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fr. Inácio

de Vegas

(1904-2002)

No dia 25 de Agosto de 2002, em Madrid, partia para a Casa de Deus, a fim de receber a sua "coroa de glória" (2 Tm 4,8), o Padre Inácio de Vegas, Capuchinho espanhol e Fundador do Movimento Bíblico em Portugal. 

Fr. Inácio de Vegas nasceu em Vegas del Condado, a 19 de Setembro de 1904. Em 1936 veio para Portugal onde permaneceu cerca de três décadas. Viveu em Valinha (Ceivães, Monção), em 1936, Barcelos (1937, Porto (1938), na Rua de S. Dinis, Serpa, Fafe (1939-1941), Porto (Rua do Tronco), 1942-1946, Beja (1947-1953), Vila Nova de Poiares (1954), Beja (1955), Lisboa (1956-1964). Em todas estas localidades, para além de se dedicar ao Movimento Bíblico, exerceu os cargos de Superior, Professor do Seminário, Director, Pároco, entre outros. Religioso austero e zeloso, de saúde férrea, o Padre Inácio de Vegas foi um verdadeiro carismático da Palavra de Deus, que procurou difundir através de edições parciais da Sagrada Escritura, de Norte a Sul do País, transformado num verdadeiro «caixeiro-viajante» da Palavra de Deus. Iniciou em Portugal uma obra ímpar, que tornou os Capuchinhos credores da admiração de toda a gente: o apostolado bíblico, respaldado e apoiado pela revista «Bíblica» e pela «Difusora Bíblica», que ao longo dos anos tem posto a sua actividade editorial ao serviço da evangelização do Povo de Deus através da Bíblia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

by a.costa

  VIDAS QUE DEIXAM MARCAS                                               

 

frei Inácio de Vegas

 

 

 

 

 

 

Fundador do Movimento Bíblico

 


Fundador da Difusora Bíblica

e da Revista BÍBLICA

 

 

Lopes Morgado

Em 28 de Agosto de 2003, numa Eucaristia da XXVI Semana Bíblica Nacional, abriu oficialmente a comemoração do Centenário de Nascimento do frei Inácio de Vegas com a evocação partilhada da sua figura e a entrega de uma pagela com a síntese da sua biografia e uma oração para rezar antes de ler a Bíblia; e encerrou no XXV Encontro Nacional dos Grupos Bíblicos, realizado no dia 27 de Junho, com o lançamento de um opúsculo com a sua fotobiografia mais desenvolvida e uma recolha de alguns dos seus ideais, recomendações, pensamentos e sonhos acerca da Palavra de Deus e do Movimento Bíblico, extraídos de cartas e entrevistas suas, bem como de muitos testemunhos daqueles que o conheceram de perto.

Simultaneamente, desde Setembro-Outubro de 2003 até Julho-Agosto de 2004, duas páginas em cada número da revista BÍBLICA reproduzem textos, fotos e testemunhos dele ou sobre ele. E o seu nome já foi dado, em 2001, ao salão-cave do Centro Bíblico dos Capuchinhos, em Fátima, após uma tentativa – frustrada por ele e pelo então Ministro Geral da Ordem, frei Roberto Carraro – de o atribuir a todo o Centro Bíblico em 1993.

Além disso, na revista das Províncias Capuchinhas Ibéricas, Estudios Franciscanos, editada em Barcelona, Espanha, foi-lhe dedicado o artigo “Movimento Nacional de Dinamização Bíblica”, de frei Lopes Morgado, onde o frei Inácio surge como figura central (nº 436, Janeiro-Agosto 2004, pp. 73-113). A mesma dedicatória lhe é feita no livro de poemas de raiz bíblica, em minha memória, de Lopes Morgado, editado pela Difusora Bíblica em Abril de 2004, devido à sua relação com «aquele amor» à Palavra de Deus «a que o frei Inácio chamava “o 8° dom do Espírito Santo”.»

Neste contexto, realizaram-se já os trabalhos de infra-estruturas para a implantação de um Jardim Bíblico no terreno anexo ao referido Centro, para ser inaugurado durante estas comemorações e as do Cinquentenário da Fundação da Difusora Bíblica e da revista Bíblica, que vai decorrer entre as Semanas Bíblicas Nacionais de 2004 e 2007.

Para esta comemoração, além de uma medalha, sairá a História do Movimento Bíblico e, sobretudo, uma outra edição “ilustrada” da Bíblia, em formato de altar, com texto a duas cores e vários cadernos de 8 páginas a quatro cores. Isto, porque, além do mais, este cinquentenário coincide com os 40 anos da Bíblia Sagrada que a Difusora Bíblica editou em Janeiro de 1965, praticamente um ano antes do encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II e da Constituição dogmática Dei Verbum – a qual, por isso, vai ser tema da XXVII Semana Bíblica Nacional, a realizar de 22 a 27 de Agosto de 2004.


