
Cursos de Agentes de Pastoral Bíblica
(1981) e as
Escolas
Bíblicas
ou Escolas da Palavra. Também foi então que o Movimento se abriu ao estrangeiro.
Desde há vários anos, o tema de cada
Ano
Bíblico
tem início na Semana Bíblica Nacional, é estudado na base pelos grupos locais e
celebrado em convívio nos Encontros de zona, para encerrar no grande Encontro
nacional dos Grupos Bíblicos, em Fátima, no último fim-de-semana de Junho. Na
Internet, há dois sítios onde pode encontrar-se connosco para saber quem somos,
onde vivemos, o que fazemos; para conhecer e encomendar ou assinar as nossas
edições; e para recolher subsídios bíblico-pastorais de estudo e celebração:
www.capuchinhos.org
www.difusorabiblica.com
centro bíblico dos capuchinhos
No dia 08 de Maio de 1993, foi inaugurado em Fátima o Centro
Bíblico dos
Capuchinhos, com a presença do Ministro Geral da Ordem e do bispo da diocese, D.
Serafim Ferreira e Silva. A partir dessa data, para ali foram sendo transferidos
progressivamente os vários serviços da
difusora bíblica e da revista
bíblica, ficando em Lisboa apenas uma sucursal. E foi adquirida uma nova
sede para a Editora, a revista e o Secretariado Nacional do Movimento Nacional
de Dinamização Bíblica, em cujo rés-do-chão foi inaugurada e benzida pelo bispo
de Leiria-Fátima, em 11 de Dezembro de 1998, a
Livraria Bíblica.
Actualmente, sob a denominação
centro bíblico dos capuchinhos
são abrangidos três sectores interdependentes:
Casa de
Acolhimento
para Cursos, Retiros, Grupos e Peregrinos, com salão para 180 lugares, salas de
trabalho e reuniões de grupo, 110 camas, sala-de-jantar para 150 pessoas;
Fraternidade dos
Capuchinhos,
onde vivem os Irmãos que mais directamente se dedicam ao apostolado bíblico e se
hospedam os Irmãos da Ordem;
Sede do Movimento
Nacional de Dinamização Bíblica,
com espaços para a direcção e administração da
difusora bíblica e da revista
bíblica, a presidência e
Secretariado Nacional do Movimento
Nacional De Dinamização Bíblica, uma Livraria Bíblica e uma Biblioteca
Bíblica em formação.

6.
FUTURO?
“irmãos, comecemos”
Futuro a Deus pertence, bem o sabemos. E por Ele, nada falhará do
que for preciso para que se cumpra a sua vontade. Neste momento, e num futuro
próximo, os braços dos Capuchinhos são poucos para responder aos apelos de
sementeira ou de ceifa que lhes chegam todos os dias. Mas desde sempre dissemos
que era preciso corresponsabilizar religiosos e leigos nesta missão; e é com
eles que trabalhamos há muitos anos, cuidando da sua preparação e formação.
O futuro
do Movimento Bíblico já assente, sobretudo, nos Secretariados Bíblicos
Regionais, que, a partir da Semana Bíblica Nacional, descentralizam a reflexão e
acção nas várias Semanas Regionais, Encontros de zona, Escolas Bíblicas e grupos
bíblicos paroquiais. Talvez fosse altura de realizarmos um sonho do frei Inácio:
as Mensageiras do Evangelho; e de retomarmos uma das suas iniciativas da
primeira hora: os Amigos da Palavra de Deus”, cuja festa propôs para 25 de
Março.
Nunca
pretendemos institucionalizar esta opção apostólica ao nível oficial da Igreja.
Apenas porque entendemos que ela veio substituir, para os novos tempos, o
trabalho de evangelização conatural ao nosso carisma franciscano, que antes
exercíamos no ministério da pregação, sobretudo através das “Missões Populares”.
Era simples e fácil, oficializá-lo; e, nalguns momentos, poderia libertar-nos de
certas pressões e trazer algum benefício, ou levar algumas pessoas mais papistas
que o papa a deixarem de franzir o sobrolho quando se fala do apostolado bíblico
animado pelos Capuchinhos.
De vez em
quando, vão-se ouvindo vozes para entregar o Movimento à Conferência Episcopal
Portuguesa, de modo a ser uma das suas Comissões a organizar, por exemplo, a
Semana Bíblica Nacional e outras actividades. Mas, não iríamos com isso, talvez,
afastar novamente a Bíblia do povo?
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«Sem dúvida pesa sobre nós,
os que por vocação especial recebemos
um chamamento singular,
não apenas manter iniciativas,
mas ao mesmo tempo certa criatividade,
fruto de novas experiências,
e procurar transmiti-las, sem medo!»
Frei Inácio de Vegas
Fundador da Difusora Bíblica e da Bíblica
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in Boletim Oficial, nº 11, 1960, p. 542. O frei Cornélio foi o
Superior dos Capuchinhos em Portugal sob cujo mandato foi fundada a
Bíblica e a
Difusora Bíblica.
Para o seu bilhete de identidade e uma síntese biográfica, ver o artigo
que escrevi por ocasião da sua morte: “Frei Inácio de Vegas, o apóstolo
apaixonado pela Palavra-Pessoa de Deus”, in Bíblica, nº 283 (Novembro-Dezembro
2002) 4-16.
Tendo abandonado a Ordem em 11 de Outubro de 1957, incardinou-se na
diocese de Coimbra, seguindo mais tarde a profissão de jornalista e
chegando a ser o decano dos jornalistas na Assembleia da República, que
por isso lhe atribuiu a Medalha de Honra no Verão de 1991 por ocasião da
reforma e lhe prestou uma derradeira homenagem a 12 de Junho de 2003, a
propósito da sua morte ocorrida no dia 7 anterior, com um Voto de Pesar,
assinado por Deputados de todos os grupos parlamentares.
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