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Roteiro de Leitura da Bíblia (Frei Fernando Ventura)

Título:

Roteiro de

Leitura da Bíblia

Autor:

Frei Fernando Ventura

Copyright © by

Fernando Ventura

e Editorial Presença

Lisboa 2007

Páginas: 184

Fotografia:

Corbis / VMI

Capa:

Ana Espadinha

Composição, impressão e acabamento:

Multitipo

- Artes Gráficas, Lda.

ISBN 978-972-23-3793-9

Depósito legal nº 269030/07

 

1ª Edição: 2007

2ª Edição: 2008

 

Reservados todos os direitos para a língua portuguesa à:

EDITORIAL PRESENÇA

Estrada das Palmeiras, 59

Queluz de Baixo

2730-132 BARCARENA

 

Email: info@presenca.pt

Internet:

http://www.presenca.pt

 

 

 

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:: Editorial Presença

ou directamente ao Autor:

fernandogreat@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 Roteiro de Leitura da Bíblia

  Frei Fernando Ventura

 

Fernando Ventura, orientando um Curso Bíblico

endereço electrónico

fernandogreat@gmail.com

 

 

 

FERNANDO VENTURA

nasceu em Matosinhos. É licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa e licenciado em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, tendo sido professor de Sagrada Escritura no Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro.

No âmbito do movimento de difusão bíblica promoveu encontros de formação nos cinco continentes e colabora como tradutor e intérprete para vários organismos internacionais, entre os quais a Ordem dos Capuchinhos, a Comissão Teológica Internacional no Vaticano, o Conselho Internacional da Ordem Franciscana Secular, a Federação Bíblica Mundial e ainda algumas ONG.

Tem publicado vários artigos de temática bíblica em Portugal e no estrangeiro, e é autor do primeiro estudo sobre Maria no Islamismo, bem como de um estudo exegético sobre o capítulo 21 do Apocalipse.

Pertence ainda ao quadro de redactores permanentes da revista «BÍBLICA».

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O leitor não se encontra diante de mais um trabalho bíblico científico, mas sim de uma proposta de percorrer o Antigo e o Novo Testamento à luz de textos-chave contextualizados nas épocas históricas em que os autores dos 73 livros que compõem a Bíblia os escreveram. 

 

Deste percurso ressalta a continuidade e a coerência da Palavra de Deus e do seu sempre reafirmado propósito de relação com os homens, do Génesis ao Apocalipse.

 

A Bíblia, que é a história de um povo e da sua relação com o seu Deus, contém elementos que a universalizam fazendo de cada homem um potencial destinatário.

 

O percurso de leitura aqui apresentado demonstra essa vertente, «apenas» exigindo, de quem lê, um grande espírito de liberdade e abertura para poder sentir, em toda a sua amplitude, o convite que lhe é feito a descobrir a sua própria relação com Deus, no aqui e agora da Vida.

 

O Roteiro de Leitura da Bíblia destina-se a crentes e não crentes e tem uma pujança própria que de algum modo desafia o leitor a questionar-se em muitos sentidos.

 

 

 

No «ROTEIRO DE LEITURA DA BÍBLIA»,

encontra o leitor os seguintes capítulos:

 

01. A Bíblia nasceu da vida...

02. A religião: ópio do povo ou neurose colectiva?

03. O código «secreto»

04. Como ler um texto bíblico

05. O Deus da Bíblia é o Deus da liberdade

06. O Génesis nas origens...

ou as saudades do paraíso futuro

07. A eco-espiritualidade de Génesis e Apocalipse 21

08. Israel no Egipto. Jehovah ou Javeh?

09. No meio da desgraça levanta-se

a voz dos profetas

10. Um Natal no deserto

11. As catequeses do Novo Testamento

O processo de composição dos Evangelhos

Lucas, o evangelho dos que ninguém quer

Quem se converte de facto, Paulo ou Pedro?

12. A família de Jesus...

Maria Madalena e os irmãos...

13. Mateus e Lucas,

dois mundos à procura de ser de Deus

O diabo do demónio ou um demónio dos diabos...

14. Maria, «deusa» ou modelo e exemplo de fé?

Um possível itinerário de fé, ou um itinerário de fé possível

A esperança que se faz certeza de fé e na fé

A fé que procura, na esperança, a sua certeza

A certeza da esperança realizada que canta a sua fé

A fé que se faz memória da relação que se constrói

A fé do discípulo que aponta o Mestre

A fé que vacila na caminhada e no seguimento.

O receio dos familiares de Jesus

O seguimento. Mesmo vacilando, vai até ao fim, de pé!