 

 

O Movimento de Dinamização Bíblica

e o Fr. Inácio de Vegas

 

Lopes Morgado    

A iniciativa do lançamento do Movimento de Dinamização Bíblica, em Portugal, deve-se ao carismático Padre Inácio de Vegas, da Província espanhola de Castela. Foi providencial a sua vinda para o nosso país, em 1936, pois o Apostolado Bíblico em Portugal, por essa altura, no que se refere à edição e divulgação dos Livros Sagrados, era quase um exclusivo das igrejas de confissão protestante. Andarilho e contemplativo, exigente consigo e afável com os outros, hábil em conseguir financiamentos e profundamente pobre, especulativo e prático, atento à vida e desprendido dela - o Padre Inácio foi, durante vários anos, «o movimento bíblico». Nunca perdia a esperança quando os critérios dos seus superiores pareciam opor-se ao imperativo que em consciência julgava ser de Deus. E sempre encontrou forma airosa de os harmonizar, sem muito inflectir o rumo da sua opção. A violência interior, que por vezes se teria que fazer, acabava mesmo por lhe reacender o ideal e retemperar a coragem, ou fazer surgir novas iniciativas. «Menos palavras dos homens e mais Palavra de Deus» era o seu lema. Não esquecendo que a Palavra de Deus, tendo encarnado, continuava a querer servir-se das mediações humanas. 

As suas primeira edições bíblicas datam de 1951: «Concordância dos Evangelhos. Jesus meu Caminho, Verdade e Vida» (Famalicão); e «História de Jesus segundo a concordância dos Evangelhos. Pensamentos do Santo Evangelho para todos os dias do ano» (Beja). Em 1955, nasce a editorial «Difusora Bíblica» e a revista «Bíblica», cujo primeiro Director é o Padre Gabriel de Castro D'Aire: tem 32 páginas ilustradas a preto e branco e uma tiragem de 3.000 exemplares, é trimestral (quatro números por ano). Nesse ano, o Padre Inácio edita a «História de Jesus», que já vai na 6ª edição, e lança, entretanto, os «Amigos da Palavra de Deus». De 9 a 13 de Abril de 1956 tem lugar, em Fátima, a I Semana Bíblica Nacional de Estudos Bíblicos. Neste ano, o Padre Inácio de Vegas inicia a modalidade apostólica dos «Domingos Bíblicos» por todo o país. Em 1957, a revista «Bíblica» passa a bimestral (6 números por ano), atingindo, em 1958, 11.000 assinantes. Entretanto, em 1961, nos meses de Agosto e de Outubro, o Padre Inácio esteve na Madeira e nos Açores onde desenvolveu diversas actividades ligadas à difusão da Palavra de Deus. Em 1962, saem três livros organizados pelo Padre Inácio: o Antigo Testamento Abreviado, A Oração na Bíblia e o Missal Diário. Em Setembro desse mesmo mês, têm lugar na Casa dos Capuchinhos em Fátima, os «Colóquios Bíblicos» para homens e senhoras, segundo um método que o Padre Inácio de Vegas tinha ido lançando e apurando em cursos e semanas ao longo do país. Este método vai ser renovado em 1975, recebendo o nome actual de «Cursos de Dinamização Bíblica». É sobretudo a esse apostolado que o Padre Inácio se dedica em 1963. 

Em 1964, o Superior Provincial de Castela, com anuência do Padre Comissário Provincial dos Capuchinhos em Portugal, pediu ao Padre Inácio para pôr em marcha o Movimento Bíblico em Espanha. E nesse ano, o Padre Inácio lança, em Espanha, a fundação da «Difusora Bíblica», em Madrid. E, em 1966, o Padre Vegas volta definitivamente para a sua Província na Espanha, nunca deixando, porém, de aparecer em Portugal por diversas vezes, dando o seu apoio e estímulo ao Movimento Bíblico. Em Espanha ocupa-se em abrir novos centros de difusão e estudo da Palavra de Deus. Em fins de 1967, o Padre Vegas partiu para a Venezuela, onde se manteve no lançamento do Apostolado Bíblico até 1969. A sua paixão pela difusão da Palavra de Deus parece não ter limites e, assim, o Padre Vegas lança no México os «Colóquios Bíblicos, publica livros, dirige e chefia a redacção da revista «Orientacion Bíblica».

Em 1989, desde Cidade Victoria, escrevia aos Capuchinhos portugueses:

«Não deveis esquecer que a Difusora Bíblica Portuguesa Beja-Lisboa é o "berço" de todos os centros bíblicos que se foram abrindo em Madrid, no México... e deveis continuar com a batuta na mão, conscientes da vossa vocação, semelhante à dos intrépidos navegantes portugueses de há cinco centúrias. Portugal inteiro deve tornar-se pequeno, principalmente recordando a multidão de pessoas totalmente nas trevas, às quais não chegou a luz verdadeira «que ilumina todo o homem», apesar da advertência de São Paulo a Timóteo (2 Tm 2,9). Podeis ver um sinal dos tempos em como ultimamente se estão a derrubar muros e fronteiras - não será também isso para nós um aviso do Espírito Santo, para que não permaneçamos instalados, encasulados, mais preocupados em saborear os frutos conseguidos do que em abrir novos rumos, recordando a angustiosa palavra do Mestre: «Tenho outras ovelhas...»? (...)

