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No «ROTEIRO DE LEITURA DA BÍBLIA»,
encontra o leitor
os seguintes capítulos:
01. A Bíblia nasceu da vida...
02. A religião: ópio do povo ou neurose colectiva?
03. O código «secreto»
04. Como ler um texto bíblico
05. O Deus da Bíblia é o Deus da liberdade
06. O Génesis nas origens...
ou as saudades do paraíso futuro
07. A eco-espiritualidade de Génesis e Apocalipse 21
08. Israel no Egipto. Jehovah ou Javeh?
09. No meio da desgraça levanta-se
a voz dos profetas
10. Um Natal no deserto
11. As catequeses do Novo Testamento
O processo de composição dos Evangelhos
Lucas, o evangelho dos que ninguém quer
Quem se converte de facto, Paulo ou Pedro?
12. A família de Jesus...
Maria Madalena e os irmãos...
13. Mateus e Lucas,
dois mundos à procura de
ser de Deus
O diabo do demónio ou um demónio dos diabos...
14. Maria, «deusa» ou modelo e exemplo de fé?
Um possível itinerário de fé, ou um itinerário de fé
possível
A esperança que se faz certeza de fé e na fé
A fé que procura, na esperança, a sua certeza
A certeza da esperança realizada que canta a sua fé
A fé que se faz memória da relação que se constrói
A fé do discípulo que aponta o Mestre
A fé que vacila na caminhada e no seguimento.
O receio dos
familiares de Jesus
O seguimento. Mesmo vacilando, vai até ao fim, de pé!
A certeza que de novo se faz esperança de fé
e gera novas
experiências de fé
Conclusão
Apêndices
1. Evangelhos e Actos dos Apóstolos
2. A «Lectio Divina»
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Todas as Bíblias católicas, além do texto bíblico
propriamente dito, apresentam, no início de cada um dos
Livros da Bíblia, uma contextualização do texto que se
segue. Mais ainda, na base de cada página, são explicadas
expressões mais difíceis de entender, bem como outros textos
de outros livros da Bíblia onde aparece também aquela mesma
ideia, palavra ou expressão.
Sendo assim, se a intimidade do leitor com a história
bíblica não lhe permite situar um determinado texto no seu
contexto, o que deve fazer é justamente ler a introdução ao
Livro em causa, precisamente para entender o ambiente onde
nasceu, por quem, quando e para quem foi escrito. Depois de
feita esta «situação» espácio-teológico-temporal,
tornar-se-á muito mais fácil ir muito mais fundo na sua
compreensão, contando ainda com a ajuda dos comentários de
pé de página, que permitem não só encontrar o significado de
determinadas expressões que não são de uso corrente, mas
igualmente fazer uma leitura transversal que permite ver,
por exemplo, como determinada expressão aparece tratada em
vários livros bíblicos ao longo do tempo.
No fundo, o que está em causa é a necessidade de organizar
internamente esta nossa biblioteca de 73 livros, tendo o
cuidado de «arrumar» devidamente cada um deles na
«prateleira» correspondente, tendo o cuidado de ver com
atenção em que prateleira estão arrumados antes de os ler.
Fazendo isto, evitam-se confusões e possíveis «escândalos»
diante de frases ou expressões que só têm sentido pleno
dentro do seu contexto original.
Vejamos:
ANTIGO TESTAMENTO
Lei - Génesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronómio.
Livros históricos - Josué, Juízes, Rute, 1 e 2
Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crónicas, Esdras, Neemias, Ester.
Poesia e sabedoria - Job, Salmos, Provérbios,
Eclesiastes
(também designado por Qohelet),
Cântico dos Cânticos.
Profetas maiores - Isaías, Jeremias, Lamentações,
Ezequiel, Daniel.
Profetas menores - Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas,
Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e
Malaquias.
NOVO TESTAMENTO
Evangelhos - Mateus, Marcos, Lucas, João.
História - Actos dos Apóstolos.
Cartas atribuídas a Paulo - Romanos, 1 e 2 Coríntios,
Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2
Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filémon.
Cartas católicas (1)
- Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas.
Profecia - Apocalipse.
Livros deuterocanónicos (2)
- Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Ben-Sirá e
Lamentações.
A aventura de «ler» qualquer texto bíblico torna-se, então,
também uma aventura de contacto de intimidade com uma
cultura que não se identifica totalmente com a nossa, mas de
onde brotam as principais intuições dos modelos que orientam
as nossas sociedades; e torna-se também um exercício de
colocação de cada texto na sua respectiva «prateleira» ou
seja, dentro do seu estilo e género literário.
A Bíblia nasceu da Vida; a Vida nasce da Bíblia.
A Bíblia não é uma «manta de retalhos» desconexos. Muito
pelo contrário, é o resultado da descoberta progressiva que
um povo inteiro faz de si próprio e da sua relação com Deus,
mediada pela História, vivida na História onde se faz
memória e onde se descobre o Deus da Liberdade e da
Libertação.
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(1)
Chamam-se «católicas» porque dirigidas à universalidade da
Igreja e não a uma comunidade específica.
(2) Estes livros
que denominamos deuterocanónicos são chamados «apócrifos» na
tradição protestante. Para além de uma questão de
nomenclatura, é a ausência destes livros no cânone
protestante que justifica a diferença que existe entre os 73
livros da Bíblia católica e os 66 da Bíblia protestante. Ao
tempo da reforma, Lutero não considerou como inspirados os
livros do Antigo Testamento que não faziam parte do cânone
judaico, ou seja, do conjunto dos livros considerados como
inspirados pela tradição de Israel. Ao tempo da queda de
Jerusalém, estes sete livros estavam ainda sob avaliação
quanto ao seu carácter inspirado. Na linguagem judaica,
tratava-se ainda de saber se eram ou não «livros que sujavam
as mãos». Com a queda de Jerusalém e o consequente
desaparecimento do Estado de Israel, a assembleia de Yabne
(cidade localizada do norte de Jafa), liderada pelo partido
dos fariseus, decidiu fechar o cânone deixando de fora estes
livros. Na linguagem católica, chamamos a estes livros «deuterocanónicos»,
ou seja, livros que entraram a fazer parte do cânone só
bastante mais tarde, no século IV. A tradição católica
reserva a designação de «apócrifos» só para os livros que
não fazem parte do cânone por não serem considerados
inspirados. A designação de «não inspirados» não impede,
entretanto, o uso de muitos elementos que só aparecem
referidos nestes textos. São muitos os elementos que
entraram na tradição e que provêm directamente destes
escritos: os nomes dos reis magos, o cavalo de S. Paulo, o
episódio da Verónica, os nomes dos pais de Maria, entre
muitos outros.
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