A certeza que de novo se faz esperança de fé

   e gera novas experiências de fé

Conclusão

Apêndices

1. Evangelhos e Actos dos Apóstolos

2. A «Lectio Divina»

 

   
 

Transcrevemos, como "aperitivo" para a leitura desta obra, parte do capítulo "Como ler um texto bíblico" (p. 41-43):

 

 

Todas as Bíblias católicas, além do texto bíblico propriamente dito, apresentam, no início de cada um dos Livros da Bíblia, uma contextualização do texto que se segue. Mais ainda, na base de cada página, são explicadas expressões mais difíceis de entender, bem como outros textos de outros livros da Bíblia onde aparece também aquela mesma ideia, palavra ou expressão.

 

Sendo assim, se a intimidade do leitor com a história bíblica não lhe permite situar um determinado texto no seu contexto, o que deve fazer é justamente ler a introdução ao Livro em causa, precisamente para entender o ambiente onde nasceu, por quem, quando e para quem foi escrito. Depois de feita esta «situação» espácio-teológico-temporal, tornar-se-á muito mais fácil ir muito mais fundo na sua compreensão, contando ainda com a ajuda dos comentários de pé de página, que permitem não só encontrar o significado de determinadas expressões que não são de uso corrente, mas igualmente fazer uma leitura transversal que permite ver, por exemplo, como determinada expressão aparece tratada em vários livros bíblicos ao longo do tempo.

 

No fundo, o que está em causa é a necessidade de organizar internamente esta nossa biblioteca de 73 livros, tendo o cuidado de «arrumar» devidamente cada um deles na «prateleira» correspondente, tendo o cuidado de ver com atenção em que prateleira estão arrumados antes de os ler. Fazendo isto, evitam-se confusões e possíveis «escândalos» diante de frases ou expressões que só têm sentido pleno dentro do seu contexto original.

Vejamos:

 

ANTIGO TESTAMENTO

Lei - Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio.

Livros históricos - Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crónicas, Esdras, Neemias, Ester.

Poesia e sabedoria - Job, Salmos, Provérbios, Eclesiastes (também designado por Qohelet), Cântico dos Cânticos.

Profetas maiores - Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel.

Profetas menores - Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

 

NOVO TESTAMENTO

Evangelhos - Mateus, Marcos, Lucas, João.

História - Actos dos Apóstolos.

Cartas atribuídas a Paulo - Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filémon.

Cartas católicas (1) - Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas.

Profecia - Apocalipse.

Livros deuterocanónicos (2) - Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Ben-Sirá e Lamentações.

 

A aventura de «ler» qualquer texto bíblico torna-se, então, também uma aventura de contacto de intimidade com uma cultura que não se identifica totalmente com a nossa, mas de onde brotam as principais intuições dos modelos que orientam as nossas sociedades; e torna-se também um exercício de colocação de cada texto na sua respectiva «prateleira» ou seja, dentro do seu estilo e género literário.

A Bíblia nasceu da Vida; a Vida nasce da Bíblia.

A Bíblia não é uma «manta de retalhos» desconexos. Muito pelo contrário, é o resultado da descoberta progressiva que um povo inteiro faz de si próprio e da sua relação com Deus, mediada pela História, vivida na História onde se faz memória e onde se descobre o Deus da Liberdade e da Libertação.

 

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(1) Chamam-se «católicas» porque dirigidas à universalidade da Igreja e não a uma comunidade específica.

 

(2) Estes livros que denominamos deuterocanónicos são chamados «apócrifos» na tradição protestante. Para além de uma questão de nomenclatura, é a ausência destes livros no cânone protestante que justifica a diferença que existe entre os 73 livros da Bíblia católica e os 66 da Bíblia protestante. Ao tempo da reforma, Lutero não considerou como inspirados os livros do Antigo Testamento que não faziam parte do cânone judaico, ou seja, do conjunto dos livros considerados como inspirados pela tradição de Israel. Ao tempo da queda de Jerusalém, estes sete livros estavam ainda sob avaliação quanto ao seu carácter inspirado. Na linguagem judaica, tratava-se ainda de saber se eram ou não «livros que sujavam as mãos». Com a queda de Jerusalém e o consequente desaparecimento do Estado de Israel, a assembleia de Yabne (cidade localizada do norte de Jafa), liderada pelo partido dos fariseus, decidiu fechar o cânone deixando de fora estes livros. Na linguagem católica, chamamos a estes livros «deuterocanónicos», ou seja, livros que entraram a fazer parte do cânone só bastante mais tarde, no século IV. A tradição católica reserva a designação de «apócrifos» só para os livros que não fazem parte do cânone por não serem considerados inspirados. A designação de «não inspirados» não impede, entretanto, o uso de muitos elementos que só aparecem referidos nestes textos. São muitos os elementos que entraram na tradição e que provêm directamente destes escritos: os nomes dos reis magos, o cavalo de S. Paulo, o episódio da Verónica, os nomes dos pais de Maria, entre muitos outros.

 

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