 


 

Um texto de

     D. ANTÓNIO MARCELINO

     (Bispo Emérito de Aveiro)

 

A Bíblia ao encontro

do Povo Cristão

O padre Inácio de Vegas, apóstolo da Bíblia, percorreu o País, com o propósito de levar a Bíblia ao Povo!

 

A realização da 25ª Semana Bíblica Nacional avivou-me a memória de um apóstolo da Bíblia, o Padre Inácio Veigas, capuchinho agora falecido, que há mais de 50 anos começou a percorrer o País, com o propósito de levar a Bíblia ao povo e ajudá-lo a descobrir a riqueza impensável e, também, indispensável da Palavra de Deus, tanto para o despertar, como para o fortalecer da fé.

A realização da 25ª Semana Bíblica Nacional avivou-me a memória de um apóstolo da Bíblia, o Padre Inácio Veigas, capuchinho agora falecido, que há mais de 50 anos começou a percorrer o País, com o propósito de levar a Bíblia ao povo e ajudá-lo a descobrir a riqueza impensável e, também, indispensável da Palavra de Deus, tanto para o despertar, como para o fortalecer da fé.

Assim se iniciou, de maneira persistente e mais tarde organizada, uma acção que não parou mais e se traduz num movimento de dinamização bíblica, animado por encontros, semanas de estudo, retiros, a nível nacional e diocesano, e por milhares de grupos bíblicos espalhados pelas paróquias. As edições da Bíblia multiplicaram-se, as publicações sobre temas bíblicos são já muitas, o trabalho ecuménico, centrado na Bíblia, rompeu muros, a partir da experiência comum entre a Igreja Católica e diversas confissões protestantes na Expo ‘98 e a publicação da Bíblia ecuménica.

O Concilio Vaticano II, pela constituição conciliar sobre a Revelação Divina, chamou a atenção para a importância da Palavra de Deus na vida dos cristãos e da Igreja, realçando a importância de inúmeros documentos do magistério eclesiástico, publicados ao longo de séculos, merecendo entre eles uma especial referência as cinco grandes encíclicas, de Leão XIII (1893) a Pio XII (1943).

Para a Igreja, a Palavra de Deus, que chega até nós pela Revelação, é a força que a conduziu ao longo de vinte séculos e a conduzirá permanentemente. Nem a liturgia, nem a acção pastoral, nem as diversas actividades apostólicas podem dispensar a iluminação e o alimento da Palavra. De igual modo, não se pode pensar numa vida cristã coerente e comprometida com Cristo e com a missão que Ele confiou à Igreja, sem o dom, e a força da Palavra, tornada vida e ao serviço da Vida.

Quando se tem consciência da importância definitiva da Palavra de Deus, logo se compreende o cuidado da Igreja em que ela não se adultere, não se desvirtue, não se torne dependente de interpretações subjectivas ou meramente afectivas e superficiais. Cuidado este que foi por vezes exagerado e privou muitos cristãos do contacto normal com a Bíblia, não recebendo a sua riqueza senão a partir de mediações, nem sempre suficientemente esclarecidas. A pobreza da fé de muita gente, na sua vivência e no modo de se exprimir, é carência manifesta de Palavra de Deus.

Porém, quando a semente cai em boa terra, e esta a acolhe como dom e luz de Deus, até um analfabeto se pode tornar um sábio das coisas divinas. Tenho visto muitas vezes que assim é. Não me faltam exemplos do dia-a-dia na minha missão pastoral ao falar com gente simples, para a qual, tanto a idade avançada como a doença, como tudo da vida, afinal, ajudam a sedimentar a sua riqueza espiritual, a partir da escuta atenta da Palavra.

Quando um dia indaguei de um homem, entrevado irreversivelmente havia mais de quarenta anos, analfabeto de letras humanas, mas detentor visível da sabedoria do Espírito, a razão da sua serenidade e da sua paz, ouvi para não esquecer mais: “Escuto cada domingo, na telefonia, com muita atenção, a Palavra de Deus, guardo-a bem no coração e vou mastigando ao longo da semana. Então o coração vai-se-me abrindo, sou feliz e sei que, mesmo que viva para aqui abandonado, Deus gosta de mim...”

Uma Bíblia em cada casa, lida, meditada e rezada, é sempre uma riqueza para os que nela vivem, uma força reconciliadora, um ponto de apoio para tudo o que a vida traz, uma fonte inspiradora de sentimentos nobres e elevados. É a Palavra viva de um Pai que quer felizes os seus filhos. Na memória da história da salvação dos que descobriram que Deus esteve com eles, experimentamos nós a certeza de que é o mesmo Deus que conduz a nossa história.  

D. António Marcelino

Bispo Emérito de Aveiro

(in «Notícias de Beja», 12.09.2002)


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